Friday, February 12, 2010

Ficamos sem McQueen


17 / 03 / 1969 + 11 / 02 /2010
foto Marina Sprogis
Morreu ontem um dos gênios da moda internacional. Alexander McQueen, garoto-prodígio nos anos 1990, filho de um motorista de táxi, foi encontrado morto em Londres.
Como todo grande estilista e criador, McQueen deixa um legado de coleções e desfiles que serão lembrados por quem acompanhou as mudanças na indústria do luxo no final do século 20.
Foi justamente durante a crise da moda parisiense, quando as maisons e grifes mais tradicionais estavam sendo assumidas por grupos empresariais, como o PPR (Pinaud Printemps Redoute) e o poderoso LVMH (Louis Vuitton Möet Hennessy), que o recém-formado na escola Saint Martin, aprendiz de alfaiataria, impressionou as platéias de desfiles com temas como Highland Rape (estupro nas Highlands) ou Góticos. Com pouco mais de 20 anos foi contratado, como substituto de Hubert de Givenchy, depois de uma experiência com John Galliano, na grife comprada por Bernard Arnault, presidente da LVMH. A sociedade francesa se indignou com a chegada do jovem inglês, de estilo rebelde, que aparecia para os aplausos de jeans e camiseta, ao contrário do mestre Givenchy, figurinista de Audrey Hepburn, que usava impecáveis guarda-pós brancos de ateliê.
Mas o talento inegável de McQueen reviveu a grife que estava em decadência. Fez desfiles espetaculares, com direito a lagos e pontes japonesas e estampas de cerejeiras, trilhas com diálogos de seriados de TV, coleções com roupas de couro, gênero dominatrix, e um dos mais bonitos, visto no Cirque d’Hiver com iluminacão precária para lembrar a floresta amazônica e maquilagem com faixa vermelha nos olhos, como pintura indígena.
A marca Givenchy saiu do fundo do poço, pelo menos em prestígio. A clientela antiga podia não comprar as idéias modernas do garotão careca, mas o nome voltou a ter mística de moda.
O estilo – os temas eram polêmicos, e a maneira de mostrar as roupas também. Sapatos de saltos esculpidos, extravagantes; cabelos ou adereços em forma de chifres e corpetes em forma de armadura eram frequentes nas apresentações. Mas o conteúdo tinha a classe da roupa tradicional, da boa alfaiataria inglesa: calças em risca de giz, paletós perfeitos, drapeados gregos nos vestidos.
Em 2.000 o grupo Gucci, integrante do PPR, propôs a formação da grife Alexander McQueen, o que deu oportunidade ao estilista de sair da Givenchy. O sucesso continuou, com apresentações ainda mais sensacionais, como a passarela substituída por um tabuleiro de xadrez gigante, com as modelos interpretando as peças do jogo, ou o último, em setembro, com telão de led e sapatos de salto caranguejo. O garoto-prodígio, bad boy da moda européia, se transformou em estilista reconhecido, com premios do Council of Fashion Designers of America e o Commander of the British Empire. Foi um dos destaques da geração anos 1990, ao lado de Marc Jacobs, John Galliano e Stella McCartney, os dois últimos, colegas de estudos na Saint Martin, a mais famosa escola de moda do mundo.

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