Tuesday, April 14, 2009




Antonio Bernardo é perfeccionista. Antes mesmo de ser designer, joalheiro ou profissional de moda, com o conhecimento e amizade que tenho com ele, sei que o objetivo primeiro é a perfeição. Com ele, tem que ser bonito, bem-feito e original.
Depois de uns 30 anos reinventando suas idéias em jóias, mantendo a coerência com o próprio trabalho, passando para nós em forma de catálogos impecáveis, AB resolveu mudar para imagens em movimento, em DVD. Um filme, que foi apresentado nesta manhã de terça-feira, dia 14 de abril, no teatro Tom Jobim, dentro do Jardim Botânico. Lá mesmo, onde apadrinha e mantém o orquidário.
Assim, para uma platéia mínima e seleta, foi exibido o filmete em preto e branco, como se fossem stills das jóias, só que em movimento. Porque mais do que mostrar que seu negócio é ouro e joalheria, era preciso enfatizar a arte do design, das formas que se encaixam, das curvas que protegem pérolas e pedras. Com o design, Antonio já ganhou seis prêmios no IF, a mais prestigiosa premiação européia, desde que começou a frequentar o evento.


Melhor ainda: com estas viagens e participações pelo mundo, foi conhecendo pessoalmente criadores que admirava, e se tornaram amigos. A consagração como profissional e designer vem da inclusão no livrão Schmuck Design der Moderne, assinado por Reinhold Ludwig, jornalista alemão especializado em design de jóias. Além das fotos das peças premiadas, nas páginas 306 e 307 está a biografia do brasileiro, em inglês e alemão.

No encontro destas manhã, Antonio confessou que não gosta de falar de coleções. “Estou sempre desenvolvendo peças a partir do meu trabalho, desde a primeira jóia que criei. Ficou pronta, e eu já estava pensando em como faria uma segunda a partir daquela. “


Na mão, o anel Puzzle, também premiado e um sucesso internacional. Com direito a demonstração. “Ele tem uma chave, que não se solta porque a base segue o desenho do dedo. Tira-se a chave, as peças de cima se separam e a base também”. Sobre a mesa, ficou um intrincado conjunto de pecinhas, que rapidamente viraram anel de novo.

Antonio sempre puxou tendências (mesmo que não goste desta palavrinha, prefere dizer que gosta de introduzir coisas novas). Nos anos 70 deu prestígio renovado ao brilhante, com seus cordões fininhos e solitários perfeitos. Nos 80, marcou pelas pérolas grão-de-arroz e o jogo de texturas no ouro e os cristais, em brincos que sacudiam nas orelhas das personagens de novelas. Nos 90, foi a vez dos rubis e as formas curvas, como fitas em peças quase únicas.


Tudo perfeito, moderno, com uma marca de arte. Mas sem pretensões de luxo falso. O trabalho do Antonio é como as orquídeas aveludadas que enfeitavam as mesas, vindas de Petrópolis, trazidas por Rozario Almeida Braga. Uma beleza simples e singular, sem ostentações.
Aliás, de 30 de abril a 3 de maio as orquídeas com nomes brasileiros estarão em exposição no orquidário do Jardim Botânico. Vamos ver a Catleya Corcovado.