Friday, May 29, 2009

Casa dos Criadores, verão 2009/10




A casa dos originais

fotos Ines Rozario

Sempre digo que em evento, importante é o conteúdo. E que moda precisa de maluquice. Isto faz uma semana de moda com desfiles, o resto é show-room. Também é importante, claro, arremata, porque completa o ciclo profissional da moda.
Atualmente, a Casa dos Criadores preenche estes quesitos de conteúdo e maluquice, de forma impecável, sem mambembices. Se tem um minifestival de bandas de rock, elas são competentes, o som é perfeito, não incomoda nem desafina. Drags desfilam, assim como modelo de muletas, muitas roupas não têm a menor intenção de produção em escala e a platéia é umm desfile à parte.
Nesta 25ª edição, que conta com mais dois patrocinadores fortes, além da Brastemp (com uma nova lavadora do tipo euqueeeero), André Hidalgo ampliou o número de ações. Tem estudio com Erika Palomino entrevistando e a Caixa Preta, onde diariamente um designer expõe suas idéias. Em outra salinha, novos talentos do projeto Lab mostram uma peça e o projeto da coleção – muito bons, por sinal. O pessoal está formando uma geração de gente que sabe desenhar.

Por questões profissionais perdi o primeiro dia, que contou com a participação de Karin Feller no LAB, mais R. Rosner, João Pimenta, Ianire Soraluze, Milena Hamaní, Der Metropol e Gustavo Silvestre.

Segundo dia | 28 de maio de 2009
Os patrocinadores: além da Nivea, chegou a Lezalez, marca premium do grupo Lunender, de Guaramirim, Santa Catarina. Mais um grupo forte catarinense, atenção. Karlan Muniz, do marketing, contou que o nome da grife vem de uma gíria parisiense equivalente a “lado a lado”, que a produção gira em torno de 600 mil peças / ano, e que há um lado inédito no fato de ser uma indústria, a Lunelli Textil, com a construção de uma grife voltada para a moda, focada nas classes A e B, com Raica Oliveira como estrela das campanhas. Para a C, tem a Lunender, marca que tem Claudia Raia como ícone, e produção enorme. “É a primeira vez que a Lezalez, que existe há 3 anos, tem o nome circulando em um evento. Já conseguimos o objetivo, que era despertar a curiosidade”, explicou o Karlan.
Lembrei ao Karlan que existe um marca-atelier no Rio chamada Lez Alez, algo assim. “É, já ouvi falar”, respondeu totalmente cool.
A Nivea fez um miniguia com dicas de beleza

Caixa preta: camisetas engraçadas da Onassis, de Gustavo Saber. Anna Wintour de chifrinhos, Donatella Versace Multi-botox, Rihanna de olho roxo, são algumas estampas. Na véspera, o carioca Ivã Ribeiro, que se baseou em São Paulo, mostrou as peças da A Versão, um toucador de Maria Antonieta, com brins acetinados e rendas contrastados com toques punks de tacheados. Ele vende na galeria Ouro Fino e no bazar Misturinha. E tem um namorado paulista

O lab: na expo, Mariana Perim Rodrigues (não é parente) promete, com camadas. Tule pele sobre base com estampa preto e branca e tênis All Star peep-toe. Referência, mix de soul, blasê e soul.Renata de Moema mostra um pretinho de renda pronto-para-vestir; Andreia S. Passos e Luiz Wachelke muito bons com camada de transparência pele sobre base verde, de cintura baixa. Mais conceitual, promissor, o Alexandre dos Anjos, com uma quase-armadura em couro e plástico sobre singela bermuda jeans. Tatielle Santos fez o lado fofo, com vestidos estampadinhos, lacinhos, etc. E os cariocas Fernanda Amorim e Luciano Rocha, que montaram o projeto todo com tecidos de camisaria, muitos botões customizados, o conforto do algodão como qualidade.

O lab: nos desfiles, destaque para a estampa de esmaltes da Mahogani, o uso anos 1980 dos laranjas. Uma drag-cleópatra desfilou, com direito a pivôs. Danilo Costa deu uma versão fofis dos masculino, com corações, lacinhos e ursinhos em camisetas boas e macaquinhos menos convincentes. Na Twooin, a graça maluca dos franjados de canetas Bic. Capa de revista, na certa!
Arnaldo Ventura mostra que tem mais experiência, montou um drama com soldados em passo de ganso, feridos se arastando, todos com caras pretas de carvão, e uma moda de referências nos uniformes militares, muito bem-feita e criativa. Jadson Raniere decepcionou um pouco, talvez pela idéia de um styling ligado a piratas, meio nada a ver com as roupas.


Os desfiles oficiais: A TudiCofusi continua cofusi, mas traz sinais de inovação no jeans, com cortes distantes dos básicos.
Na Purpure, beach wear de luxo, com fivelões de strass, cristais nos ombros, cinturões de boxeador, lembranças de Grace Jones. Sabem que ficou bom? Gostei até da definição do Wender Silverio, que disse ser uma coleção beach wear “escapista”. Tá certo, escapa até da praia, mas é bacana.
Geraldo Couto começou bem, anunciando a inspiração na Dalida, cantora de sucesso nos anos 70. Vestidões de veludo vermelho, preto, com repuxados e amarrados, turbantes pretos, bojos de canutilhos pretos. Fivelões decorando decotes. Podia ser menor, o desfile. E as modelos estavam sem a atitude de peças tão suntuosas.
Na ADD, Faissal Makhoul faz uma moda masculina em linhos e algodões, um tanto comercial demais para a Casa. Mas há sempre um corte diferente, um abotoado especial, belas calças estreitas.
E a Prints I Like, da Luiza Aguiar? Muito ótima, com estampas (prints) em sedas puras, vestidos curtos e longos, alguns com entalhes azuis nas costas, desenhando decotes bonitos. Rober Dognani encerrou a noite com modelagens elaboradas, muita moulage, assimetrias, verdões e cinzas. As meninas com bocas prata, dispensáveis (ok, ajuda na identificação das fotos). Achei os sapatos pesados demais para roupas tão detalhadas.

Intervalo / entrei numa de ir para São Paulo de ônibus. Sabem aquelas curiosidades estranhas? Queria saber como era o Expresso do Sul, do qual sempre falam tão bem. Pois é bem bom, pelo menos o Executivo. Muito espaço, dois filminhos (O pai da noiva e um outro, com uma menina indiana que joga futebol), bom motorista, o Medeiros. Para quem tem frisson de pressa, o vôo de 50 minutos é imbatível, comparando com as seis horas de Via Dutra. Mas quem pensa no tráfego aéreo congestionado, as pistas sem ranhuras, a rádio pirata que invade o controle, é uma escolha / o hotel da Casa desta vez é o Golden Tulip Belas Artes (na Frei Caneca). Quarto espaçoso, banheira de hidromassagem meio descascadinha, comida ótima, um dos melhores club sanduíches que já recebi no quarto. Internet instável, o defeito, infelizmente. E paga, R$ 15 as 24 horas. Mas é melhor do que o Pestana e o Slaviero, um pouco pior do que o Emiliano, só fica longe do L’Hotel (estes dois meus favoritos em SP). Outro bom, o velho Maksud, que de vez em quando tem tarifas promocionais irresistíveis