Friday, May 21, 2010

Premio Rio Moda Hype

Rio Moda Hype (1)
A primeira leva do RMH foi na noite de quarta-feira, abriu com o Martins Paulo. Vamos ver cada um:

Martins Paulo – pela segunda vez o cara do Piauí mostra a habilidade em cortes, recortes, volumes, babados, unindo cores como preto, rosa, limão. Grandes braceletes cobertos de tecido replicam as mesmas cores. O tema era Ficção, inspirado no filme Duna. Valia ser qualquer outra coisa, porque acabou ficando bem parecido com o primeiro desfile. Este era um pouquinho mais girlie, agora há um estilo mais maduro. Continua um prodígio de modelagem, como a saia montada em dobras, a outra, em gomos. Os tons também ficam mais neutros do que no primeiro desfile.
O maior impacto foi a manga em forma de cubo, no vestido amarelo.O Martins é bom no seu nicho, mas podia reduzir a arte em prol de uma roupa mais fácil de usar.

Frame – de São Paulo, esta boa surpresa. Patricia Brito faz o tipo de roupa que não impressiona no cabide. Vestida, ooooh – queremos tudo. Blazers longos sobre saias, calças grandonas, chemises azul-clarinho, mesmo o masculino com bermudas e camisas longas – tudo, até a saruel abotoada, deu resultado na sala de desfiles

N.O.A.H. – de Brasilia, assinada por Natalya Aires, uma Alice meio clubber, com vestidos e saias arredondados, calças em quadriculado preto e branco, saias com suspensórios. Engraçadinho, mas precisa de mais tempo

Social Club – Alisson Rodrigues faz um masculino quase básico, composto por calças e bermudas xadrezes, bermudas cargo estilizadas, paletós interessantes, com bolsões. Uma boa, apesar de simples, a camiseta montada em recortes em rosa, gelo e cinza

Carola Coruja – foi a mais conceitual, porque se apoiou nos poemas de Cora Coralina e nas lavadeiras de rio para apresentar peças em algodão cheias de torcidos e amarrados, tinturadas irregularmente. Poético e original

Akihito Hira: também de Brasília, faz masculino muito bom. Inspirado nos trabalhadores das salinas, criou ternos-bermudas, camisaria com detalhes como pontas amarradas, em vez de colarinho, camisas com cós atravessado no corpo, leggings complementando quase tudo. Akihito faz roupa de qualidade e tem carisma. Foi o maior sucesso quando apareceu para os aplausos, todo japinha, de terno preto e gravatinha borboleta, agradecendo com as mesuras orientais.

A segunda etapa contou com uma platéia variada: benedita da Silva, o Jean, vencedor de um BBB e duas rainhas: a Miss Piauí Gay e a Rainha das Caricatas 2010. Só o PRMH para atrair uma fila A tão especial.

Stefania – uma arquitetura orgânicam representada por vestidos em cristal, pregueados em calças, mangas retas, com recortes. Bela calça pregueada, prata. É o sétimo desfile da marca, uma veterana do PRMH

Clash – prometia mais do que mostrou, talvez por um pouco de medo de não serem entendidos. Renata e Eriberto tinham o Sertão Rock Star como tema, mas a graça se esgotou em uma camiseta com figuras de cordel. Destaque para o meio-bolero escamado.

Wagner Kallieno – este veio do Rio Grande do Norte, e agradou pelo trabalho meticuloso de pregas e dobras, inspirado pelas curvas de Niemeyer. É roupa de grande efeito, que imagino que daria boas capas de revistas nas versões em tecido ouro velho.

Manoel Ozi – mais uma linha masculina, esta bem atrevida. Os modelos de bocas pintadas de verde ou azul vestiram coletes, bermudas e pérolas, sungas verdes ou amarelas com debruns pretos. Destaque para as blusas de malha listradas em preto e branco, com gola caída

Julia Valle – a estilista mineira já podia estar na agenda oficial, de tão belos os looks da coleção Descontinuum. Toda em preto, com sobreposições de texturas diferentes. De uma prega nas costas saem penas pretas; entalhes bordados embelezam vestidos e camisões. Calça curta de poás é uma das poucas peças fora do grupo de saias e vestidos em comprimentos assimétricos e alongados. Excelente, a Julia Valle

Thursday, May 20, 2010

Giulieta, para as gatas
Ótima surpresa, a Giulieta, marca da Rosa Duarte e da Priscilla Barcelos, mabas já veteranas de marcas como a Cavendish, Maria Bonita e Lenny, além de estudantes na F.I.T. de Nova York e a Saint Martin, de Londres. Elas estrearam depois de 9 meses de marca, como se fossem habituês de passarelas. Ainda pegaram o risco de uma chuvarada, porque a manhã estava bastante nublada, caiu um chuvão mais cedo, etc. No final, deu certo, e o desfile foi no anfiteatro do Centro Cultural dos Correios, na rua 1º de Março (o que significa, sair correndo de taxi da Marina, não resistir a entrar no Bradesco em frente para ver o saldo, comprar uma pipoca no meio do caminho e outras digressões). Uma roupa garotinha, curta em geral, com laços em decotes,cinturas e mochilas; corações nas sandálias abotinadas e nos decotes de costas. As estampas de máscaras de gatinhos e bichos da África estão na medida certa. Certa para a história da coleção: Giulieta seria uma princesa que foi fazer um safári junto com o gatinho da marca. Assim, o tema do verão é “quem não tem cão caça com gato”. Cômico, porém bonitinho como moda. Na complementação, fofos chapéus coloridos.
Ah, meu destaque é para um vestido na estampa safári, com comprimento nos joelhos. Super chique

Intervalo / saí correndo do seminário Moda + na Marina, depois de falar sobre as tendências internacionais e ouvir o Ricardo Gonzalez falar sobre a evolução de marcas. Fui para o Centro Cultural dos Correios, mas perdi o desfile da Luciana Galeão, baiana de talento que já fez parte dos Novos Designers. Vou ver a coleção no estande dela / caramba, como é alta a música da Rádio Ibiza. Será que eles usam este volume nas lojas para quem trabalham? Estilo Londres, Colônia, outras plagas de moda do mundo
Teargas vai decolar
A intenção do Marcelo Iabrude, da Teargas, era antecipar um estilo futurista, de viagem espacial. Calças com reforços acolchoados, looks em jeans muito claro ou francamente off-white, coletes. Foi só um ponto de partida, escorado nas imagens de viagens espaciais no fundo da sala. Porque o forte do Marcelo é o jeans quase anatômico, de modelagem perfeita, dentro de padrões diferenciados. Nisto, ele decola fácil, com o macacão feminino tomara-que-caia, de gancho baixo, o macaquinho frente-única sobre hoodie de lurex. Quando já começava a concluir que não tem jeito, a moda masculina é mais básica mesmo, etc, lá vem um cara de calça prata! Outro com camiseta prata com estampa em preto, de mãos nos bolsos, andando rapidinho, como se nem pensasse em gravidade zero.
Marcelo começou no Rio Moda Hype, sempre se destacou pelo jeans impecável, colante, justo, agarrado. Fez um bom desfile técnico neste Senac Rio Fashion Business. Falta pouco para decolar com mais turbinas – um ritmo mais lento, alguma atitude especial por parte do elenco, um styling mais doido. Porque roupa, o Iabrude tem.

Intervalo / enfim, Isabela dos Patins apareceu. Nem pensar festa no Rio sem a presença colorida dela / bela coleção da Uma, no corredor que leva à sala de desfiles. Roberto Davidowicz a postos, mostrando as estampas e cortes distorcidos, a mistura de tecidos tecnológicos, típicos da escolha da Rachel, estilista e mulher do Roberto, com trabalhos artesanais, como as trancinhas feitas nas alças de crepe. A Uma vai pular esta edição da São Paulo Fashion Week. “Troquei o desfile por duas lojas novas. Uma nos Jardins, ao lado do Dom (restaurante famoso, em São Paulo) e outra no Leblon, na Dias Ferreira. A estampa de respingos é uma espécie de coating. Claro, se é Uma tinha que ter uma tecnologia especial. Ah, vale a pena esperar até agosto para ter a sandália-botinha da coleção de verão / dia 2 de junho a dupla De Gang + Cavalo faz desfile inaugurando um novo centro cultural no Rio. Tema: uma menina que sonhando que vive dentro de um prato antigo. Adorei / a Casa dos Criadores acontece entre o Business e o Rio (ambos Fashion), em São Paulo.

Wednesday, May 19, 2010

Bumbum, temperadinha
Um dos mais esperados desfiles da semana trouxe a surpresa: Paulo Zulu, todo sorridente, de sungão – dois sungões, na verdade. Pode não ser mais tão esguio, está mais parrudo, mas sem barriga, e com o encanto de sempre. Engraçado, que ele reage surpreso com o calor da platéia, quando ele entra na sala. Sorri, acena, e segue no desfile. Muito bacana com o pessoa e como profissional.
Como o Cidinho, de quem ninguém mais lembra o sobrenome, virou Cidinho da Bumbum. Gente fina, empenhado em valorizar seus produtos, sem ser inconveniente. Só de saber que a marca existe há mais de 30 anos, foi pioneira em descobrir Ibiza como point de verão, sem perder o link com Ipanema, já é um prodígio. Depois de um desfile com figurantes representando meninos de rua, que subiam na passarela, há algumas décadas, Cidinho saiu de cena pela ousadia, considerada demais, na época.
Voltou agora, dentro dos padrões de timing, styling, estilo, etc. Com cores de especiarias em biquínis com franzido lateral, faixas drapeadas nas costas, sutiãs torcidos, calcinhas com babadinhos atrás, vários tamanhos de biquíni. Além da moda praia, a Bumbum lança roupas pós-praia, como túnicas, camisas, pantalonas. A calça palazzo vermelha encerrou o desfile. Bem comportado, mas dentro do padrão Bumbum. No próximo, Cidinho vai falar mais alto e botar a sua irreverência como acessório do show.

Intervalo / acabou o desfile, montaram um making of. Dudu Garcia falou da trilha, Ricardo dos Anjos dos cabelos, Mario Capioli (desculpe, Mario, se o sobrenome estiver escrito errado) fez o make digital, o stylist Felipe do conceito e o próprio Cidinho contou sobre a criação da coleção. Ponto positivo: a platéia ficou na sala. Temia que fosse uma debandada geral, como acontece no final de cada apresentação / outro blog para conferir: WWW.notoriousmagazine.blogspot.com, do Vanderlan, que está morando em Miami
Cholet, pin-up de Fortaleza
Pela primeira vez a Cholet me impressiona. Desde o começo da apresentação, com o look de shorts verde justo, com cintinho e camisa laranja, até os listrados azuis Cruise Line – aqueles largos, de cadeira de deque de navio de cruzeiro antigo – nas camisas e saias. Ficou um estilo sem artifícios e truques regionais, mas também manteve uma originalidade. Isto é fundamental, quando uma marca pretende sair do ninho regional onde atua para vender sua imagem ou o seu trabalho em outras regiões deste país tão grande e diversificado.
Há um pequeno atraso, em relação às concorrentes, mas fica por conta do visual de cabelos longos e lisos das modelos, quando todos tentam sair deste padrão. É lindo, mas já não traz inovação por aqui. De resto, deu tudo certo, todas as estampas são bonitas – gosto mais das pinceladas florais. E a volta do tecido tipo chambray é bem-vinda nos vestidos de cintura marcada por cinto de corda

Intervalo / brinde fofo, o broche de lacinho da Botswana / Tom Azulay circula nos corredores, vou ver as estampas dele na Lyx / uma coisa, as bolsas da Glorinha Paranaguá. Cada vez que passo por ali, acho mais irresistíveis / do lado, a Rosana Bernardes mostra cestas lindas / até o setor Tech está interessante. Só que de vez em quando a gente se sente cobaia de sons, músicas e perfumes ambientes, desenvolvidos pelas empresas expositoras. Muito bacana a produção de cabides de bambu

Santa Ephigênia reencontra as velhinhas de Copa

Lembram do primeiro desfile da Santa Ephigênia, no Jockey Clube da Gávea, em 1993? Foi um sucesso, porque a inspiração era o jeito de vestir das senhorinhas de Copacabana, quando elas saíam para caminhar no calçadão, iam à feira, saíam para dançar nos clubes do bairro...
Era divertido, e deu a partida para a marca, que na época ainda contava com Marco Maia vivo, alegre e cheio de idéias. Marco se foi, e deixou a herança de estilo para Luciano Canale, companheiro e sócio desde a primeira passarela. Luciano faz agora a revisão desta coleção, com muito mais sofisticação.
No camarim do Espaço Tom Jobim, dentro do Jardim Botânico, ele detalhou a coleção destacando o papel dos tecidos e das estampas. Principalmente os motivos de flores e pássaros, desenvolvidos através de gravuras da expedição Langsdorff, que estudou e reproduziu a flora brasileira no século 19. “Como não dava tempo de produzir digitalmente, a Ana Paula Guinle, do ateliê Indumentária, pintou à mão”, disse, mostrando o longo que abriria o desfile. Uma perfeição, sabem aquela pintura que nem tem relevo? Parecia porcelana. Outro tecido, o linho, de novo da Braspérola. “Foi comprada por um francês, está sediada em Recife e voltou com linhos pesados”. Mas a graça da Santa Ephigênia sempre tem a ver com os patchworks criativos e luxuosos. Desta vez, os linhos e algodões se combinam com tiras e entalhes de brocados indianos e tecidos de colcha com pespontos. Nas formas, nota-se a evolução da coleção de inverno, com casacos e boleros sobre os vestidos. Se tem bordado? Claro: são argolinhas e rodelas transparentes, fazendo o bordado que Luciano chama de “orvalho”.
Na complementação, duas belezas. Primeiro, a linha de sapatos, um Oxford dourado com solado de espadrille e uma sandália de tiras largas, no brocado da coleção. Segundo, os chapéus Bromélia, em várias cores, do Denis Linhares.
Intervalo / as modelos carregavam sacolas com galhos de eucaliptos, trigo e mimosa. Que sacolas! Nada de ecobags: são feitas com retalhos da coleção, lindinhas / as bolsinhas de croco lembram bolsas de exploradores, referência Langsdorff / no estande da Essenzia, Sonia Braconnot analisa os arranjos de flores que as visitantes fazem. Personalidade, temperamento, tudo visto através das flores / só vai dar flor no verão. E flor Cult, de gravura de Botânica. Estou fingindo que almoço, na Batata Inglesa, do meu lado senta uma menina, provavelmente aluna da PUC (estava no shopping da Gávea), lendo uma apostila. Título: Ecosistemas Brasileiros. Toda ilustrada com...gravuras de flores em preto e branco. É um sinal!

Drosófila, florais do paraíso

Aves do paraíso e flores em fundo claro enfeitaram a coleção da Drosó, em vestidos com pregueados e apanhados laterais, saias de camadas em vários tipos de texturas (rendas, brilhos, estampas). A marca mineira sempre se destacou pela composição dos looks e desta vez mantece a tradição. Uma das peças ótimas destas composições é a camisa saharienne, sobre saia ou vestido pregueado. Outra peça é o bolero de babados. Outra, o cardigã, que tem aparecido com insistência nos desfiles deverão há pelo menos dois anos – desta vez, devem pegar, como abrigo de lugares com ar condicionado forte ou saídas-de-praia, como sugerem os ewstilistas. Voltando à Drosó, notei que é possível ter roupa bonita com franjas. O que para mim sempre lembrou faroewste ou melindrosa barata, deu certo neste desfile, nos vestidos assimétricos, com franjas e alça de um lado só.
Na complementação, destaque para as tiaras.

Intervalo / um programa de moda do Rio Grande do Sul fica mais acessível agora. Cliquem em WWW.overfashion.com e vejam o trabalho do Francisco Chagas, companheiro de eventos há 14 anos / outro trabalho importante, de Felipe Rocha. Ele coordena as marcas dos pólos de Petrópolis, Teresópolis, e outras cidades com produção de moda. Está funcionando, porque cada vez que passo por este corredor, que leva para a sala de desfiles, noto que há bolsas bonitas, vestidos de renascença, camisetas maneiras / no mesmo corredor está a Uma, do Roberto e da Rachel Davidowicz. Tipo de roupa que dá vontade de tirar das bonecas de vitrine que estão no estande, enfileiradas / a Enseada, moda praia de Cabo Frio, também fica mais perto da gente. Vai abrir loja em Icaraí / a rádio Ibiza funciona a todo vapor. Ou melhor, a todos decibéis, bem aqui do lado

Tuesday, May 18, 2010

Lucidez, tradução vestidos

O segredo do sucesso desta marca carioca que ronda o mundo das feiras e salões: vestidos. Nota-se uma intenção de rejuvenescimento para o verão, graças ao encurtamento das saias, decotes tomara-que-caia, as flores e chapeuzinhos. As estampas são florais extravagantes, coloridas, entremeadas de entalhes rebordados ou transparentes; ou em fundo preto, em listrados desencontrados (as mais bonitas) ou em preto e branco (as mais elegantes). As três se aplicam em modelos tomara-que-caia, com pregas unilaterais ou em versões com babadinhos delicados. Há espaço para a alfaiataria, para os blazers listrados em fundo branco e para um ótimo cachê-coeur. O tom rosado é campeão, a história dos novos volumes se resolve nas mangas com aberturas.
O que não é vestido, um macacão longo, estampado, provocou “ooooooh” na platéia. Em resumo, a Lucidez confirma o talento para a roupa que impressiona e agrada. No próximo desfile, tenho certeza que veremos um show com mais atitude. Quando se vê uma marca com potencial, pinta a exigência de um visual sem medo do conceitual.

Destaque: vestido rosa, pregueado de um lado só

Intervalo / decididamente, Bruna Sottili é uma das modelos mais convincentes. Mas não fica bem com vestido curtinho, de saia rodada / engraçado, ver que surge uma segunda geração de modelos. Há uma segunda Betty Lago, uma segunda Gisele Bundchen, uma Carol Trentini. Elas viraram tipos
Despi burlesca
Uma mudança para melhor, dos temas amazônicos e marajoaras, étnicos made in Brazil, para os corseletes amarrados, estruturados, que não perdem o objetivo praiano. Em lycras de quadradinhos multicoloridos, ou lisos, em tons amarelos e verdes, com destaque para os duas peças com direito a cintinho de verniz. A Despina Filios estreou no Rio Moda Hype, engrenou nas exportações graças ao Fashion Business e ao olhar dos compradores estrangeiros. Agora ela pode encarar esta mudança, dos biquínis com babadinhos nas cavas, dos minivestidos que servem de saídas de praia. Uma boa coleção, com um jeito pin-up, que podia até dispensar o final de drapeados pretos com correntes.

Intervalo / nooosssa, está incrível a montagem deste Fashion Business, com o patrocínio máster do Senac Rio! Vivo me perdendo, de tantos corredores no caminho para o salão de desfiles. E que salão! Bem que a Eloysa Simão podia botar todos os desfiles da semana aqui mesmo. Maior conforto, ar condicionado, espaços bonitos / lounge da Afghan bombando, segundo a Esther Feldman. O brinde faz sucesso, uma tatuagem. Mas a coleção também agrada muito / destaque: bijuteria da Camila Klein. Inspiração em moscas, insetinhos de onde Camila tirou o colorido azulado nas madrepérolas Abalone, os banhos de prata ou de ouro contrastando com os tons azuis, esverdeados e roxos. Uma das peça, o colar com pedras Swarovski, vai para a expo Swarovski, em Nova York
Patricia Vieira faz tudo com o couro
Junto com Carlos Miele, Patricia abriu o dia no Jockey Clube da Gávea. Como sempre, obrigatório correr até o camarim para ver e entender a coleção. Caso contrário, escreve-se que viu renda, filó, jeans, e não era nada disso. Tudo é couro! A tal renda é o seguinte: cordões de couro presos em tule, formando desenhos e arabescos. O jeans é estampa digital, sobre o chamois macio, toda cortadinha e puída a mão, navalhada. Tem couro de tear, tricô, ceroulas de chamois. Muita coisa sai de lembranças de gente que está na moda há muito tempo. Como os vestidos perfuradinhos, “lembra que Frankie Amaury faziam?”, ou o shorts com cós largo, “dos nossos tempos de Waimea”, disse, referindo-se a uma das primeiras lojas de surfewear, na rua Gomes Carneiro, nos anos 60/70.
Da viagem a Fez, no Marrocos, Patricia criou os padrões recortados e estampas quadradinhas, parecendo 3D. A forma geral obedece às dicas da irmã, Andrea Dellal e à sobrinha, Alex. Elas indicaram o justo como shape absoluto, indispensável. No mais, como sempre, Patricia faz modelos simples, que valorizam o material. E coloca o chamois como opção tranqüila para o verão, como casaquinho, túnica, poncho, etc, sobre os biquínis.
No final, a estrela Andrea Dellal adentrou o salão de apostas do Jockey, o maior impacto, de longo azul. De cetim? Jérsei? Claro que não: de couro, de alças fininhas. Como diriam os alemães: Klasse!

Intervalo / muito boas as sandálias da Patricia Vieira, com base na forma de tamanco / cabelos soltos ondulados e sombras verdes. É o que se tem visto, até agora. Mesmo na prévia que fizemos para o Jornal do Brasil, a Malu Oliveira, do Crystal Hair, usou sombra azul nos olhos da Daniele Tabas / Angela Carvalho levou seus sapatinhos para o Leblon, no prédio do Galeto, na Dias Ferreira / Patricia Vieira faz uma roupa bem trabalhada, mas quer vender mais. “Me incomoda o preço ser sempre acima dos R$ 1 mil!”. Só temos um comentário: oba / ela é simples e chique ao mesmo tempo. Para ela, jardineira não é macacão, jumper, salopette, estes nomes vulgares. Ela prefere Dungaree, bem western / no Rio, Patricia vende na Valen, no shopping da Gávea
Carlos Miele chegando mais perto
Miele é meio cometa, passa por aqui de vez em quando e some. Ainda bem que temos a loja no shopping Leblon para ver de perto o que ele anda fazendo. Para o Senac Fashion Business ele trouxe 22 looks, um apanhado de peças que já desfilaram em Nova York e outras inéditas, que só vão para NY em setembro, e entram nas lojas do hemisfério norte lá para maio de 2011.
O que ele trouxe e modificou: tirou as mangas de um casaquinho com correntes aplicadas. Mudou a cor, de rosa para verde, na estampa do vestido de chifon de seda, suavizou o drapeado geométrico. Tudo estará à venda nas lojas de Paris, Nova York e nas brasileiras.
Na complementação, as ankle boots do desfile novaiorquino, porque segundo a Bruna, assistente do Miele, “sapato é mais difícil de produzir rapidamente”. Ainda bem. Porque assim vimos de perto as belas ankle boots com recortes, em preto e dourado.
Ao som de Billy Jean e Come as you are, em versões diferentes das originais, de Michael Jackson e Nirvana, passaram os shorts e skinnies com coletes com correntinhas aplicadas, o vestido com estampa 3D, com uma aba enviesada de um lado só. Uma cor, o verde-esmeralda, visto em longos e curtos. O minidrapeado marca o corpo, sinuoso e acentuando cintura, realçando busto. Enfim, feminilidade absoluta.
Deve ter mãos de artesãs da Coopa Roca, cortes de jeans típicos brasileiros, um colorido tropicalista. Só que estes ingredientes se integram no estilo internacional, uma fórmula que Carlos Miele domina neste vai-e-vem de cometa.
Destaque: calça clochard com camisa de chifon em estampa verde

Intervalo / um jeans do Miele custa cerca de R$ 300 / Ana Gequelin, amada do estilista, é musa perfeita, linda / escondida nas araras, sem chance de desfilar, uma camiseta de malha mescla, com detalhes prateados, irresistível / o elenco de modelos parece seguir um padrão de mulherões, nada de menininhas magrinhas e frágeis. Todas têm pernas, altura, atitude. Alguns nomes: Fabiana Semprebom, Talytha Pugliese, Marcelle Bittar, Michelle Provenzi, Camila Mingori, Luana Teifke, Paula Lourenço / ainda neste ano, será inaugurada mais uma loja Carlos Miele, no Fashion Mall / beleza: cabelos em rabo-de-cavalo desmontado / Bruno Astuto animado, falando da nova loja Balmain, em Paris, na François 1er. “É super-clássica, com aquela roupa ultrajovem lá dentro” / Hildegarde Angel também animada com as preciosidades recebidas de Perla Mattinson e Fernanda Colagrossi. Balenciaga de verdade, Dior autêntico, maravilhas para o acervo de um futuro museu da moda / como a velocidade da internet está baixa, posto aqui no Blogspot,porque facilita entrar depois no site