Tuesday, January 22, 2008

Ciao, Valentino



Hoje, quarta-feira, dia 23 de janeiro, Valentino Garavani pretende dar adeus à moda. A despedida será na grande tenda montada no jardim do Museu Rodin, em Paris, com direito a celebridades hollywoodianas na fila A: Gwyneth Paltrow e Uma Thurman estarão a postos. O estilista de 72 anos tirou fotos com todas as funcionárias do ateliê de Roma, muitas estarão também assistindo ao último desfile do mestre. Segundo ele, não será um evento triste, porque ele está feliz da vida. Pretende viajar, e adivinhem para onde vem, logo de cara? Pois é, no que entregou as chaves do negócio para o grupo que comprou a grife, embarca para o Rio, onde passará o Carnaval.

Valentino sempre foi o estilista das mulheres ricas e poderosas. Ficou famoso quando fez o vestido de noiva, em renda e plissados, de Jacqueline Kennedy para casar com o grego Aristóteles Onassis. Nos anos 80 ainda desfilava fora da agenda parisiense, mas fazia seu show em um pavilhão do Bois de Boulogne ou nos jardins dos Champs Elysées, em horário de cair da tarde, Quando acabava o desfile, servia champanhe, salmão e cascatas de camarões, como era moda na época. As editoras francesas não ficavam na fila A, ele preferia as americanas.
O brasileiro Cacá de Souza trabalha como assessor internacional da marca. Foi ele quem divulgou o trabalho de Valentino nos Estados Unidos, junto às atrizes de Hollywood.
Seus desfiles enfatizam a beleza feminina, o elenco, sempre com beldades. Gisele desfilou muito para ele, assim como Nadja Auerman, Claudia Schiffer, Linda Evangelista.
É o momento elegante e rico das semanas de moda parisienses. Vamos ver se Elie Saab ou Andrew GN conseguem substituir Valentino, são dois criadores que transitam no caminho do glamour e da roupa cara.

Pessoalmente, devo a Valentino a certeza que queria trabalhar como repórter de moda, como analista de desfiles e coleções, quando assisti a um desfile seu em uma Fenit, no fim dos anos 60. Era uma série de maxicasacos em cores fortes, como laranjas, amarelos e vermelhos, as modelos deslizavam na passarela, como bailarinas russas e usavam chapkas, barretes de pele nas cabeças.
Tenho a impressão (ou a esperança) que aconteça o mesmo que aconteceu com Kenzo Takada, que deu uma festa para 3 mil convidados na La Villete, em Paris, anunciou que ia se aposentar e sair viajando pelo mundo. No dia seguinte, já ligava para a amiga relações públicas, reclamando que estava entediado, queria voltar para a moda.

Como reconhecer um Valentino
Pelo vermelho, forte e brilhante
Nervuras na cintura de vestidos e casacos
Rendas e laços
Casacos brancos, coisa de rica,que pode se dar ao luxo de mandar para a tinturaria especializada
Drapeados na cintura
Alguns babados, que não são de rumbeiras