Monday, June 08, 2009

Hoje foi o primeiro dia para valer, com a agenda de grandes marcas. O teste verdadeiro do local e da organização nova. Por enquanto, deu muito certo. A ambientação e iluminação valorizam o cenário do cais, os restaurantes com decks ficaram umas graças. Se é para achar defeito, digamos que o piso de cimento das salas desvaloriza as roupas, faz falta uma cobertura. E que falta um pouco mais de clima de verão nos desfiles, um calor nativo, um pouco de show.

Fora isso, por enquanto, tudo bem. O Pier Mauá pode ser uma atração forte no Rio. Tem até lugar para estacionar!

Vamos aos desfiles.

Maria Bonita Extra: o Mágico de Oz foi o tema escolhido pela Ana Magalhães, o que resultou na sensualidade ingênua anunciada pela marca. Vestidos curtos, spencers e minissaias rosa, com forro verde por baixo; paletozinhos cinturados com shorts de estampa rabiscada, saia transparente sobre shorts, sempre este truque da transparência sem segundas intenções, a não ser criar estas sobreposições que lembram embalagens de doces. Muitos laços e muitas minis. O luxo ficou no final, nos paetês dourados foscos na camiseta e no vestido de saia transpassada arredondada. Nos acessorios, muitas pulseiras, escarpins com coração gravado na lateral do calcanhar, e em lugar do sapatinho vermelho da Dorothy, do Mágico de Oz, as modelos calçaram chinelos prateados.

Intervalo / Zizi Duarte lançou um guia excelente, com endereços das marcas do Rio. Prático e bonito / banheiros do Fashion Rio muito elogiados, pela limpeza contínua

Cavendish: esquisito, em plena temporada de lançamentos de verão sob a direção de um grupo que preza a cidade, a Cavendish sonha com férias na Bretanha. Cada um cria como quer. O fato é que as cores suaves e as misturas de rendas e paetês, rendas e listras ou paetês com organza,deram bons resultados. Principalmente nos shorts, bermudas e calças de cintura alta e nos vestidos estampados com cenas de barcos, com palas de renda no alto. O xadrez vichy, tão frances de origem, faz as espadrilles, uma calça estreita e um vestido de cintura marcada e saia ampla, em pontas. Gostei dos casaquinhos de crochê marinho. Me lembrou até o Karl Lagerfeld, que sempre inclui uma peça deste tipo nas coleções, “para ajudar as senhoras tricoteiras”, comenta sempre.

Intervalo / pertinho do cais, passa o Pink Fleet, barco turístico do Eike Batista. No céu, tremenda lua cheia / o intervalo entre os desfiles é pequeno, mal dá para escrever algumas linhas. Que saudades do SIMM, de Madri, que dá quase uma hora de intervalo

Melk Z-Da: a queima-roupa, é o título da coleção. Fica mais evidente nos rolinhos de tecido na frente de alguns vestidos em cinzas e beges. São réplicas das cartucheiras pra municão. Fora isso, esta violência urbana se reflete pouco nos elaborados vestidos montados em faixas desencontradas, os tecidos refeitos como aplicações e patches estampados. É tudo muito delicado, nervurado, desfeito ou inacabado com arte, para ser violento.

Intervalo / antes de começar Salinas, encontrei Luiza Brunet, de calça preta e blusa branca. Ela não para de ser lindona / na fila A. Felipe Simão e Luana Piovani / esta é a primeira sala que sai do piso de cimento e faz um forrado de placas com as cores do verão

Salinas: rosa, vermelho, coral, verde, amarelo, falem uma cor e ela estava lá nos biquinis e maiôs da Jaqueline De Biasi. O elenco de tops do mundo vestiu os modelos com amarrados laterais (não são apenas lacinhos), uma alça só, em babado; penas e corações nas estampas. A saída-de-praia passa a ser o microvestido e um casaquinho de twinset pode acompanhar o biquini – sei lá, se der um ventinho...
No final, Isabelli Fontana lançou o novo tecido, uma Lycra aveludada no maiô grená

Intervalo / quase não há tempo para os intervalos, porque a cobertura on-line para o Terra tem que ser the flash. Os desfiles não atrasam. Quando no convite está escrito oito horas, é o tempo da platéia entrar e sentar. Em meia hora, 40 minutos no máximo, o desfile começa. Esta regra vale no mundo inteiro / a equipe de segurança está se aperfeiçoando. Eles são de São Paulo, e aqui no Rio conseguem fazer as entradas das salas com muito mais calma do que na Bienal / até a equipe que coordena as vans é paulista!

Claudia Simões: Claudia deu a partida na alfaiataria de verão do evento. Muito bom, a opção de ter blazers impecaveis, sem o ranço dos anos 1980, calças de linho ou riscadinhas, bermudas cáquis, saias de pregas e os grandes coletes que ficam perfeitos com as bermudas clochard. A estampa saiu de uma blusa comprada pela Claudia em um brechó novaiorquino. O desenho de vitórias-régias alegrou a coleção. Nem puxo a sardinha para o meu lado, mas gostei de ver o desfile com muitos óculos.
A dobradinha Claudia Simões e Luciano Canale dá muito certo. Tanto que ela pretende ampliar o poder dele na marca, para poder ela mesma tratar das franquias e do crescimento da grife.

Intervalo / o lounge do JB está bombando, como sempre. Este é outro ponto forte do Fashion Rio, ter os lounges agrupados em um armazém tão bonito, tão bonito, que tem piso de granito / uma boa, ter carrocinhas do Geneal ao longo do cais / quando começou a chover, pintaram uns lindos guarda-chuvas para os convidados. Só que muitos ficaram tristes, porque estavam crentes que iam levar para casa, de brinde

Printing: Cautela e naturalidade, leveza, fluidez e desestruturação, são metas da Marcia Queiroz para o verão. O que não diminuiu o luxo aparente das roupas. O colorido de cáquis, brancos e laranjas deu fundo para colares enormes, poderosos. Flores são bordadas em fundo nacarado, um vestido de trama em ziguezague é coberto por uma veste de lapela bordada pelo avesso, e a história vai enriquecendo até o blazer todo bordado e as calças de pregas com regatas cobertas de paetês. Nos cabelos em coque banana, apenas faixas.

Intervalo / a impressão deste sábado foi boa, muito conforto. Apesar das salas ficarem distantes umas das outras. E o estacionamento também / ok, para quem voa 11 horas para ver desfiles fora do país, umas caminhadinhas não fazem tanto mal