Friday, June 13, 2008

Fashion Rio
Terça-feira, dia 10 de junho de 2008

Desfile externo, fora do abrigo do estacionamento garantido, do conforto da sala fechada e do lugar onde deixar as bolsas, ninguém merece. Portanto, foi no maior mau-humor que saí de casa para o MAM, para o desfile da Tessuti. Claro, não havia vaga, fazia o maior calor, e só consegui lugar seguro, sem riscos de reboques e cia., no aeroporto Santos Dumont. Depois de léguas a pé, debaixo do sol, chego lá e o desfile tinha começado – o lugar que sobrou, óbvio, debaixo do sol.
Mas foi a primeira das muitas surpresas do dia. No lugar da Clara Vasconcellos, que saiu da marca, atua a estilista Fafá Cosenza, que cumpriu muito bem o dever da boa coleção. Acabou sendo um dos melhores dias da semana, e ainda deu tempo de tomar um revigorante cafezinho no aeroporto.
A nota destoante foi o almoço. Não deu tempo de aceitar o convite da Cláudia Simões e me deliciar no Barracuda, restaurante da Marina da Glória, tive que me contentar com salgadinhos do Fashion Business. Horríveis.

Tessuti
Tons claros, refrescantes, beges e marfins, abriram os trabalhos em vestidos com pregas religiosas (na horizontal), saias tulipa, de cintura alta e camisas com bordados no decote, de um lado só. A linha é estreita e longilínea, de comprimento pelos joelhos, elegante. Os fourreaux falsos são na verdade roupas duplas, um over de organza branca ou clara e um vestido colorido por baixo. Muita assimetria por conta de mangas de um lado só, alguns belos florais abstratos em quase-quimonos. Na série final de longos, um tomara-que-caia cinza, uma amarelo com franzidos e um vermelhão, para mulheres exuberantes. Das referências marítimas que grassam na semana, ficaram os cabelos soltos e molhados, e o barulho das ondas na trilha, junto com o canto do chafariz dos jardins do MAM

A mais: a caminho do desfile da Cláudia Simões, entramos no Fashion Business. Está lindo, muito bem montado e pelo jeito, com boas coleções, sem aquele ranço de feira de artesanato. No primeiro balcão, a hipnose das galochas estampadas, botinhas de poás, xadrezes ou floridas, qie fazem todas as garotas pararem em frente às prateleiras da Cosse Representações, que traz as gracinhas da China / Sergio Mattos, da agência 40 Graus, lança o primeiro cursdo superior de modelo publicitário e moda. Serão três anos, na Gama Filho / nas mãos da assessora Bia Zany, a carteira super-versátil da Cavalera. Parece uma agenda, cheia de compartimentos, e por fora, é uma bolsinha muito da fina


Cláudia Simões
Foi o primeiro da Cláudia no Fashion Business, que desde janeiro conta com uma ótima sala de 400 lugares para desfiles. Começou com a atriz Monique Alfradique pendurada em uma escada de pintor, sob uma chuva de estrelas prateadas, meio sem pé nem cabeça. Ainda bem que logo vieram as roupas, inspiradas no Sonhos de uma noite de verão, de Shakespeare e na alegria das paixões. A tradução tem vestidos-quimono navy, com metais aplicados no contorno, o primeiro usado por Guisela Rheim; chemises de seda também com aplicações nos punhos. Todas as peças levam um detalhe destes, que enriquece sem complicar nem encaretar o look. Podem ser usadas dia e noite, com requinte e modernidade. Destaque para a saia que mistura estampa cashmere e barra florida, o longo com estampa de tulipas e o tubo com círculos bordados nas laterais. Super-elegante, a moda da Cláudia, com um toque futurista e muito feminina.


Filhas de Gaia

Outra boa surpresa! A Claudia só não foi, porque eu já havia visto a coleção, que fez parte de algumas prévias. Mas a Filhas, como só conversei com a Renata Salles por telefone, me surpreendeu muito. A dupla Renata e Marcella (Calmon) sacou a falta que havia de roupas para ocasiões especiais, com toque jovem e sofisticado. Para quem conhecia o trabalho na casa da Gávea, onde elas exibiam malhas estampadas, foi incrível ver a qualidade da costura e da modelagem nos vestidos curtos de seda e tafetá, com estampas de rosas deturpadas, gráficas, e montagens em pregas e drapeados irregulares. Letícia Birkheuer desfilou, linda.
Styling: Rogerio S; sapatos: Louloux; beleza: Lavoisier; estampas: Gabriel Oliveira

Homem de Barro

Uma graça, as histórias da Aline Rabello e do Marcio Duque, em torno dos cartuns e de caças a tesouros. Vestidinhos de babados, curtos. Retalhos montados, formando tecidos novos, um trabalho que só a Aline mesmo enfrenta, porque cada retalhinho é queimado com cigarro, um a um. “É minha marca registrada, vou fazer sempre estes detalhes”, declarou a Aline, em visita à redaçãozinha do Jornal do Brasil, onde escrevo os textos. Na Homem, há bermudas cargo, mochilas com flores aplicadas, estampas de corujinhas, pássaros e folhas. Em destaque, todos os casaquinhos, mesmo sendo coleção de verão. Ar condicionado existe para quê?

A mais: na platéia da Apoena, Isabel Fillardis / a marca de Brasília participou de duas edições da SIMM, de Madri e do salão do Prêt-à-porter de Paris. Agora, já com muitos pedidos a serem entregues para o mundo, deve pular os salões de verão na Europa


Apoena
O futuro, tema da coleção, foi sacada da Katia Ferreira, enquanto ouvia a música “When I’m 64”, dos Beatles. “Saquei que falava do futuro, e decidi seguir por aí”, contou Katia.
Um jardim bucólico, em branco fez o cenário para os minis de flores brancas sobre branco, o patchwork de quadrados rabiscados, o casaco-vestido com bolsos, os chemises superpostos a saias e casacos e a sobreposição de camisas, uma verde, outra azul e a terceira, em vermelho. Atenção: nada de flores e rabiscos estampados. É tuuuuudo bordado, acreditem. Destaque tipo tem-que-ter: os boás de tecido, enroscadinhos nos pescoços.
No final, uma concessão ao espírito tradicional das cooperativas, com as saias feitas com bordados expressando os desejos futuros das artesãs. Mas Katia quer se afastar deste tipo de marketing que pede solidariedade ou pena. Ela e suas colaboradoras da periferia de Brasíia querem fazer MODA.
Styling: Pedro Sales; cenografia: Bill Macintyre; beleza: Ricardo Maia Castanheira; jóias: Carla Amorim

A mais: as trilhas até agora sempre incluem Beatles. E um pouco de Caetano, Betânia e Gal. Os anos 60 dominam mesmo