Friday, May 30, 2008



                                                                      A cartela do verão, no final do Rober Dognani

Casa dos Criadores 23

Segundo dia

Acontece: o primeiro dia é glorioso, ficam todos animados. E no segundo, dá uma piorada. Talvez o tempo dedicado ao Projeto Lab devesse ser menor, já que eles são novinhos, sem experiência, sem saber conquistar a platéia. Porque desfile tem disso, a roupa pode ser deslumbrante, feita para uso imediato. Mas tem que haver um sei-lá-o-quê na passarela. Como em um espetáculo de teatro, um bom figurino não resolve a performance toda.
Sintoma desta impressão do segundo dia é o fato de todos saírem com a sensação que passava de meia-noite, no final. Nem tanto, era pouco mais das 11.
Isto é normal, acontece. Vamos ao que vimos:

Projeto Lab


João Elias
Cores de frutas, melão, caqui, limão, em vestidos soltos, com entalhes curvos nas mangas e decotes. Um lado com alça, outro lado com manga, um exemplo de assimetria. Algumas faixas listradas arrematam as saias.
João tem boas idéias, mas algo acontece na costura, principalmente na aplicação das tiras em curva. Talvez falta de ferro, ou de máquina apropriada, que evite os franzidinhos.
O melhor: biquíni com tiras curvas assimétricas na calcinha



Tony Jr.
Muito tule magenta, flores no mesmo material aplicadas em vestidos. Um bom vestido branco, quase reto, com cinto metalizado. Babados generalizados, que ficam um tanto gratuitos nas camisetas masculinas. Sabem, quando nota-se que os modelos não vestiram a camisa? (na linguagem figurada, claro).
O melhor: a série de vestidinhos pretos, com babados de todos os jeitos, enviesados nas laterais, com recortes, etc. E o visual de beleza


Márya Nasser
Estampa de folhas em preto e branco em vestidos, com barras estampadas mullticoloridas, com anáguas antigas, adereços com pedras aplicadas (aparentemente, naturais ou de resina), macaquinho roxo, vestido tomara-que-caia em tie-dye flamejante. Faltou coordenação, harmonia no conjunto.
O melhor: o vestido em degradê do cinza ao amarelo, com abotoamento deslocado para o lado


Der Metropol
A dupla Luciana Campos e Mario Francisco não é exatamente estreante em moda, já que os dois se conheceram nas aulas do Senac, já trabalharam em marcas como a Huis Clos, Le Lis Blanc, TNG. Apaixonados pela construção da roupa, montaram, sob inspiração no universo do lenhador canadense, a coleção cheia de recortes e entalhes que justificam outra paixão comum, a mistura de tecidos. Do lenhador tradicional sobraram os xadrezes eventuais em pedacinhos de casacos e bermudas, e as estampas localizadas de ursos e raposas nas camisetas. E mais, a estampa digital igual à madeira, tanto em detalhes como no macacão masculino
O melhor: o conjunto coerente com a história que eles queriam contar. Mas o desfile podia ser mais curto


Clarissa Lorenz
Esta menina que diz ir à missa todos os dias, em algum lugar, foi uma das mais ousadas na criação. E das mais promissoras, já que mostrou biquínis de tule cinza, com sutiãs drapeados, lindos quimonos no mesmo tecido, com bordados nas mangas. Ou tiras de renda branca, formando calcinhas e sutiãs. Pode ser lingerie ou um caminho ousado para a moda praia
O melhor: quimono com bordado em um lado das costas



R. Rosner
Repuxados, franzidos, pregueados, uma verdadeira profusão de vestidos curtos, de festa, alguns com informação demais, outros, plumosos em excesso. E muitos fios esvoaçando pela passarela do shopping Frei Caneca. Quem vê, até hesita: será de propósito, um resultado do corte direto? Ou falta de acabamento mesmo?
O melhor: vestido branco, com transparência, como um fourreau clássico.

Aqui, acabou o Projeto Lab. Longo, não? Podia ser dividido em dois dias.

P’tit
O quarteto Anna O, Carol Marinoni, Heloisa Faria e Leonardo Negrão pesquisa tecidos antigos pelo mundo. Quem não sabia desta característica da marca pode ter achado desconexa a coleção quase de peças únicas. E pior ainda, se não sabia do conceito cabeça, que envolvia México, a espiritualidade e a Caverna de Platão. De objetivo, destacou-se o look da modelo que devia ser uma alma em busca de um corpo, que seguia as outras meninas, vestindo uma calça volumosa, estreita na barra e um colete de crochê cinza, o vestido feito com uma antiga saia plissada, com pala de guipure preta, as camisas. Sempre com os cabelos em tranças circulares, o make dourado e os olhos contornados de amarelo, pela vibrante Andréia Costa, que em 20 minutos deixava cada menina com carinha de Frida Kahlo luminosa.
O melhor: longe, disparado, os dois modelos feitos com camisolas de seda, antigas.


Rober Dognani
Driele Valeretto, modelo da Prada, abriu com mini roxo, de mangões, a série de vestidos em tons de alta-costura (rosa, verde, vermelho, turquesa), repletos de franzidos assimétricos em tiras, frufrus e grandes golas enfeitando o rosto.
O melhor: o conjunto, pelo colorido, o brilho dos tecidos e os sapatos altos, com amarração de sapatilha de balé


Athria Gomes
De vez em quando acho que deveria voltar a apresentadora de desfile. Uma senhora que ficava no cantinho da passarela, dizendo o número do modelo e alguns detalhes da criação. Sei que isto era comum nos primórdios da alta-costura, há uns dois anos assisti a um desfile da Torrente, em Paris, com esta apresentadora. Deu sono, porque era de manhã cedo, e a voz era monótona. Mas seria bom ter algo assim na Athria, para todos entenderem a graça da roupa baseada em fantasias de velhos carnavais. Como a calça e camisa de estampa de losangos, dos arlequins; o vestido vermelho de poás, das espanholas, a melindrosa de franjinhas, o minivestido listrado com caveira, dos piratas e os longos verdes, das gregas. Tudo ao som do Balancê, da Estrela Dalva e com os sapatos de verniz bicolor da Uza
O melhor: a pantalona branca, de marinheira


João Pimenta
Talvez pelo cansaço, pela expectativa exagerada, o Pimenta desta vez decepcionou um pouco. Teve conceito, coordenação, bela cartela de vinhos, verdes e beges, excelente qualidade. Pecou na quantidade de roupas, sempre baseadas em esporte, como o cricket. Com calças quase de montaria, camisas soltas, uma polo largona. João assina um tênis da linha From the Archive, da Puma, nos tons da coleção. Os rapazes estavam todos de mãos nos bolsos, os primeiros, com cabelões desfiados, à la Maria Antonieta. Ou Amy Winehouse, a musa do momento, até na moda masculina.

2 comments:

Fê Resende said...

oi, iesa! eu sou a fernada do blog da oficina de estilo e sou muito mas muito sua fã mesmo. e adorei descobrir seu blog (há pouco tempo! atrasaaaada!) e adoreeeei as observações sobre cartelas de cores. sabe qual outra cartela eu curti? a de prints i like. não tanto da coleção, mas da cartela. e amei as cores nos sapatos! e vou passar por aqui todo dia pra aprender um pouco mais com você! =)

((sabe quem também não curtiu joão pimenta? o sylvain, sabe? do blog http://hypercool.blig.ig.com.br/))

freefun0616 said...

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