Saturday, March 22, 2008

Agora, entendi






Em fevereiro de 2007 – caramba, parece que foi há 10 anos -, assisti em um dos centros de pesquisa Vichy, que faz parte do grupo l’ Oréal, a uma apresentação sobre como as mulheres envelhecem. Começa a cair um pouquinho ali debaixo do queixo, plissar na lateral dos olhos, nervurar em torno dos lábios. Ui, deu aflição a projeção sobre um rosto jovem, com o resultado em 10, 20 e 30 anos.
Mostraram também as pesquisas ao vivo, com fotografias especiais, um mix de raios-X com ultrassom, tiradas de mulheres voluntárias para diversos tratamentos. Depois destas manhãs de choque, fomos a uma das fábricas da Garnier, um fenômeno de organização, que se visita percorrendo um caminho elevado, para não atrapalhar o ritmo da produção.
Vocês, eu não sei. Mas eu adoro fábrica, ver como os produtos são feitos, de que são feitos. Neste prédio, o que acontece é na verdade a embalagem e a distribuição. Para cada estação, um funcionário faz o controle de qualidade, analisando um produto por amostragem. Isto é, a esteira vem trazendo um lote, e a responsável pega um ao acaso, testa a consistência ou o cheiro, ou a embalagem, o que for importante naquela etapa. Você vê dezenas de potinhos recusados, com o maior rigor.
Em seguida, o setor de embalagem de papel, que é dobrada ali na hora, como um robô-origami. Melhor ainda, as bisnagas, que são formatadas uma a uma, depois de cheias com os cremes e colorantes.
Saímos destas visitas sempre com uma visão diferente, uma impressão de profissionalismo e cuidado que tranqüilizam na hora de comprar um mero shampoo.

Só que tinha que haver um pouco de glamour, numa visita parisiense organizada por um um grupo famoso pela preocupação com a beleza. Este objetivo foi cumprido na visita a um salão de colorista famosérrimo, o Christophe Robin, que falou sobre a nova linha do Casting Crème Gloss, em lançamento na França.

Dali, mergulhei em mais uma temporada de desfiles, salões, a diversidade de uma semana de moda. Escrevi sobre o tour l’ Oréal, guardei no fundo da memória os dados e imagens daquelas mulheres envelhecendo. Agora, mais de um ano depois, vejo nas prateleiras os resultados práticos, à venda nas farmácias sofisticadas. O Casting Crème Gloss vem com cores mais brilhantes, mais fixação, tem belos castanhos, como previa o Christophe. Tem que desafiar o reinado das brasileiras que querem ser louras a qualquer custo. E vencer o hábito de quem procura todas as quinzenas (como é chato, ter que fazer isto com tanta freqüência) o seu Soft Color cor Chocolate.




Em compensação, recebi o material explicativo, um verdadeiro compêndio sobre o Neovadiol, da Vichy. Ao ler a abertura do texto, voltei àquela sala da apresentação no Centro Vichy. O Neovadiol (que nome!) trata das peles com perda de densidade e firmeza, causada pelo envelhecimento hormonal. Esta pesquisa começou em 2002, focando a lipoestrutura da pele, isto é, a rede de adipócitos que formam os volumes sobre os quais a pele do rosto repousa e se molda. Quando envelhecemos, os hormônios reduzem o ritmo, a lipoestrutura se desestrutura e a pele se deforma.
Nossa, estou quase repetindo a palestra parisiense. Como não posso levar vocês para ver a Torre Eiffel ou comer um croque-monsieur, prefiro dizer que fiquei bem convencida dos poderes deste Neovadiol, que promete queixo mais definido, bochechas menos caídas. Já pensaram, que sonho, poder adiar a plástica por um tempinho?
Como tudo da Vichy, é hipoalergênico e não-comedogênico. Na fórmula mágica (ou quase), constam um fitocomplexo de soja e uma molécula chamada Pro-Xylane, descoberta nos tais laboratórios da L’ Oréal. Custa R$ 130 e a versão Noite, R$ 139 (são preços sugeridos).
Não tenho ligação profissional nenhuma com a L’Oréal, mas é inegável o valor das pesquisas e dos produtos que lança. Nem me dou bem com todos os produtos, enquanto que outros considero viciantes (como a base Matt Cashmere, por exemplo). Considero a fábrica da Natura, em São Paulo, mais impactante; a sede da Nuskin, em Provo (Utah), melhor decorada. Mas acho que vale testar este Neovadiol, não é dos mais caros, promete resultados do tipo “acordar sem aquele aspecto de rosto amarrotado”. Em três meses notam-se diferenças na densidade cutânea e no pescoço.
Se não der certo, fica a sugestão da coleira-espartilho lindo, da foto da campanha.

Wednesday, March 12, 2008

Trinta anos de moda do Lino



Lino Villaventura faz 30 anos de trabalho! A celebração à altura do seu talento foi junto com os festejos dos 16 anos de shoppings da Multiplan e a expansão com mais 92 lojas do Park Shopping, de Brasília, com lojas como a Via Mia e provavelmente a Shop 126, uma das recordistas de vendas no BarraShopping. Tanto que Rogério Sabbag (Via Mia) e Raquel e Uilce Alt (Shop 126) estavam lá. Do Rio, veio também a Malba Paiva, da Maria Bonita. Um festão, em tenda efêmera, que durou só este dia, para 900 convidados. E todos aceitaram o convite para a festa onde só o bufê custou mais de R$ 800 por cabeça.
Valeu muito, para rever os maravilhosos modelos do Lino. Ele fez uma espécie de resumo da ópera, abriu esta porta para seu mundo de nervuras, grenás, brancos, patchworks e tecidos retecidos. Nos fez lembrar de coleções magistrais, dos Klimts, dos pavões e das cobras de segundas-peles. Uma beleza de trabalho, muito bem comemorado. "Agora, chega de celebrar. Paro nos trinta anos, e vamos em frente", comentou o estilista no final, bem-humorado.

O evento ParkFashion segue até sexta-feira, com desfiles e workshops variados. Forum, Cori, Ellus, Renner, VR, Maria Bonita fazem parte da agenda que se encerra com a TNG.



fotos Ines Rozario

Monday, March 10, 2008



Hoje, a viagem é mais próxima: Brasília, em plena estação das chuvas, toda vestida de verde e flores. Muitas nuvens na rota, de todos os modelos, como em desfile. Cirrus, Stratus e as grandonas, Cumulus, acima de dez mil metros, fazendo chacoalhar o Airbus da TAM.
Motivo da viagem, mais um evento, o Park Fashion, promovido pelo ParkShopping, da Multiplan (mesma empresa do Barrashopping no Rio e do MorumbiShopping, em São Paulo. Outro motivo, a apresentação bis do Lino Villaventura. Gosto de rever um show, as mudanças são benéficas, parece que passam por um filtro. Em SP, foi lindo. Amanhã, terça-feira, vamos ver a versão de Brasília. Serão 30 looks, e o Lino foi escolhido pelo seu valor conceitual, quase uma alta-costura (quase? Para mim é altíssima costura, um trabalho que inclui elaboração até de tecidos de todos os tipos) e pelo fato de não ter loja em shopping nenhum.
O evento inclui grandes marcas presentes no mix do ParkShopping, point recordista de vendas para várias redes, como a Fnac, segundo lugar da Renner (o primeiro é na sede, em Porto Alegre). Brasília é um polo forte de consumo, mas vai provar que também tem bons criadores, como a Ludovica, que faz parte do núcleo de novos talentos do BFF (Brasília Fashion Festival), que nesta edição se integrou ao Park Fashion, e desfila na quinta-feira.
As duas tendas ficaram bem-acabadas, quase sem cara de tenda. Uma preta, a outra branca, perfeitas, com passarelas de 25 metros e platéia de 700 lugares. O evento é o terceiro em importância no país, só fica atrás do Fashion Rio e da São Paulo Fashion Week. Notem que estes são eventos lançadores, e o PF é de shopping. Além dos desfiles há exposições e concursos de fotos de moda.
A responsabilidade da abertura do Park Fashion ficou por minha conta. Falei sobre o panorama da moda no mundo e os pontos fortes do inverno no Brasil, já que acabo de vir dos desfiles europeus e também havia visto as novidades nas passarelas cariocas e paulistanas.
Na conversa com a equipe do shopping, a Cilene, a Beatriz, o Reginaldo, me bateu algo que confesso, passava meio longe. Brasília é a capital! Tem que ter uma importância de moda, é um local com muito estilo, eclético, cheio de referências inspiradoras, começando pela arquitetura. Niemeyer é a grife mais famosa. Uma semana como a do ParkShopping dá margem a chamar a atenção para o que acontece em matéria de estilo de vestir, em Brasília. Um grande evento tem tudo para atrair imprensa internacional, todos adoram ver a cidade-monumento. Se houver coleção diferente, gente interessante, com idéias e identidade, perfeito.

Basta ver como a Apoena é bem-recebida nas feiras internacionais que faz. Aliás, nesta semana a Katia Ferreira e a coleção da Apoena estão em feira em Tóquio. Esta bonequinha toda produzida, de tailleur enfeitado com rosinhas, é uma das gracinhas novas das artesãs lideradas pela Katia.

Sunday, March 09, 2008

Jacobs capricha em Vuitton




fotos Marina Sprogis

Ainda estou sob o impacto da semana parisiense. Até porque a chegada foi cheia de reuniões, apresentações em power points, novos nenéns na família, o tumulto habitual. Mas tinha que comentar a coleção da Louis Vuitton, mais uma vez assinada por Marc jacobs. Nota-se um cuidado maior nas roupas, coisa que sempre foi encarada como secundária; era mais importante vender as bolsas famosas. Desta vez, há truques de costura, de alta-costura, como as saias e calças montadas em pregas, como planos superpostos, difíceis de descrever e de confeccionar. Outras pregas arredondam os quadris, sem medo. As golas também são elaboradas, enviesadas, entortadas. Nos acessórios, chapéus enrolados, pretos; bolsas matelassês (afinal, é do Jacobs a bolsa-hit grandona, matelassê), agarradas nas mãos. Sapatos escarpin anabela, com plataforma e grandes bijus prata, metalizadas. Algumas suéteres sanfonadas bege fazem base neutra para as peças mais complicadas. Foi um show de competência de costura, verdadeiro final feliz para a semana de correria em Paris.

Make: Pat McGrath; cabelos Guido para Redken
Intervalo / A brasileira Ana Paula Junqueira foi uma das 10 celebridades convidadas como homenageadas pela Vuitton, ao lado de Sofia Coppola, Mila Jovovich, Ziyi Zhang e Gemma Artenton, próxima Bond Girl. E também Lapo Elkann, filho do Lucca de Montezemolo, líder da Ferrari / todos capricham na produção, na platéia. Anna Piaggi, editora na Vogue Italia extrapolou nos paetês e cristais no chapeuzinho de banda / um segurança surge na boca-de-cena, gritando em inglês para todos sentarem, que o desfile ia comecar. Que segurança, o que! Era o próprio Marc Jacobs, lindão, de terno e com ponto na orelha, brincando com a platéia, revidando as críticas recebidas em outubro passado, quando disseram que o desfile teria atrasado por causa dele e de muita champanhe nos bastidores

Saturday, March 01, 2008



Categoria Chanel
10h55
Há quem diga que Dior é mais espetacular. Ou que Balenciaga tem mais expressão. Só que atualmente, Chanel bate todo mundo em impacto, espetáculo e mostra uma bela coleção, mais uma vez assinada por Karl Lagerfeld. Primeiro, porque montam a passarela no grande espaço do Grand Palais. Depois, porque a cenografia está cada vez mais caprichada, espetacular. E terceiro, porque Lagerfeld sabe do que se trata, fazer coleção Chanel.
Com o cenário de carrossel, os ícones da marca no lugar dos cavalinhos, o que se viu foi realmente o grande show da semana. Por ícones, entenda-se o frasco de Chanel número 5, a bolsa matelassê, o sapato de biqueira bicolor, as camélias, os broches, o chapéuzinho favorito da própria Gabrielle Chanel, o casaco de tweed, tudo em branco-perolado, lindo.
Nas modelos, quase todas louras, com o cabelo repartido ao meio, e dourado no lugar da raiz, uma escolha para várias faixas de consumo: os tailleurs de tweed, com pedaços puídos, para ficar moderno; as minissaias de jeans com suéteres brancas, fartas, com óculos de grau. E também saias longuetes, o comprimento que aos poucos vai nos convencendo que é bonito e deve voltar aos guarda-roupas. Na mesma linha elegante, o top cinturado preto com decote de gola branca afastada. Mais ousada, a série de vestidos em tom nude ou verde com cintas pretas cruzadas, lembrando o estilo dominatrix. Os trabalhos manuais foram preservados, com croché em círculos pretos, em casacos vazados. Lindos, os minivestidos com fivelas de cristal.
Quase tudo em preto, claro. As modelos sorriam em frente aos fotógrafos.
A ala masculina melhorou muito, com paletós sem lapela.
Acessórios: meias bicolores, brancas na frente e pretas atrás. Carteiras pequenas (ué, nenhuma bolsa?!), boinas, sapatos de tira em T, saltos grossos. Camélias

Intervalo / A partir de setembro, devemos ter mais butiques Chanel no Brasil, além da que existe na Daslu / Meu lugar era em frente a uma das caixas de som, imaginem a vibração / Foi um show completo, daqueles que valem a viagem. Quando as modelos saíram, junto com o Lagerfeld e seu caminhar aos pulinhos, o carrossel continuou girando, toda a platéia fotografou aquela maravilha / Foi o grande destaque da apresentação, mas não empanou o brilho das roupas. É uma coleção perfeita. Fiquei tão deslumbrada, que nem anotei a hora do final.