Thursday, June 07, 2007




Walter Rodrigues, na catequese

Walter veio de São Paulo para descobrir o Rio, sempre faz o show em lugares pouco conhecidos até dos cariocas. O pátio do Arquivo Nacional, próximo ao Campo de Santana, foi o local da coleção de verão 2007/2008, contando com a sorte da Dupla, empresa organizadora do Fashion Rio, em relação ao bom tempo.
A África do Norte, suas roupas de deserto, dos berberes e as túnicas longas dominaram o estilo, aparentemente tão glamuroso, cheio de minissaias, jérseis metalizados e estampas digitais quanto os criados pelos companheiros da agenda da semana. A diferença de Walter Rodrigues é o quebra-cabeças que consegue montar com seus bons fornecedores, cooperativas e pólos de moda: as primeiras calças e blusas eram feitas com couro bege pela Banny Pel, que confecciona roupa de motociclistas, com borlas de seda lembrando os berberes, da Hak, de Friburgo; as sandálias de verniz laranja foram desenvolvidas por associados da Assintecal, as sedas das túnicas esvoaçantes tinham estampas abstratas da Têxtil Picasso e os jeans em estilo alfaiataria – as melhores peças da coleção -, são da Cedro, de Belo Horizonte.
Este roteiro de viagens compõe a inspiração do estilista, que ainda arranja espaço mental para criar um ambiente de sonho na passarela. “Tudo me interessa: a rua, a moda, o mundo, a tecnologia” definiu, falando de seu imaginário. “Atualmente, me sinto um pouco Padre Anchieta, catequisando e trabalhando com tanta gente em tantos lugares. Só o projeto da Assintecal envolve 19 pólos de produção. Na verdade, tenho cinco pilares de inspiração: a dualidade de masculino e feminino, a antropologia, o japonismo, os anos 30 e os 70”.
Bom que o desembarque de tantas viagens é no Fashion Rio.

Rodapé / Walter só anda de jeans e camiseta, detesta fazer compras de roupa. Mas surta por sapatos e bolsas / quanto à atuação internacional, ele agora prefere participar das feiras Tranoï e Who’s next, em Paris e na Bread and Butter, de Barcelona. Desfile, por enquanto, só no Rio. “Estou repensando os custos. Só o aluguel de uma sala no subsolo do Louvre custa 30 mil euros; uma modelo tcheca básica, recém-chegada a Paris, tem cachê de 600 euros. Ah, é tempo de cair na real. Faço os salões e vendo muito bem para a clientela do Kuwait, Grécia, Arábia Saudita”.
Fotos Ines Rozario