Saturday, June 27, 2009

Motoboys de bicicleta em Vuitton masculino








Pelo jeito, ninguém vai escapar dos amarelos no próximo verão. Seja aqui, no fim do ano, ou na Europa e América do Norte, no meio do ano que vem. Na coleção da Louis Vuitton masculina, desfilada nesta semana em Paris, a inspiração foi a vida louca dos bikerboys (motoboys de bicicleta) de Nova York.
Ao som de buzinas e sobre um piso de asfalto, passaram blazers de linho com shorts, hoodies de nylon (para os dias de chuva), sobre blusões esportivos e camisetas de ribana.
Marc Jacobs, diretor de criação e Paul Helbers, diretor da marca, chamaram os musos inspiradores de “senhores borboletas da paisagem urbana”.
Como não existe mensageiros sem bolsa, a coleção inclui várias versões de mochilas em couro de avestruz (imaginem, um motoboy com um couro de luxo destes) pastas e bolsas atravessadas ou a tiracolo. E na cartela, muito cinza, branco e o amarelo-taxi de Nova York. Um equivalente do amarelo-gema.

Importante: shorts enrolados, bolsas de couro de avestruz, amarelo-gema

fotos Marina Sprogis

Outro Salão de Moda

Mais um salão de moda abre neste domingo, dia 28. É o Salão Moda Brasil 2009, que lança as novidades da lingerie no Expo Center Norte, em São Paulo. Entre as atrações, destacam-se as palestras.
O Salão vai até dia 30, terça-feira.

Palestras
Dia 28
16h: Sonia Hess de Souza, da Dudalina, fala sobre empreendedorismo feminino. É o case da Dona Adelina Clara Hess de Souza
18h: Tendências da lingerie, com o Angelo Frigerio, que sabe tudo de lycras e afins
Dia 29
15h: Silvio Chadad fala sobre a gestão de vendas através da criação de valor
17h: análise dos desfiles internacionais, por Ellen Massuci
dia 30
15h: Marilia Malzoni fala sobre design de exposição
17h: Angelo Frigerio volta a falar das tendências de lingerie no stand da Rosset

O evento inclui exposições, como o painel de tendências da Concepts Paris, para o verão 2010 e a retrospectiva comemorativa dos 50 anos da lycra.
Mais a exposição de peças de estilistas da Casa dos Criadores: João Pimenta, Gustavo Silvestre, Geraldo Couto, Milena Hamani, e a grife No hay banda, que também estarão na área comercial

A Amni promove um concurso, que dará passagem de ida e volta e cinco dias de estadia em Paris para quem fizer a melhor moulage no stand da empresa. O resultado sai no site www.amni.com.br

Há desfiles diários da Mash, Fruit de la Passion, Lupo

www.salaomodabrasil.com.br

Saturday, June 20, 2009

Convites dão bandeira




A Animale vai ter plissados e drapeados? Pelo jeito, muito, se vale a pista do convite em papel plissado. Vai ser hoje, sábado, o último do dia, que entra às 22h15 para ir ao vivo no GNT.
Já o Ronaldo Fraga antecipa o tema Disneylandia, com o convite de orelhas de Mickey. Vai ser amanhã às 15h30, na sala 2 da Bienal de São
A maratona continua, a internet cai, mas vamos tentando atualizar estes comentários. Até porque aqui, o tom muda em relação ao publicado no Jornal do Brasil, que está dando uma cobertura diária, e em relação ao que sai no Terra, que é a corrida quente, em seguida a cada desfile.
Começo pela Iódice, que fez um belo trabalho, sem perder de vista o fator mais importante na moda: a venda. Valdemar Iódice usou as pérolas como mote, e cobriu de colares os vestidos e composições de saias curtas, regatas e casacos em tons de verdes e peles. Nas estampas, há algas abstratas, caminhos de areia e serpentes marinhas. Nas calças e shorts, o cós sobe, o chamois surge como matéria para o verão. E a seleção de drapeados é vasta, com destaque para os azuis-escuros e os perolados em jérsei stretch gloss e rayons de brilhos perolados.

Ficha

direção de estilo: Valdemar Iódice

styling: Giovanni Frasson

cabelos: Max Weber

direção de desfile: Ruy Furtado

make: Philippe Chancel e Fabiana Gomes

luz: Maneco Quinderé

trilha: Zé Pedro
Forum Tufi Duek

Perdemos o Tufi, ganhamos o Eduardo Pombal, acostumado com a identidade da marca. Estas substituições são sempre dificeis, mas o Eduardo não se saiu mal, apostando em oceanos, peixes, etc. Não foi muito óbvio, estou até agora procurando peixes e cia. nos looks em preto e branco que formaram a maior parte do show. Tinha a estampa de peixe paetizada no vestido seco e as aplicações de cavalos-marinhos, estrelas-do-mar e conchas brancas sobre branco, em outro vestidinho básico. Tirando esta busca, gostei dos vestidos com entalhes de renda, que poderiam ser as guelras dos tubarões.

Intervalo / na platéia, a bela Juliana Góes, morena que participou de um BBB, que está loura. Ficou 40 minutos com a cor louro claro número 40 na cabeça, em pleno shopping Eldorado, para provar que a Koleston é a melhor opção depois do salão. O processo foi feito exatamente como seria em casa, justamente paara demonstrar que dá certo. E deu, Juliana está tão natural, que parece que nasceu loura / Amir Slama cheio de planos para a ABEST, vamos nos encontrar para ele me contar / as modelos são lindas, deslumbrantes. Mas até agora, a maior estrela da semana é o Didier Grumbach

Thursday, June 18, 2009

Nada mais de terninhos, trench-coats, bermudinhas. Segundo os primeiros desfilantes da SPFW, a ordem é virar paletós do avesso, fazer do trench um casaco de verão, complicar muito os paletós femininos. O nylon ganha plissado e floridos pela Priscilla, os algodões se renovam com as nervuras e franzidos do Igor de Barros, da V. Rom. Priscilla se inspirou em um filme iraniano, Igor no alemão Win Wenders, Vai ver, saiu daí a complicação toda

Paola Robba também complicou, mas em função de uma conexão Paris-São Paulo. Ficou bom o amarrado com borlinhas de cortina nos modelos em veludo-lycra, menos bom o gradeado preto, inspirado na torre Eiffel. A estampa em Toile de Jouy também é bonita, a arquitetura em compensação rendeu menos, em listrados e tiras unindo o sutiã e o biquíni

Intervalo - admiro quem consegue fazer perguntas inteligentes (ou nâo) às celebridades na fila A / momento piada, duas louras e um amigo rsolvem se autofotografar na fila A. Na fila B, uma gaiata faz chifrinho nas cabeças / que frase, da V.Rom: o finestreetwear é abraçado na urbanidade do trabalho. Caramba, é tudo isso?

Na Uma, Raquel Davidowicz seguiu seu trabalho em pretos e brancos. Trocou o ar roqueiro pelas formas com mais volume, as calças de gancho baixo e camisas desconstruídas. Enxerguei alguma coisa ds jogo, nos cubos que podem ser dados no cordão, nas estampas que lembravam pedras de dominó. Foi uma impressão. As sandálias de canos altos são diferentes das que temos visto e chamado de sabotas. Um estilo complexo, mas usável

E a Colcci, heim? Bom ver que conseguiram fazer vestidos leves, em tipos diferentes de xadrez, malhas inacabadas, desfiadas, em coletões que mais compõem do que esquentam e a linha jeans, forte da marca, em cores e acabamentos avançados. Culminou com os coatings metalizados, em cobre ou ouro, sobre o jeans blue.
Na platéia, Maitê Proença, luciana Gimenez, Carolina Dickmann, Ana Furtado e outras beldades. Na passarela, Gisele, como sempre linda; Rodrigo Hilbert, de cabelo raspadinho, super aplaudido e o Jesus luz, com cara de medo. Que é isso, rapaz? Com este olhão, tem que ter atitude forte.

Intervalo / por que as salas de imprensa fecham à meia-noite? Deve ser para o hotel faturar com a internet no quarto / até agora, elejo o SPFW como o evento mais confortável para quem rala na cobertura de imprensa. Tem salinhas para alguns veículos, com computador e tudo. Bate Nova York, que já é bem organizado, e deixa longe Paris, que temn uma mísera sala de imprensa, com meia dúzia de computadores. Fala sério / não seria melhor começar de manhã, e ficar o dia inteiro para os desfiles? à noite, fechava mais cedo.

Wednesday, June 17, 2009

Começa a semana em São Paulo




Abriram as portas da São Paulo Fashion Week. A ambientação é homenagem à França, com imagens de Torre Eiffel e arabescos em estilo Toile de Jouy na fachada e nas paredes. Onde havia um boneco carregando bolas, na edição de inverno, pendura-se um lustre feito com cerca de 2.500 garrafinhas plásticas.
Nos andares acima, as roupas de alta costura do acervo de Bethy Lagardere mostram de perto a perícia e a arte de Dior, Cardin, e outros grandes nomes.
Os velhos banquinhos de cartão, que Paulo Borges tanto gosta, “tenho até na minha casa”, costume dizer, estão devidamente achatados e pintados de branco com listras azuis. Mas alternam os espaços com cortinas vermelhas, um detalhe que ficou moderno, clássico, francês e ao mesmo tempo, tem a dose de teatralidade que a moda exige atualmente.

A Natura ofereceu o tradicional almoço de pequenos quitutes e a apresentação de novas cores de batom – o alaranjado 13 e o rosa-magenta 02 – a sombra também alaranjada Duo 08 e os tons cáquis no Duo 04.A Sheila Nishi, que trabalha no desenvolvimento de fragrâncias, recebia os convidados para mostrar as novas águas de Natura, Arte, Paixão, Beleza e Alquimia, exclusivas do evento até outubro, quando enfim serão vendidas para o público, a R$ 40,50 o vidro. Entre as composições, destaque para as notas de base de cacau ou de breu-branco (uma resina de árvore) com a saída de estoraque (planta com cheirinho de manjericão)

Os desfiles começam às 15h com a Osklen abrindo os trabalhos, inspirada no Carnaval . E hoje, acabam com Gisele Bündchen Brady estrelando de novo a Colcci.

Tuesday, June 16, 2009


Didier Grumbach abre SPFW com briho

A edição traduzida do livro lançado no final dos anos 90 ficou melhor do que a origina l francesa da Seuil. Uma capa dura, com fotos dos anos 60, projeto gráfico de Maria Carolina Sampaio valorizou a edição da CosacNaify. O livro-referência, escrito por Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa da Moda, abriu os trabalhos do verão 2009/10 da São Paulo Fashion Week.
Além de pacientemente assinar os livros, com caneta dourada, Monsieur Grumbach deu uma palestra sobre a evolução da moda parisiense. Todo moderno, com paletó marrom Issey Miyake, com pespontos que davam ares amassados, ele deu lições de como defender a moda do seu país e pontificou sobre o destino dos novos estilistas. “Eles devem ter um sócio minoritário, que trate das finanças. O grande desafio dos novos é manter a criatividade, o lado artístico e ao mesmo tempo gerar uma empresa que dê lucros, que seja financeiramente viável”, aconselhou.

E as marcas consagradas? “Estas devem ser renovadas antes que envelheçam junto com as clientes. Quando Hubert de Givenchy me perguntou o que deveria fazer com sua marca, respondi – “venda, e bem caro!”. Foi o que ele fez, o que não impediu que chorasse quando viu o estrago que foi feito depois com seu nome”.

Sobre a moda brasileira, primeiro foi diplomático, alegando que Paulo Borges saberia responder melhor do que ele. Depois engrenou a sério.”O problema inicial é a estação contrária, depois, os problemas de logística. Temos cada vez mais coleções, Chanel faz oito por ano! O Brasil tem um savoir-faire inigua láve l, destaco os jeans e os produtos em couro. É preciso trabalhar de forma regular, saber concorrer com as redes de fast fashion”.

A propósito das crises econômicas, repetiu o que sempre diz, durante as semanas de desfiles em Paris. “A crise atual vai mudar a maneira de fazer moda. Um desfile, serve para que? Quando acontece, as peças serão lançadas pela Zara muito antes do seu criador conseguir produzir. O certo será ter uma gama de produtos que não são muito moda, e mostrar uma coleção de alta-costura, para a imagem. “
E mais. “Se um criador faz um desfile, não espera uma grande cobertura. Porque as revistas só valorizam quem anuncia em suas páginas. A imprensa não pode se permitir dispensar a publicidade. A solução pode estar na internet, temos que descobrir a forma certa de utilizá- la”
Muitas marcas tradicionais estão voltando a fazer sucesso. Thierry Mugler voltou a fazer moda, graças ao perfume, que vende muito bem. A marca Vionnet, no entanto, não é revivida, porque ninguém conhece, não tem um perfume associado e não gera mais energia nenhuma. O dinheiro é um dos fatores importantes, mas é apenas mais um fator. Mais importante é a energia”.
Por fim, “atualmente, um criador deve começar mostrando o prêt-à-porter, depois faz a alta-costura, pela imagem. Se começar pela alta-costura, arrisca permanecer a vida inteira como artesão”.

Sunday, June 14, 2009

A próxima atração

Enquanto os rescaldos do Fashion Rio deixam boas lembranças da semana organizada, impecável como estrutura, há também cabeças apreensivas com o que pode acontecer daqui para a frente. Não se esconde de ninguém que haverá uma seleção maior na próxima edição. Nesta, saíram Complexo B, Elisa Chanan, Homem de Barro, Virzi, Marcia Ganem, Ivan Aguilar, Koolture e Kylza Ribas. Mas pode ser que saiam outros, e a apreensão continua. Quais os critérios? Coleção fraca, todo mundo faz, de vez em quando. Baixa qualidade, às vezes é até proposital, nestes tempos de corte a laser e costuras esmerilhadas. Por que haveria corte no Rio, e não em São Paulo?
Tudo depende do ponto de vista. Quem está de fora, sabe muito pouco dos bastidores deste processo. É difícil decidir quem fica, quem vai, porque o que nos parece feio hoje, representa a novidade de amanhã. Se a marca não tem poder financeiro para fazer um espetáculo, talvez tenha potencial de criatividade pra se transformar em referência de tendências.
É um momento complicado para todos, inclusive para quem toma estas decisões, com o risco de comprometer o lado inovador da moda brasileira.

Mas vamos aguardar a próxima atração, a 27ª São Paulo Fashion Week, que começa nesta semana. Antes dos desfiles há palestras, exposições e até cineminha, para alongar a temporada. Importante é a hora da onça beber água, isto é, o conteúdo das coleções. Sem elas, não há evento, ninguém se abala de sua cidade e fica fora por tantos dias.
Nesta edição deixam de desfilar Blue Man, O Estilista e Amapô. Nos elencos, a cota de 10% será preenchida com mulatas, negras e índias. No Fashion Rio, deu certíssimo, as meninas eram muito bonitas. Em São Paulo, podíamos ter mais modelos descendentes de japoneses, chineses ou coreanos. A Juliana Imai é uma bela representante, mas vale ter mais.

Vejam a agenda
SPFW
Verão 2009/2010
17 a 22 de junho de 2009

Quarta, dia 17
15h Osklen
17h Priscilla Darolt
18h V.Rom
19h Paola Robba
20h15 Uma Raquel Davidowicz
21h30 Colcci

Quinta, dia 18
13h30 Iodice
15h30 Maria Bonita
16h30 Alexandre Herchcovitch (fem)
17h30 Cori
19h Forum Tufi Duek
20h15 Huis Clos
21h30 Cia. Marítima

Sexta, dia 19
12h15 Reinaldo Lourenço
15h30 Simone Nunes
16h30 Agua de Coco por Liana Thomaz
17h30 Carlota Joakina
18h30 Fabia Bercsek
19h30 Ellus
21h Triton

Sábado, dia 20
12h45 Gloria Coelho
13h45 Gloria Coelho
15h30 Erika Ikezili
16h30 Maria Garcia
17h30 FH por Fause Haten
19h 2nd Floor
20h15 Oestúdio
21h30 Animale

Domingo, dia 21
12h Cavalera
14h30 Néon
15h30 Ronaldo Fraga
17h Jefferson Kulig
18h Mario Queiroz
19h30 Lino Villaventura

Segunda, dia 22
15h Isabela Capeto
16h Wilson Ranieri
17h Movimento
18h Alexandre Herchcovitch (masc)
19h Reserva
20h15 Samuel Cirnansck
21h30 André Lima

Monday, June 08, 2009

Hoje foi o primeiro dia para valer, com a agenda de grandes marcas. O teste verdadeiro do local e da organização nova. Por enquanto, deu muito certo. A ambientação e iluminação valorizam o cenário do cais, os restaurantes com decks ficaram umas graças. Se é para achar defeito, digamos que o piso de cimento das salas desvaloriza as roupas, faz falta uma cobertura. E que falta um pouco mais de clima de verão nos desfiles, um calor nativo, um pouco de show.

Fora isso, por enquanto, tudo bem. O Pier Mauá pode ser uma atração forte no Rio. Tem até lugar para estacionar!

Vamos aos desfiles.

Maria Bonita Extra: o Mágico de Oz foi o tema escolhido pela Ana Magalhães, o que resultou na sensualidade ingênua anunciada pela marca. Vestidos curtos, spencers e minissaias rosa, com forro verde por baixo; paletozinhos cinturados com shorts de estampa rabiscada, saia transparente sobre shorts, sempre este truque da transparência sem segundas intenções, a não ser criar estas sobreposições que lembram embalagens de doces. Muitos laços e muitas minis. O luxo ficou no final, nos paetês dourados foscos na camiseta e no vestido de saia transpassada arredondada. Nos acessorios, muitas pulseiras, escarpins com coração gravado na lateral do calcanhar, e em lugar do sapatinho vermelho da Dorothy, do Mágico de Oz, as modelos calçaram chinelos prateados.

Intervalo / Zizi Duarte lançou um guia excelente, com endereços das marcas do Rio. Prático e bonito / banheiros do Fashion Rio muito elogiados, pela limpeza contínua

Cavendish: esquisito, em plena temporada de lançamentos de verão sob a direção de um grupo que preza a cidade, a Cavendish sonha com férias na Bretanha. Cada um cria como quer. O fato é que as cores suaves e as misturas de rendas e paetês, rendas e listras ou paetês com organza,deram bons resultados. Principalmente nos shorts, bermudas e calças de cintura alta e nos vestidos estampados com cenas de barcos, com palas de renda no alto. O xadrez vichy, tão frances de origem, faz as espadrilles, uma calça estreita e um vestido de cintura marcada e saia ampla, em pontas. Gostei dos casaquinhos de crochê marinho. Me lembrou até o Karl Lagerfeld, que sempre inclui uma peça deste tipo nas coleções, “para ajudar as senhoras tricoteiras”, comenta sempre.

Intervalo / pertinho do cais, passa o Pink Fleet, barco turístico do Eike Batista. No céu, tremenda lua cheia / o intervalo entre os desfiles é pequeno, mal dá para escrever algumas linhas. Que saudades do SIMM, de Madri, que dá quase uma hora de intervalo

Melk Z-Da: a queima-roupa, é o título da coleção. Fica mais evidente nos rolinhos de tecido na frente de alguns vestidos em cinzas e beges. São réplicas das cartucheiras pra municão. Fora isso, esta violência urbana se reflete pouco nos elaborados vestidos montados em faixas desencontradas, os tecidos refeitos como aplicações e patches estampados. É tudo muito delicado, nervurado, desfeito ou inacabado com arte, para ser violento.

Intervalo / antes de começar Salinas, encontrei Luiza Brunet, de calça preta e blusa branca. Ela não para de ser lindona / na fila A. Felipe Simão e Luana Piovani / esta é a primeira sala que sai do piso de cimento e faz um forrado de placas com as cores do verão

Salinas: rosa, vermelho, coral, verde, amarelo, falem uma cor e ela estava lá nos biquinis e maiôs da Jaqueline De Biasi. O elenco de tops do mundo vestiu os modelos com amarrados laterais (não são apenas lacinhos), uma alça só, em babado; penas e corações nas estampas. A saída-de-praia passa a ser o microvestido e um casaquinho de twinset pode acompanhar o biquini – sei lá, se der um ventinho...
No final, Isabelli Fontana lançou o novo tecido, uma Lycra aveludada no maiô grená

Intervalo / quase não há tempo para os intervalos, porque a cobertura on-line para o Terra tem que ser the flash. Os desfiles não atrasam. Quando no convite está escrito oito horas, é o tempo da platéia entrar e sentar. Em meia hora, 40 minutos no máximo, o desfile começa. Esta regra vale no mundo inteiro / a equipe de segurança está se aperfeiçoando. Eles são de São Paulo, e aqui no Rio conseguem fazer as entradas das salas com muito mais calma do que na Bienal / até a equipe que coordena as vans é paulista!

Claudia Simões: Claudia deu a partida na alfaiataria de verão do evento. Muito bom, a opção de ter blazers impecaveis, sem o ranço dos anos 1980, calças de linho ou riscadinhas, bermudas cáquis, saias de pregas e os grandes coletes que ficam perfeitos com as bermudas clochard. A estampa saiu de uma blusa comprada pela Claudia em um brechó novaiorquino. O desenho de vitórias-régias alegrou a coleção. Nem puxo a sardinha para o meu lado, mas gostei de ver o desfile com muitos óculos.
A dobradinha Claudia Simões e Luciano Canale dá muito certo. Tanto que ela pretende ampliar o poder dele na marca, para poder ela mesma tratar das franquias e do crescimento da grife.

Intervalo / o lounge do JB está bombando, como sempre. Este é outro ponto forte do Fashion Rio, ter os lounges agrupados em um armazém tão bonito, tão bonito, que tem piso de granito / uma boa, ter carrocinhas do Geneal ao longo do cais / quando começou a chover, pintaram uns lindos guarda-chuvas para os convidados. Só que muitos ficaram tristes, porque estavam crentes que iam levar para casa, de brinde

Printing: Cautela e naturalidade, leveza, fluidez e desestruturação, são metas da Marcia Queiroz para o verão. O que não diminuiu o luxo aparente das roupas. O colorido de cáquis, brancos e laranjas deu fundo para colares enormes, poderosos. Flores são bordadas em fundo nacarado, um vestido de trama em ziguezague é coberto por uma veste de lapela bordada pelo avesso, e a história vai enriquecendo até o blazer todo bordado e as calças de pregas com regatas cobertas de paetês. Nos cabelos em coque banana, apenas faixas.

Intervalo / a impressão deste sábado foi boa, muito conforto. Apesar das salas ficarem distantes umas das outras. E o estacionamento também / ok, para quem voa 11 horas para ver desfiles fora do país, umas caminhadinhas não fazem tanto mal

Saturday, June 06, 2009

Foi um belo começo para o novo Fashion Rio. Depois de uma coletiva estranha, onde a imprensa ficou toda em pé - modelo standing coletiva, talvez -, de alguns apartes divertidos por parte – pasmem! – do prefeito Eduardo Paes (entre outras, disse que era mais fashion do que o Gi lberto Kassab, colega e amigo, prefeito de São Paulo, e que seria muito dificil competir com a paisagem do Rio, em relação às coleções que os estilistas apresentariam) e dos quitutes do bufê Aquim, rumaram todos para as apresentações do Rio Moda Hype, que abriram os desfiles da semana.

E abriram com categoria. Nota-se como a qua lidade dos participantes me lhorou. Deixaram de ser os amadores, estudantes recém-formados, cheios de idéias mal executadas e se transformaram e um grupo de onde poderão realmente sair nomes novos para a nossa moda.
Uma boa também é a quantidade de novos investindo em moda masculina. Ainda são um pouco extravagantes, considerando a caretice dos consumidores, mas são propostas, pelo menos. Vai que eles gostam e adotam?

Fernanda Yamamoto: com o tema Pescametria, deixou de lado a severidade das outras edições e mostrou um lado mais alegre, cheio de vestidos curtos, montados em retalhos, calças com abas laterais, colares, bolsas e pendurica lhos em forma de peixes estilizados. Trancinhas de um lado só nos cabelos.

Martins Paulo: as personagens de Almodovar foram pretextos dos vestidos e camisões de cintura marcada por cintões pretos, com saias de babados. Bem espanholas, roupas em cores fortes, como ele gosta de fazer: azulões, vermelhos, verdões, misturados com oncinhas e rabiscos. A quase peruíce foi quebrada pelos escarpins de verniz preto, usados com meias curtas

Bruna Ribeiro: fez Vari (as) ações, estudo em torno de macacões e macaquinhos com bolsos, tiras, tressês, laçadas e ilhoses. Um pouco uniformes de mecânicos, com chaves como pingentes. Acessório? Uma botinha de plástico transparente. Para feminino e masculino

Vitorino Campos: muito bonito o conjunto deste pernambucano, com pregueados em off-white, muita assimetria e grandes laços nas costas e frente de vestidos soltos, bem cavados. No final, deste estilo inspirado em uma banda islandesa (estes meninos vivem buscando origens exóticas), vieram modelos montados em retalhos brancos e cores de folhas secas, ao longe lembrando o Melk-Zda

Lore: uma graça, a história da dupla Lorena Rosada e Renata Vieira, que tiraram o tema Jogando com a sorte, das barraquinhas de sorte das feiras do Recife. Muito vestido curtinho, com estampas coloridas, enfeitadas por amuletos. Ou o estampado com maçãs do amor, ou o modelo com mangas de mago, com fendas. Como acessório, os pingentes co loridos e as sandálias-gaiola, montadas em tiras de couro

Julia Valle: esta é chique. Faz maravilhas com moulage, pregas, repuxados e amarrados. E ainda enfia uns pedaços com brilho de paetês amarelos, em um dos ombros ou em um lado só da barra da saia. Uma combinação meio Saint- laurent, no look de blusa drapeada laranja e saia pink. Quando a Julia apareceu no final, nossa, que saia linda ela vestia, em preto e cinza, com fios prata

Depois de um intervalo com direito ao som de novas bandas (boas, por sinal), desfilou o segundo lote do Rio Moda Hype:

Butch: foi um sucesso. O elenco de sungas com cristais e gravatinhas borboletas provocou gritos e assobios da platéia. Juliano Corbetta (se bem me lembro, é gaúcho), não sei se inspirou ou homenageou os rapazes de Copacabana, que chamou de lords de Copacabana, com estas sungas de gogo boy, cartolas e gravatinhas. Bom, deve ter seu público

Stefania: a menina de Brasília também merece entrar para o clube das chiques. No mínimo, pelo macacão em moulage de dobra, em branco-gelo e por ousar, em meio a onda de minivestidos, mostrar o longuete, comprimento abaixo dos joelhos. Pena que cada participante do RMH só tem direito a 10 looks. É pouco

Alisson Rodrigues: faz masculino, e optou pelos brancos e cinzas, com alfaiataria leve, bermudas estampadas em quadrados em tons de rosa e um final de jeans respingados nos macacões. Gente, a esta altura já julgo sem a menor condescendência estes novatos, porque eles são tão bons que suportam uma avaliação comum. O Alisson é bom, merecia mais tempo de sala

Jotadê: masculino e feminino, jogando com um jeito meio tango. Coletões, calças pregueadíssimas, de cós alto, maiôs cinzentos, suspensórios estilizados. Ótimo o macacão com paletó em risca-de-giz, super bem cortado. Um detalhe, o fecho de porta-níqueis antigo, como bolso ou como fecho de uma mochila. Como em todos os companheiros de Rio Moda Hype, Jotadê teve pelo menos uma modelo negra no elenco.

Ursula Felix: a baiana demonstrou toda a habilidade nos pregueados em todos os sentidos, nos enviesados, no domínio de cartela. O resultado às vezes parece esforço de costura demais, mas o conjunto ficou coerente. E quem sabe fazer roupa tão complicada, sabe fazer a mais simples

R. Groove: O Henrique evolui bem, capricha cada vez mais na alfaiataria e não perde a graça dos paletós azuis-clarinhos sobre bermudas-saruel, nos coletes e calças também de modelagens mais volumosas. Na estampa, uma estilização de onça, que aparece em calças ou combinada com listras em uma jaqueta.


Intervalo / o modem da Tim não pega sinal no cais, apesar de conectar rápido. Como pode? / em compensação, o wifi da sala de imprensa está a toda / Napoleão Lacerda avisou que está estudando Fashion Business (não é o salão) para lançar a Anapoleana, cheia de camisetas e outras cositchas / que diferença faz um prédio / Paulo Borges estava todo pimpão, de jeans Herchcovitch, camiseta mescla Hering e paletó com lapela xadrez do Junia Watanabe. “Um misturadinho”, definiu ele / Nelson Alvarenga veio ver de perto a montagem. Traz a Ellus pra cá, Nelson / Rodrigo, da Fábrica de Idéias, anunciou que a Fevest será mais cedo, de 7 a 10 de julho, em Nova Friburgo, e só com marcas locais

Thursday, June 04, 2009

Fashion Rio, enfim


Fashion Rio

Agora, vai! O Fashion Rio que começa daqui a pouco está prometendo. Foi preciso uma equipe paulista, ou melhor, o Paulo Borges, aterrissar por aqui, para revelar o cais do porto para os cariocas. Depois de uma entrada meio indefinida, por onde circulam normalmente os passageiros dos transatlânticos, os convidados vão se deparar com a vista da baía de Guanabara, a ponte Rio-Niterói, as montanhas de Teresópolis e Friburgo. Um local até então proibido para os nativos, porque sempre foi zona alfandegária. Muito bonito, deixa Puerto Madero no chão.
O Rio Moda Hype abre os trabalhos. Na seleção havia projetos muito bons, esperemos que na passarela correspondam à beleza dos croquis.
Em dois horários vão desfilar: Allisson Rodrigues (Paraná), R. Groove (Rio), Butch (Rio Grande do Sul); Fernanda Yamamoto (São Paulo), Julia Valle (Minas Gerais), Lore (Pernambuco), Martins Paulo (Piauí), Stefania (Distrito Federal), Ursula Felix (Bahia), Vitorino Campos (Bahia), Bruna Ribeiro (São Paulo) e Jotadê (São Paulo)

Depois, tem festa com Seu Jorge e a Velha Guarda da Portela. Mas por mais que eu adooore Seu Jorge, vou sair cedo. Quem faz on-line fica meio deslinkada.

Ah, quem tem credencial ou convite, e está se preparando para desfilar no cais (na platéia), deve levar um casaco, xale, manta, algo que compense o ar condicionado das salas, que está bombando. E o arzinho fresco e úmido na hora de ir embora para casa. Sabem como é: a gente sai do evento, sente frio até chegar no carro, toda encasacada. Entra no carro, fecha portas e janelas...e liga o ar condicionado!
O piso do caminho do estacionamento nos fundos até as salas não é dos mais amigos, mas a Graça Borges me garantiu que estará de salto alto, como sempre faz na São Paulo Fashion Week. "Já está no DNA", argumentou na véspera, de sandália rasteira e bermuda.

Na foto, a galera do Rio Moda Hype, incluindo um dos curadores e diretores, o Robert Guimarães. Fernando Molinari não está na foto. Devia estar tratando das performances das bandas que vão se apresentar

Wednesday, June 03, 2009




Novos parceiros: Fecomércio, Dupla Assessoria e Escala Eventos, representados por Orlando Diniz, Eloysa Simão e
Jeronimo Vargas



Além dos lançamentos de roupas e acessórios para o verão, a cidade do Rio de Janeiro vive uma temporada de novidades maiores, no setor da moda. O troca-troca continua, desde que a Firjan trocou Eloysa Simão por Paulo Borges, na direção do Fashion Rio. Na semana seguinte a esta primeira notícia, Eloysa foi convidada por Nizan Guanaes a dirigir o Rio Summer. Hoje pela manhã, quarta, dia 3 de junho, mais uma montanha de novidades.
Em coletiva na sede da Fecomércio, com a presença do presidente da entidade, Orlando Diniz, foi anunciada a compra da marca Fashion Business pela Fecomércio. O salão de negócios vai ganhar mais espaço, mais compradores convidados e mais abrangência, graças à inclusão de um setor dedicado a serviços e equipamentos para lojistas. O nome vira Fashion Business Tech, estreando em tenda na Marina da Glória em janeiro de 2010. A curadoria deve selecionar expositores de alta qualidade e valor criativo.
E tem mais: o seminário de tendências do centro de moda do Senac Rio também cresce e ganha perfil internacional. Serão dois dias de previsões e palestras sobre a situação atual da moda no mundo. David Shah será um dos palestrantes, o que já é um ótimo sinal de eficiência. O caderno, que há oito anos tem a conceituação desta que vos escreve, vai merecer uma manhã de demonstração e confirmações. Vamos voltar às origens, o auditório da sede da rua Marques de Abrantes.
E não é só isso. Na véspera do seminário, abre uma exposição sobre Chanel, do ponto de vista de Vera Barreto Leite, uma das modelos favoritas da mademoiselle, no solar Art-nouveau restaurado que fica na frente do prédio da Fecomércio.

Eloysa e sua bolsa Mulberry dourada

No final, Eloysa Simão declarou que está feliz com o número de eventos que acontece no Rio neste ano. “Isto só confirma o Rio como plataforma de lançamentos do país. Vai ser um ótimo ano para a moda!”, arrematou.




os docinhos depois da coletiva na Fecomércio

Outra chuva de novidades aconteceu no almoço com a Fabiana, marketing da Levi’s. Em pleno Zuka (excelente fase, a do restaurante da rua Dias Ferreira), ela anunciou a entrega das franquias do Rio para o Ricardo Sobral – finalmente! Avisou que as lojas serão padronizadas, a partir de protótipos criados na sede, em São Francisco (USA). “as lojas terão um DNA tão marcante, que mesmo que se tire o logo da fachada, todos identificarão como sendo Levi’s.”, comentou.
Enquanto estas flagships conceituais não ficam prontas, a marca-mãe da moda jeans busca parcerias que vão mostrar a mudança de foco. No Fashion Rio, a Ausländer desfilará peças Levi’s dentro da coleção. Algumas calças serão vistas em lavagens exclusivas da grife do Ricardo Bräutigan, líder da Aus. Ainda tem uma coincidência: Ausländer, em alemão, é o que vem de fora, o estrangeiro. A nova coleção Levis tem o tema Vagabond, no sentido do viajante, o nômade que vaga pelo mundo. Tudo a ver.