Sunday, June 19, 2016

Rio Moda Rio / Blue Man

Quase 50 anos, e a Blue Man continua com fôlego de debutante. Sharon, filha do Davi Azulay, fundador da marca, encara seriamente esta sucessão. Junto com a prima Sol, que se encarregou dos acessórios feitos artesanalmente com resíduos da fábrica, Sharon alinhou a tradição das estampas coloridas e o jeans com os novos caminhos a seguir. Por exemplo:
Trocou as famosas figuras tropicais de papagaios e araras por flores e animais de outras plagas, como a Austrália
Fez o jeans em uma espécie de tressê, em sutiãs e tops
Substituiu as bananas (uma estampa famosa) por abacaxizinhos, dispostos em formato gravataria
Acrescenta muitas variações de saias e vestidos longos, acompanhando as estampas
Dá muita atenção aos complementos. As sandálias altas da Cecconello alertaram para a competência da organização, já que a maior parte foi forrada com as mesmas estampas. Quer dizer, a fábrica de calçados recebeu os tecidos a tempo de fazer o acabamento. As sandálias masculinas são da Virgínia Barros
Outra complementação importante, os colares de franjas de canutilhos, as perneiras de tirinhas, resíduos de Lycras. Sol Azulay criou e confeccionou
Por fim, quando tudo parecia calmo demais, a última modelo saiu de cena, a sala escureceu e começou o barulhão: o lado performático da Blue Man foi o show do Dream Team do Passinho, lançando, entre outras músicas, o Vai dar ruim. Ai, que invejinha, como dançam loucamente! Adorei.


Fotos:Ines Rozario
















































Rio Moda Rio / Alessa

22h25
Nas prévias, Alessandra Migani havia prometido estampas Art Nouveau, tiradas dos trabalhos de papel de parede do inglês William Morris, em modelos quase básicos. Pensei que veria flores e curvas em cáftans e chemises, como sempre. Qual! Alessa deu um show de vestidos longos e curtos (sem exageros, pelos joelhos), com saias em barras, em tecidos fluidos e leves. As tais estampas ganharam um tratamento delicado, mais escurecidas, realçadas por camadas e escondidas entre franzidos e plissados. A definição da designer era de que seriam damas antigas com pegadas esportivas, graças aos complementos com agasalhos com fechos e capuz. Se realmente vimos daminhas com sombrinhas (nas mesmas estampas), vimos também as peças com acessórios como os tênis (também estampados) e mochilas (idem, idem). Mais ainda, com os casacos, lindos hoodies, contrastando nas formas, sem chocar, graças às…estampas! Pelo menos na passarela o efeito foi o máximo, consagrando esta apresentação como uma das melhores da Alessa. Provavelmente na vida real ninguém sairá assim, estampada da cabeça aos pés. Mas que uma mochilinha avulsa, um colete de fotógrafo (que ideia boa!) com um jeans vão muito bem. Na festa, lá vai o vestido lindo, com a assinatura da Alessa.
22h35
E mais / de macacão da coleção, Alessa provoca na plateia a sensação que o John Galliano provocava. Ninguém levanta da cadeira até que ela venha dançando, pulando e agradecendo aos aplausos, com seu sapatinho vermelho. Mereceu a standing ovation, pela bela coleção / interessante como o Rio Moda Rio preserva as identidades dos participantes, sem ficar óbvio. O resultado é uma variedade de propostas extremamente saudável como lançamento de moda. Temos muito a escolher, para renovar o guarda-roupa.

fotos:Ines Rozario