Wednesday, October 29, 2008



Cristal de liga leve

Estilo é tudo, não apenas moda. Vinhos e champanhes inegavelmente são bebidas chiques, e merecem a atenção de quem gosta de requintes. Assim, falo das taças de cristal com titânio da Deguste, no shopping da Gávea. Em vez do tradicional chumbo (deve ter muita gente que ignora este detalhe, que tem chumbo na composição destas peças tão transparentes e delicadas), têm titânio, que é mais leve e mais resistente.
A loja tem outras atrações, como os pratinhos para comidinhas, como está na moda, aquelas porçõezinhas individuais. E também os azeites de luxo da Oliver & Co, em vários tamanhos. De vez em quando, a Angela, proprietária da Deguste chama um oleólogo para promover uma degustação dos azeites maravilhosos.

Foto Ines Rozario

Hoje tem Prêmio!





Com direito a show de Maria Bethânia, sai hoje a primeira lista de eleitos do Prêmio Moda Brasil, em São Paulo. Vai ser um festão, de gala, no Teatro Municipal da cidade.
É sempre louvável uma premiação, estimula os profissionais do setor a melhorar, para chamar a atenção e merecer este destaque.
Claro que nem tudo é perfeito. Por exemplo: concorreu quem se inscreveu, apenas. Já fica limitado o resultado. Outro exemplo: como avaliar este grande número de categorias, apenas pelos projetos enviados?
Infelizmente não pude ir a SP para participar da primeira etapa do júri. Portanto, não sei como aconteceu a seleção de materiais jornalísticos e editoriais, se a maior parte dos juizes era gente de imprensa. Este impasse acontece muito em concursos de moda. Os patrocinadores sempre pretendem homenagear quem faz as revistas, quem trabalha nas reportagens de jornal, quem edita os sites. Mas e aí, quem julga? Convém deixar bem claro, na noite da premiação, que estes candidatos se inscreveram e foram selecionados por outras equipes. Talvez pessoas do shopping Iguatemi, patrocinador master.
A modelo Dalma Callado será homenageada especial, e Francisco Costa, mineiro estilista da Calvin Klein, é Prêmio Especial Hors Concours. Merecidamente, estes dois.

Na foto, um momento do desfile da Maria Bonita, que pode render prêmio para a estilista Danielle Jensen ou para a diretora, Daniela Thomaz

Para ativar a torcida, segue a lista de finalistas nas 17 categorias:


Estilista de moda feminina: Gloria Coelho, Maria Bonita (Danielle Jensen) e Reinaldo Lourenço

Estilista de moda masculina: Alexandre Herchcovitch, Osklen (Oskar Metsavaht) e Ricardo Almeida

Estilista revelação: Ianire Soraluce, P’tit (Anna O.m Carol Marinone, Leonardo Negrão e Heloisa Faria) e R. Groove (Rique Groove)

Coleção de moda praia: Adriana Degreas, Blue Man e Lenny

Stylist: Felipe Veloso, Giovanni Frasson e Paulo Martinez

Desfile do ano: Maria Bonita Verão 2009 (direção de desfile Daniela Thomaz), Alexandre Herchcovitch inverno 2008 Masculino (direção de desfile Roberta Marzola) e Cavalera Verão 2009 (direção de desfile Alberto Renault)

Campanha Publicitária: Arezzo Inverno 2008 (direção de arte: Giovanni Bianco), Ellus Inveno 2008 (direção de arte: Kleber Matheus) e Osklen Inverno 2008 (direção de arte: Ana Amélia Metsavaht)

Modelo Feminino: Ana Claudia Michels, Carol Trentini, Raquel Zimmerman

Modelo Feminino: Leo Peixoto, Michael Camiloto, Mihaly

Make-up: Celso Kamura, Daniel Hernandez e Duda Molinos

Hair stylist: Daniel Hernandez, Max Weber e Ricardo dos Anjos

Fotógrafo: Bob Wolfenson, Jacques Dequeker e Miro

Designer de acessórios: Constança Basto, Francesca Giobbi e Tao Galeria (Marta Ribeiro)

Figurinista: Claudia Kopke por “Era uma vez...”, Marilia Carneiro e Karla Monteiro por “Os Desafinados” e Marissol Grossi por “Estômago”

Veículo de mídia impressa: Key, Mag! e Vogue

Veículo de mídia eletrônica web: Chic, Lilian Pacce e SPFW

Veículo de mídia eletrônica programa de tv: GNT Fashion, Mais MODA (Tv Record) e Mundo Fashion (Tv Bandeirantes)

Jornalista de moda: Costanza Pascolato, Glória Kalil e Lilian Pacce

Friday, October 17, 2008

Faltam 19 dias para o Claro Rio Summer

Menos de um mês para o evento organizado pelo Nizan Guanaes, que quer mostrar a moda e o lifestyle do Rio. Por conseqüência, do Brasil.
O Rio Summer abre bem, com o querido Carlos Miele. Tomara que ele mantenha o espírito performático que sempre marcou (e provocou polêmica) suas apresentações. E fecha à altura, com um duo de Osklen e Lenny.
Só uma coisa me alucina: a agenda tem desfiles externos! Ó céus, provavelmente naqueles lugares muito lifestyle, sem nenhum estacionamento, em zonas ermas da cidade. Tipo, Lapa, armazéns da Praça Mauá. Tomara que haja ônibus, van, qualquer transporte, como fazem em Paris.

Horário Marca Sala

Quinta, 06/11

14h Carlos Miele Externo

16h30 Blue Man Amarela

18h Salinas Azul

19h30 Adriana Degreas Externo

22h 284 Externo

Sexta, 07/11

13h30 Cris Barros Amarela

15h Iódice Azul

16h30 Rosa Chá Amarela

18h Totem Azul

19h30 Isabela Capeto Externo

Sábado, 08/11
11h Jo de Mer Externo

14h Triya Amarela

16h30 Raia de Goeye Amarela

18h Cia. Marítima Azul

20h30 Osklen/Lenny Externo

Tuesday, October 14, 2008



Tipo de verão

Helenas de Tróia, louras e de vestidos drapeados devem dominar as arenas da temporada. Arena, leia-se festas, casamentos, jantares, até praias de luxo.
Na coleção da Alphorria, assinada pela Edna Thibau, destacam-se os drapeados em chiffon, musselines, jérseis e até em malha, valorizando os transpasses e assimetrias. É um visual glamoroso e feminino, sem tanto peso de bordados e babados, em cores marítimas, como os verdes, azuis e corais (ué, coral fica no fundo do mar, lembram?)
Muita estampa digital traz as flores aquarelados com interferências geométricas, os acabamentos incluem elos e correntes com banho cobre rosado. Para o dia, a Alphorria propõe bermudas e shorts, mais coletes com super-decotes

Psst: eventualmente esta foto aparece deturpada, a bela de pele azulada. Nada disso: ela é linda e loura.



Na Juliana Faro, a inspiração foi nas jet setters dos anos 70. A forma é mais sequinha, muitos decotes tomara-que-caia (adoro este termo), blusas soltas e também shorts em diversos jeitos.
Vale lembrar que, nas lojas da Juliana, está tudo à venda, desde as portas decoradas com bonequinhos, até as luminárias e abajures.



Ipanema ganha Limits
Marcio Duek abre no dia 16 a Limits em Ipanema, na rua Visconde de Pirajá, 423 – A e B. Vai ter festão animado pelo DJ Marlboro, das 19 à meia-noite.

E a Diesel, que celebra 30 anos? O dono, Renzo Rosso, promete altas festas. Será que o Maurício Saab, representante da marca italiana dos jeans mais cobiçados do planeta, vai repetir o feito, daquela noite com o Mobi, no hotel Glória? Uma das melhores festas que já fui

Você sabia? As duas maiores lojas de departamentos de Tóquio são a Takashimaya (só conheço a da Quinta Avenida em NY, sempre vazia, com o porteiro chamando visitantes na rua) e a Isetan Mitsukoshi

Friday, October 10, 2008


Turma da praia


Rogerio Figueiredo segue a maré das logomanias nos novos maiôs, biquínis e sungas. As fotos do catálogo são todas assim, tipo piscina chic. Gostei. Vejam mais em www.atelierrogeriofigueiredo.com.br (ou na rua Normandia, 22 / 26, em São Paulo; (11) 3926-7621)




A Jo de Mer lançou suas ondinhas para moda praia. Pelo jeito, temos verdes bem marinhos. Em São Paulo, na Oscar Freira, 329-A. Também em www.jodemer.com.br

Já a Lenny Niemeyer autografou seu livro, editado pela Cosac Naify, dentro da coleção Moda Brasileira. Legal


Quem lança


O Atelier Real, esta casa bonitinha em Botafogo, já está com a Primavera-Verão (rua Real Grandeza, 182 casa 4B / tel. (21) 2537-4924)

Maison Kaká Barcelos, também cheia de novidades, um endereço de multimarcas que vale ver na Barra (rua José de Figueiredo, 320 bloco 5 loja 106 / tel: 2138-8010)


Diz se não dá vontade de pular no monitor e pegar estas sapatilhas lindinhas, em print python de várias cores? São da Via Mia, que cada vez se integra mais no trem das marcas lançadoras, sem perder a faixa dos preços ótimos. Cada sapatilha custa R$ 99 (mais em www.viamia.com.br)










Jóias


Até dia 19, Antonio Bernardo oferece 20% de desconto em suas jóias. Seja qual for a forma de pagamento! Este bracelete de prata, o Shar, que custa normalmente R$ 2.950, pode sair por R$ 2.360, que tal?

Jack Vartanian lança a coleção Rock’n’roll, com muitos modelos de argolas e até uma guitarrinha com brilhante, em cordão. No Rio, na Via Flores. Vejam tb em www.jackvartanian.com





Este é o Marine Chronograph Dame, da Breguet, marca que existe desde 1775 e que forneceu relógios exclusivos para Napoleão Bonaparte, Josefina, Winston Churchill, Victor Hugo e até a Princesa Isabel. Abraham Louis Breguet é considerado o pai da alta relojoaria moderna. Este modelo feminino, bem decorativo e precioso, emoldurado por brilhantes, está na coleção de fim de ano da Amsterdam Sauer (atendimento (21) 2525-0033)



Fim de semana

Bons descontos no Ateliê Degang + Kvalo, durante o evento Arte em Laranjeiras, no finde de 18 /19/10 (isto é, 18 e 19 de outubro). Tem convidados do Marcelo de Gang também: o trabalho da Margot Mello para o atelier Cortiço e as bijuterias de Luciano Rocha. Mais a expo do Ricardo Gama, com fotos do ensaio As nossas Senhoras de Copacabana, com roupas da coleção.
Se der fome, o bistrô coordenado por Petit Maibi propõe sopas e quiches. Das 10 às 20h.

Sunday, October 05, 2008

Acabou bem!

Enfim, abaixo de chuva e ventania, o último dia da semana de desfiles de Paris deu uma naimada, apesar de algumas urubusices rondando. Nem se trata mais da lenga-lenga de crise americana, falta de vendas. Trata-se do troca-troca de estilistas e donos de marcas. Valentino troca de criador – nao estava dando muito certo, a atual. Celine, idem. Cacharel foi muito fraca, sem o casal Clements Ribeiro. E ha a ameaça pairando sobre Alber Elbaz, o querido estilista da Lanvin. Tanto Lanvin quanto Lacroix estao em vias de serem vendidas. Vamos ver o que acontece.

Estas mudanças nao afetam os criadores. Ontem foi um dia muito bom. No mínimo, pela Louis Vuitton, em um dos melhores trabalhos assinados pelo americano Marc Jacobs. As trilhas musicais anunciavam parte do conceito: antes do desfile, canções de filmes musicais como Chicago, Cabaré, Hello Dolly e até o Muppet Show. Durante o desfile, Edith Piaf. O estilo americano e tradições francesas se refletiram nos casacos de mangas bicolores, mas com ombros pontudos, dos anos 80, auge de estilistas parisienses como Thierry Mugler e Claude Montana. Jacobs cumpre o ritual da referência étnica, nos grandes colares, nos brincos de argolões, nos cintos-obis e nos cabelos tipo poodle. Alguns destaques: as calças largas de poás brancos sobre fundo rubi ou preto; ou em jeans com bolsos virados, ou a reta, caramelo, em look com túnica marinho, de mangas três quartos. Decotes de tiras cruzadas ou alinhadas valorizam as costas. As colecionadoras de bolsas Vuitton vão disputar as carteiras com entalhes de cristais coloridos e as bolsas em couros dourados, maleáveis.

Aplausos de pé receberam os vestidos drapeados e amarrados, as faixas pregueadas atravessando o busto, os tubos montados em pences, com grandes fechos aparentes na lateral, as combinações de rosa-seco e preto, ou bege e rosa, magenta e vermelho, com parte preta. Ou dois tons de azul ou de verde. Os sapatos cintilavam com cristais nos saltos e nas gáspeas. Colares suntuosos, escarpins cristalizados, drapeados e pregueados. Muito bonito, perfeito para a vida real, mas com consistencia de moda. So que a moda atual tem um lado business pesado. Precisa dar lucro (tem dado, nesta fase Alber Elbaz), e tem acionistas. Falar em bolsa de valores a esta altura, hummm...
Marras no país da Alice O convite é o mais bonito da semana, como se fosse um caderninho de ilustrações botânicas, com um pop-up de borboletas na página central. O cenário, no mercado do Carreau du Temple, uma prateleira gigante cheia de livros em tons desbotados, no final do desfile também teve várias páginas abertas, mostrando buquês de flores de papel. Lindo. Quanto à coleção, também foi bem bonita, apesar de muito diferente do que se espera do estilo Kenzo. Ok, é preciso renovar, e o Marras conseguiu mudar, mantendo a beleza. Qual foi a diferença? O colorido. Sempre tão vermelho-rosa-laranja-verde-roxo no Kenzo de sempre, em gera l bem interpretado pelo Marras, apareceu...cinza. Cinza, com ou sem brilhos de paetês, metalizados, transparências, conchas, pétalas, linhos, tules e cchiffons. Imaginem vestidos curtos, montados em entalhes levemente franzidos com estas texturas e efeitos. São cores empoeiradas, como definiu o presskit. Aliás, cada lugar tinha uma capa de presskit diferente. O meu tinha a imagem de uma Citisus Nigricans, ao meu lado, era um Chrisantemum Indicum. Isto é que é detalhe, sinal de um orçamento rico. Além dos franzidos e brilhos, vimos a alfaiataria em calças em risca-de-giz cinza-claro, um conjunto de spencer e calça de pregas, barra estreita. O tema da Alice no país das Maravilhas prometia aplicações de bichos de tricô e bordados de pérolas, impossíveis de serem distinguidos da platéia. Uma boa idéia é a carteira rígida, com uma banda elástica prendendo, e uma laçada para segurar na mão. Outra, é jogar uma parka de seda ou tecido com brilho sedoso sobre um vestido ou um maacaquinho bordado. A sabedoria desta fase nova da Kenzo (o próprio saiu do negócio em 1999) é justamente encantar pelo espetáculo. Quando a gente começa a achar triste o excesso de cinzas, o cenário se transforma e tudo faz sentido.

Elie Saab, primaveril
Mais uma inspiração floral, no estilo do libanês que talvez chegue ao consumo brasileiro através das vitrines da Avec, no shopping Leblon. Sem excessos de estampas, Elie representou a estação pelo azul-hortensia, o amarelo-pistilo e o verde-amêndoa. E mais muito violeta e lilás, realçados pelas sedas e cetins dos vestidos curtos ou longos. Foi uma das poucas coleções a lembrar das calças, como parte de tailleur chique. As garotas de cabelos louros, lisos e longos passaram com os curtos arrematados por barras de flores de tecido, em verde-claro; nos longos de sereia em malhas rendadas cinza-gelo. O que anuncia algo novo, a praia alterada, é a série de longos transparentes nos mesmos tons dos maiôs por baixo. Muitos modelos têm a cintura deslocada para cima, só um pouquinho, o bastante para alongar e dar mais elegância. E muitos, muitos curtos ou longos, têm panejamentos longos atrás, interpretação moderna da cauda. O que falta para Elie Saab ser um Valentino? Talvez uma sala maior, mais imponência no show. Roupa, ele já tem. Cabelos: Olivier Lebrun Make: Gordon Espinet, da M.A.C. Manicure: Creative Nails Intervalo / foi uma das poucas vezes que vi uma celebridade convidada ser vaiada. Ela chegou atrasada, entrou com as luzes apagadas. E recebeu o maior UUUUUUh! dos fotógrafos, que já estavam prontos e concentrados para documentar o desfile. Quem era? Nada de tão importante: Mila Jojovich, ex-modelo e agora atriz de cinema. Não justificava tanto mistério / mesmo com vestidos ultra-finos, as modelos carregavam grandes bolsas de couro. Com vestido amarelo, sandálias e bolsa roxa / quase ninguém mais dá o crédito para quem faz cabelos e maquilagem Paul & Joe, na praia No cenário de inverno, o fundo era uma paisagem de montanha nevada, que mudava de noite para dia. Para o verão, as mesmas 24 horas de luz, só que a paisagem era um paraíso de praia, com ilha e mares. Um ambiente perfeito para o estilo férias de luxo, com passarela igual a um deck de madeira. Por ali passaram as calças jeans com laçadas nas laterais, os macaquinhos floridos, as calças drapeadas e as blusas listradinhas com babados na frente, além de shorts e maiôs cavadões. Como férias na praia chic incluem festas, a coleção inclui longos. Um plissado, com laço no final do decote vertiginoso nas costas, uma túnica em pontas, com estampa cashmere em tons de azul, e três modelos em poás: pretos, em fundo rosa; brancos em fundo coral; pretos em fundo branco. A entrada da Paul & Joe estava pior que a Chanel. Só faltou pedirem documentos, de tanto que demoraram para permitir a entrada dos convidados. Deve ser reflexo do sucesso desta moda jovem e usável, mas nada demais.
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Friday, October 03, 2008


Chanel, sempre
Vale a pena se abalar, voar mais de 10 horas, pagar hotel e batalhar com a rede de internet parisiense, se três convites chegarem às mãos: Dior, Chanel e Vuitton. Claro que é bom ver Margiela (que está saindo de cena), Victor & Rolf ou Stella McCartney. Mas onde vendem, no Brasil? Quem tem loucura para ter algo deles? Só a galera da moda mesmo. Mas os três grandes justificam a vinda. Os outros são bons, mas nem sempre convidam brasileiros. Até pelo motivo de não venderem no Brasil. Deste jeito, não venderão nunca, porque continuam desconhecidos. Quem no Brasil sabe como é a roupa St. Laurent atualmente, se não vive conectado nos sites internacionais, de quem realmente assiste aos desfiles figuras difíceis? Aliás, tenho que admitir que fico passada de ver o sucesso do sartorialist.com. São fotos de gente de rua, o tempo todo. Muito engraçado, às vezes até meio grotesco, vamos combinar. Como se encarássemos a arte feita com reproduções de quadros, pintados por números (isto é, com a interpretação do consumidor) com os originais pintados pelos autores. Mais ou menos isso. Pode ser um sinal de uma redução de interesse na moda de verdade. Talvez já tenhamos acumulado tanta roupa, que não há lugar físico ou mental para novas criações. Então, vamos inventar looks doidos, com o que já temos. Bem, mas Chanel é Chanel, todo mundo respeita. Por trás da marca, o alemão Karl Lagerfeld dá as cartas, desde 1983. Inteligente, sabe atualizar o que a própria Chanel deixou de herança de estilo. No desfile de hoje no Grand Palais, a fachada da loja na rua Cambon, 31 foi o cenário. A coleção veio quase toda em preto e branco, com sinais de lamê prata e rosados. O tailleur clássico ficou mais simples, é mais um top de mangas japonesas em jacquard ou tweed, ou em tecido com grafismos de fitas em metalizados e rosa-seco. Os longos lembram trajes flamencos, com saias de babados dobrados e boleros de toureiro. Ou têm corte diretório, saias pregueadas, com fita preta abaixo do busto. Êpa, de repente pintam umas roqueiras, de bustiê e maiô preto, carregando um estojo de guitarra, em matelassê branco. Ih, as meias imitam leggings curtos pretos. Um macacão preto colante tem mangas –sino entremeadas de rendas. Quatro modelos passam rebolando, com micro vestidos de malha, com decotes ombro-a-ombro. A maioria das modelos carregava uma sacola de compras, vi que está mudando o visual, tem uma grandona, preta, com o endereço da matriz na rue Cambon. É o jogo do prestígio: claro que é muito mais chique comprar lá do que nas galeries Lafayette. Os sapatos escarpin em PU transparente têm saltos altos, grossos e escuros, como as biqueiras. Outros são enfeitados com plumas e pompons, mais para modelo agulha. Ainda reinam as plataformas. Os cabelos ganham arcos de correntes escuras, tufos de tule e plumas. As bolsas 2.55 ficaram maiores, mais retangulares. Os colares de correntes estão em prata escura, bem longos. Valem para homens e mulheres. Cabelos: Odile Gilbert Make: Chanel Som: Michel Gaubert Chanel confirma hits da temporada: os leggings continuam (no caso, são meias, que ficam mais opacas até abaixo dos joelhos), os saltos decorados, os colares longos, que parecem caixas torácicas e as costas com decote nadadora ou em Y. Seção didática: hoje, falamos de como achar seu lugar nas salas de desfile de Paris Primeiro, chegue cedo, se o desfile é importante. Em geral, as salas têm formato de arquibancada, são divididas em setores por letras. O convite vem como: Ad15? Você está no setor A, fila d, lugar 15. Quer dizer, no meio do banco coletivo. Chegue cedo, para sentar no seu próprio lugarzinho Conte com a ajuda dos seguranças de terno. Eles ajudam mesmo Não tem lugar marcado? Espere liberarem a entrada dos convites em pé, ponha-se atrás das arquibancadas, a visão é melhor do que nas últimas filas sentadas. Eventualmente, sobram lugares. Se bater um cansaço de esperar, sente. Atrasou? Por favor, não encha a paciência de quem chegou cedo, tentando passar por cima de bolsas, sacolas de revistas e pernas, para procurar um lugar que nem existe mais. Pior ainda, não faça as pessoas levantarem, para ver se o seu nome está escrito no cartão embaixo das bundas delas. Na próxima vez, se o convite diz 10h30 chegue às 10. O desfile só começa às 11h, mas vale esperar sentada. Muito chato, obrigar os outros convidados a se espremerem para você sentar. Por mais que esteja frio lá fora, dentro das salas faz um calor infernal. As pessoas são altas e grandes, carregam casacos, bolsões e guarda-chuvas. Ainda vem mais uma criatura pedindo espaço?

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