Saturday, January 31, 2009

Fenim – inverno 2009


Vitrine da Dzarm




Como quem gosta de moda não cansa, a maratona de Fashion Rio, dia seguinte embarca para a São Paulo Fashion Week, sai de SP no sábado e na segunda já está em Gramado, nem pesou. E olhem que a Fenim estava gigante, com 500 expositores divididos em vários setores. Muito calor, que não conheço verão mais verão do que a minha terra, o Rio Grande do Sul.
Vimos a evolução da moda masculina, que aposta no luxo de detalhes e requintes pelo lado do avesso das roupas (forros estampados, colarinhos com vivos coloridos), a variedade dos tricôs, a grande oferta de surfwear no sul do país.
Hoje reproduzo o texto sobre a moda masculina escrito para o Jornal do Brasil, com alguns acréscimos. Só no último dia de feira eu soube, pelo Ivo Chicuta, que uma determinada marca havia lançado uma cueca com bojo. Ora, era o final perfeito para uma reportagem sobre a nova atitude do homem perante a moda. Mas a matéria estava feita e enviada, graças ao wireless do hotel Casa da Montanha.
Mesmo assim, como ninguém lembrava o nome da marca, saí perguntando de estande em estande. “Vocês lançaram uma cueca com bojo?” e as reações eram de espanto. “O que? Cueca com o quê?” . Enfim, a novidade que já faz sucesso há um ano, é da Mash. A cueca Push-up não tem um bojo de espuma, como os sutiãs femininos, e sim, uma espécie de nicho feito pela modelagem. Que dá um volume maior, e faz sucesso por isto. Estes meninos...

Segue a reportagem:

O mercado masculino atrai as atenções da moda. Depois dos desfiles nos eventos do Rio e São Paulo, a 13ª Fenim (Feira Nacional da Indústria da Moda) filtra os lançamentos das indústrias, que devem ser adotados pela maioria dos brasileiros.
O setor masculino surpreende pelo empenho em peças requintadas, com detalhes dignos de serem chamados de luxo, mas com possibilidades de preços razoáveis. “O homem está cada vez mais vaidoso e gosta de qualidade”, confirmou Luciano Café, sócio do irmão, Jayme, na marca MPW, que lança pólos com cores e recortes baseados nos esportes de elite – polo, rugby e circuitos de motoesporte.

As mudanças mais importantes acontecem na linha de alfaiataria. Nos ternos, paletós e calças, o luxo se esconde no avesso. Na Apa, grife carioca de 41 anos que figura entre as 10 maiores do mundo, o próprio Luiz Apa (foto à esquerda) mostra o forro ou vista francesa do paletó cinza, com pespontos contrastantes e bolsos internos com vivos em jacquard de seda violeta. Para dar uma idéia do poder de moda da Apa, basta lembrar que o terno de cambraia cinza desfilado por Cauã Raymond para a TNG, no Fashion Rio, saiu da produção de 17 mil roupas mensais na baixada fluminense, onde fica a confecção da Collezioni d’Oro da marca. Em Leopoldina, Minas Gerais, é feita a linha mais básica, com 32 mil roupas mensais. A partir de março começa a exportação de 10 mil smokings por mês para os Estados Unidos.
“Na moda masculina não se pode inventar muito por fora, melhor inovar por dentro”, define Siara Zach´, diretora de produção da etiqueta Cherne, de Colatina, Espírito Santo. As calças jeans do inverno são forradas em outros tecidos, o cós tem debrum colorido, algumas peças em jeans são listradas e xadrez no avesso. Nas calças em tecidos planos, os senhores exigem misturas com fibras de elastano. “É pelo conforto, mas também porque o homem que se sentir mais sexy, com modelagens mais ajustadas”, explica Siara.

Perfil da Fenim – segundo um dos diretores, Julio Viana, esta é uma feira boa, grande e movimentada, apesar de ficar fora do eixo Rio-São Paulo. “Trazemos seis mil CNPJs (lojistas e empresários) do Brasil, indicados pelos 500 expositores. Mas pensamos em montar a edição de verão no Riocentro, no Rio. Preciso fazer acordo com a hotelaria local: não quero nada de graça, aqui em Gramado pago diárias de R$ 160 a R$ 180”. Esta 13ª Fenim tem o desafio de superar as notícias de crise, mas Julio releva o risco. “Temos também a incerteza do inverno, nunca se sabe quanto frio teremos. No ano passado foi mais ou menos, mas em 2007, ano de bastante frio, dizia-se que os lojistas vendiam até as cortinas”.

O que será moda para os homens no inverno


Tecidos: risca-de-giz, é clássico. Tendência, o brilho em grafites e cinzas, como mandam Hugo Boss e Giorgio Armani. E moda, o falso liso, com relevos quase invisíveis na trama maquinetada (Sartoria Suprema, da Kowarick). Os tecidos de poliester microfilamentado e viscose e a lã com poliester concorrem com o Super 120, com custo até 30% menos no produto final.

Gravata: continuam os listrados e lilazes. Os rosas voltam até o fim do ano. Um toque Art-Déco nos desenhos em seda italiana, com brilho metálico (Spring). As mesmas tendências são encontradas em gravatas de poliester, por 1/4 do preço da seda

Camisaria: por dentro do colarinho, um vivo em seda com estampa de gravataria ou poás. Na mesma cor, a linha que faz a casa do punho (linha Doppio Rittorto, da Spring)

Sapatos: clássicos ingleses, Oxford, Brogues, em couro, forrados e com palmilha também, em couro, são os favoritos dos executivos. Bicos mais afilados e ausência da vira na sola são freqüentes nas coleções internacionais Hugo Boss e Manfield. As botas Northern, em estampa lézard, representam outro requinte esportivo. São calçados de preço em torno dos R$ 320 no varejo (Bettarello)

Casual: os casacos e blusões em moleton e malha ficam versáteis. Se transformam em coletes, abrindo um fecho nas cavas e podem ter o capuz retirado, para parecer mais com jaquetas. No forro, tecidos listrados e estampas tipo cartoon (Dzarm e Hering)


Desfiles de astros
A Fenim apresentou um desfile coletivo de oito marcas, cada uma com um ator ou atriz no elenco. Kaiky Brito mostrou os jeans da Six One; Iran Malfitano, um hoodie da OP; Dado Dolabella de hoodie e listras vermelhas da Red Nose; Cauã Raymond, de calça xadrez da Cobra d’Água (foto à esquerda), Henri Castelli, na Osmoze (foto à direita)
e o Zulu, na No Stress, de sungão azul, de calça cargo e camiseta vermelha...e de cueca preta! Só o Zulu mesmo, para sair de cueca da passarela em 8, para acenar mais de perto para a platéia em delírio . Ah, ainda passaram duas Misses Brasil, pela marca de fitness Rosa Tatuada e a Juliana Knust, pela Meltex.
Este tipo de show sempre prioriza as celebridades no elenco, não há muita atenção no styling. Por que os hoodies são apresentados nos homens de peito nú? Por que falta identidade nas peças selecionadas? Para não dizer que havia igualdade total, a música era diferente (e boa) para cada grife. A cenografia afastou demais a platéia da passarela, havia espaço suficiente para montar um salão bacana.

Como sempre, penso nos vôos nesta época de temporais no sul. Perguntei ao Dado se tinha turbulência. “Se teve, nem vi. Turbina de avião para mim, tem o mesmo efeito do barulho de um aparelho velho de ar condicionado; no que ligou os motores, caio dormindo.”
Quanto ao Zulu, foi meu companheiro de descida da serra, na van das 6h40, para pegar o vôo de volta para casa, em Porto Alegre. Ele, indo para Florianópolis e eu, para o Rio. Perguntei onde era o próximo trabalho dele. “Deve ser em Fortaleza, para um catálogo. Fiz no ano passado, eles gostaram do resultado, agora vão lançar mais produtos, meias, e vou lá fotografar. Tenho que aproveitar enquanto ainda me chamam”, respondeu. O quê, Zulu?
video

Comentei que ele estava ótimo, que tinha emagrecido. “Ah, mas é porque agora quero realizar meus sonhos. Sempre quis ser faixa-preta de judô, mas o trabalho não permitia. Agora, consigo me dedicar. E tem que ser agora, né? Afinal, estou mais pra lá do que pra cá...” Vocês acreditam que o mito das passarelas tenha dito isto? É bem o jeito modesto dele, e acaba sendo uma das razões que ele continua sendo o mais aplaudido, o mais gritado e o mais querido da moda brasileira.

Intervalo / tenho que passar adiante estas informações, só para demonstrar que a crise é algo relativo. Uma marca de Santa Catarina quase conseguiu trazer a Paris Hilton para fazer um catálogo. Na última hora, não deu certo, mas já havia um contrato de R$ 560 mil assinado. Foi feita a troca por um top brasileira. Precinho: R$ 160 mil por 10 horas de trabalho. Nada mal, não é? / assisti à excelente palestra do Sílvio Chadad, sobre como enfrentar a crise. “Alguém aqui na platéia vendeu mais, quando a Bolsa crescia? “, foi uma das perguntas recebidas com silêncio. “Só há uma forma de crescer: tomar a prateleira do concorrente. Quem ficar parado, esperando a situação se definir, quando acordar, já perdeu o espaço na prateleira do lojista. Agora, é briga de prateleira”, definiu. E mais: afirmou o comportamento do consumidor:” o cliente dá mais valor à forma como é atendido do que propriamente ao produto que vai comprar”. Sabidão, o Chadad

Friday, January 23, 2009

Alexandre Herchcovitch al mare

Os ingredientes são os de sempre: xadrez, aspecto plástico, jeans e bermudas, sempre presentes na roupa masculina do Herchco. Como bom criador, ele adapta a um tema, no caso, o mar, pescadores, marinheiros. Japonas de abotoamento duplo, tipo uniforme militar, blusões em xadrez azul e preto, tricôs trançados em vermelho-chilli. Gorros, boots, eles podem ser baleeiros, pescadores, marujos. Os ternos recuperam formas antigas, de calças com pregas e paletós estreitos. No meio de tudo isto, brilham boos, luvas e calças com a frente dourada.
Afinal, evento precisa de imagens bonitas e extravagantes. A moda masculina já aceita isto, em desfile.
Jefferson Kulig, o moderno
17h35
Nem tanto, porque o que o nosso professor Pardal da moda, sempre cheio de efeitos e invenções, manteve a linha no limite do bom comportamento. Nem o texto de apresentação tinha palavras misteriosas, apesar de dizer que as roupas eram comoventes e usáveis. Gente, sou fã do Jefferson, de todas as suas teorias justificando modelos que desfilam com articulações rangendo, máscaras e outros ítens performáticos.
Só que agora ele segue de perto as tendências. Tem preto, veludo, skinny, pregueados e fechos. A concessão à tecnologia é a franja de silicone, absolutamente pouco usável e adorável como idéia.
Imperdível, o Jefferson
17h45

Ficha
direção: Ale Brevi
beleza: Melissa Gibson, para MAC
cabelos: Mario Nova, studio W
styling: Cesar Fassina
trilha: Raul Aguilera

Intervalo / tenho que ligar a rádio JB, para ouvir a Burguesinha inteira! Não aguento mais só a abertura, no clip da Natura /

Gloria Coelho vai para as capas

14h40
Ah, vai. Tipo da roupa de efeito para as bancas e cartazes de revistas, porque é a cara de um inverno fashion, do ponto de vista leigo. Muito capuz, vestidos curtos, mangas elaboradas, detalhes inflados, bloomers e o clássico final de pretos interrompido pela sugestão de noiva, com véu-capuz. No meio de tanta elaboração, destaque para um singelo macaquinho saharienne, ou safari. Que era um dos temas, juntamente com os ferros de passar da Electroux, Viena, Hangar 7, símbolos escandinavos e um ET que abduziu uma duquesa. Isto é bem a Glória.
14h55

Ficha
direção e produção: Paulo Borges e Graça Borges
direção de passarela: Augusto Mariotti
direção artística: Gloria Coelho
edição e styling: Diego del Rio
trilha: Giancarlo orenzi
make: Melissa Gibson para MAC
cabelos: Sergio G para estudio W

Intervalo / Gloria criou osm uniformes dos hotéis Mercure. Ficou bom o conjunto.

Amapô ama festa

16h05
Muito animada, a Amapô. Juntou alfaiataria com amarrados nos paletós sobre leggings tacheados, botas bicudas e chapéus desabados; vestidos em babados de estampas variadas e coloridas, como lenços que são amarrados em nós nas pontas. Terninhos metade tacheados, metade listrado de camisaria, casacos militares em tecidos lavados, desconstróem coletes e paletós e parecem se divertir muito fazendo moda. A platéia adorou, os amigos aplaudiram de pé. Tem uma certa graça, não nego. Mas não vejo garotas usando. Talvez para os caras seja uma.
16h15

quando não incluo a ficha de quem trabalhou no desfile, é porque ela está no site da assessoria. Quem tem tempo de, antes de escrever o texto do on-line, catar um release na internet? Juro que eu prometo plantar uma árvore para cada texto em papel que receber das marcas

Christine Yufon, mestra e artista

As jóias da Christine já eram conhecidas, freqüentam os desfiles da Neon há muitos anos. A atitude oriental dela, mais cool impossível, também. Já sentamos lado a lado algumas vezes, falando em francês e inglês – ainda bem que não era em chinês ou mandarim. Depois de vir da França, onde viveu, vinda do Oriente, trabalhou como modelo no Brasil, era famosa pela ausência de sobrancelhas e o olhar sombreado de preto. Quando cansou, abriu a escola de modelos, onde ensinou as meninas da Rhodia (Mila Moreira, Ully, aquela meia dúzia de figuras de atitudes estáticas, de impacto) e as jovens paulistanas a terem postura e atitude corretas. Uma espécie de Maria Augusta, que liderava a Socila, no Rio.

Agora, a senhora oriental está de cabelos brancos, continua usando prioritariamente preto e esculpe estes colares que envolvem o corpo, brincos que se penduram das orelhas e passam dos ombros, braceletes que sobem pelos braços. A senhora recebeu uma homenagem do evento, com direito a roupas maravilhosas, em sedas, assinadas por Dudu Bertholini e Rita Comparato, estilistas da Neon e da Cori, super-fãs da Christine.
Eram tão maravilhosas, o andamento do elenco foi tão bonito, que deu vontade de pedir ao Dudu e à Rita que façam mais destas roupas, para podermos consumir. Elas não sairão de moda até o fim dos tempos. Como a Christine Yufon.

Intervalo / Roberto Ethel, da MKT Mix, desfila cada dia com um óculos. Hoje, estava de Ventura, ontem, de Alain Mikli. E tem lente, para resolver os 4 graus de miopia / a sala do desfile estava vaziiiia. Fiquei em duas cadeiras, feliz com espaço para bolsa, notebook, etc / Marina Dias, a veterana modelo tatuada, dirigiu o desfile e fez a aparição final, em dourado / faz frio. Cadê o verão?

Carlota Joaquina, um jogo desconhecido (20/01/09)

14h

Jogos de vídeo-game, luta e pugilismo, estampas pixeladas e filmes como Blade Runner e Tron seriam as fontes da coleção que mostrou detalhes nos ombros lembrando o cubo mágico, hoodies com recortes tacheados. De luvas de boxe, as modelos vestiram calças em xadrez cinza, de gancho baixo e camisa branca. A estampa pixelada faz barras e mangas de vestidos em mescla e saias com tops pretos. Na ala do salto alto, vestidos-pólo pretinhos, um body de cobra com vestido-regata por cima. No final, a skinny em vinil vermelho tirou qualquer esperança de ver mais literalmente algum relance do Tetris ou do Pac Man, que eram os joguinhos prometidos.
Gostei do make, do blush reticulado.
14h10

ficha
direção: Paulo Borges e Graça Borges
direção de passarela: Augusto Mariotti
coordenação de estilo: Regina Zanardi
direção artística: Camila Bertolote, Juliana Pazutti, Marília Biasi
trilha: Johnny Luxo
maquilagem: Vanessa Rozan para MAC
cabelo: Baby Moretz, do Studio W

intervalo / o som alto faz o piso das salas vibrar. Os fotógrafos sentem. Aliás, muita gente fica rouca depois destas maratonas de moda, porque o tempo todo se fala muito alto, por causa do barulho ambiente / a moda não pára: semana que vem tem Gramado, com a Fenim. NO dia 5 de fevereiro a Lycra apresenta suas tendências de verão, no hotel Caesar PArk, em Ipanema

Alexandre Herchcovitch, agora didático (19/01/09)

17h
Um fato histórico: pela primeira vez Alexandre presenteia a platéia com um release, explicando a coleção! Na verdade, adiantou pouco, porque define as roupas como uma linha imaginária ligando os cabarés dadaístas, as musas cubistas, sonhos erotizados, o movimento alemão das bandas Malaria e Die tödliche Doris. Fragmentos de estampas de muros, com psoteres rasgados, assimetrias. Foi o que estava escrito.
O que se viu foi a abertura com a Isabelli Fontana com um vestido metade pregueados, metade bordado, em estampa de vermelhos e violetas, lembrando mesmo as paredes com pedaços de posteres velhos. O padrão se repete em looks com bermudas pretas. As carteiras são rígidas. Uma ala metalizada, no vestido-capa listrado em ouro e cinza, nos bordados ouro. Ana Claudia Michels veio com um daqueles pretinhos perfeitos do Alexandre. Na ala final, sempre dedicada ao preto, há over em astracã sobre blusas pretas, paletós com lapelas desiguais e costas em adamascado. Na complementação, sapatos com saltos com capa metalizada e botas acima dos joelhos. Os anos 20/30, muito cinza, estolas de pele e fileiras de pregueadinhos
17h10

Ficha
styling: Maurício Ianês
beeza: Celso Kamura
direç√ão de desfile: Roberta Marzolla
trilha: Max Blum

Thursday, January 22, 2009

Simone Nunes, tipo tem que ter

Muito bacana, a mistura de praia e inverno da Simone. Falou em cultura do Pacífico, de Tiki (das ondas perfeitas), e fez umas roupitchas de luxo urbano, ótimas. Dá vontade de usar já, as saias carregadas de bordados sobre estampas de hibiscos, junto com casacos de nylon, a capa com aplicação de pássaro em uma das mangas, até o macacão de corte alto, com decote em V e o tricô com uma baita cabeça de pássaro. E a botinha, estilo texana, de saltinho baixo e fininho? Outro primor, o vestido cinza-mescla, com mangas raglan de veludo preto e costas com bordado cobre. Liiiinda coleção, super bem-feita, ponto alto da semana

Intervalo / por que salas pequenas são divididas ao meio, a passarela ocupa metade lateral e a platéia se espreme no outro? / por que levar o cuidado preservacionista ao ponto de não imprimir releases, onde se fica sabendo a ficha técnica, quem fez o que? "Está na internet", explicam as assessorias. Alguém tem tempo de conectar, clicar, ainda mais nestas máquinas cheias de cavalos-de-tróia e internet instável?

Maria Bonita, uma bela palhaçada

Foi mesmo, porque a partir de um livro sobre um circo fundado no Paraná, que sobreviveu até 1964, a Danielle Jensen criou uma das coleções mais bonitas da sua fase como diretora de criação. Tem seu jeito intelectual, mas tem também o apelo de uso que Maria Cândida Sarmento sabia fazer. Das roupas malucas dos palhaços saíram as calças largas, pregueadas e de cós alto, algumas com suspensórios e os blazers oversize. "É a peça mais importante da coleção, o blazer", comentou Malba Paiva, uma das sócias da marca. Lembram do que a Cândida fazia? Blazers e alfaiataria como ninguém. As fantasias de trapezio viraram maiôs de lã usados como bodies e as listras das tendas de circo, detalhes gráficos nos macacões. Tudo, em preto, cinza e bege-pele, o que deu o toque de roupa usável por quem não sabe fazer graça, e gosta da moda inovadora que viu na Maria Bonita

Wednesday, January 21, 2009

Wilson Ranieri, quase verão
Cores claras, estampas florais da Anna Millet, tecidos leves, o próprio caderno de tendências do verão que o Senac vai lançar daqui a pouco. Este conjunto de dados faz da moda do Wilson uma boa compra para o ano. Como os vestidos feitos em moulages e modelagens assimétricas correm paralelo aos óbvios ditames do momento, sobreviverão a mais de uma estação. Aquela tipo de roupa que não marca, porque as cores são neutras - um café-com-leite iluminado por uma listra amarela ou lavanda, flores em pastéis paetados. Não tem detalhes brutos, apenas assimetrias delicadas, como uma alça mais fina do que a outra, ou um lado drapeado, o outro fininho e caído nos ombros. Tudo, com sandálias de tirinhas e chapéus Mme Olly de banda nos coques. Tudo, muito feminino, alongante e elegante


V.Rom, no hippie Rock
20h35
Um fuzuê na sala, graças ao pelotão de convidados celebridades. O Marcos Mion ensaiou agitar a platéia de repórteres especializados, aí chegou o Cassio Reis. E o Paulo Ricardo. Nossa, o Reynaldo Gianecchini, cercado de seguranças! Ficou um paredão em frente à fila deles. Até que o desfile começou, e todos sossegam nos lugares. Para ver os ternos em tecidos de alfaiataria, cheios de bolsos e calças afuniladas, os hoodies listrados, os sobretudos que devem substituir os blazers. Os xadrezes em calças e jaquetas. O couro em versão caramelo, em modelos mais simples. Era hippie e rock ao mesmo tempo, com matérias orgânicas como o couro ou sintéticas como o vinil das capas de chuva. Se der um ataque de luxo agudo, o adepto da V. Rom veste um blusão em listrado largo dourado e preto.
Podia ter mais vida, os desfiles masculinos estão iguais aos femininos: corridos e sizudos. Não precisa, ainda mais na V. Rom.
20h40
Erika Ikezili e o furoshiki
14h55
Vou sempre aos desfiles da Ikezili, só para aprender mais sobre os japonismos que ela traz, seja na roupa, seja no cenário ou na trilha de tambores (este, foi maravilhoso). Hoje fiquei sabendo dos pacotinhos feitos com tecidos, que se chamam furoshiki. Não sei onde é o acento, mas entendi tudo.
Como é um paninho amarrado, as roupas tinham amarrados de banda, nos ombros. Só algumas, para não cansar. E não engordar quem vestir. Tinha também outro tipo de envólucro, bem mais prático, como as calças e fraques em espinha-de-peixe, bonitos. Mais casacos de crochê, lindos, porém pesados para invernos fora do sul. Imaginem, a temperatura aqui anda pelos 23 graus! Lindinhas as bolsas em crochê, os sapatos oxford altos, com gáspeas com os quadrados lembrando o cubo mágico.
15h05

Intervalo / o frisson de hoje é a Agyness Deyn, a lourinha inglesa que faz trocentos desfiles pelo mundo e é a musa da campanha do perfume Ma Dame, de Jean-Paul Gaultier

Cavalera, londrina na Amazônia

22h15
A festa de Parintins dividiu a sala em passadeira azul e outra, vermelha. Cada módulo da coleção passou por um lado. O boi Caprichoso e o Garantido (adoro estes nomes)ganharam esta homenagem da equipe de estilo do Alberto Hiar. Jogado este conceito, o que se viu foi uma ala de roupas mais brasileiras, no sentido visual da palavra, e outra ala, mais européia, com ares de Londres. Por que não? Quem disse que roupa francesa tem que ter dançarinas de cancã e a espanhola, só toureiros e dançarinas flamencas? Um Brasil representado em estampas digitais de índios também resolve, e basta lembrar da obra de Glauco Rodrigues para sacar vários padrões de estampas sem folclore. A Cavalera foi além das estampas, continuou um trabalho de artesanato, visto nos vestidinhos bordados com pontos de haste, cheios, delicados, com a ingenuidade quebrada pelas peninhas arrematando os bolsos, e na incrível calça masculina em renascença. E mais, a oncinha, que faz sapatos afivelados, de bico fino, muito punks. E muito Brasil, já que onças ainda sobrevivem no Pantanal, Amazonas, por aí. Este toque nativo se equilibrou com calças de veludo, perfectos xadrezes, vestidos em renda vermelha e trench-coat em quadriculado vermelho ou calças masculinas com tiras de contenção, em xadrez escocês também vermelho.
Já leram isto, veludos e xadrezes antes, neste mesmo evento? É o lado londrino da semana, explorado de várias formas por muitas marcas.
Na Cavalera, deu certo, ficou global. Como show, perdeu para o primor do desfile mágico do verão, com modelos levitando. Faltou o toque irreverente da Cavalera.
22h25

Ficha
Direção geral: Alberto Hiar
direção criativa: Marcelo Sommer
estilo: Fabiano Grassi, J Pig, Igor de Barros, Caroline Moliere
direção de desfile: Alberto Renault
Luz: Maneco Quinderé
styling: David Pollack
Beleza: Robert Stêvão
trilha: Max Bloom

Intervalo / a internet da sala de imprensa é tipo montanha-russa. De vez em quando dá uma queda, de tirar os nervos do sério. O incrível é que ninguém grita e esperneia, diante de textos perdidos. Primeiro, antes de dar chilique, tem que resolver, recuperar o que puder. Ligar o notebook, abandonar o desktop com lindo monitor da AOC, completamente mudo. Sair procurando sinal de wifi pela sala, com o note na mão, começar a rebater tudo. Nisto, alguém da tecnologia começa a mexer no desk, onde estavam o gmail mudo e o texto inacabado. E tudo volta ao normal, uf / a Victor Hugo tem um hit, a bolsa York, em couro de avestruz. Custa R$ 18 mil e tem 18 adeptas em fila de espera. Crise, onde? / um endereço delícia em SP, o Le Vin, na Alameda Tietê, quase esquina da Augusta. O mignon au poivre é perfeito. As sobremesas, ovos nevados, creme brulê, tão grandes, que podem ser divididas / dia 9 de fevereiro começa o Liquida Porto Alegre, tradição no sul, com desfilão previsto aberto ao público, na esquina democrática, a Borges de Medeiros com Salgado Filho. É uma temporada de descontos até 70% em tudo, geladeira, TV, sapatos, roupas, tudo / nas agendas das semanas de moda, ninguém substitui o Ricardo Almeida, o foco masculino formal e requintado

Reinaldo Lourenço, super-decô
12h45
Passarela prata, fundo com relevos geométricos, filme Metrópolis (tem que ter no acervo, quem faz moda), peças em ouro e prata com recortes robóticos e volumes triangulares nas saias. Casacos de nylon acolchoados, de astronauta. E Reinaldo, mestre dos tecidos refeitos, agora em gradeados que fazem vestidos simples, de comprimentos nos joelhos. Mais Reinaldo, nos modelos em cetim de seda, ajustados na frente, soltos e arredondados nas costas. Os anos 20/30 do século passado, época de crack na bolsa de Nova York e depressão na Europa (coicidências, nâo?), também foram a fase da alegria das melindrosas e do surgimento das jazz bands. Por elas, a coleção inclui vestidos franjados em verniz preto, prata ou vermelho.
Lembra Balenciaga, pelos volumes e recortes. Mas tem o talento depurado do Reinaldo.
13h

Ficha
stylist:Monica Florencio Fernandes
Make: Melissa Gibson, para MAC
Cabelos: Marcos Proença
Estilo: Samara Sá, Danillo Rodrigues, Eva Coutinho, Thaís Lima
Sapatos: José Zorzella Neto

intervalo / na fila A, o solado vermelho dos sapatos de Flavia Alessandra. Será Louboutin? / falando em sapatos, Viviane Orth chutou os seus, na passarela. Muito grandes, nem com palmilha seguraram / bonitões, os colares-gargantilhas

Tuesday, January 20, 2009

Fabia Bercsek, de volta

Como sempre, belos desenhos em estamparias em tons de rosa e preto. Um toque engraçado, na lua sustentada por uma menina, da qual só apareciam as botas, dançando na boca de cena. O lado roqueiro, nas jaquetas de couro, o tricô com grandes flores aplicadas. Esta é a Fábia, ilustradora de mão cheia e leve, roqueira e talentosa. Estas são as bases do seu inverno, que tem no alto a graça dos chapéus de Mme. Olly.

Ficha
direção criativa: Fabia Bercsek
styling: Vanessa Monteiro
beleza: Marcos Costa para Natura
trilha: Edu Corelli e Luis Depeche
cenografia: Gustavo Menegazzo
direção do desfile: Claudio Santana
2nd Floor, ótima
17h30
São Paulo precisava de uma marca equivalente a uma Espaço Fashion, do Rio. A turma que assina a 2nd Floor entrou neste nicho jovem, antenado e independente. Nada de cowboys, blazers e bailarinas. Vimos vestidos curtos, rodados e cinturados, com bordados pop, chemises em sedas foulard, com laço na gola, calças de alfaiataria com camisetas de barras ricamente bordadas. Os homens, com calças largas, em jeans, cardigãs de tricô, casacos de couro macio. Banal? Nada disso, foi certinho, sem ser careta e velho. O piano ao vivo combinou com o clima da coleção, a sala repleta de bolas brancas fez um fundo alegre e invernal. Tipo tem-que-ver, virou a 2nd Floor, foi o melhor desfile da marca alternativa do Nelson Alvarenga.
17h40

Inervalo / Carlos Tufvesson e André Piva na fila A / enquanto isso, em Washingon, Michelle Obama acompanhou o marido na posse, vesindo vestido e casaco amarelos, da estilista Isabel Toledo e escarpins Jimmy Choo / enquanto isso, em Paris, a Galerie Lafayete liquida vestidos Hugo Boss com 70% de desconto e camisetas com cristais da Zadig Voltaire (sonho de consumo)por 116 euros. Hum...ainda está caro / ótimo o lounge da Natura. Novas cores de batons e sombras, maquiladores ensinando truques de auto-maquilagem, puro glamour.
Iódice renova a alfaiataria
12h05
No salão do nono andar do shopping Iguatemi, Valdemar Iódice mostrou uma versão total-black do estilo das décadas de 40/80, que foi a base do figurino de Blade Runner. Na prática, significou tailleurzinhos curtos, de casacos cinturados, alguns com basque e ombros pontudos; belos bordados em preto nas costas de outros casacos e calças, o blazer trocado pelo fraque estilizado. Enfim, construções complicadas, lotadas de drapeados e pregueados, aberturas e repuxados. Uma estampa urbana em preto e branco, sobre tecido iridescente, em trench-coat revisitado. Se os vestidos são ajustados, as calças admitem cortes mais soltos, com as pregas laterais dos anos 80. O relance de alfaiataria fica mais evidente no vestido tomara-que-caia com uma alça assimétrica, em forma de lapela.
12h15

Ficha
direção de estilo: Valdemar Iódice
styling: Giovanni Frasson
direção de desfile: Rui Furtado
cabelos: Max Weber
make: Melissa Gibson, da MAC
luz: Maneco Quinderé
trilha: Zé Pedro

Intervalo / para quem não sabe, a moda dos anos 80 é reedição dos 40 / e iridescente é o tecido com aspecto madreperolado ou de colorido prismático como um arco-íris / chega de aula. Um bom restaurante, é o Toca da D. Onça, com logo do Paulo Caruso e comida de botequim, tipo moela, dobradinha (ui) e nhoque (oba) e outros menos banais, como o hamburguer de foie gras (que custa R$ 13). Fica no Copan, o prédio mais famoso de São Paulo / o Park Shopping de Brasília vai repetir seu evento, a partir de 16 de março
Lino Villaventura, de preto

Ele sempre diz que nunca pensa em tendências, histórias ou conceitos. Já que muita gente cobra estes textos, ele cria algo, para satisfazer. O filme noir, como os franceses chamam o filme de mistérios e detetives, acabou sendo o fio condutor da coleção que fechou com brilho a noite de segunda-feira. Uma beleza de tecidos retrabalhados com nervuras e plissados, sedas e tules refeitos para montar vestidos, calças e casacos curtos e um tanto orientais. Saias amarradas, quase de samurais e decotes nas costas com fios finos como teias de cristais, cabeças com tiaras negras e sapatos variando dos monumentais, com cristais no encaixe da plataforma ou sapatilhas de bailarina, são alguns destaques da apresentação. Para os homens, calças e camisetas de mangas longas, também montadas em nervurados “obssessivos e sinuosos”, como define Lino.
Várias vezes comentei que a roupa do Lino era de museu, de tão preciosa. E preciosa continua, mas ganhou muito em usabilidade.

Intervalo / não dá para entender por que as salas ficam tão escuras antes do desfile. Os monitores mal acham os nomes nas listas de convidados e estes fuçam nas bolsas, tateando em busca de celulares e canetas / a nova sala 4 não está agradando. Muita gente acha pequena demais, são 250 lugares. Por mim, gosto porque fica no mesmo andar da sala de imprensa / outra pergunta que se repete: por que as entradas das salas são tão difíceis?

Monday, January 19, 2009

Do Estilista, da Holanda

Marcelo Sommer usou os desenhos em azul e branco das porcelanas da turística cidade de Delft, na Holanda. Fez estampas em algodão, musseline, em calças, vestidos e saias. Mas continuou com seus xadrezes, também em azul e branco, seus tricôs de ponto nózinho e cordões e deu uma conotação urbana através da instalação de equipamentos de academia, como bicicletas e esteiras, onde os modelos masculinos se exercitavam, vestidos com a coleção. Sim, nada de shorts e regata, era de calça listrada, paletó com bolsos, calça de tricô. As modelos de vestidos contornados por babados pregueados nem precisavam deste esforço. Bastava ver a altura do salto finmo dos tamancos de plataforma delas.
Faltou mais jeans, algo menos conceitual. Porque apesar de razoavelmente simplificado, o que sai da cabeça Do Estilista ainda é muito sofisticado para um uso banal.

Intervalo / O Park Shopping de Brasilia promete evento de arromba a partir de 16 de março. A expansão de luxo ficou pronta, tem Miele, Mont Blanc, Avec e outras super-marcas
Forum Tufi Duek, gauchão
19h30
Em primeiro lugar, agradeço pela homenagem ao meu vento favorito, o Minuano (em segundo lugar, fica o Sudoeste, do Rio) e aos trajes da minha terra, o Rio Grande do Sul. Depois, elogiar a elegância da coleção bem estilizada, com ponchos, mantas, xales, bombachas, medalhas prateadas, rabos de cavalo iguais aos rabos de cavalo (quando são trançados), bolsinhas e estampas de pelo, correntes e esporas nas botas-meias. Este é o lado típico gauchês, adaptado nos vestidos de um ombro só, nas calças apertadas na barra e nos vestidos soltos, plissados. Maioria em preto, alguns em branco e últimos estampados com cavalinhos coloridos. No fundo, mais cavalos correndo, em projeção com led em preto e branco.
19h40

Ficha
estilo: Tufi Duek
Styling Tufi Duek e equipe
Make: Melissa Gibson, da MAC
Cabelos: Sailo Fonseca
Trilha: Max Blum
Luz: Maneco Quinderé

Intervalo / sem noção: como sempre, a turma que passa a mão nos brindes / Tufi fez a campanha da Forum com a Daria Werbowy fotografada pelo David Sims / os céus estrelados do sul inspiraram a cartela de pretos, azuis e chumbo / um dos maiores cercos de segurança de vips, para a atriz que viveu a cantora Maisa, na minissérie. A Ana Paula viu (aluna do meu curso de Jornalismo de Moda)
Ronaldo Fraga, emocionante
15h35
Isto não é novidade, que ele é sempre emocionante, com temas literários, Nara Leão, rio São Francisco...O desfile de hoje contou com elenco de mais de 70 anos e criancinhas, o que já garantiu surpresas. Na cenografia, bonecos de pano que foram personagens da peça Giz, encenada em 1988, autor Álvaro Apocalypse, móveis brancos e roupas antigas em araras no fundo. Juntou estes atores e esta ambientação, dentro da caixa preta que é uma sala de desfiles, e pronto: quem não estava doida tentando escrever, assistir e filmar (como eu), estava procurando lenço de papel na bolsa, às lágrimas. Foi um momento marcante, tenho certeza.
E um dos melhores desfiles, com bela coleção, do mineiro cult. Roupa sofisticada, minimalista, sem preocupação com dados folclóricos ou excessos de brasilidades ou registros fiéis de alguma época ou história. Disto, se encarregaram os bonecos do Giz, movimentados por manipuladores eficientes. Temos vestidos soltos e curvos, em listrados desencontrados, lãs orgânicas, casacos debruados e fraques para os senhores, em vez dos ternos de sempre. Muito humor, muita emoção, e muita moda, no Risco de giz do Ronaldo Fraga

Ficha
Beleza: Marcos Costa
direção de desfile: Roberta Mazzola
estamparia: Criata
cenografia: Patricia Naves


Alexandre Herchcovitch
17h
Outra excelente série de moda, não fosse do Herchco. Trabalhou a alfaiataria com assimetrias de babados pregueados de um lado só das peças, brilhou nos vestidos em barras de paetês vermelhos e ouro-velho, sugeriu o uso de calças pretas ou bermudas sobre outras calças, mais estreitas, bordadas ou estampadas. No final, estolinhas de peles fakes, em tecidos felpados. A descrição é curta, porque não discrimina as variantes de modelos. Mas o trabalho foi bom
17h10

Ficha
Styling: Maurício Ianês
Beleza: Celso Kamura
Direção do desfile: Roberta Marzolla
trilha: Max Blum


Intervalo / Betty Lago ganhou um beijinho jogado pelo Herchcovitch, na passagem dos agradecimentos / milagre: tinha release, explicando a coleção! Pela primeira vez, porque ele sempre se recusou a explicar as peças / que falta faz o armário para guardar as bolsas. Sabem o que veio do Alexandre? Um guarda-chuva! /

Isabela Capeto, para um inverno viking

11h55

Bonita, de novo com os misteriosos bordados e truques de tingimento, reaproveitamento de tecidos, alegorias e inspirações próprias. Cada dia mais arriscado, analisar uma coleção sem informação prévia. Cheguei cedo, esperei um pouco para entrar no camarim, mas consegui ver de perto. E olhe lá, mesmo tocando cada peça, ainda tinha perguntas para fazer. As bolinhas felpudas que pensei que eram coquinhos ou sementes, eram feltrinhos enrolados. As pérolas dos brincos e cordões eram de verdade, vindas de águas doces. Cada círculo de uma estampa verde representava as gotas de mar, era cercado de correntinhas micro. Trabalho de artista.
O efeito final, depois de vestidas e iluminadas na sala com escadaria lateral, foi lindo. Sim, podia não ser, nem todo o trabalho artesanal do mundo garante a roupa bonita, pode ficar pesado, cafonérrimo. As vikings da Isabela convenceram, com seus cabelos de chifrinhos e cílios postiços enormes, os sapatos altos e baixos imitando modelos de pescador de águas frias, as sobreposições montadas pelo Felipe Veloso deram efeito limpo e harmonioso.
A maior parte indica o preto como cor de inverno. Uma parte exibe colorido forte, porque é dedicada aos designers de vanguarda da Escandinávia. Para as colecionadoras de Isabela Capeto, uma novidade: a tradicional bonequinha ganhou um amigo, o marinheiro em metal prateado, um dos novos broches da temporada.
12h05

Ficha
Styling: Felipe Veloso
Trilha: Dani Rolland (com direito a gaivotas piando)
Direção de Arte: Alberto Renault
Cenografia: Luiz Biasi
Luz: Maneco Quinderé
Beleza: max Weber para MAC

Intervalo / a assessoria de imprensa da Isabela se chama Guanabara, mas é de São Paulo e tem um monte de clientes cariocas / Jum Nakao é criativo até no cartão de visitas. Em vez de gastar papel com o cartão comum (que sempre se acaba perdendo), ele saca do bolso um carimbinho e paf, carimba nos caderninhos das repórteres / Sergio Rodrigues, o arquiteto maravilhoso, vai assinar o projeto da loja nova da Isabela, na mesma rua Dias Ferreira, com o dobro do tamanho da atual. Em breve, segundo o Werner, marido da estilista, deve haver experiências com outros produtos / o bloco Sapucapeto estréia neste carnaval, estilo concentra mas não sai, na Dias Ferreira. Ensaios aos domingos, provavelmente no clube Monte Líbano, ôba! A idéia pintou depois do sucesso da Roda de Samba, na apresentação de alto-verão, durante o Rio Summer / Isabela tem acervo completo das 13 coleçôes que já fez, já está ficando sem espaço para tanta roupa. Vamos lá, prefeito, abrir o Museu da Moda no Rio / Vai ser difícil ela se desfazer das peças, porque morre de saudades das roupas.../ A modelo carioca Renata Klem está com o cabelo cada vez mais curtinho, raspado, de menino. Quem cortou foi Daniel Hernandez, autor da beleza da maioria dos desfiles / Talitha Pugliese, super em forma, no elenco

Sunday, January 18, 2009

Colcci, coleção sem coleções
Além da Gisele, havia a promessa do tema de coleções. As cabeças teriam miudezas que remetiam às manias dos colecionadores. Pelo jeito, a turma da Colcci só coleciona chaves, que é o que vinha pendurado nas calças masculinas. Os homens deram mais sorte, ganharam roupas melhores, apesar de muito pesadas. Dava para ir até o Alasca com as pargas e anoraks com capuz forrado de peles, tudo em preto. Os suéteres também eram grossos e trançados, mesmo quando vinham com bermudões. Rodrigo Hilbert foi o astro desta ala masculina, recebido aos gritos e palmas cada vez que entrava na sala.
Mas a parte feminina...nem Gisele salva. Calças coladas, longas, de cós alto, em jeans raw azul ou black; blusas de mangas fofas, meia dúzia de vestidos de seda preta, de saias balonês (taí, devia ser uma coleção, e eu na hora não saquei),e o auge, uma série de macacões também segundas-peles de tão colados (tenho que reconhecer que o corte é incrível), com míseros bordadinhos de flores branquinhas espalhadas pelas pernas, bundas.
Fazendo um retrospecto, o melhor desfile, como espetáculo, da Colcci, foi o do sofá de veludo, com a Gisele de bolerinho de pluminhas ou pelúcia rosa nossa, virou uniforme das teens no Brasil. E o da trovoada na entrada da passarela, poucas vezes Gisele esteve tão linda como naquela hora.
Ai, tinha que lembrar destes, para não sair com uma impressão tão pessimista da marca que faz tanto sucesso e tem tanta qualidade de confecção.
Priscilla Darolt, em relevo
20h50
Vestidos curtos e conjuntos de saias e túnicas ou blusões em tecidos com relevos. Em branco, prata, azuis, lembrando antigos vidros de perfume com embalagem Baccarat. Estampas aquareladas com imagens também de perfumes com bombinha, muito anos 20/30. Saias feitas de fechos, um dos musts da semana que começa hoje. Muito repetida, a Priscilla aproveitou pouco os dez minutos de exposição que um desfile proporciona. Para não dizer que a roupa veste mal ou que seja feia, bastou ver a Bruna Tenório de vestido e casaco 7/8 no tal tecido de zigue-zagues em relevo violeta-azulado. Estava o máximo, moderna e misteriosa.
21h

Intervalo / de vez em quando troco a fila A por um lugar no alto da sala. É muito divertido, super-participante. A menina com decote é logo saudada com "ih, olha os peitinhos". Os tecidos são descritos até o último centímetro. No final muitos assobios, aplausos de pé / A Andarella manda catálogo, fala do inverno com botas de selaria e bolsas estruturadas. Bonito
Cori, quase lá
19h35
Numa temporada em que todo mundo quer fazer moda quase-clássica, sem muitos riscos e ousadias, a Cori tinha que se destacar. Dudu Bertholini e Rita Comparato chegaram perto da perfeição no estilo dos vestidos e casaquinhos em tecidos de alfaiataria, feminilizados pelos botões vermelhos e pelos escarpins multicoloridos. As calças afuniladas também são bonitas e confortáveis para quem precisa trabalhar elegante. Os temas de Arquitetura, Concretismo e Futurismo Retrô só ficaram meio fortes demais nos couros, que entremeados com tiras stretch formaram vestidos tomara-que-caia e calças justas, abotoadas nas laterais, de alto a baixo (decorativamente). O quimono de couro deve ser peça única, de tão imponente. Os colares são tão grandes, em metal dourado esmaltado, que um deles acaba com uma bolsinha-pingente. Prático, afinal.
O piano ao vivo, com a pianista Karen Fernandes abrindo com a Reverie, de Debussy, e a sala atapetada de branco, deram uma nostalgia dos desfiles de Victor & Rolf.
19h45

Ficha
diretora da marca: Iza Smith
direção artística: Paulo Borges
cenário: José Marton
beleza: Daniel Hernandez
www.cori.com.br

Intervalo / A nova coleção da Melissa é Afromania. Vai agradar na Europa, onde o verão vai ser todo africano / desde 2007 a SPFW adota o conceito do Carbon Free a sério. Plantam árvores para compensar a emissão de gás carbônico / na platéia da Cori, Bia Seidl, de preto com decote V e fivelão prata na cintura deslocada, bonita. E a esguia Julia Petit, de azul curtinho e oxford altos / Patricia Lago, linda, em new look, de cabelos longos e lisos
Mario Queiroz, opção masculina
17h35
Taí, os homens devem parar de se queixar da falta de atenção prestada pela moda. Esta temporada de inverno, que deve ser enfatizada pela Fenim, na próxima semana em Gramado, foca bastante as novidades masculinas. Sem brincadeiras, a passarela deixou de ser reduto de estilos gays, de saiotes e babados dandis. Bom, Mario insiste nas sobressaias, que desta vez se adaptam ao conceito dos guerreiros nobres. Eles usam mantos, roupas amarradas e saias pregueadas. Os outros, que de guerreiros só tem a arena do dia-a-dia, se contentam com as calças de gancho baixo, os paletós de quatro botões ou as calças mais secas, em telas de algodão, com suéteres de trançados. A risca-de-giz sai dos cinzas e pretos e adota o fundo azul. Tem sobretudo de faixa e sem faixa, perfeitos para os elegantes do sul. Nos pés, os tênis assinados pelo Mario para a Puma, com a curva lateral de couro.
17h45

Styling Lara Gerin
Cenografia: Mutza
Beleza: Raquel Mello (Gloss)

Intervalo / a trilha de tambores e cordas combinou com o espírito guerreiro da coleção. Mas cansou, de tanto John Cage e Iannis Xenakis, selecionados pelo maestro Fernando Iazzeta / ainda mais para quem ainda não almoçou.../ ainda não comentei o vôo de vinda Rio-São Paulo. Quando ia aterrissar em Congonhas, o Airbus da TAM arremeteu, e entrou em chuvarada e vantanias, com turbinas a toda. O comandante Marquese (ou Marchesi, desculpe) avisou que ia pousar em Campinas, reabastecer e tentar Congonhas de novo. Nada disso: tanto Congonhas como Campinas e Guarulhos estavam com ventanias de rajadas e ataques de raios. Dê-lhe que orbita, acelera para atenuar a chacoalhação. Passageiras roíam unhas, gritavam e choravam discretamente. Outra opção: Ribeirão Preto. Onde aterrissamos, junto com a chuvarada. "Ela está nos perseguindo", comentou bem-humorado o excelente piloto. O avião foi reabastecido com os passageiros dentro, todos falando nos celulares (ué, onde ficaram os procedimentos que dizem que há perigo, por causa de possíveis faíscas de aparelhos eletrônicos?). Com uma certa prática de rotas turbulentas (Rio-São Paulo; região de Montevidéu: Andes, centro-oeste americano, canal da Mancha, costa da África, sul de Minas, costa de Santa Catarina), olhei para o céu carregado de nuvens que pareciam saídas do desfile da Osklen (todas em preto, branco e cinza) e avisei que ia descer em Ribeirão, para revolta de alguns passageiros, sei lá por que. Descemos eu e Ines (que não tem medo de avião), quase beijei o chão da pista de Ribeirão, como fazia o Papa. Junto conosco, saíram uma médica, Dra. Claudia, e o filho, Maurício, que foi comunicar à cabine que desceríamos. Fizemos uma ótima viagem de três horas, a 120km por hora, no taxi do seu Arlindo, de Ribeirão. Chegamos em Congonhas, onde nossas malas aguardavam, intactas. Conheci a Claudia, que contou o final da Favorita para Ines e que trabalha no hospital recém-inaugurado pelo Kassab, no meio de uma das comunidades mais carentes de São Paulo. Lá, ela trata de crianças com HIV. Hoje, domingo, era seu plantão. Por isto, veio de avião, para chegar mais rápido. "Não posso ficar sem ver meus bebês", justificou. Neste momento, para mim valeu a chacoalhação no vôo 3939, o gasto com o taxi e a chegada ao hotel às 22h30. Nem tudo é moda nesta vida.
Osklen, de hoodie

Oskar Metsavaht investe no que dá certo, e forma o DNA da Osklen. Portanto, o inverno será abrigo dos cinzas, pretos e brancos, cores marcantes nas suas vitrines pelo mundo. A peça-base é o hoodie, o blusão com bolso frontal e capuz (hood, em inglês), declinado em cortes e proporções diversas. O bom da coordenação de estilo da Juliana Suassuna, a partir das propostas do Oskar, é que há modelos para quem gosta do slim e para quem adora o oversize. À primeira vista, não é o glamour óbvio, mas é uma moda que tem uma imagem poderosa, meio fora dos padrões. Resumo, é o cool, qualidade indefinida, alvo de cobiças internacionais, que a Osklen significa no mundo da moda. Está cercada por todos os lados, desde o ecologicamente correto, que desenvolve artigos em couro vegetal, até o conceito distante, aquele que se dilui na passarela, mas impregna a coleção. Quem diria, que um hoodie ou um blusão de placas negras pudesse encarnar um sinal de novo Renascimento, uma época de renovação pela arte, ciência e filosofia?

Intervalo / será que vi direito? Não prestei atenção no camarim, mas acho que as pulseiras da Osklen eram de fios telefônicos / ótimos, os óculos cobertos com tricô, da Lunetterie / é muita vendedora: no terceiro trimestre de 2008, a Natura tinha 804 mil consultoras no Brasil e 112 mil no exterior / em vez das tendas no Bryant Park, Valdemar Iódice vai mostrar a coleção no giga show-room de 500m2. Um desfile para imprensa e outro para compradores. Poder!



12h25
Fause Haten, uma sinfonia
Começou bem, a 26ª SPFW, com o maestro Edilson Venturelli regendo a Sinfônica de Heliópolis, a segunda maior comunidade do Brasil, só perde para a Rocinha. Setenta músicos, dos 550 jovens que estudam música no projeto, que existe há 12 anos, tocaram repertório de Carlos Gomes e Camargo Guarnieri, uma beleza. Na coleção, que nada ficou a dever ao luxão de Heliópolis, destacaram-se os vermelhos drapeados e modelados em sedas, os casacos decorados com metais dourados, as calças franzidas nas laterais, em modelagem skinny - mas com franzidos. Esta série de roupas festivas tem a ver com a coleção coreana que Fause Haten apresentou há algumas temporadas, mas agora, com menos volume, adaptada aos novos estilos da nova marca, a FH. Foi tão bonito e coerente o conjunto, que nem senti falta dos jeans dele, que acho o máximo.
Querem mais luxo? Na fila A e subindo na passarela, para dizer do orgulho que sente pelo evento do Paulo Borges, estava o prefeito de São Paulo, Gilbert Kassab.
12h35 (o tempo incluiu a Protofonia do Guarani, que abriu o evento)

Intervalo / sabiam que Fause Haten canta muito? E sem microfone, porque sabe jogar a voz! / uma fotógrafa atarefada, já nesta comecinho "fazer xixi e ficar doente, em semana de evento, nem pensar" / paulistês: "escri", em vez de escritório. Tá certo, ninguém tem tempo de palavras longas / enquanto a fila de convidados não se mexe, servem Campari. E o pessoal bebe, porque acha a cor bonita. Uau, no domingo de manhã! / as Havaianas abrem loja-conceito na quinta-feira, na Oscar Freire, 1.116. Segundo Chris dell´Amore, assessora da marca, "é a primeira no mundo". O que significa ter lojas Havaianas em breve em outras plagas / e o paletó do Elton John, ontem à noite, que parecia saído das vitrines da Yes, Brazil?

Intervalo

Fora daqui da Bienal, o mundo continua girando. Principalmente o mundo da moda. Raf Simmons botou curvas (!) na coleção Jil Sander na moda masculina em Milão (foto`a esquerda, do WWD). O Tomas Maier usou os tecidos clássicos da alfaiataria, espinha-de-peixe, flanela e pied-de-poule em sobreposições falsas, na Bottega Veneta.
E amanhã, dia 20, terça-feira, a grife Calvin Klein, através do ck one, promove o Rock the Vote, evento incrível, que tem como objetivo construir o poder político entre os jovens americanos. Nem todo mundo sabe, mas o voto é facultativo nos Estados Unidos. Se a galera for mais consciente do poder que tem, pode ser que a América mude o jeito de fazer política.
A festa de abertura do projeto, com ck one tem shows de Spearhead, Dresden Dolls e os Honey Brothers. Mais o convidado especial Burke. É uma festa privê, de fãs e celebs, no 9:30 Club (rua V 815), em Washington. Junto com a posse do Barack Obama, claro.
A chegada no tapete vermelho está marcada para as 20h30, e o show, às 21h.
Vejam mais em<>


Começa hoje a edição de inverno da São Paulo Fashion Week, que vai até a sexta-feira, dia 23.
E já começa sem pensar que é domingo, que é primeiro dia, que a platéia de imprensa está cansadona depois do Fashion Rio. É isso aí, queremos moda sem parar!

Nesta pequena prévia, tenho notícias escassas, mas bonitinhas. Confiram e acompanhem a cobertura neste blog e a partir de segunda-feira no www.estiloiesa.com.br

Isabela Capeto buscou inspiração na Escandinávia, nos vikings, no universo nórdico. As estampas exclusivas são desenvolvidas digitalmente pela Dalutex, e aparecem em maxicamisetas e vestidos fluidos.
Isabela desfila na segunda-feira, dia 19, às 11h.
Notem que a inspiração em terras geladas também marcou a coleção da Espaço Fashion, no Rio. Quando duas marcas fortes apontam um caminho igual, é sinal que vai pegar.


O Fashion Rio tem a coala branca da Lilica Ripilica; a SPFW tem as girafas da PUC, que circulam na Biena durante a semana. É a girafa Filó, que vem em estilo toy Arte para ser fotografada pelos visitantes.

Mario Queiroz está cheio de trabalho. Vai coordenar o primeiro curso de pós-graduaçnao em Imagem de Moda na Universidade Anhembi Morumbi; fechou licenciamento com a Zanatta, maior empresa brasileira de tricô, assinou tênis Popart by MQ da Puma e uma linha de semijóias para a Rommanel
Mario desfila hoje, dia 18, às 17h

Para acordar a galera cansada, a Nespresso terá um pedaço da flagship dos Jardins na Bienal. No espaço serão vendidos espressos e bebidas feitas com os 12 Grand Crus da marca como o Iced Caffè: receita que tem como ingredientes o Grand Cru Vivalto derramado sobre duas bolas de sorvete de baunilha, coberto por uma camada de chantilly e raspas de chocolate.
Os blends Nespresso também serão servidos no lounge do site Chic e poderão ser degustados após as refeições no restaurante 3x4.

Thursday, January 15, 2009


Relógios são as bolsas do momento. Serão os it-relógios? Começou com mania dos toywatches, em seguida foi a vez dos brancos cercados de cristais (ou brihantes, para quem tinha Chanel) depois por gente que tinha coleção de Swatches dourados e coloridos. Agora, aterrissaram por aqui os grandões e eficientes Tendance, ótimos para quem já anda vendo pouco de perto, e o novíssimo Nixon, de design estiloso. São todos dourados. O lançamento é hoje, no desfile da Ausländer, no Fashion Rio


Leitores deste simples blog: as trabalheiras intermináveis impossibilitam a postagem por aqui. Voltei a recorrer à caridade alheia (no caso, da nora zás-trás, a Renata Buhler) para postar, e o Fashion Rio está com tudo no site www.estiloiesa.com.br
Vão lá!
Depois, posto tudo por aqui também, mas sem a galeria de fotos. Por pura ignorância mesmo, ainda não sei como fazer...

Monday, January 12, 2009

Redley, distante

Desfile bom é bom em qualquer lugar. A floresta da Tijuca não é minha sala de desfiles favorita, fica fora de mão, apesar de bonita, fresca, etc. A Redley não precisa de tanto deslocamento para mostrar suas propostas. Para ter uma idéia da dificuldade, a saída dos convidados do local exigiu dos mais espertos a descida a pé até onde estavam as vans. Ou ficar em pé em uma fila que não andava. Quando se tem uma platéia de jornalistas, boa parte cobrindo o evento on-line, enfraquece inventar uma locação a no mínimo 40 minutos de um sinal de telefonia, um G3, um notebook sem riscos de assalto.
Enfim, chega-se em local civilizado. A Redley confirma seu estilo urbano/natureza, coerente com a Floresta (não precisava levar a platéia para conferir um habitat possível destas roupas), mostrou peças montadas em looks com cara de muito frio, em tecidos de algodão, tricôs de seda, alguns veludos e cores escuras. Para os homens, é praticamente bermuda geral, com patchwork, estampas de camuflagem abstrata, fechos grandes, e mais casacos esportivos, com os mesmos efeitos das bermudas. Um deles, tem uma manga apenas em azul-royal. Este toque de cor luminosa em meio a coleções neutras parece ser uma constante nesta temporada de Fashion Rio. Luciano Canale também enxertou verde-lima e azul-bebê na Santa Ephigênia.
Para as mulheres, valem também as bermudas, calças confortáveis maravilhosas, casacos retos ou ajustados, com recortes debruados.
As botas com faixas de velcro são irresistíveis. De saltos baixos e canos médios, calçam bonito nas calçadas da cidade ou nas trilhas das Florestas.
Lilica, profissional

Tem que reconhecer que a marca premium do grupo Marisol ganhou em profissionalismo com a participação no Fashion Rio. A Lilica Ripilica tem mostrado que evolui direitinho, segue tendiencias e compõe um mercado muito especial, próximo do setor de luxo da moda adulta. Nesta coleção, inspirada por um conto de Machado de Assis, até cristais Swarovski enfeitam barras e botões! Continua um desfile meigo, fofo e todos estes adjetivos delicados. Continua com as menininhas engraçadas, que divertem pela espontaneidade com que desfilam, se achando as Giseles. Uma ou outra se destaca, porque tropeça ou anda de cabeça baixa.
A roupa é xadrez, listrada com cotelê na gabardine, os vestidos têm debruns largos na cintura alta, os casacos são em tricôs, em comprimentos longos ou curtos. Até um pouco do espírito Chanel passa, nos casacos em jacquards. Nos acessórios, destaque para as botas e os allfinetes de segurança com pingentes prata.

Intervalo / Giuliano e Rafaela Donini, donos da Lilica, curtiram o show na fila A, sem serem perturbados / Tambeem, estavam ao lado do Marcos Paskin e da Fabiana Kherlakian, pais da Alicia Prudente, uma das filhas de celebridades que estavam no elenco / a ruivinha Brenda, modelo profissional de nove anos, da agência Desirê, tira de letra a sessão de escova e maquilagem. Já é a terceira vez que desfila para a Lilica / a Débora Borges, da equipe de estilo, volta amanhã para Jaraguá (Santa Catarina) e logo embarca para a China, onde vai pesquisar e produzir novidades para o próximo verão / sessão ninguém merece: as pedrinhas do caminho que leva das salas de imprensa até as tendas de desfiles. E as águas que teimam em sair das tendas, no caminho até a sala Ipanema. Tem que ir de tênis, não dá para ir de rasteira e sujar os pés

Santa Ephigênia, africana
O Luciano Canale me enganou bonito. Quando vi o convite, com africanas vestindo saias longas e turbantes, pensei que vinha mais uma interpretação em estampas e algodões. Qual! O Luciano fez um desfile sóbrio, elegante, quase clássico, um sobrevôo de África como leu, impressionado, no livro África Fantasma, de Michel Leiris. São vestidos estreitos, com volumes nos decotes, calças pregueadas e com punhos, formas em Y, secas e tecidos diferentes. Ou texturas, melhor dizendo, já que os couros são peles de peixes, em vestidos e sapatos; os bordados trocam os paetês pelas conchinhas e madrepérolas. O colorido fica em torno dos arenosos, dos cinzas e beges, com relances de verde-lima e azul-bebê. Nas cabeças, chapéus de penas e couros da Muggia. Outro acessório, o colar, foi tratado como peças tribais, em acrílico. Nos braços, dezenas (dezenas é exagero meu, claro) de braceletes também em acrílico. Looks muito bonitos.

Intervalo / estou eu, anotando o que o Luciano falava no camarim. Quando me pego escrevendo “pára, é para fora! Olha a foto!”. Era o Luciano gritando para a modelo do outro lado do camarim, orientando como vestir uma roupa. Tivemos que rir, claro / ele não revela a autoria dos colares, a resposta é sempre “um fornecedor nosso”, para várias pessoas que perguntavam / é sempre um privilégio ver estas cenas, de bastidores. De perto, na luz fria e sem graça do camarim, a coleção estava linda / uma história de Fashion Business, da Maria Florista, que confeccionou as flores de brinde do pólo sul fluminense. É a Maria Aparecida Ribeiro, que aprendeu com a mãe esta arte. E a mãe, por sua vez , aprendeu quando se teve um acidente de carro, perdeu a visão de um olho, ficou hospitalizada e outra senhora, na cama ao lado, que fazia flores, ensinou as técnicas. Aparecida, agora com 68 anos, mora em Barra Mansa, criou cinco filhos, três deles com curso superior. Há dois anos descobriu que tinha um câncer no pescoço, e sua fisioterapia de braço foi martelar e moldar as flores. Recuperada, continua a fazer suas lindas flores.

Walter Rodrigues, de terninho
Outra visão discreta, elegante e sóbria do inverno. O pretexto de seguir uma contradição de masculino/feminino produziu vestidos femininos, feitos em tecidos masculinos, como a casemira. A tecelagem Texprima lançou a new casimira mescla, o microchiffon, o berkeley densyty, tecidos que viraram vestidos com lapelas, terninhos com flores douradas aplicadas nos ombros e modelos com repuxados de um lado, lindos. Grazi Massafera abriu e fechou, e a pele branca da loura realçou o destaque da coleção, as segundas-peles com estampas de tatuagem, reeditadas de outros invernos, agora com estampa digital.
Viviane Orth usou longo preto com lapelas, Marta Antônia valorizou o vestido em guipure com aplicacão de cristais multicoloridos e barra de plumas.

Intervalo / os sapatos desenvolvidos pela PUC do Rio Grande do Sul podiam ter ficado para a coleção de verão / na saída, Rosamaria Murtinho me acompanhou até o lounge do JB, e mostrou sua bolsa Chanel 2.55 marinho, lindinha. Rosamaria está de cabelos naturalmente encaracolados, quase sem maquilagem, ‘ah, não estou gravando nem trabalhando em nada agora, posso dar um tempo nas escovas”, comentou. E ficou mais jovem, assim / outra que está igual, lindona, é a Magda Cotrofe

Sunday, January 11, 2009

Fashion Rio
Domingo, 11 de janeiro de 2009

A coletiva, assunto de governo

Como previsto, o dia está ensolarado e o céu, azul. Afinal, Fashion Rio nunca começa com chuva. É a força da Eloysa Simão.
Isto já é sabido e falado. A novidade da entrevista coletiva é que finalmente o poder oficial se dá conta da importãncia política do evento para a cidade. Tanto que foi feita nos decorativos salões do Palácio da Cidade, local festivo e de reuniões usado pela prefeitura. Lá estava o prefeito recém-empossado, Eduardo Paes, que conta os dias de governo, “é o meu segundo domingo de governo”, a secretária de cultura, Jandira Feghali, falando sobre a Lapa,que agora vai virar bairro de verdade; Sergio Malta, diretor superintendente do Sebrae, e mais os batalhadors de sempre, Fernando Pimentel, diretor superintendente da Abit, que roda o mundo vendendo a moda brasileira, Edaurdo Eugênio Gouveia Vieira, da Firjan, autor da inspiração na Lapa como conceito da semana, que lembrou que o Fashion Rio é a parte glamurosa, mas tem também a atitude que traz renda, crescimento e qualificação. Citou um projeto em Jacarepaguá, onde atuam Jaqueline de Biase (Salinas), Carlos Tufvesson e Alessandra Migani (Alessa), falou que o Rio exportou mais 7% neste ano, enquanto os outros estados que exportam moda – São Paulo e Santa Catarina – diminuiram. “A Firjan não está aqui por emprendimento próprio; é pelo business dos outros”, definiu. Eloysa Simão, de túnica bordada e pantalona da Printing (marca mineira que estréia nesta edição), definiu com o integração a palavra certa para a atual situação. Desde a mudança da planta na Marina, que integra as salas de mídias com os patrocinadores em espaço único, até a entrada geral por dentro do Fashion Business. “Há também a compreeensão de que atualmente é preciso integrar com o mercado. Acabou o tempo do estilista seguir apenas a cabeça ou o coração, na moda. Quem trabalhar assim, vira autista. E o design maravilhoso tem que ter preço competitivo. Como aconteceu no setor de decoração, onde empresas como a Tok & Stok e a européia Ikea convocam designers para criar e produzem peças a preços razoáveis”. O Fashion Businesse é unanimidade, elogiado por todos, por ser justamente a parte que linka as ongs, os polos criativos e o luxo das marcas conceituadas.

Nesta 14ª edição, o Fashion Rio acredita nos serviços inquestionáveis que presta à economia brasileira. Como testemunha do evento desde o princípio, lembro que Eloysa começou o Fashion Rio em 2001, dizendo que a moda brasieira precisava criar musculatura. Afora, ela afirma que temos a força.

Intervalo / ainda não há ar condicionado na área de convivência, por enquanto só nas tendas de desfiles e no lounge do Jornal do Brasil, ôba / na Lilica, filhas de famosos desfilam com muito desembaraço. pelo menos no ensaio, a Alicia Prudente, filha do Marcos Paskin e da Fabiana Kherlakian, estava muito desinibida. As outras minicelebridades são Thayná Bvorges (atriz que faz a Maysa como criança na minissérie), Luiza e Alice (filhas do Danton Mello), Alice e Helena (filhas de Heitor Martinez e Anna Markoun) / no camarim, a ruivinha Brenda, modelo profissional da agência Desirée, suportava a sessão de escova na maior calma. É a terceira vez que desfila para a Lilica Ripilica!

Wednesday, January 07, 2009

Fashion Rio / dia 6 de janeiro de 2009 | prévia


Mais um Jorge do Beto
Entre as várias disputas que ocorrem em uma semana de moda, duas se destacam: quem abre e quem fecha a agenda. No Fashion Rio, a Lilica Ripilica é sempre a primeirona, e desta vez traz Machado de Assis como inspiração. Estou curiosa para saber como será que o escritor vai virar moda infantil.
Quem fecha é o Beto Neves, com a irreverência e os modelos bonitões da Complexo B. Em lugar de São Jorge, eterno muso da marca, foram eleitos três Jorges diferentes, três malandros modernos, frequentadores da Lapa.

Pedro Jorge – mora com os pais, ainda tem turma, vai na Fundição Progresso, promoções ou show mais baratos, de bandas novas.

Zé Jorge – mora com a mulher, geralmente na Barra, gosta do que está na moda, vai no Estrela da Lapa ou no Gema Carioca, fazer média com os amigos ou dançar com a mulher.

Jorge Alfredo- mora só ou com amigos, gosta de um passado que não viveu, retrô, brecholento, vintage, simples, mas antenado. Vai no Democraticos, gosta do Semente.

Sunday, January 04, 2009

O que você quer de prenda de Reis?

Fechar a boca, só depois do dia 6: até lá, dia de Reis, ainda temos muito o que comer, para ter sorte em 2009. Primeiro, os carocinhos de romã, três para cada rei Mago, que devem ser guardados na carteira durante o ano todo.
Alguém algum dia me explica o que fazer, se a carteira for roubada. Tem que comer a romã de novo?
Depois, a rosca com os brindes da sorte. Aqui no Rio, tem na Aquim, linda; a Confeitaria Kurt faz a receita tradicional, com quatro prendas: o anel, que significa casamento; a cruz, que é convento; a moedinha, que traz dinheiro e o dedal, que garante trabalho.
A rosca da The Bakers tem uma medalhinha da sorte dentro da massa. Com uma boa champanhe, mesmo que não se encontre a prenda, o Dia de Reis já é uma celebração e tanto. Mas olhem lá: cuidado quando morderem a rosca. Vai que uma medalhinha quebra o dente?

Ainda o Ano Novo
Já passaram alguns dias, mas ainda vale comentar o réveillon do Rio. Mesmo com chuva, os fogos subiram bonitos, foram vistos de vários bairros, além de Copacabana, claro. Os taxis rodavam, os ônibus e metrôs, idem, muita gente fazendo o trajeto a pé, pela orla.
Não pude ir para a Barra para ver meu ídolo tecno, o Paul van Dyke, fica para a próxima.
Mas vi de perto uma bela festa de Ano Novo, no Sheraton Rio. Um bufê que reuniu pratos exóticos com tradicionais, saladas, bruschettas, cascata de camarões, lentilhas cor-de-rosa, sobremesas que começaram com os copinhos de musses e doces variados e acabaram com uma Baked Alasca (nem me perguntem de que é feita, só sei que é deliciosa). Espumante Miolo – muito bom! – circulando o tempo todo. Cada mesa com atendimento quase exclusivo, do tipo que sempre ajuda a puxar a cadeira quando sentamos. Dá até insegurança, isto é tão raro atualmente. Para as crianças, montaram um esquema de monitores no Sheratoon, a área de lazer infantil do hotel. Lá, a garotada se fantasiava, jogava games, assistia TV e os pequenos dormiam em colchonete, cansados de tanta farra. A ceia deles? Cachorro-quente, batata frita, pão de queijo!
Bateu meia-noite, teve queima de fogos, a equipe do hotel distribuiu palmas-de-santa-rita para quem quisesse jogar no mar, na praia em frente. Em seguida, o DJ mandou ver na trilha dance remix, e lotou a pista com a galera de branco, a maioria turista, animadíssimos. Tinha casal de avôs, dançando como dança de salão; tinha japonesinha de preto, lindinha, de salto altissimo, completamente fora do ritmo. Foi divertido, como nunca imaginei que pudesse ser uma festa de hotel americano. Organizado, gostoso, animado e bonito, com o salão iluminado por lustres de velas.

Fashion Rio

No próximo domingo, começa o Fashion Rio. Hoje, a prévia é da Printing, marca mineira da Márcia Queiroz, que além da loja-conceito em Belo Horizonte está presente nas araras da Sak’s, Neiman Marcus, Barney’s e Bergford Goodman. A marca, que foi fundada em 1994, e é referência quando se fala em vestidos bordados e tecidos renovados por técnicas artesanais, estréia no Rio com um inverno de formas e texturas, estampas pinceladas de floresta ou trompe l’oeil de plissado, em técnica digital em bases de cetim e jacquard de seda. Os tecidos de alfaiataria também marcam ponto e as cores rondam os tons escuros de verde, vinho, púrpura, ocre, preto.
O desfile da Printing será no dia 14 de janeiro, às 11 horas, no Centro Cultural de Ação e Cidadania.
Styling: Daniel Ueda
Beleza: Daniel Hernandez
Direção executiva: Zee Nunes
Saibam mais sobre a marca da Márcia Queiroz em www.printing.art.br

Márcia Queiroz