Tuesday, September 30, 2008

Nem sempre o mais dificil de uma semana de moda é conseguir os convites para os desfiles importantes. Muitas vezes, eles estão na mão, separadinhos por dia da agenda, assinalados no caderno, e mesmo assim, quem garante que serão entregues na porta da sala do evento? O que pode acontecer segue esta lista:
A feliz proprietária esquece dos convites no hotel, e só nota na hora de entrar no desfile mais importante. Pode ser que a assessoria tenha paciência de ver se o nome está na lista de imprensa.
A desligada vai almoçar, fazer pipi, atender o celular em um canto, e deixa o precioso pacotinho sabe Deus onde. Claro que nem lembra quais eram os convites, para seguir a solução acima
Outra bem comum: roubo! Pura e simplesmente, acontece. Na portaria do hotel, dentro da sacola aberta. Ou puxado da própria mão que se agita, pedindo para ser vista no tumulto da entrada do desfile. Esticou a mãozinha para cima, vupt, sumiu o convite. Ridículo até de explicar na porta
E aqueles endereços distantes, desertos e inóspitos? Nenhuma cidade deste mundo doido é segura para alguém se desbancar para um lugar no fim da linha de um metrô, de onde ainda se atravessa uma ponte e chega a uma festa-desfile que começa às 23h. Ou para um estacionamento transformado em passarela, às 21h. Muitos destes convitinhos ficam em um canto da bolsa de quem não tem à disposição um Mercedes-Benz para circular, mimo do evento.

Interessante é que pelo menos em Paris há um conjunto de 3 salas excelentes, no subsolo do Museu do Louvre, construídas exatamente para os desfiles. Não esqueçamos que o povo da moda tem suas manias, e uma delas é rejeitar lugares que serão usados por outros estilistas. Ok, faz parte da emoção, empreender estas explorações por lugares que, se não fosse para ver desfile, nós jamais conheceríamos. Que me lembre, desde 1980 conheci depósitos de tapetes, muitos estacionamentos, mosteiros, igrejas abandonadas, chateaux que mais tarde viraram condomínios de luxo, estações de trem, estúdios de cinema, teatros antigos, estufas e estádios de futebol. Mas que dá preguiça, dá...

Falo agora do Gaspard Yurkievich, russo que, como o coreano Andrew GN, está rapidamente assumindo um lugar na primeira linha das marcas. Claro, é diferente uma grife que já foi Maison, nascida antes dos anos 80. Estes novos enfrentam um mercado diferente e uma competição maior do que os tradicionais. Fora os profissionais de moda, são poucos os que reconhecem estes nomes, ao contrário de um Dior, um Saint-Laurent, um Givenchy.
Mas o Yurkievich está conseguindo. A sala enche, a coleção tem expressão. Ele é o novo diretor artístico da Rodier, indústria de tecidos francesa que já apadrinhou Poiret, Chanel e Dior. Vejam só, chamaram o russinho, para revitalizar a marca que tinha os twin-sets usados por Brigitte Bardot e Grace Kelly.
Um quarteto e coral acompanharam a cantora Dani Siciliano na canção Why, o tempo todo. No estilo, capas-chemises beges com nesgas pretas, bordados metalizados prata sobre calças curtas e fofas, cinzas. Vestidos soltos e curtos, com alças arredondadas, abotoadas nas costas, onde também balançam martingales. Nas costas, um desenho freqüente nesta semana, o Y. Franjas cobrem rendas pretas sobre forro rosa, em vestidos curtos. O conceito anunciado era a Arquitetura fluida, o chic de alta-costura e a androginia da parisiense. Mas foi mais para anos 1920 e um pouco Déco.
Na complementação, meias curtas e sapatos de altos saltos bisotados ou esmaltados.
Saltos altos são quase obrigatórios nesta temporada. Muito altos, na passarela e na platéia. Sempre como sandálias de tiras grossas, peep-toe e plataformas recuadas. O solado lembra Charles Jourdan nos 70.

Balmain mantém o pique roqueiro, assinado por Christophe Decarnin. Admite até os jeans claros e rasgados, as jaquetas de uniformes, tipo Beatles, e a trilha com Madonna para confirmar o espírito. Tem também os saiotes tutu, que a loura usou no filme Procura-se Suzan deseperadamente. Bom, pode fazer sucesso, mas podia ser mais inovador. Em compensação, John Galliano continua na pole position, ao lado de Karl Lagerfeld, como um criador capaz de recriar indefinidamente uma marca como a Dior, de mais 50 anos. Na tenda toda preta por dentro, incluindo as cadeiras e os cartões com os nomes dos convidados, ele mostrou o Chique Tribal, composto por vestidos curtos, de cintura fina e saia rodadinha por pregas soltas. Eles eram os chiques, os cabelos presos pelo Orlando Pitta em coque-ampulheta, estilo africano, eram o Tribal. Como bom inglês, J.G. não perde espaço sem um tacheado. Frente-única drapeada, tops com pregueado cinturado, tomara-que-caia com franjas. Ou poás irregulares, étnicos.
No colorido, laranja, bege, amarelo-limão, azul-claro, cinza, cinza, cinza. O bordado em barras, visto na egípcia Maria Bishara, no francês Michel Klein apareceu também no inglês Galliano, no vestido rosa com bordados prata. Tribal-decô.
A novidade vem agora: além de continuar com o legging preto, o python e a camurça , Dior aposta na galuchat, a macia e fosca pele da arraia. A pista veio na capa do presskit, em papel preto, fosco, com o mesmo toque macio da arraia.

Intervalo / quem já foi ao Sea World, na Flórida, sabe como é o toque da pele da arraia. Elas estão lá, as pobres, no tanque, todo mundo passa a mão, e reage, ui! É aveludada, mas macia demais / John Galliano não vai mais até o final da passarela, vai até o meio, com seu cabelão longo, liso e louro, colete preto sobre a pele, calça preta e boots, provavelmente Dr. Martens / hoje, enfim, Paris recuperou sua cara. Chove, 15 graus, tudo cinza / as meninas andam de trench-coat pouco acima dos joelhos, ajustado, em preto ou bege. Muito mais sandálias altas do que botas


Muito engraçado, o jeito de adaptar a roupa à demanda do mercado. O que mais vende? Bolsa. Portanto, o casal Marie Therese e François Girbaud pegou a referência na bolsa, suas alças, bolsinhos, fechos e correntes, para inventar calças jeans curtas, de gancho baixo (na rua, ele não existe) e estes detalhes típicos das grandes bolsas que amamos. E mais, as laçadas vermelhas, presentes em vestidinhos, saias e calças. E aqueles bolsos externos das sacolas de jardinagem, formando as saias. Segundo a dupla que assina, há uma calça nômade, dupla e reversível, que representa um novo espaço de moda. Para quem segue o estilo jeans da Marithe Girbaid, aviso que a cor é escura, azul ou preto, em pesos leves.

Intervalo / o mineiro Victor Dzenk trouxe sua coleção barroca, desfilada no Fashion Rio, para o show-room parisiense, no hotel Regina. É a quinta vez que ele vem, e faz parte de um show-room que agrada nos Emirados. “Já vendemos para a Barney’s de Dubai, mas na estação passada tiramos pedidos também para lojas de Saint Tropez e cidades da Espanha”, comentou Dzenk, que já se prepara para o Minas Trend Preview, com uma prévia do inverno, de 12 a 16 de novembro.

Uma das responsáveis por esta febre de sapatos altos, além de Nicolas Ghesquière na Balenciaga, é a grega Sophia Kokosalakis. Desta vez, os saltos são esculturais, retorcidos, em prata, com tiras em vários desenhos, quase sempre em preto. Na roupa, tops com aspectos de armadura metalizada em ouro velho, ou colares grandões, metalizados envelhecidos, cabelos em coque no cocuruto, também arrematados por um toque metálico. Foram os primeiros dourados até agora, mas em versão grega, isto é envelhecidos.
Sophia faz calcas curtas, largas no alto, saias com dobras verticais, vestidos pretos com o decote recortado como um ponto ajour, preso por clipes metalicos. Até aqui, tudo em cinza, bege e preto. Daqui em diante, turquesa-Mikonos, vermelho-alaranjado e um azul-princesa com borlas na barra.
Dá para notar a identidade da estilista. Assim como Marie Bishara usou o Egito, Sophia marcou com Grécia. Nenhuma ficou com cara de fantasia nem traje típico. E ambas se integraram no espírito da semana. Vá lá, sempre fica um pouco do que se comenta, como os modelos tridimensionais lançados na Balenciaga há mais de um ano. Mas a personalidade acaba se destacando.

Falando nisso, tem o Manish Arora. No terceiro desfile em Paris, o indiano já atrai uma legião para lugares fora do circuito nobre. Desta vez foi o Cirque d’Hiver , que fica em frente à estação Filhas do Calvário. Que nome. O Manish usou o tema do circo para extrapolar em microvestidos estruturados, montados em babados, cristais coloridos, estampas de palhaços e malabaristas e até uma saia-carrossel que girava. Bonito, claro. Por baixo de tanta fantasia, e à frente dos mímicos de preto, que seguiam as modelos, notava-se a base de um verão arquitetado com uma textura de neoprene, com alça em Y e bojos em cor contrastante. Por exemplo, azul com bojo pink. Olha uma moda praia pintando aí, à la indiana.

Sunday, September 28, 2008

As capas continuam




O domingo serviu de aquecimento para a semana que lança as modas do verão, em Paris. Como saber o que será a estação, se este começo de outono bate os vinte graus, direto, sem aquele tipico céu cinza-esbranquiçado nem a chuvarada clássica (ainda bem, porque cidade com chuva e neve é insuportável)?
Talvez por estas instabilidades e imprevisibilidades metereológicas, as coleções mantenham peças como o trench-coat. Vai que chove? Neste caso, as adeptas da moda podem adotar os fofissimos trench-coats do Michel Klein, que desfilou no suntuoso salão do Grand Hotel. Michel mostrou uma silhueta de cintura fina e saia rodada, montada em pregas, em variações das capas em dourado, cáqui com tacheados, até sem mangas, sempre com o comprimento pouco acima dos joelhos. Os vestidos seguiram as capas, com estampas de flores rosas, iazes, margaridões, com decotes quadrados, tomara-que-caia ou ombro só, um lado preso com alça passada em ilhós. A parte mais noite se dividiu em longos de grega, com drapeados, vestidos curtos em crochê preto e o que mais gostei, a mistura de regatas e camisetas em malha fina, com saias longas prateadas e um canguru ou bolero de tricô. Um contraste de casual e brilho, muito moderno. Ao fundo, trilha sampleada de James Bond, com Diamonds are forever.

A Anne Valérie Hash transformou o shape de vestido-coluna da Madame Grés, e usou as técnicas de drapeados, retorcidos e nós em modelos em jérseis acinzentados. No fundo da passarela, panos drapeados ondulavam como se ventasse, havia mesmo baruho de ventania. As modelos de cabelos com aparência molhada tinham sombras iridescentes subindo pela testa. Além dos vestidos, há macacões e calças com drapeados laterais e entalhes de transparências. As costas mostram o corpo, com decotes sustentados por cordões torcidos de jérsei. No meio dos tons de cinza e rosa-velho, há um grená muito bonito.

Lie Sang Bong usou o Cubo e o Triângulo como referências, para roupas com volumes geométricos. São vestidos estruturados e macacões, alguns com golas e ombros grandões, superdimensionados. Lembrou o velho brinquedo Cubo Mágico, que voltou à moda, ou os caleidoscópios antigos e também os modernos programas de 3D dos computadores. Parece conceitual demais? Mas Lie, que será embaixador cultural da cidade de Seul no ano que vem, sabe editar bem o desfile. Uma entrada mostra um longo folheado, em tons de azul; em seguida, entra um curto, onde o folheado é representado por estampa nos mesmos tons de azul. Nos modelos de golas ou mangas exageradas há lembranças da elegância de Maisons parisienses. O estilista coreano não esquece do seu país, mas trabalha nos padrões da moda francesa.

Confesso que desconheço a origem da grife Lutz. Deve ser suíça ou alemã, a julgar pelo número de convidados falando alemão na pequena sala do Louvre. E pelo jeito seco da roupa, com uma sobriedade em pretos e brancos quebrada por eventuais vermelhos e movimentada por pregas e panejamentos. Mais uma vez, um trench, desta vez em versão curta, sobre saia grafite.
fotos Ines Rozario

Intervalo / tem menina de shorts na rua. Ou de Havaianas. Que setembro é este? / fechou a loja que vendia miçangas e peças para fazer artesanato, a Loisirs et Création. Que pena. Bom, eu gostava de olhar as contas coloridas, mas nunca comprei nenhuma. Devia ser esta a reação média / parece que estamos no Brasil: a rua é jeans-total. Nunca vi tanta gente usando, em Paris. Os homens adotaram a skinny, direto / o lenço palestino continua nos pescoços. Só no Brasil foi decretado fora de moda / no dia 9 acontece o desfile do projeto Moda Fusion, também no Louvre. Serão 30 looks criados por estilistas franceses e confeccionados por pólos brasileiros

Saturday, September 27, 2008

Vestido com bordado Talli, da Bishara
sapato finlandes
sapato Pring


Ivana Helsinki
A semana parisiense de desfiles começou quente, no sentido climático do termo. Céu azul, 20 graus, só para contrariar os convidados e credenciados que chegam do mundo todo, cheios de casacos nas bagagens. Normal, já que Milton dos Santos, brasileiro residente em Paris, comentou que o frio andou pegando feio por aqui, há poucos dias. “Minha cor estava tão branco-escritório, que fiz umas sessões de UV para melhorar”, comentou diante da surpresa dos amigos de platéia quando viam seu bronzeado. Milton vem de uma maratona de trabalho, pois recebeu um grupo de marcas brasileiras que integraram uma ala no espírito do Fashion Business, dentro do Salão do Prêt-a-Porter. O resultado da empreitada foi muito bom, já que os brasileiros venderam para lojistas de várias cidades francesas. Alguns venderam até o mostruário. No próximo Fashion Rio a rota se inverte, marcas francesas participarão do Fashion Business. “Não vamos levar nem lingerie nem moda praia, setores que o Brasil domina e lidera. O foco será no glamour, que é o que todos esperam da moda francesa”, anunciou Milton.

O evento Rio Summer, organizado por Nizan Guanaes no Rio, em novembro, desperta a curiosidade da imprensa que cobre o circcuito de desfiles internacionais. Até agora ninguém do grupo de fotógrafos que está sempre a postos nas salas dos shows foi convidado. Alguns perguntam a razão do possível comentado convite a Kate Moss, para desfilar ou assistir. “Não é para mostrar a moda do Brasil para o mundo? Por que convocar a Kate?”, perguntou um francês, encarapitado sobre sua maleta de equipamento, antes de um dos desfiles de hoje, sábado.

Mas vamos a algumas coleções desta semana que começa. O que se exige de uma apresentação, atualmente? Que seja bonita, rápida e conte uma história. Como fez Marie Bishara, que concentrou a criação em linhos, algodões, jérseis e sedas, tecidos para modelos de cortes simples, curtos e ajustados, ou com drapeados enfeitados por águias bordadas no contorno dos decotes. E contou histórias do Egito, através de bordados com pedras semipreciosas e turquesas, aplicações de flores do Nilo, bordados em fios dourados ou prata, na técnica do sul do Egíto, chamada Talli. Hieroglifos e chaves da vida foram motivos freqüentes na decoração dos modelos. Nas cores, desfilaram na bela sala da Escola do Louvre os areias do deserto, os turquesas, dourados e os esverdeados dos tesouros egípcios.

Marie Bishara contou sua história, sem apelar para excesso de fantasia. As modelos eram claras, de cabelos alourados, longos e ondulados; sem sombras azuis ou traços negros nos olhos. Nada de franja de Cleópatra, apenas algumas sandálias rasteiras de tiras amarradas nas pernas (que teimavam em desamarrar) lembravam os trajes do Nilo. Os sapatos eram Pring, nome de uma beldade asiática nascida em Bancoque, sediada em Paris, com estudos de dança em Berkeley (Califórnia), que chegou portando seu cachorrinho e distribuindo folhetos da marca. Bom, tem que dar um jeito de segurar estas tiras, Pring. Os outros sapatos eram interessantes, com solado vermelho (estilo Louboutin) e adereços lembrando Prada.
A coerência do show chegou à trilha, que de vez em quando alternava o ritmo de desfile com árias da ópera Aída, que é passada no Egito. Ainda bem que a história acabou aí. Os elefantes, tradicionais na encenação da ópera, não entraram na passarela.


Outra apresentação quase didática, de tão coerente, foi a de Ivana Helsinki, assinada por Paola Suhonen. O local, surpreendente, demonstrou que a vida em Paris é boa e luxuosa até embaixo da ponte: pelo menos, se for a ponte Alexandre III, onde um conjunto de salas embaixo dos arcos tem sido requisitado para eventos milionários. Lá, passou a lenda russa do Tigre Solitário, motivo das estampas da coleção. A cabeça do tigre, ele inteiro, ou um monte deles, apareceram em diversas técnicas de estamparia da empresa Nanso, fundada em 1921, mas super-moderna, na terra da Nokia. Como Bishara, Paola priorizou modelos simples, a maioria vestidos e túnicas curtas, em algodões eticamente desenvolvidos. Alguns longos, cortados em barras ou com caudas curtas, de alcinhas. Decotes em forma de coração, assimétricos, com babados e modelagens com bojos embutidos marcaram a coleção. Mas foi tigre demais, muita roupa, muita estampa igual. Podia ter sido um terço do que desfilou.
Nos complementos, outra revelação finlandesa, os sapatos Pertti Palmroth, feitos à mão na cidade de Tampere, há 90 anos. O modelo que acompanhou o Tigre foi criado por Pentti, pai do Pertti, em 1930. Foi refeito e adaptado a seis variações com colorido de década de 80.
Outro acessório, a série de colares com pingentes de cerâmica porosa, da Kaipaus. Este material contém nanofrago, elemento que controla a emissão de perfumes. Uma boa idéia.

Há quem seja a própria história, como a portuguesa Fatima Lopes, que celebra 10 anos de desfiles em Paris com uma festa no Folies Bergere. Ou a colega jornalista Suzy Menkes, que nesta temporada ganha homenagem com uma festa e exposição no Museu Galliera, para comemorar os 20 anos de trabalho nas páginas do jornal International Herald Tribune. E a estilista ruiva Sonia Rykiel também faz festão e aniversário, marcando 40 anos a serviço da moda. Foto Ines Rozario

Friday, September 26, 2008

Premiere Vision anuncia inverno dramatico

Parece que a sintonia entre as pesquisas de tendencias do Moda + do Senac Rio e as previsoes do salao Premiere Vision esta muito boa. Varios temas ja discutidos nos seminarios do Rio de Janeiro se repetem no salao mais prestigioso de Paris. Como a Abstraçao, o Drama, as cores complicadas, os verdes azulados, os rosas-magentas, os violetas. As ondas estao no ar, so pode ser esta a conclusao.

Mas o salao frances enfatiza a força das rendas, tanto as classicas francesas da Solstiss ou da Halette, como as incrivelmente modernas, japonesas. Marca as cartelas de pretos, cinzas e vermelhos, os tecidos com relevos, os dublados e esculpidos. Quer dizer, mais um lance que fez parte dos nossos cadernos, a Arquitextura.

Isto é bom, porque indica um caminho de independencia, sem esquizofrenia em relaçao à moda global.

Os desfiles que começam amanha, sabado, demonstram o vale-tudo que vai predominar. Temos anunciadas inspiraçoes no Egito, na India, em muito jeans. Vamos ver.

Intervalo / Paris esta a 20 graus durante o dia, baixa para 15 à noite. Ideal para pequenos trenchcoats em tecido de algodao, usados quase como vestidinhos. Muito, muiito jeans, como ha muito nao se via. Mais skinny para os homens, flare para as garotas / os globos de dança dos anos 80 enfeitam as galeries Lafayette. Esta decada é muito recente, ainda tem muita gente com peças autenticas nos guarda-roupas. O que acontece? Circulam senhoras de sombra cintilante, blazers de ombreiras e cabelos desfiados. Ou outras, mais avançadas para a época, ja no espirito japones, de casacos longos pretos. Totalmente passadas, as pobres. Moda que a gente ja usou, nao usa mais.

Friday, September 19, 2008

Oskar virou carioca!



Oskar Metsavaht ganhou o título de cidadão do Rio de Janeiro, em cerimônia nos espelhados salões da Cãmara Municipal. Um privilégio para ele, que faz da Osklen uma bandeira para várias causas ambientais, sem deixar de lado a sofisticação inerente à moda. E um privilégio para quem foi convidado, principalmente os considerados padrinhos. Um convite que recebi quando me preparava para dar aula de figurino em Paulínia, e confesso que fiquei bem feliz por ter sido lembrada.
Foi bom ver que os amigos de verdade enfrentaram o trânsito de sexta-feira, no fim da tarde e o movimento que transforma a Lapa e seus arredores em point da cidade. Na mesa principal estavam também Lenny Niemeyer, amigona do Oskar (ela tinha que sair rapidinho, porque depois ia para Paraty); Cynthia Howlett (que foi patrocinada pela Osklen nos anos 90), Carlos Leonam, Marcelo Andrade e Mario Novaes, amigos e companheiros de aventuras esportivas, o embaixador Afonso Arinos e a vereadora Aspasia Camargo (vestindo um dos casacos de listras com paetês da coleção de inverno). Na platéia, a Nazaré Metsavaht, casada com o gaucho-carioca Oskar, os pais dele, a irmã. o irmão, que família chique. Murilo Tinoco compondo os grupos para as fotos, Cristina Rio Branco supervisionando a divulgação de imprensa.
Quando recebeu o diploma de cidadão carioca, Oskar levantou o papel e comentou "aha!", como bom esportista. Estava em versão cerimônia, de terno sob medida assinado pelo Ricardo Almeida. "O estilo foi pensado por mim, este corte mais estreito", comentou acerca do terno em fundo cinza. E avisa que a coleção de inverno vem com novidades: justamente uma alfaiataria.
Muita gente esnoba este tipo de homenagem, alega que é uma ação política supérflua. mas se tem alguém que mereça, pelo tanto quer curte e celebra esta cidade, é o Oskar Metsavaht. E ele soube valorizar o título. Ninguém deixa de ser gaúcho por isto, mas todos gostariam de serem reconhecidos por esta cidade normalmente tão blasée. É meio como estourar na Broadway...
Ah, e tem mais: a Osklen vai manter o parque Garota de Ipanema, que andava virando um point da dengue, em pleno Arpoador.

Nas fotos, eu e o meu afilhado (ele é que diz) e ele, lá no alto, de corpo inteiro, com o terno de shape slim, do Ricardo Almeida.

Thursday, September 18, 2008

A moda descobre a beleza da agricultura

Fotos Ines Rozario



Poucas vezes vi dar certo a união entre trabalhos regionais, governo e moda. Uma destas exceções foi a prévia da quinta Feira da Agricultura, que vai se realizar de 23 a 30 de novembro no Riocentro (Rio de Janeiro). Durante esta semana, os visitantes verão todo tipo de produto trazido por mais de 500 expositores, representantes da agricultura familiar, que formam mais de 90% do setor no Brasil. Teremos desde pimentões e tomates até paçoquinhas, cocadas, palhas, cachaças, licores, sucos e aquela banana passa, entre outras tentações. Mas a prévia, vista na Marina da Glória, aconteceu como um bom desfile de moda, organizado pela Eoysa Simão.

Na entrada, um portal com pencas de berinjelas, pepinos e pimentões com iluminação condizente. Na passarela, criações de designers como Jum Nakao – destaque para a bolsinha multicolorida, de sementes e os colares de sementes com bambu -, Renato Loureiro e seus vestidos em patchowork de flores rebordadas e as bolsas de fibra de buriti, Ronaldo Fraga e as aplicações de pássaros e folhas sobre vestidos brancos e os colares de crina. Também fizeram parte do grupo de designers: Adriana Tavares, Amauri Marques, Fernando Maculan, Heloisa Croco e Virgínia Scolti. As modelos eram quase todas mulatas, havia apenas uma lourinha e uma castanha, para atender ao pedido do ministério, de ter um elenco com a cara do Brasil.
Antes do desfile, ouvimos um speech oficial, assistimos a uma apresentação de um repentista, o Antonio Ribeiro da Conceição, todo de terno branco, vindo da Bahia. Tricoteiras cantaram, na boca de cena.

O quê? Pela descrição parece programa folclórico? Engano de vocês: nunca vi um desfile com estes intuitos sócio-rurais chegar tão perto de um resultado digno de uma mostra para o mundo. Talvez as modelos precisassem de um pouco mais de experiência, gostaria de saber a procedência das peças desfiladas, na hora que passassem. Mas ficou muito bom, demonstrou o poder da moda de realçar belezas e descobrir originalidades.
Tomara que a montagem da feira no Riocentro corresponda a esta prévia. E que tenha muitas bananinhas e paçoquinhas, claro.

Na fila A: dei a sorte de sentar ao lado do Renato Loureiro, querido estilista mineiro, um dos pioneiros do Grupo Mineiro de Moda, dos anos 80. Atualmente, ele faz coleções para apenas 20 lojas-clientes, peças mais intelectualizadas, com produção máxima de 6 a 8 peças por modelo. Mas não é só isso. "Continuo trabalhando com reciclagem, tenho feito coisas com a lona e as esteiras da Vale do Rio Doce. E sigo com diversos projetos profissionais, como a mudança dos uniformes da Localiza. Troquei aquele verde por um tom mais escuro, mais elegante", contou Renato.
Na saída encontrei o Jum Nakao,que fez colares de sementes e bambu com artesãs de Terra Preta, interior do Amazonas. "Também lancei uma coleção de roupinhas de bebê feitas por bordadeiras que bordam cantando canções de ninar, lá de Santa Rita, na Bahia".
Agora, por favor, me dêem razão: não é irresistível, saber de tantas histórias? E vocês não viram a desenvoltura do Antonio Ribeiro, cantando e apresentando as atrações da noite. Foi impecável, a prévia dos pequenos agricultores com a moda dos grandes designers.

Monday, September 15, 2008





Avon lança perfume e traz estilista de Paris (que é bonita, competente...e brasileira)

A democratização do luxo atende à demanda por criações com qualidade, design e qualidade sem preços alltos. Uma demonstração desta estratégia é o lançamento da linha de perfumes U by Ungaro, pela Avon.
Famosa pelo sucesso das vendas a domicílio, com 1.200 mil demonstradoras só no Brasil e 5 milhões por cem países, a marca com sede em Nova York há três anos acrescenta às coleções consideradas populares um espaço para produtos mais requintados. Depois da experiência bem-sucedida em 2005 com os perfumes assinados pelo estilista francês Christian Lacroix, a Avon lança as versões masculinas e femininas do perfume U by Ungaro, que devem chegar às consumidoras antes do Natal deste ano, um presente em embalagens especiais, que marca os 50 anos da Avon no Brasil, onde as vendas domiciliares são responsáveis por 77% da venda de fragrâncias. Tanto a versão feminina como a masculina têm preços em torno dos R$ 79.


A musa global do U by Ungaro é a atriz americana Reese Witherspoon, que aparece na campanha com o pôr-de-sol de Paris ao fundo. A loura veio rápida, apenas para a convenção interna, não apareceu no lançamento oficial.

Mas nem fez falta, porque em São Paulo, na quinta-feira, o que seria mais uma ação de marketing, contou com a presença da própria estilista da linha U, Camila Perez. Que é brasileira, filha de pai hispano-americano e mãe paulistana. E é exemplo de profissional moderna e globalizada. Começou pelos estudos na Graded School, a escola americana de São Paulo, mudou para o México e continuou os estudos no Boston College, onde cursou História da Arte.
“Foi uma base maravilhosa de cultura e arte, que até hoje uso nas minhas criações”, contou Camila, na rápida passagem pelo Brasil para a coletiva dos perfumes. Além da Arte, decidiu aprender mais sobre moda, partiu para a escola Marangoni, em Milão e para cursos de moulage em Paris. A base de conhecimento era grande, ainda faltava o lado prático da profissão de moda.
“Pois é. A esta atura, me apaixonei por um belga, casei, fui para Antuérpia. Fomos sócios em uma marca, a Marien Perez. Aprendi tudo de produção, coleção e lojas de moda, foi bom por este lado. Mas fechou quando o casamento acabou, não tinha jeito. Achei que era hora de me afastar um pouco da moda, dar um tempo no Brasil.
A temporada de um ano e meio na galeria Leme, em São Paulo foi interrompida por uma amiga que soube que a maison de Emanuel Ungaro estava renovando a equipe. Veio o inesperado convite para apresentar desenhos de coleção para a nova linha da grife parisiense. Para a marca fundada em 1965, que andava trocando de estilistas depois que o titular saiu de cena – um deles, Robert Forrest, atualmente é consultor de marcas e eventos no Brasil -, era o momento de uma revitalização do prestígio.
“Mandei aguns desenhos. Depois de alguns dias, recebi o telefonema, perguntando se poderia estar em Paris em cinco dias. Claro que fui, passei pela entrevista, que não foi fácil. Fui bem maltratada durante duas semanas...(risos). Na época, eu sabia muito pouco do DNA da marca. Mas fui aprovada, chamada para ir para Paris e trabalhar na sede, na avenue Montaigne, onde estou há quase dois anos”
A sede é parisiense, Camila deu a sorte de encontrar um apartamento próximo do escritório, mas a rotina deixa pouco tempo para curtir Paris ou a prancheta na sala ao lado do colombiano Estéban Cortazar, responsável pela primeira linha, a Ungaro, a única que desfila nas semanas de moda. Só neste espaço de tempo, a criação e o desenvolvimento da U by Ungaro levou a estilista três vezes para Tóquio, lugar onde a U faz sucesso com o jeito jovem das roupas. As camisetas têm truques de alta-costura, como drapeados nas mangas e decotes, os vestidos são curtos, como gostava de fazer o próprio Emanuel Ungaro nos anos 80. O espírito parisiense original do estilista está presente, mas há muito de Brasil nas coleções . O corte dos jeans, que encantou as japonesinhas e as russas, decorre da experiências da Camila com o estilo brasileiro, “nosso corte valoriza o bumbum. A brasileira domina como ninguém o jeito de vestir sensual, sem ficar vulgar”, confirma a estilista. Que não pretende parar por aí. Nesta nova fase da marca, que atualmente pertence ao empresário americano Amir Abdullah, há liberdade de criação, desde que mantenha o DNA Ungaro – isto é, luxo, qualidade e o espírito parisiense -, vamos admirar coleções inteernacionais com o toque brasileiro. Para a próxima temporada, Camila homenageia a Arte, pensando na obra de Oscar Niemeyer e Burle Max.

Aqui ao lado, o começo desta história toda: o próprio Emanuel Ungaro, com uma de suas modelos, nos anos 70. Filho de imigrantes italianos, o pai alfaiate, nasceu na Provence e foi para Paris, para estudar moda. Estudar é pouco: ele conseguiu trabalhar com nomes como Balenciaga e Courrèges, abriu a maison própria em 1965. Criava modelos estampados, femininos, curtinhos e coloridos, um sucesso na década de 80.

Sunday, September 07, 2008



Rosa Chá em NY

Mais uma vez, Amir Slama levou a coleção da Rosa Chá para desfilar na semana de moda novaiorquina. A marca, que agora pertence ao grupo Marisol, fez recentemente um show no Brasil, dedicado às sungas masculinas. O lado feminino só é mostrado em Nova York e em algumas feiras de prestígio, como a SIMM, de Madri
Inspiração: obra do artista plástico Gonçalo Ivo, radicado na França.
Cartela: primeiro monocromática, depois bicolor, em listrado. Branco, gesso, laranja, verde e marrons.
Formas: anos 70 reinventados, com romantismo de rendas, babados e recortes. Cinto na moda praia
Matérias: crepe para kaftans. Georgete de seda, tule e tressês de couro


Look do dia
Calça preta, cintura no lugar e camisa branca, estilo preferido de Lenny Niemeyer, que acabou incluindo estas peças muito pessoais no catálogo de inverno. Mas é roupa para sempre. Desde que o físico permita, esta silhueta tão marcada. Da Lenny, só falta a piteira, companheira infalível da estilista

Ronda
Tenho loucura por shopping. Minha ronda mais recente incluiu o Casa Shopping e o Barrashopping. Notei que o Casa incrementou a parte de restaurantes, que era meio fraca. E a loja da Florense é constrangedoramente maravilhosa, uma das mais bonitas que já vi. Tipo atração turística. No Barra, mais novidades de comidinhas: um Burger King todo bonitão (hummm...junk food é comigo mesmo), a Travessa. E o imperdível muffin de chocolate do Frans Café, na Fnac.

Nas mãos
Bacana, a série de anelões da Monte Carlo. Em cristal rosa, por R$ 139 ou quase-coral, por R$ 108.

Música no ar
Dispenso o fone de ouvido no avião, apesar de saber que estou perdendo altas programações musicais. Vou recuperar o som perdido, pelo menos o da Air France, porque a companhia francesa lançou o CD In the Air, com as trilhas zen da taxiagem (aquela hora da chegada, em que os passageiros levantam todos ao mesmo tempo, para tirar as bagagens de mão dos compartimentos, e levam bronca do comandante) e criou uma página na rede, em www.myspace.com/afintheair.
Sabem por que dispenso o fone? Porque gosto dos joguinhos na tela da frente, no Airbus. Digamos que é um exercício de concentração para assistir aos desfiles parisienses.

Premiado
Antonio Bernardo já foi premiado cinco vezes no IF Design, evento máximo da joalheria internacional, que se realiza anuamente em Hannover, na Alemanha. A partir do dia 9, terça-feira, Antonio reúne 16 das 18 jóias de designers brasileiros também premiados, no Espaço AB, na flagship da Garcia d’Ávila. Neste ano, Antonio levou mais um troféu, com o anel Oxigênio, na categoria Estilo de Vida