Saturday, March 28, 2009




Vestido tomara-que-caia da coleção de março 2009. E a Daniela, de preto, no final do show
fotos Marina Sprogis

Daniela Helayel está chegando para ver a vovó, em Niterói. Por que uma notícia destas? Porque esta Daniela, toda alegre e sorridente, espontânea nas entrevistas, é a dona da grife Issa, que desfila e arrasa em Londres. Famosa pelos estampados e pelo jeito sexy das coleções, ela tem peças à venda na Alberta, aqui no shopping Leblon (Rio de Janeiro)

Saturday, March 21, 2009

Delícias



Sabem o que é esta foto, tão apetitosa? É o picadinho do novo Gattopardo, no Leblon. Anita Bernstein conta mais, em "Delicias". As tentações da gula são também o tema do seminário Moda Mais, do Senac Rio, que se realiza na terça-feira, o dia inteiro, no hotel Sofitel-Rio. É a moda do verão 2009/2010, gente!

Inscrições pelo 4002 2002 ou pelo seminariomoda@rj.senac.br
Em tempo: as bolsas do evento, feitas pela Via Mia, com estampas da La Stampa são de endoidar, de tão lindinhas! São 4 estampas diferentes, vai ser uma dificuldade escolher a mais bonita. Espero vocês lá!




Sabores asiáticos
Anita Bernstein

Luciana Machado, gerente de Alimentos e Bebidas do Ipanema Plaza, em traje típico da Índia, sugere entre especialidades asiáticas:

Snack Combo de entrada, ao estilo degustação (R$ 35).

Tarte Tatin de manga com gengibre, como sobremesa (R$ 12).

Entre os pratos principais, Luciana sugere: Pato a Cantão (R$ 36) da culinária chinesa, servido com arroz colorido de receita japa.


Ipanema Plaza Hotel, RJ
Tel.: (21) 3687 2010
Rua Farme de Amoedo, 34 (esq. Prudente de Moraes)


Chope artesanal em boteco

O Gattopardo virou boteco e grife de chope artesanal em point gastrô do Leblon. Nada de pizzas como na casa que marcou época na Lagoa. Além de petiscos oferece pratos de culinária caseira nacional, com um autêntico picadinho de carne e entre as sobremesas bolinho de chuva com doce de leite. Aberto direto, sem intervalo, para almoço e jantar.



Gattopardo Leblon, RJ
(21) 2512 2941
Rua Conde de Bernadotte, 26 lojas I e J
(entre Ruas José Linhares e João Lira)


Luiz Incao comanda o Albamar


Point turístico, o restaurante Albamar está sob regência de Luiz Incao, ex chef executivo do Copa . Décor e cardápio renovados.
Imperam frutos do mar para degustar apreciando a vista panorâmica inigualável, no centro da cidade. Funciona todos os dias das 11h30 às 18h.
Em breve abrirá para jantar.

Entre sugestões imperam frutos do mar: entrada e caldeirada grelhada.
De sobremesa, tartelette de limão e gato de botas.

Restaurante Albamar
Tel.: (21) 2240 8428
Praça Marechal Âncora, 184/186
Praça VX Centro.


Família Tomé inova cardápio

Kadu e Rosa Tomé, do Bracarense, ampliaram o cardápio. Entre as saladas tem agora uma à base de bacalhau. O risoto com camarão continua entre os pratos mais pedidos no almoço semanal. Funciona das 07h à meia noite, de 2ª feira à sabado e das 09 às 22h aos domingos.

Bracarense
Tel.: (21) 2294 35 49
Rua José Linhares, 85
(entre Av. Ataulfo de Paiva
e Humberto de Campos)



Dupla famosa abre boteco no Leblon

Depois de sucesso conquistado no Bracarense o garçom Chico e a chef Alaíde, estrearam juntos no comando do mais novo boteco do Leblon,que leva o nome da dupla. Inovando servem pratos de almoço e salgadinhos com abóbora moranga e aipim. Funciona todos os dias.

Chico & Alaíde
Tel.: (21) 2512 0028
Rua Dias Ferreira, 679 Loja B
(Esquina de Av. Bartolomeu Mitre)

Thursday, March 19, 2009

Os mimos voltaram!
Por uma questão de tempo e de estrutura, demos um pause nos presentinhos do site. Agora, voltamos com todas aquelas coisinhas que tanto nos alegram. Tipo, a cor nova do esmalte, a necessaire recheada de novidades, a bolsinha de renda.
Justamente esta bolsinha de renda preta, com alças que se cruzam e a gente leva agarradinha na mão, inaugura a nova etapa de mimos. Perfeita para sair à noite, para casamentos, porque tem lugar para tudo – batom, chaves, cartões, carteira (pequena, que ninguém precisa sair com tanto dinheiro assim) – e porque combina com jeans, sedas, malhas. Só renda não, para não dar uma overdose rendada.
O modelo marca o lançamento do inverno da Afghan, com o tema Espelho. Uma linda coleção, cheia de propostas em preto, com transparências e muita alfaiataria.











Ganha a bolsinha quem responder mais rápido:
Quem é o estilista da grife Hermès, de Paris?

Mande a resposta para mimo@estiloiesa.com.br


foto wwd


E o Marc Jacobs, que ficou noivo do Lorenzo Martone, heim? Depois de um ano firmes, pretendem anunciar oficialmente o compromisso aqui no Brasil, já que o Lorenzo é paulista. A dupla vem festejar nesta quinta-feira a abertura da butique que a Natalie Klein abriu em São Paulo, em janeiro. Anéis nos dedos vão confirmar o noivado, mas ainda não há data para o casamento.
A cada lançamento de coleção, seja de marca própria ou da Louis Vuitton, fica evidente que o Lorenzo faz muito bem para o Marc. O estilista americano está bonito, magro, bem-humorado e melhor como criador a cada temporada.
Felicidades para eles!

Wednesday, March 18, 2009



O inverno do Tufvesson
Elegante, como sempre. Mas com toques inovadores, certamente. O inverno na visão do Carlos Tufvesson já está nas vitrines e cabides do espaço dele, em Ipanema

Carlos Tufvesson: rua Nascimento Silva, 304 (Ipanema)

Telefone (21) 2523-9200


Revista da Melissa
Marca que se preza tem sua revista própria. Agora é a vez da Melissa lançar a Plastic Dreams, para comemorar os 30 anos da grife. Na capa, a loura inglesa Agyness Deyn. No conteúdo, a House of Palomino. Em breve, nas lojas especializadas (no Rio, deve ser na adorável Jelly), na Galeria Mellissa e nos endereços de consumidoras muito especiais.
A Plastic Dreams vem com tudo: tiragem de 300 mil exemplares, para ninguém ficar sem saber das novidades e da coleção de inverno.
Agora: alguém me explica o por que desta foto virar azul?

Melissa

www.melissa.com.br


Ana Gasparini
Que temporada braba esta: primeiro foi o David Azulay, depois o Clodovil e agora a Ana Gasparini que nos deixou. Ana foi uma das estilistas mais importantes do Rio, nos anos 1970, quando trocou as atividades atléticas – era jogadora de vôlei -, pela moda. Circulava por Copacabana, point comercial da época, com suas saias indianas, lenços de pontas longas nos cabelões crespos e miniblusas exibindo o corpão perfeito. Era a dona da Movie, que depois da fase hippie chic superada pela moda, passou a propor uma alfaiataria de sucesso. Calças pregueadas, spencers e grandes blazers eram os destaques das coleções produzidas em fábrica própria, em São Cristóvão. Lá, Ana cuidava da filha caçula, que dormia em bercinho ao lado da sua mesa de trabalho.
A Movie fechou e a Companhia do Blazer tomou seu lugar. Mas Ana adoeceu e aos poucos foi se afastando do dia-a-dia da produção.
Clodovil, estilista


Clodovil Hernandes é muito mais conhecido como um apresentador polêmico de programas de TV e político do que como bom estilista que foi. Tive a sorte de fazer algumas matérias com ele, na época em que tinha ateliê e loja em São Paulo. Era inteligente, culto e exigente.

Clodovil não era do tipo que corria atrás da imprensa. Muito pelo contrário. Nos anos 80, quando soube que ele lançaria uma coleção de inverno em São Paulo, mesmo sem ter recebido convite, pedi ao editor para cobrir. Seguimos direto para o aeroporto, eu e Evandro Teixeira, e de Congonhas, direto para o ateliê nos Jardins, onde chegamos ao anoitecer. Lá do fundo da casa, Clodovil nos avistou na porta, sem convite, e veio, sem a menor demonstração de alegria, perguntar “o que você está fazendo aqui?”. Respondi que tinha vindo do Rio especialmente para ver o desfile, se podíamos entrar. Temperamental, Clô virou as costas, dizendo “faça como quiser”, entrou no jardim e nem indicou um lugarzinho para sentar. Assisti em pé, depois de um atraso de mais de uma hora, a uma das mais bonitas coleções que já vi.
Anos (ou décadas) depois, nos encontramos em uma das edições da São Paulo Fashion Week. Visivelmente receoso de não ser reconhecido pela nova platéia dos desfiles, pediu para ficar do meu lado. De mãos dadas.

Monday, March 16, 2009

Mais Le Lis no Rio

A inauguração de mais uma loja Le Lis Blanc deu origem a festejos que começaram em animado café da manhã no Garcia e Rodrigues *. Vieram de São Paulo a Celia Jezler, uma das poderosas diretoras da marca, a Cris dell’ Amore, RP querida, mais as meninas das lojas cariocas, Thais, Alcione, Noely, Patricia, todas lindinhas às 10 da manhã. Claro, todas de Le Lis Blanc do brinco ao sapato. Vejam nas fotos, que não resisti e montei um tapetinho vermelho num cantinho do segundo andar do Garcia. Bom, tapete nem tinha, mas foi um recanto calmo no meio da agitação do lugar.
Celia, de túnica de cetim com estampa de renda e calça de alfaiataria

Celia me contou que além da Le Lis nova no Rio Sul (500m2 com direito a Casa no mesmo espaço), inauguram nesta semana a Bo.Bo, outra marca dentro do guarda-chuva da Le Lis, dentro do grupo Artesia. Mais ou menos como o grupo Gucci dentro da holding PPR. A Bo.Bo foi criada por Carla di Palma e Flavia Viacava, ex-assistentes da Traudi Guida, líder da Le Lis. As duas marcas falam com as mulheres de 18 a 45 anos, querem vestir mães e filhas, mas a BoBo é mais despojada, não é tão presa às tendências, é para quem gosta de misturar peças de tecidos diferentes. Tem calças com recortes, uma camisaria de cortes amplos, jeans, malha, bordados. Soraya Milan é a diretora de negócios, o projeto de todas as lojas do grupo é do Sig Bergamin.

A Le Lis tem 35 lojas no Brasil, sendo quatro no Rio *. O estilo ocupa uma equipe de pelo menos 10 estilistas, que se dividem pelos diversos setores da coleção – alfaiataria, tricô, básicos, festa, malha, etc).
Foi um café super-agradável, principalmente por ver como o grupo acredita no consumo brasileiro e no carioca. Quando se ouve falar só de crise, é bom ver este crescimento de uma marca. Como diz a Célia, “é isso mesmo. Temos que trabalhar bastante, para movimentar este país”.

vestido de rosinhas em preto e branco

Thais de skinny e túnica e Patricia, de vestido de seda pura, cintinho e sapato furadinho com pespontos


Alcione de vestido listradinho com cinto de couro e Noely, de túnica de crepe de seda e pérolas

Ana Andreazza, de vestido branco

* Garcia e Rodrigues é um café-restaurante no final do Leblon, na avenida Ataulfo de Paiva. Soube pelas meninas que vieram de São Paulo que lá não existe este esquema de café como no Rio. No Garcia, por exemplo, pede-se um café Leblon, e vem uma cestinha de pães irresistíveis, manteiga, geléia, granola na coalhada, suco, café, frios, uma comidarada sem fim. Outra opção é o Severino, nos fundos da livraria Argumento, na Dias Ferreira. Julio Rego declarou que prefere o sanduíche no pão frances da padaria Rio-Lisboa. Mas fiquei sabendo que em um lugar chamado Otávio, na Faria Lima, em São Paulo, tem café de coador, individual. Tenho que ver de perto.
* Primeiro, foi a loja licenciada, no Fashion Mall, que fechou e se transferiu para a rua Aníbal de Mendonça. Depois, a partir de 2005, as lojas próprias, que são no Fashion Mall, Rio Design Barra, shopping Leblon e Rio Sul. A Bobo abre no Rio Design Leblon e em abril, no Rio Design Barra.

José Ronaldo, de Lacoste
Alexandre, de pólo Levi's e calça de Barcelona

Intervalo / na mesa, falava-se de moda feminina. Mas havia representantes da moda masculina, formadores de opinião. José Ronaldo e Alexandre Schnabl estavam de camisas pólo verde. Zé, de Lacoste e Schnabl, de Levi’s com foulard.
Julio Rego e seus óculos Julio Rego

Julio Rego, um dos mais elegantes do Brasil, estava de calça de panamá da Casa Alberto, camisa sob medida do Oscar, cinto listrado Ralph Lauren (ele deu um igual para o Jô Soares), meias listradas Paul Smith. Mais o chapéu de palha e os óculos! Óculos da marca Julio Rego, que estão à venda na Arnaldo Gonçalves (rua Visconde de Pirajá, 444, galeria). São super-coloridos, leves e diferentes. Adorei / O Fashion Mall vai lançar o inverno com um tema circense, na segunda-feira, dia 25, produção do Alexandre Schnabl, com bailinho do Rodrigo Pena no final. Vai rolar champanhe na Le Lis do Fashion Mall neste dia, a partir das 18h.

Thursday, March 12, 2009






Louis Vuitton vale a viagem

14h38
Ok, é muito bom ver roupas usáveis, pretinhos lindos, casacos elegantes. Mas ver um, dois, dez coleções assim, desanima. Porque tem que haver novidade, maluquice, choque, do contrário não é moda, porque não inova.
Esta semana contou com três grandes desfiles: Dries van Noten, Hermès e Lanvin. E um super-desfile, visto hoje, da grife Louis Vuitton. Tudo deu certo, desde o horário rigidamente marcado por Marc Jacobs (em Nova York também começou no horário, segundo comentários), até a arrumação da sala, sem arquibancadas, com cadeirinhas pretas forradas de rosa, quase todo mundo em primeira fila. Muito chique, fez justiça às convidadas que se produzem de LV da cabeça às unhas dos pés e puderam se exibir para as fotos de people.
Na coleção, quase todas as formas são ajustadas por lastex, um drapeado mais tecno, lembrança dos anos 70 bastante modificada.


Em couro, renda, todo tipo de material, fez vestidos curtos, saias e tops. Os ombros são marcados em algumas peças, principalmente nos casacos pretos; há flores repolhudas inseridas nas mangas; um blazer preto parecia apenas oversize, mas quando a modelo virou de costas, havia um complexo amarrado junto à cintura. Tudo é assim, complicado, cheio de detalhes. Há um ar meio Moulin Rouge, meio Toulouse Lautrec, nestas cabeças de Goulues com coques altos com pérolas espetadas ou laços que parecem orelhas de coelho.
Dá para destacar a blusa em devorê preto, com o logo famoso; os colares com elos que parecem captadores de energia solar; os brincos com bola pretinha pendurada em haste longa. O tom de rosa-marzipã nas bolsas e casacos. Os sapatos com salto de ampulheta, entremeada por pérola, as botas de cano muito longo, com laçadas e recortes, babadinhos no cano. É tanta complicação, tanto luxo, que até um legging ganhou bordado igual ao padrão cashmere da túnica que acompanhava.

Um belo trabalho, uma aposta na extravagância e no luxo, coisas que andaram meio esquecidas nesta semana de propostas sensatas e moderadas, prontas para serem usadas.

Ficha: nada, nem um papelzinho contando quem penteou, quem maquiou, nadinha.

Intervalo / Patricia Romano, nossa RP defensora dos brasileiros na LV, estava de galochinhas de plástico azul nos pés, para proteger a forração branca da sala. Depois, tirou e exibiu a bota super-alta, com laçadas e a bolsa de logos, dourada / um acessório novo: óculos-viseira.

Wednesday, March 11, 2009






Hermès, voador

18h15
Nunca vi uma coleção ruim da Hermès, uma das marcas mais tradicionais da moda parisiense. Mas desta vez, foi uma superação: Jean-Paul Gaultier decolou com sua inspiração aviador. Antes de começar, com a sala enfumaçada e o cenário de hélices de diversos tipos, a passarela iluminada como uma pista, já dava uma idéia de que rolaria um clima Casablanca. Não deu outra, incluindo a música As time goes by, na trilha. Foi uma coleção perfeita, com jaquetas de capuz forrado de pele, tailleurs de saia justa em couro, macacões em couro macio, sem falar nas estonteantes bolsas Kelly, em vários tamanhos. Todas as modelos portavam toucas de aviador antigo, dos anos 1940, algumas com broches que suponho fossem jóias, já que Hermès aguenta todo tipo de luxo. Há também trench-coats, lembrando Humphrey Bogart no filme, e não ficou enjoativo, porque estas capas, que já rondam a moda há três anos, têm tudo a ver com o tema.
Além dos uniformes, quase sempre em crocodilo, passaram os longos em seda estampada xadrez, mais cara de Marlene Dietrich do que de Ingrid Bergman. Raquel Zimmermann, que abriu o desfile, passou um destes longos, lindona, jogando a jaqueta para um lado, para descobrir um ombro. Isabelli mostrou um longo preto, com uma manga só e cinto preto, com metais prata, estilo punk – não esqueçam, era Hermès, mas também era Gaultier, tinha que ter um toque irreverente.
Nos complementos, botas looooongas, quase cobrindo as coxas todas; sapatos cheios de tirinhas, em verniz preto, salto fino e plataforma. Também em camurça preta, peep-toe.

Hermès abre loja em São Paulo, talvez já com partes desta coleção. É linda, foi uma das mais competentes da semana. Abre caminho para uma continuação das capas trench-coat na moda, confirma as jaquetas como ítem atual, e as saias justas como básicas no inverno. O couro, do jeito que é fininho, se adapta ao clima paulistano. Os vestidos de seda são fáceis de usar. Só tem um detalhe: o preço. Em tempo de desfile, ainda não se sabe quanto pode custar, mas Hermès é cara. Tipo investimento. Que vale a pena, para quem é exigente e elegante. E tem um bom cartão de crédito...







De salto alto
Apesar do desfile Hermès ser na Halle Freyssinet, que não passa de um galpão em beco do outro lado do Sena, perto de Bercy, as convidadas não hesitaram em calçar suas sandálias e sapatos de salto, aproveitando que a temperatura subiu para 15 graus. Vejam nas fotos as incansáveis de saltíssimos.




O lugar
Vejo a sala, no que se convenciona chamar de Halle Freyssinet, e penso nos galpões da praça Mauá. Quando vamos aproveitar aqueles espaços para a moda, com algum conforto? O espaço parisiense tinha duas grandes salas montadas com arquibancadas, como Eloysa Simão faz dentro das tendas do Fashion Rio. Em uma, desfilou Hermès, ao lado, Galliano. O estacionamento é pequeno, muita gente chegava de metrô ou de taxi.
Mas em breve, quando inaugurar a Cidade da Moda, ali por perto, este galão será uma opção de lugar para apresentacões e salões. E nós, no Rio, com aquele visual todo (não venham me dizer que a baía é poluída, que os galpões têm baratas, tudo isto tem jeito), assistimos à ruína dos armazéns da Praça Mauá.

Intervalo / comum, neste tipo de semana, enganos nos horários e locais de desfiles. Achei que Hermès era às 16h30. Era às 17h30 e me vi em uma região desconhecida, sem a menor vontade de sentar em um bar para tomar café, para fazer hora. Resolvi perambular pelos quarteirões. Descobri o Truffaut, loja de plantas e animais. Linda, cheia de flores para plantar, de vasinhos / resultado: já que não podia sair de lá com um vaso alto, preto (como embarcar de volta com tal bagagem?), comprei ração para os gatos / voltei para o elegante grupo de convidados, com uma sacola de mercado transparente contendo uma ração Digestiva e outra para gatos exigentes, da Royal Canin /

Tuesday, March 10, 2009



Chanel, Kate Moss e Donna Summer no Grand Palais

Kate Moss, loura, de coque, de pantalonas, foi a sensação na fila A do desfile Chanel, nesta chuvosa manhã de terça-feira, em Paris. Não teve Mila Jovovich que concorresse em matéria de beleza e nível de celebridade. Mal sentou, foi cercada por fotógrafos, atrasou o começo do desfile. A ponto de haver um aviso no som, pedindo que todos se sentassem ou voltassem aos seus postos, para o desfile poder começar. E depois, como ninguém se mexeu da frente da bela, o aviso foi aos berros "agora!". Enfim em paz, o que fez Kate? Foi verificar o que havia dentro da sacolinha de brinde que ganhou na entrada do Grand Palais (era batom e esmaltes vermelhos). Todo mundo gosta de um presentinho.




Na coleção, muito preto, preto, preto, em vestidos simples e secos, cheios de recortes que ajustam e modelam no corpo. Nada tão básico assim, já que golas e punhos eram brancos, feitos com flores recortadas, uma lembrança da tradicional camélia. Tailleurs poucos, em verde ou cinza. Tricõs em rosa-marzipã, calças retas verdes. À noite, muito mais preto, em tules e bordados pretos. Sandálias com saltos com argolas vazadas.
No som, Donna Summer cantava Love to love you baby, de 1975.



Para a rapaziada, tudo preto também. Com colarinhos trabalhados com babados, frufrus, nas camisas brancas ou todas pretas também. Bem dandy, o homem Chanel

Monday, March 09, 2009















Os eventos não param, antecipando o inverno.

Hoje, terça-feira, Lenny Niemeyer mostra a coleção de inverno. Tomara que dê muita praia, para podermos exibir nossos biquínis e maiôs.
Onde: rua São Clemente, 258 / 8º andar
Quando: dia 11 de março, às 10

Mas hoje também, terça-feira, rápido, corram para assistir à aula inaugural do curso de Design de Moda da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Sabem quem vai dar a aula? Carlos Tufvesson, nosso estilista mais engajado e mais acessível para entrevistas interessantes. Além dos alunos, a palestra está aberta a quem se interessa por moda. Tufvesson falará sobre a importância do curso superior e da qualificação dos profissionais do setor da moda.
A abertura do curso será no campus Terra Encantada (av. Ayrton Senna, 2.800 (entrada pela avenida Via Parque), às 10 horas da manhã.

No dia 12, quarta-feira, o Senai Moda lança o Caderno Perfil Verão 2009/10, com palestra que fala de comportamentos urbanos
Quando: 12 de março, das 8 às 13h
Onde: auditório do sistema Firjan (avenida Graça Aranha, 1 / 2ºandar, no Centro – Rio de Janeiro)


Em Camboriú, o evento Santa Catarina Moda Contemporânea acontece nos dias 21 e 22, mostrando o resultado e as coleções de alunos das várias instituições que ensinam moda.
Quando: dias 21 e 22, a partir das 17 horas
Onde: Hotel Recanto das Águas - Estrada da Rainha, 800 - Praia dos Amores - Balneário Camboriú / SC.
Vejam mais em http://www.scmc.com.br/.


Comprinhas
Priscilla Equi e Mariana Luchi já estão com sapatilhas e sapatinhos novos de inverno no atelier baLLerina. Vejam que lindinhas, nas fotos.
Onde: atelier baLLerina
Rua Joana Angélica, 192 sala 308
Tel (21) 2267-3883

Na rua
Vejam que graça este trio, fotografado na entrada do desfile Lanvin. Elas nem eram convidadas, estavam por ali, passando, de bobeira. Viram o movimento e resolveram ver o que estava acontecendo. Resultado: fizeram o maior sucesso, foram fotografadas por todos os blogueiros e caça-estilosas. Mereceram, são umas graças




















Fotos Ines Rozario

Sunday, March 08, 2009

Givenchy

19h25 / Carreau du Temple
Começou em preto, unanimidade da semana. Bem diferente, com vestidos de uma só manga, cheios de recortes e dobras, em malha. Calças flare também com panejamentos na frente. Longos com ombros pontudos. Ombros, ombros, eles são importantes na moda assinada por Ricardo Tisci. Os sapatos têm plumas, há cocares e sandálias cravejadas de pinos. Índios punks? Punks selvagens? Seja lá o que for, a roupa é bonita, feminina e interessante pelos truques de modelagem que apresenta. Muitas brasileiras no elenco – Isabeli Fontana, Adriana Lima, Raquel Zimmermann, Leticia Birkheuer, Ana Claudia Michels. Uma ala de tules drapeados e repuxados, entremeados de plumas e peles.
Há uma onda de peles de fios longos, parecem cabelos humanos. Elas vêm junto com saias de dobras circulares e tailleurs em tweeds azulados ou violetas. O final sai um pouco das dobras e recortes, e cai nas rendas brancas. Mas tem um detalhe diferente: os ombros são realçados por pequenos enchimentos por baixo das mangas, como se fossem conchinhas sobre os ombros, em lamê azul. Vestidos e macacões em metalizados prata confirmam outra onda forte, a do prata, Final de sereias em branco, de longos com fechos nas costas, encerrou o show de Ricardo Tisci.

Ficha
Decor e produção: La Mode en Images
Musica: Frédéric Sanchez
Cabelos: Luigi Mirenu
Make: Tom Pêcheux
Acessórios: Givenchy


Intervalo / tipo massacre, a entrada do Givenchy. Nem o Didier Grumbach, presidente da Chambre Syndicale, escapou do empurra-empurra. Tão estranho, esta falta de organização, de não conseguir ajeitar a entrada de um desfile importante. É aquele pavilhão, o Carreau du Temple. Já vi desfile do Ungaro tão confuso na entrada, que deixaram centenas de convidados do lado de fora, com convites nas mãos, por falta de lugar na sala. Ainda bem que o desfile valeu cada aperto / quem chegou cedo e não era fotógrafo (estes têm que entrar logo e ficar na sala, esperando horas, para garantir o lugar bom) foi se esquentar nos bares ai por perto. Um dos melhores é o Le Bistrot Gourmand du Haut, na esquina da rue Charles-François Dupuis com a rue de la Corderie. Chás, chocolates quentinhos e tortas da casa maravilhosas
Dries van Noten
16h30
Um espelho vertical enorme refletia a passagem das modelos. Só isso, já dava uma dramaticidade incrível. A coleção tem aquele ar de perfeição viável, a moderna combinação de antigo e urbano, de romance e beleza. “Belelza perturbadora”, como definiu o estilista belga.
São muitos casacos de faixa amarrada, muitos blazers com calças pregueadas – lembrando o que fazia a Movie, marca do Rio, nos anos 70. Nestes looks, há um jogo de cores deslumbrante. Roxos, verdes e rosas, estampas de cobra, onça, flores. Sempre, em preto e branco, estes padrões. E aplicados como se fossem recortes ou pregas interrompidas. Isto é novo! Isto é reinvenção, é quase matemática. Pegar uma estampa batida como a onça e transformar neste retalhos retilíneos, em preto, branco e cinza, é novo. Além dos tecidos, há o couro em saias-calças (mais anos 70); casacos curtos com faixas, em tom berinjela e calças pregueadas em verde-água.
Nada de meias pretas foscas. As pernas são calçadas em tons claros; nos pés, escarpins e botas de saltos de cobra.
No final, há texturas franjadas, blazers mais femininos, em paetês e estampas novamente em preto e branco, que lembram fundos de obras de Gustav Klimt.
Arrasador, o Dries van Noten

A ficha técnica fica de fora, porque não havia papel impresso para todos os convidados.


Intervalo / O Liceu Carnot, onde o van Noten mostrou a coleção é um prédio grande, um quarteirão, um dos colégios mais antigos de Paris. De um lado da porta exibe uma placa onde se lê que 80 alunos de famílias judias foram mortos pelos nazistas. Do outro lado, um cartaz avisa que há uma permissão de demolição! Este cartaz está semi-encoberto por papéis com frases do tipo “para ter um liceu novo, basta reformar”. Não sei se é verdade, mas seria muito triste ver este prédio ir abaixo / ao meu lado, na entrada, um convidado sem lugar marcado pegou uma canetinha preta no bolso e calmamente escreveu um lugar fictício, um Db2. Não convenceu os seguranças e poucos minutos depois estava de volta à fila
Um dia de chuva e moda

Em um só dia, Karl Lagerfeld, Dries van Noten e Givenchy. Um alemão, um belga e um italiano, já que é Ricardo Tisci que assina Givenchy atualmente. E tudo, sai como moda parisiense, esta é a grande vantagem desta cidade que acolhe todos.

Karl Lagerfeld
10h (no convite) tenda no Jardim de Tuilleries
10h50 (na verdade)

Inspiração motoqueira levou a perfectos em tweed, usadas com skinny de cetim. É a silhueta estreita, fininha, urbana, que Lagerfeld sabe fazer tão bem na sua marca. Quase tudo em preto ou cinza, quase tudo com as calças coladas, com fechos na barra (para conseguir vestir), muitas com um friso vermelho nas costas.
Brincões prata cobrem as orelhas inteiras, em vez de bolsas, as meninas levavam minibolsinhas, nos tamanhos exatos para celulares e pouca coisa a mais – algumas eram de pele.
O tailleurzinho preto ícone da temporada, de casaco cinturado, com ombros marcados e minissaia tem corte arredondado e abre uma ala de modelos com palas abotoadas nas costas, que na frente dão um aumento de ombros, sem precisar de ombreiras.
É o novo shape, mais uma fase dos anos 80 que volta: cintura fina, ombros largos e saia justa. Mistura de Thierry Mugler e Azzedine Alaïa.
No caso do Lagerfeld, em vez de ombreiras existe esta pala, que pode ser bordada com metais prateados. Os cabelos ganham apliques volumosos – outro detalhe freqüente, foi visto também em altos coques na Dior -, quando não são cobertos pelos capacetes de moto, que por sua vez são revestidos, bordados, enfeitados por Lagerfeld. Há sempre um bolsinho externo nesta capa de capacete, para iPod ou seja qual for a buginganga favorita.
No final, longos de tule preto repuxado e drapeado sobre forro branco, e luvas-mitenes de couro preto.

Ficha
Acessórios: Karl Lagerfeld
Capacetes de moto Ruby, vestidos por KL
Sapatos Rubert Sanderson para KL
Make Emmanuel Sammartino para MAC
Cabelos: Odile Gilbert com tecni art de l’Oréal Professionnel
Sound designer: Michel Gaubert
Banda: Metronomy
Site: www.karllagerfeld.com


Intervalo / foi uma espera e tanto, debaixo de chuva, no jardim das Tuileries / Lagerfeld é moderno, adora música e tecnologia. Só de iPods tem uns 40, para arquivar todos os tipos de música que curte. Já lançou CD de compilação, foi o primeiro a contratar a dupla do Vive la fête, a usar o Daft Punk, é amigo da Amy Winehouse e desta vez a banda Metronomy abriu o desfile, com seu som digital. É sempre uma informação nova, além de roupas e acessórios / com a chuva, as botas reapareceram. Muitas japonesinhas ainda calçam as Uggs, que parecem botas de esquimó, são feias, mas muito quentinhas e impermeáveis. Já vi a 5 euros na Côte a côte, loja off que tem em vários bairros em Paris. As francesas gostam do modelo montaria, clássico. Carine Roitfeld, editora da Vogue França estava com botas de salto agulha. Muitos desfiles propõem canos longos, muito acima dos joelhos e plataformas.

Saturday, March 07, 2009



Sophia Kokosalaki
14h05
Um cenário de retângulos brancos de vários tamanhos, na tenda no Jardim das Tulherias foi o local de prestígio da grega que está cada vez melhor. Ela está integrada na linha dos estilistas que criam mulheres elegantes, sensuais e com um leve toque nostálgico, meio anos 40. Aquela silhueta de cintura fina, ombro marcado, mais os arredondados e dobras deste século.


Começou com o casaco preto, com cinto tacheado em prata na frente, e foi em frente nos pretos, misturando texturas mais foscas e mais sedosas, muito couro fininho. Em geral, as marcas são ombros pontudos, comprimento acima dos joelhos e cabelos claros, soltos e ondulados. Nos acessórios, saltos salientes, como se estivessem quase desencaixando do corpo do sapato e das botas.
Tules pretos e beges são pregueados e drapeados, jogando transparências falsas e verdadeiras – alguns looks são compostos por túnica de malha, casaquinho bordado e legging, em bege ou laranja-tijolo. Os adornos mais frequentes são plaquinhas prateadas, aplicadas sobre calças estreitas, que anunciam uma série mais roqueira da coleção. Um vestido de retalhos irregulares de couro, presos por grampos metálicos (prata, de novo) antecipa os modelos super-bordados na frente, lisos atrás e os miniboleros prata sobre leotard preto
14h15

Ficha
Styling: Alister Mackie
Produção: Eyesight
Direção de arte: Bill Georgoussis
Luz: Thierry Dreyfus
Make: Peter Philips
Cabelo: Marc Lopez com L’Oréal Professionnel
Música: The Misshapes
Casting: Darling Castings
Convite: Patrick Li at Li.Inc.
Vinhos servidos na entrada da Anno Domini Vineyards


Intervalo / virou moda receber os convidados com um pelotão de garçons parados no meio da sala, servindo champanhe, ou vinho com morangos e chocolatinhos / imagina isto no Rio ou São Paulo: caipirinhas e bolinhos de bacalhau, hummm / de vez em quando nota-se um certo frisson de segurança na cidade. A estação Chatêlet (uma das maiores do metrô) fecha, um trem para meia hora, sem maiores explicações. Mas ninguém mais abre a bolsa na entrada dos desfiles, nem passa por detector de metais / só que o metrô ainda é o meio de locomoção mais rápido. Bom, quando não para no meio do caminho. Nesta hora, a gente se arrepende de não ter feito o roteiro...a pé.

Friday, March 06, 2009

Salão ocupa lugar de passarelas em Paris

O Tranoï, salão que recebe compradores do mundo inteiro, interessados em ver as novidades em roupas e acessórios em estandes de feira tradicional, está ocupando duas salas do Carrousel do Louvre. Uma feira, no espaço onde já vimos Chanel! É um dos sinais de mudanças no sistema da semana da moda parisiense. Estamos em tempo de vendas, não apenas de show.
Nos convites, em vez dos lugares glamurosos, tendas armadas no Jardim das Tulherias ou em frente à Torre Eiffel, os endereços obrigam a uma pesquisa nos mapas do metrô, de tão fora do circuito chique são os galpões e salinhas. Sai mais barato desfilar nestas lonjuras do que o aluguel médio de 25 mil dólares das salas do Louvre.
O número de convidados diminuiu? Ainda não se sabe, porque muita gente deve chegar de Milão até amanhã, sábado. A sala de Lanvin estava lotada, Dior idem.
Gaspard Yurkviech
O russo Gaspard Yurkievich mantém a jovialidade. Desta vez, falou de paixão, amor e prazer, ao som de músicas da peça Sweet Charity e inspiração nas coreografias de Bob Fosse em Cabaré. Bonitos os vestidos de decote reto, corte solto; as calças de alfaiataria, de cós alto, as saias drapeadas em cetim. As mangas longas caem soltas e franzidas até próximo dos punhos, dali em diante se ajustam. A estampa é a mesma cabeca feminina do convite, sobre fundo bege-claro. Cabelos em coque baixinho, bem anos 30. Uma continuação do estilo de setembro, da coleção de verão, é o decote com bordados ou rendados em casacos ajustadinhos ou em chemisetes de seda. As saias são montadas em dobras na frente, melhor ver na foto para entender a modelagem. No final, os microvestidos em paetês vermelhos, cinzas e ouro.

Ficha
Música (trilha de Sweet Charity): Dani Siciliano
Styling: Sarah Ellison
Casting: Patrizia Pilotti
Make: Irena Ruben com MAC
Cabelos: Esther Langham com tecni art de L’ Oréal Professionnel
Arte nos paetês: Sylvie Auvray
Lingerie: Eres
Site: www.gaspardyurkievich.com

Intervalo / sentar no último lugar, quase na entrada da passarela, tem algumas vantagens. A que mais gosto é que dali se vê ou a modelo se preparando para entrar na sala ou saindo, correndo para o camarim, para trocar de roupa. No desfile do Yurkievich, era divertido ver que as meninas saíam das luzes e dos olhos da platéia, e faziam passinhos de dança, iguais aos das coreografias de Bob Fosse para Sweet Charity / Antonio Lopez, o grande desenhista de moda dos anos 60/70 foi uma das referências do russo Gaspard. Comecei como ilustradora no JB admirando o traço dele / gracinhas dos fotógrafos: cada vez que a assessora de imprensa entrava com um convidado, toda loura, rebolante, com vestido de seda, recebia assobios e gritos dos rapazes


Lanvin
17h30

A platéia se instalou nas arquibancadas forradas com almofadinhas numeradas, na sala a meia-luz, toda pintada de preto, com o piso molhado. No centro, garçons sustentavam bandejas com bebidinhas e comidinhas. Sempre tem um clima de coquetel em Lanvin.
Quando a luz apagou de vez, atrás do portal de rosas, abriram-se cortinas pretas e surgiu o restante do galpão enorme, em estado natural. Lindo.
Um cenário perfeito para a coleção do Alber Elbaz – corre o boato que seria a última para Lanvin -, uma beleza de estilo retrô, meio anos 40, mas com a modelagem assimétrica, com repuxados, típica do Elbaz. Muito preto, com cintinho fino, saias estreitas, botinhas e escarpins de plataforma embutida, com salto curvo, em verniz. Vermelhos, pretos com bordados prata, tules em tom pele. Tailleurs falsos. Como? Na frente, parece um casaco ajustado, lembrando modelos do Thierry Mugler ou do Azzedina Alaïa nos anos 80, com basque. Só que não é basque, é uma dobra que existe só na frente. A modelo segue, e mostra que nas costas é um vestido justo, comum.
Este truquezinho se repete em vestidos ricamente rendados, em tecidos devorês ou bordados. Na frente, uma festa de enfeites e luxos; da costura lateral para trás, só o tecido liso.
Cabelos em rabos-de-cavalo, colares grandes. Cintos estreitinhos, presos com nó, simplesmente.
No final, a perfeição do longo de veludo de seda preto, com o cintinho, usado com bota baixa.

Outra economia nesta semana é a ausência de qualquer tipo de informação. Nenhum papelzinho, nenhum crédito para as equipes.

Intervalo / Paris é pequena, são uns 10km na vertical (de norte a sul) e 10 na horizontal (de leste a oeste), no mapa. Mas como a gente reclama quando sai do circuito clássico da moda! Há muito tempo que não tinha que estudar o mapa do metrô para saber como chegar em alguns buracos onde acontecem os desfiles. Lembro quando ia para uns depósitos de tapetes depois da estação de Austerlitz. Ou quando afundava os pés na lama, no Bois de Boulogne / agora, ir para perto de Bercy pra ver Lanvin parece uma Conchinchina. Bom, povo da moda é fresco mesmo, rarara

Etcetura
19h40
Duas irmãs, Ezra e Tuba Cetin, vieram da Turquia para estrear a marca Etcetura em Paris. Corajosas, as moças. Trouxeram inspirações do próprio país, como a homenagem a Anna Komnène, autora do primeiro livro de História, no século 11. E os mosaicos da igreja de Santa Sofia, em Istambul.
Chamaram os convidados para uma sala espelhada com muitos lances de escada, puf, puf, em uma passagem na rue Montmartre. Na coleção, casaquinhos cinturados, estruturados, em bege ou preto, sobre colantes com capuz. Futurista. Calças e vestidos em couro preto, com pregas arredondadas. Anos 80. Saias com pregas em curva. Balenciaga. E ficamos procurando as personagens da História, os mosaicos da igreja, o colorido turco.
Até que as luzes se apagam, e surge na boca-de-cena uma mulher nua, com auréola e pose de Virgem bizantina. Fica lá e sai.
O que os novos que chegam aos grandes centros lançadores, como Paris, não entendem, é que todos esperam novas idéias. Nada de trajes típicos, mas algo diferente. Ezra e Tuba chegaram perto, quando mandaram os convites com uma pedrinha azul dentro do envelope. Típica da Turquia. Mas podia ter mais coerências deste tipo na primeira apresentação da Etcetura.
19h55

Ficha
Make: Takuya Motohashi para Menard
Cabelos: Yusuke Taniguchi para Menard
Trilha: Zeynep Arkok (dono de um iMac, que comandou o playlist)
Sapatos: Hotic (cobertos por meias pretas, vai entender)

Thursday, March 05, 2009

Crise está na moda?

Moda abrange muita coisa. Além de roupas, perfumes, decoração e maquilagem, inclui movimentos e comportamentos. Portanto, pode-se dizer que crise está na moda. E a anunciada volta de Michael Jackson aos shows. Os dois assuntos ocuparam as notícias nos canais de Tv internacionais.
O que não abala a animação dos adeptos dos desfiles de Paris. A função começou ontem, com público reduzidinho, porque muita gente ainda está chegando de Milão. Sobre os desfiles italianos, o que se ouve é que foi uma semana sóbria, com propostas feitas para usar. Ou melhor, vender. Sem exageros conceituais. Com pelo menos dez desfiles a menos na agenda.
Giorgio Armani criou para “uma mulher de personalidade forte, que vai resistir à crise”, o que significou longos pretos de tule sobre calças em jérsei, alternando transparências e bordados. No lugar dos saltos altos, botas baixas. Jil Sander foi homenageada pelo atual designer, Raf Simons, com vestidos curvilíneos, com recortes de cor, misturando neoprenes e formas esculturais inspiradas por obras de um ceramista francês. E Miuccia Prada não decepciona. Mais uma vez reinventa moda, partiu de um tema campestre, jardins, para mostrar cardigãs com shorts de couro, botas longas. Muito preto, porque é roupa de inverno e porque, segundo a estilista, “é difícil ser positiva, nestes tempos. Mas estou numa boa”.

Pucci e Gucci deram o toque roqueiro, insistindo em vestidos curtos, de bolas pretas em fundo rosa, ou nos jeans justos e coletes peludos.

Cenas de camarim. Olha o laçarote da maquiadora! .....................>



E agora, começa Paris. Muito show-room, muito vídeo, em lugar de desfiles de verdade. Muitas salas fora do circuito central, muito tempo procurando lugares em pontos mais distantes. Tem que ser de metrô, porque ônibus e tåxis enfrentam engarrafamentos que atrasam a chegada dos convidados. De um lado, professores protestam contra a contratação de gente não formada para ensinar nas escolas; do outro lado, médicos e funcionários de hospital, pedindo salários e mais investimentos na saúde. Pára tudo.

Mesmo assim, o mundo da moda sobrevive. Neste primeiro dia para valer, Gareth Pugh apresentou enrolados e alfaiatarias quase sempre em preto, com ombros marcados...em vídeo, com apenas uma modelo loura-vampiresca. Sem gastar com luz, elenco de modelos, equipe de beleza. Anne Valerie Hash enfatizou o caminho do masculino-feminino, com toques mais delicados no final da coleção.

Acaba sendo importante contar com corajosos como Lie Sang Bong na semana de moda. O estilista coreano usou os belos salões do Grand Hotel, ao lado da Ópera, convocou as beldades polonesas, russas e orientais e usou um aparente estilo africano na coleção.
Digo “aparente”, porque havia tigres e selvas, mas no camarim, ajudado por uma assistente, ele explicou que não era África, era Oriente puro. Teve que apelar para a assistente porque não fala inglês nem francês. Nas araras, vendo de perto, se destacaram os vestidos feitos em plástico molinho, com estampa de tigre, todo picotado a laser, fixado sobre um tecido jacquard. Na passarela, foram usados sobre macacões de malha elástica. E botas de cano nas coxas, plataforma alta, em couro metalizado cobre. Este é o lado mais explícito do Tigre Oriental, o “wild life” como ele define. Mas há também a série de vestidos em estruturas de ombros, em preto, os casacos em couro recortado em metalizado cobre e os belos longos negros com pregas que viram do avesso e mostram uma face rosa-magenta.

Esta é a polonesa Lucyna, uma das belas da semana, da agência Marilyn ...................................................................>

Nesta fase esquisita, os novos aproveitam para entrar na roda. Hoje à noite, em ritmo de DJ e festa, desfilam alunos do grupo Generation 10, recém-formados no Instituto de Moda de Arnhem, na Holanda. É bom guardar estes nomes: Linda Valkeman, Marloes Blaas, Lisa Weinberg, Felicia Adelina Mak, Rudolph Oniel Holmond, Roos Koster e Maryam Kordbachech. Vai que eles ficam famosos e daqui a pouco tempo assinam grifes famosas?

A grande expectativa de amanhã é o desfile Lanvin. Primeiro, porque é sempre lindo. Segundo, porque há o boato de que Alber Elbaz, atual estilista e acionista da grife, estaria saindo da casa.

estes são os arranjos de orquideas no Grand Hotel, todos brancos em vasos brancos. Simples e chique......>
Intervalo / fico sabendo que Hubert de Givenchy vai mostrar figurinos que criou para Audrey Hepburn no Brasil. Assim como Kenzo Takada, Monsieur de Givenchy está fora do circuito oficial da moda, desde que vendeu a marca para o grupo LVMH. Vale ver de perto as belas roupas que lhe deram fama / querem saber do clima parisiense? De manhã, zero grau; de tarde, oito. Nada que uma camiseta, uma camisa, um suéter rulê, um casaco de verdade (de lã, enquanto não chove; de nylon, acolchoado, se chover), uma meia-calça grossa e uma calça comprida não resolvam. Ah, e o cachecol. Luvas, só quando venta. Sério, é perfeitamente suportável. Mais do que os nossos quarenta graus do verão / um hotel para reservar: o Marignan, na rue de Marignan, pertinho da Avenue des Champs Elysées. Nathalie Richard, a proprietária é linda, morena e jovem, está redecorando o prédio inteiro. Mas os quartos são ótimos, travesseiros de sonho, cama de princesa, cabides de verdade. Não são aqueles usados na maioria dos hotéis, com gancho fixo no armário. Tem até cabide forradinho de cetim, para roupas mais delicadas. Quem reserva no Brasil é a Marisa Vianna, da operadora X-Mart