Wednesday, October 07, 2009

Louis Vuitton marca um novo ciclo

Quando um desfile acaba, e dá vontade de sair correndo para postar no blog, só significa uma coisa: foi bom! Saí direto da tenda na Cour Carré do Louvre para o hotel. Tinha que escrever logo sobre o desfile Vuitton.
Se a intenção geral da semana era propor roupas jovens, não há dúvida que Marc Jacobs foi o vencedor da temporada. Karl Lagerfeld chegou perto, com suas jovens camponesas na Chanel, mas a Vuitton veio muito forte.
Algumas razões que provocam entusiasmo:
Extremo estilo aproveitando referências dos anos 1970: tamancos suecos, perucas Angela Davies, tipo black power, jeans com entalhes de outros tecidoss e rabichos de pele pendurados nas bolsas ou tufinhos nos sapatos e sandálias. Nada cheira a naftalina ou sobra de guarda-roupas de consumidoras sessentonas

Interferência de lingerie na modelagem. Quem fez primeiro foi o Jean-Paul Gaultier, que ficou famoso pelo figurino da turnê Blond Ambition, da Madonna. No Brasil, quem tem um trabalho na mesma base (não é cópia) é o Walter Rodrigues, que desenvolve coleções com o povo de Nova Friburgo, com base nos corselets e sutiãs. John Galliano usou peças de modelagem antiga, calções e sutiãs de bojo, na complementação da alta-costura. E a Vuitton me sai com sutiãs Nude segurando alças e faixas retorcidas dos vestidinhos curtos, lindos

O streetwear na tradução militar das saias e coletes com bolsões retangulares. São tão grandes, em tons cáquis ou olivas, que dá para pensar se alguém precisaria comprar uma bolsa LV, se sai com uma roupa-bolsa destas

Os tamanquinhos, tirados dos sabots suecos, fechados, com rebites no solado. Em Chanel, são altos; na Vuitton, têm saltos sabrina ou em forma de uma bolinha prata, e viram mocassins, sandálias com tiras elásticas

Muito jeans entremeado em várias peças, misturado com outras texturas. Com prata, brocados, listrados, etc. Nada previsível, nenhuma calça skinny ou jaqueta comum. É uma aula de atualização do conceito jeans.

Pronto: missão cumprida. Há quem tenha saído do desfile sem entender a história, achando que não vai vender nada. Pode ser que não venda para a clientela Vuitton, que nem sempre é jovem e urbana. Mas como idéia, vai ser um novo ciclo de estilo para a moda global. É a mistura certa de técnicas de alta-costura, como a moulage e o torsade, com a sensualidade da lingerie e a necessidade urbana de uma roupa fácil de usar. Mesmo que não se tenha dinheiro para completar com as super-bolsas de monograma LV.