Wednesday, March 11, 2009






Hermès, voador

18h15
Nunca vi uma coleção ruim da Hermès, uma das marcas mais tradicionais da moda parisiense. Mas desta vez, foi uma superação: Jean-Paul Gaultier decolou com sua inspiração aviador. Antes de começar, com a sala enfumaçada e o cenário de hélices de diversos tipos, a passarela iluminada como uma pista, já dava uma idéia de que rolaria um clima Casablanca. Não deu outra, incluindo a música As time goes by, na trilha. Foi uma coleção perfeita, com jaquetas de capuz forrado de pele, tailleurs de saia justa em couro, macacões em couro macio, sem falar nas estonteantes bolsas Kelly, em vários tamanhos. Todas as modelos portavam toucas de aviador antigo, dos anos 1940, algumas com broches que suponho fossem jóias, já que Hermès aguenta todo tipo de luxo. Há também trench-coats, lembrando Humphrey Bogart no filme, e não ficou enjoativo, porque estas capas, que já rondam a moda há três anos, têm tudo a ver com o tema.
Além dos uniformes, quase sempre em crocodilo, passaram os longos em seda estampada xadrez, mais cara de Marlene Dietrich do que de Ingrid Bergman. Raquel Zimmermann, que abriu o desfile, passou um destes longos, lindona, jogando a jaqueta para um lado, para descobrir um ombro. Isabelli mostrou um longo preto, com uma manga só e cinto preto, com metais prata, estilo punk – não esqueçam, era Hermès, mas também era Gaultier, tinha que ter um toque irreverente.
Nos complementos, botas looooongas, quase cobrindo as coxas todas; sapatos cheios de tirinhas, em verniz preto, salto fino e plataforma. Também em camurça preta, peep-toe.

Hermès abre loja em São Paulo, talvez já com partes desta coleção. É linda, foi uma das mais competentes da semana. Abre caminho para uma continuação das capas trench-coat na moda, confirma as jaquetas como ítem atual, e as saias justas como básicas no inverno. O couro, do jeito que é fininho, se adapta ao clima paulistano. Os vestidos de seda são fáceis de usar. Só tem um detalhe: o preço. Em tempo de desfile, ainda não se sabe quanto pode custar, mas Hermès é cara. Tipo investimento. Que vale a pena, para quem é exigente e elegante. E tem um bom cartão de crédito...







De salto alto
Apesar do desfile Hermès ser na Halle Freyssinet, que não passa de um galpão em beco do outro lado do Sena, perto de Bercy, as convidadas não hesitaram em calçar suas sandálias e sapatos de salto, aproveitando que a temperatura subiu para 15 graus. Vejam nas fotos as incansáveis de saltíssimos.




O lugar
Vejo a sala, no que se convenciona chamar de Halle Freyssinet, e penso nos galpões da praça Mauá. Quando vamos aproveitar aqueles espaços para a moda, com algum conforto? O espaço parisiense tinha duas grandes salas montadas com arquibancadas, como Eloysa Simão faz dentro das tendas do Fashion Rio. Em uma, desfilou Hermès, ao lado, Galliano. O estacionamento é pequeno, muita gente chegava de metrô ou de taxi.
Mas em breve, quando inaugurar a Cidade da Moda, ali por perto, este galão será uma opção de lugar para apresentacões e salões. E nós, no Rio, com aquele visual todo (não venham me dizer que a baía é poluída, que os galpões têm baratas, tudo isto tem jeito), assistimos à ruína dos armazéns da Praça Mauá.

Intervalo / comum, neste tipo de semana, enganos nos horários e locais de desfiles. Achei que Hermès era às 16h30. Era às 17h30 e me vi em uma região desconhecida, sem a menor vontade de sentar em um bar para tomar café, para fazer hora. Resolvi perambular pelos quarteirões. Descobri o Truffaut, loja de plantas e animais. Linda, cheia de flores para plantar, de vasinhos / resultado: já que não podia sair de lá com um vaso alto, preto (como embarcar de volta com tal bagagem?), comprei ração para os gatos / voltei para o elegante grupo de convidados, com uma sacola de mercado transparente contendo uma ração Digestiva e outra para gatos exigentes, da Royal Canin /