Saturday, June 23, 2007





Sabem quantos quilos esta maleta agüenta? Duzentos e dez! Isto mesmo: 210! Ela faz parte da linha Neverfull (literalmente, nunca cheia), vem em três tamanhos próprios para cidade ou para viagem, tem amarrações versáteis, em couro, e o forro listrado lembra as primeiras malas criadas pelo Sr. Louis Vuitton. Assim como a Speedy, a Lockit e a famosa Keepall, a Neverfull viaja muito bem. Pode ser dobrada e colocada no fundo de outra mala, como bagagem extra, serve de shopping bag ou de diaper bag (popular bolsa de bebê, para levar as tralhas de mamadeiras, fraldas, lencinhos, etc).
Já pensaram, 210 quilos dentro de uma mala? Depois a gente pensa como vai carregar. E no controle de bagagem, será que passa?


Em Ipanema
Na quarta-feira, dia 27 de junho inaugura com coquetel às 18h30 a nova Amsterdam Sauer, em Ipanema. Com manobristas, para garantir que ninguém vá ficar rodando horas em busca de uma vaga.
Amsterdam Sauer / Espaço Ipanema: rua Visconde de Pirajá, 484 / tel. (21) 2512-9878
Na Barra
Dia 28 de junho, quinta-feira, a partir das 17h30, abre a expo Interferências, com uma homenagem aos jogos Pan-americanos feita por arquitetos como Caco Borges, Claudia Brassaroto e Ricardo Bruno. No som, Dudu Garcia. Na Florense do Casa Shopping.
Florense: Casa Shopping: av. Ayrton Senna, 2.150

Depois de ver a exposição na Florense, passem na Galeria 3D e no Caffè Sartori no Casashopping. No espaço criado por Duilio Sartori, moda de novos designers, jóias e presentes. Coquetel às 20h no dia 28 de junho, quinta-feira
Caffè Sartori: av. Ayrton Senna, 2.150 bloco G lojas H e I / tel. (21) 2108-8144
Em São Conrado
Uma semana depois, dia 4 de julho, quarta-feira, Fabrizio Fasano convida para a inauguração da Enoteca Fasano Rio, no Fashion Mall, a partir das 19h.
Enoteca Fasano: Fashion Mall, 3º piso / tel. (21) 2267-1770

Thursday, June 21, 2007




O grande momento da edição de verão da São Paulo Fashion Week, quando Fernanda Takai, da banda Pato Fu, cantou como Nara Leão, ao lado do estilista Ronaldo Fraga, em meio a dezenas de barquinhos de papel

foto Iesa Rodrigues

Tuesday, June 19, 2007

2nd Floor, no final

Mais uma vez, volta a impressão que parte da São Paulo Fashion Week deveria formar um grupo de novos, que poupasse os menos experientes da comparação com os mais espertos. Uma pena que, em vez da emoção de Ronaldo Fraga homenageando Nara Leão ou o sonho branco de Lino Villaventura, coubesse ao jovem grupo da 2nd Floor, filiado à Ellus, fechar a semana. Nem o tema Jardim das Delícias, representado por grandes maçãs em torno da passarela, nem as cores alegres dos microvestidos de seda em violeta, verde, vermelho ou pink serviram de chave de ouro. Os criadores ficaram sem identificação, agradeceram no final em conjunto.
Jefferson Assis carrega o piano

Quem diria, a esta altura, no penúltimo desfile da temporada, que alguém pudesse acordar a platéia. As primeiras modelos do elenco de Jefferson vieram sentadas sobre pianos! Deslizando sobre um trilho no centro da sala, os instrumentos tipo gabinete sustentavam as meninas de cabelos longos, louros, com trançado nas pontas, em sentido horizontal. Um penteado diferente, para um desfile inusitado, em torno da metalinguagem da moda. Calças em jeans escuro, sem lavagem, com adereços como suspensórios ou acompanhados por tops com estampas digitais de pássaros, vestidos construídos com fios dourados ou elásticos de cinta – um prodígio de modelagem, com um lado aberto, deixando escapar um repolho de babados brancos. Estampas orientais em fundo preto coloriram vestidos com mais laterais abertas, disfarçadas com tirinhas reguláveis por ilhoses. Depois dos pianos, veio a tuba, segura pela modelo de calça de paetês dourados, os cabelos saindo do instrumento. Quando se imaginava que ainda viriam os tambores, harpas e cellos, as lourinhas continuaram a pé, vestidas de organza de seda amarelo-limão em macaquinhos nervurados e vestidos trapézio com fivelas no decote tomara-que-caia.
Se a moda do Jefferson é boa? A pergunta não tem nem graça, porque alguém tem que sair do sério neste tipo de semana.

Rodapé / já saíram as datas das semanas de outono-inverno: Fashion Rio, de 8 a 12 de janeiro de 2008 e São Paulo Fashion Week, de 16 a 22 / os programadores e designers do Second Life ainda não assistiram a um desfile. Todas as tentativas resultaram em cenas toscas, com gatos pingados na platéia com uma fila de cadeiras, onde um dos poucos convidados parece estar dormindo. Tem que convidar o pessoal para um show.
Marcelo Quadros, das deusas
Depois de um intervalo de dois anos, o estilista dos drapeados e bordados voltou à São Paulo Fashion Week. Seguiu a tendência das deusas gregas, coerente com seu currículo e desenvolveu tranqüilamente os drapeados, bordado em cordões metalizados e franjados dourados, dignos de Hera e Artêmis. Ao lado de tantas roupas de luxo, feitas para grandes ocasiões, insinuam-se bermudas de cetim e seda, com cós alto ou abotoamento marinheiro (com botões em pala na frente) e versões curtas das deusas drapeadas em verde, pele e rosados. Para estabelecer o perfil do Marcelo, digamos que é uma espécie de Elie Saab brasileiro. Elie é o libanês que desfila em Paris, campeão de vendas e do marketing de vestir celebridades, as deusas contemporâneas. Assim como Elie, Marcelo não deixa de lado os drapeados e bordados da cultura da moda clássica.

Rodapé / último dia, faltam apenas dois desfiles para encerrar a 23ª edição da São Paulo Fashion Week. Algumas unanimidades se estabelecem. A primeira, o cinza, como cor predominante e refrescante para o verão. A segunda, mais imediatista, é a gripe do pit, como está sendo chamada a virose que ataca os cansados freqüentadores da Bienal de São Paulo / Valério Araújo fez as faixas pretas das cabeças de Marcelo Quadros / o estilista é chegado a uns comes. Ofereceu bombons da Ana Abelha como brinde na sala e inclui folder da Padaria Princesa do Bonfiglioli no material de apresentação
Priscilla Darolt, com flamingos

Bermudas, bolsos de origamis, blazers certinhos, montados com pregas horizontais nas costas, mangas também com volumes arredondados, e cores bonitas, do rosa ao verde-água. Priscilla estampou flamingos sobre listrados rosados de microvestidos. Usou muito listradinho em tom acinzentado (aparentemente, a luz das salas engana. Minha bolsa preta fica roxa), tanto em peças completas como arrematando decotes e punhos de vestidos.
É pouco, para um evento deste porte. Mesmo que tenha qualidade de corte e costura, que seja coerente com os flamingos, corações e os rosas, espera-se mais de um desfile em semana de lançamento. Provavelmente, será uma roupa comercialmente bem-sucedida, tem um valor criativo, mas estaria melhor, sem atender a tanta expectativa, em evento de novos talentos ou de vanguarda.

Rodapé / a virose está derrubando modelos. Carol Pantoliano, que tem campanha agendada com Steven Meisel, cancelou as participações nestes desfiles, para tentar se recuperar a tempo da produção. É o seguinte: em geral, esta virose provoca febre de 40 graus durante 10 dias, arrasa de cansaço, acaba com a vontade de comer. E não tem remédio que resolva. Melhoras para quem pegou esta zica
Cadê Carmem, Erika Ikezilli?

Érika mantém o jeito oriental, cultivado desde os tempos de participação no Amni Hot Spot, evento que lançava novos nomes nas passarelas. Nesta coleção de verão, a estilista uniu as referências japonesas à obra florida de Beatriz Milhazes e à música Dona Geisha, cantada por Carmem Miranda. As japonices estão na maneira desordenada de juntar peças e acessórios, como fazem as adolescentes de Tóquio; Milhazes provoca estampas florais gigantes e tapetes de flores no piso da sala. E Carmem Miranda, onde estava? Nem a música era a Dona Geisha, no máximo se ouviu Rita Lee no final.
De tantas fontes, Érika retirou o colorido, as listras nos leggings em café e laranja e na moda praia, que lembra roupa de aqualouco, traduzida em maiôs engana-mamãe, e serve também como base para os looks do dia-a-dia. O grosso da coleção é o vestidinho solto, de cintura alta, com barras recortadas, laços nos decotes das costas e nas jardineiras de lembranças infantis.
Na passarela, acabou sendo um excesso de informação, já que as modelos carregavam bolsões com curvas francesas estilizadas, em madeira, sandálias de tiras largas, brincos com recortes, cabelos de samurai. Separadas, as peças podem ser interessantes, joviais, alegres. Como ficou demonstrado quando a própria Érika entrou no final, com um dos vestidinhos simplesmente jogado sobre uma calça jeans.

Rodapé / nos lounges, faz sucesso a barbearia da Natura, com profissional a postos para fazer a barba dos visitantes, e aplicar os novos produtos. O mais pedido é o Fluido Facial 3 em1, que cumpre papel de pós-barba, anti-brilho e anti-sinais de envelhecimento. Os homens estão aprendendo a curtir os produtos de beleza / a Toli, marca de Natal (Rio Grande do Norte), faz o gênero fast-fashion (no qual se enquadram a Farm, a Eclectic, a Espaço Fashion) e tem 27 lojas de Manaus a Belo Horizonte. Em breve inaugura um espaço de 300m2 no novo shopping Salvador, na capital baiana. O dono, Amauri Fonseca, está pesquisando pontos no Rio
Raia de Goeye, com fadas

Mais um lindo show na semana paulistana. Antes do desfile repleto de fadas na passarela, o espaço foi ocupado pelos integrantes da Cia. Aplauso, do Centro Espacial Vik Muniz. Garotas e rapazes dançaram, fizeram acrobacias, rodopiaram em panos, simularam capoeira e cantaram, deram um espetáculo digno de acompanhar a moda brasileira por onde ela for, nos eventos internacionais. Muito melhor do que servir caipirinhas para os estrangeiros, oferecer esta performance de gente bonita e competente.
As fadas inspiraram Fernanda de Goeye e Paula Raia na criação de vestidos longos, em tecidos vazados, com costas cobertas apenas por panejamentos soltos, ou curtos, com pregas em diagonal. Pantalonas têm volumes na altura dos joelhos e aviamentos que parecem passa-fitas acentuam os cortes. Uma visão de sensualidade ingênua, reforçada pelos sapatos de solado tamanco, com cabedal imitando tartaruga, da Schutz e os cabelos escovados e depois molhados por Cláudio Belizário. Não faltaram as bermudas de bolsos quadrados, afivelados e os easy dresses, soltos, em verde-menta. Um estilo com a identidade da Raia de Goeye, uma favorita da elite paulistana.

Rodapé / A Schutz é de Belo Horizonte, um braço da grande Arezzo, dos Birman. No Rio, chama a atenção pela loja sem vitrines, no Barrashopping. No mundo, os sapatos estão na Harrods e na Selfridges, de Londres, no El Corte Inglês, em Madri e na Galeries Lafayette, em Paris / no final do desfile, realizado em um galpão na Vila Olímpia, a cia. Aplauso dançou e cantou a Aquarela do Brasil. O figurino deles confirma a certeza do cinza no próximo verão / há uns cinco anos a Vila Olímpia era formadas de ruas pequenas e pacatas. Com as obras na região, está indo tudo abaixo, sobrem prédios maravilhosos, mas o engarrafamento pesa, no fim do dia, porque saem todos dos escritórios ao mesmo tempo, e as ruas continuam estreitinhas / a nata dos estilistas de São Paulo (Tufi Duek, Valdemar Iódice, Amir Slama, Reinaldo e Glória, entre outros) compareceu à igreja Nossa Senhora do Brasil às 10 da manhã, para assistir à missa de sétimo dia de Natalina Borges, mãe de Paulo e Graça Borges. Os irmãos trabalharam a semana inteira na São Paulo Fashion Week, heroicamente.

Monday, June 18, 2007

Samuel Cirnansck, em preto e branco

Filmes com as atrizes Louise Brooks, Gloria Swanson e Rosel Zech ligaram Cirnansck no estilo em preto e branco. Sobre a passarela de sal Lebre (aquele que corre no saleiro) as modelos mudaram o ritmo de marcha habitual. Andavam devagar como gueixas, porque calçavam saltos altíssimos e suas saias, muito justas. Este desconforto permitiu avaliar bem o glamour dos vestidos longos, tipo rabo-de-peixe, com corseletes embutidos, estampas de ramos rebordadas e o jeans negro ultrapassando a fronteira da roupa casual para a quase-alta costura.
Em relação aos desfiles anteriores, o estilista avançou em direção à moda. Reduziu o excesso de rodas e babados, os tules e as plumas, o que aproxima de um guarda-roupa requintado, mas real.
Em compensação, os vestidos de noivas descobriam os bustos das modelos, entre crepes, sedas e rendas. Um forrinho vai adaptar o delírio da moda ao romantismo pudico da realidade.

Rodapé / os dias estão longos, a semana parece que não acaba / enquanto isso, no hemisfério norte vão começar os desfiles masculinos, entremeados pelas Cruise Collection. Esta é uma temporada de roupas intermediárias, parece com nosso alto-verão ou com uma coleção de férias. Segundo informações internas da Chanel, é a roupa que mais vende, atualmente
Huis Clos, para uso sem restrições

O que se imagina vestir em uma cidade, em clima quente? Superminissaia, sandálias de salto 20 e blusas transparentes? Ou um macacão gigante, aberto até a cintura, com cintão? A roupa de Clô Orozco está longe disto. As calças são pregueadas, quase pantalonas; os vestidos, pouco acima dos joelhos, as parkas, leves, em tom cinza que quase desaparece no movimento do trânsito. Eventualmente, um splash verde-lima, como definiu o editor Aylton Pimentel. Nos cintos, em camisas. O drapeado do momento, nos gelos e cinzas, faz bonitos vestidos, tops com alças em V. O espírito surfista também passou de leve, em barras azuladas e estampas de paisagens com ondas e ilhas nos vestidos soltos. Nada casual e banal, nem um pouco surfewear. Para adotar desde já, vale prender os cabelos com uma faixa-turbante.
Elegante, sem grandes invenções, a Huis Clos está pronta para vestir quem tem bom-senso. Se é que esta qualidade está na moda.

Rodapé / muitas reclamações eventuais atrasos. Quem, em sinal de protesto, sai da sala, é aclamado como herói. Sai para fazer o que? Fumar, ir ao banheiro, talvez escrever um texto urgente? Quem está internado na Bienal veio para ver desfiles, atrasados ou não. Como o atraso é previsível, em geral, seria melhor que o evento avisasse para entrar mais tarde na sala. Haveria tempo para o cigarro, o banheiro e o texto. E menos gritaria na sala
O Estilista, de bolsos e plissês

Marcelo Sommer, o próprio estilista, tem estilo. Quem freqüenta o circuito da moda brasileira reconhece os verdes, as bermudas e pólos como ícones dele, seja qual for o lugar onde trabalha. Como Karl Lagerfeld, Marcelo se divide entre a própria marca, a consultoria para a C& A, o estilo do Afro Reggae e a TNG. Acabou de desfilar a versão O Estilista, tirada de uma flâmula da década de 20, que decorava um transatlântico ancorado no réveillon, na baía de Guanabara. Um caminho tão longo, ao som de Chico Buarque, para chegar às seguintes conclusões: o verão será de bermudão para os homens e vestidos curtos, com nesgas plissadas para as meninas. Em matéria de detalhe, abundam bolsos de todos os tipos, principalmente nas laterais das bermudas, acoplados a pregas arredondadas. A ala feminina tem direito a bolsinhas-baús de madeira, mas os sapatos parecem um tanto torturantes, tal a curva da alma, para equilibrar o salto alto e fino. Em compensação, os homens andaram com o conforto dos tamancos injetados da Crocs, feitos em resina de células fechadas. Seja lá o que for isto, o fato é que os calçados reeditam os velhos clogs suecos dos anos 70, com a tecnologia do século 21.
Algumas roupas parecem um mostruário de bolsos, tal a variedade de tipos. Nas calças masculinas ou femininas, pode ser uma boa solução para substituir as bolsas. Designa-se um bolsinho alongado para o celular, um redondinho para o pó compacto, o quadrado, para a carteira, e ainda vão sobrar bolsos para a agenda, o blackberry, os óculos escuros, etc

Rodapé / instalaram lixeiras seletivas na Bienal, finalmente. A escolher: lixo reciclável e não reciclável. E quem sabe o que é reciclável? / na entrada do prédio, garotas oferecem copos de água quase vazios. Para evitar o desperdício, alegam / na sala 1, no MAM, depois do filme que aconselha a poupar água e energia, os fotógrafos gritam “desliga o ar condicionado”. Com razão, está muito frio nas salas de desfile / muita gente dos estados vai embora amanhã de manhã, descrente da programação do último dia
Chuva no jardim de Reinaldo Lourenço

A anunciada síntese entre o fake e o natural do estilista que reúne a
platéia mais elegante de São Paulo resultou em uma probabilidade
climática chuvosa no suposto jardim neoclássico inspirador. Muitas
roupas em couro preto, desde a básica capa trench-coat até macaquinhos
tomara-que-caia, usados com botinhas abertas na frente e lenços na
cabeça deram a partida no conjunto que abriu a segunda-feira na
Bienal, onde se realiza a edição de verão da São Paulo Fashion Week.
Apesar de pesada, esta parte em couro foi a mais bonita da coleção, à
frente dos vestidos com sutiãs de flores ou com barras horizontais em
rosa e vermelho. O vestido-casaco (ou robe-mantô) florido com estampa
decorativa é bonito, mas também parece um tanto pesado para o verão.

Rodapé / entre os bons acessórios da semana, destaque para os chapéus
da Madame Olly, o ateliê liderado pelo Diaulas Novaes. Os modelos em
feltro estão lá, nas vendas de inverno, umas graças. Para a agenda de
telefones: (11) 3862-5051 / cena de fila A: um casal com sotaque
portenho se aboleta na fila A. A menina da assessoria, que controla os
lugares, pede para ver os convites, eles não têm. Quando convidados a
ceder as cadeiras para seus donos, alegam: "ah, mas temos que ter bons
lugares. Nós estamos vestidos para a primeira fila e esta gente toda,
não". Ficaram em pé, esperando até que a assessora indicou um lugar lá
pela fila F. Onde ninguém deve ter notado a tal elegância deles
Anabela Baldaque, ideal

Ideal por que? Porque a portuguesa Baldaque atende nossos anseios por
uma roupa bonita e fácil de usar. Sem preconceito ou intenção
pejorativa, é como se fosse moda para mãe e filha. Para a senhora, há
casaquetos arrematados por babado nas mangas e na barra, vestidos
sedosos pouco acima dos joelhos, em estampas de círculos pincelados,
em vermelho e cinza, vestidinhos em riscas cinza-claro sobre fundo
branco, de cintura marcada. Para as garotas, a escolha fica entre
microvestidos com palas quadriculadas, modelos de alças retas, muito
xadrez vichy em preto e branco misturado com lisos e floridos
delicados. Talvez o modelo com babados laterais com padrão que tanto
se define como aquático como encadernação (equivalente ao francês
reliure), ficasse de fora, no guarda-roupa dos sonhos. Mas um mais ou
menos em 10 minutos de desfile está acima da média de muita coleção
famosa.

Rodapé / só se fala na 25 de março, onde os iPods custam R$ 100. Sinal
dos tempos, porque há pouco tempo as compras eram feitas na Daslu /
Alberto Sabino mostrou coleção tipo quero-tudo, que fez para a rede
Rudge, do Rio. Correntes desiguais com pingentes de coração, placas e
elos de resina coral devem chegar às lojas da Ana Rudge em setembro /
Pedro Lourenço está de preto, camisa branca e gravata-cocar
Estonteante Carlota Joaquina

Entra uma modelo com microvestido listrado desencontrado em preto e branco. Vai até os fotógrafos, volta e fica na passarela, rodando no espaço branco. Entra a segunda, faz a mesma coisa. Depois de alguns minutos, umas vinte garotas rodam como um carrossel descontrolado, sem direção. O efeito tonteira baixou na platéia. Quanto às roupas, depois da série listrada, que conceituou o tema New Beach, há simpáticas batas e vestidos de malha preta, com figuras localizadas na barra, de garotinha com patos; uma linda camisetona em preto-mescla com corte alto na frente. Na ala das transparências, o estilista que assumiu a marca, Rodolfo Murilo de Souza, resolveu muito bem, com realismo, a regata preta com franzido nas costas e o camisetão em lurex ouro-pele, duas opções que vão funcionar sobre leggings e macaquinhos pretos.
O toque diferente ficou na maquilagem, um batom azul-esverdeado. Deve ser por causa da nova praia.

Rodapé / as vinhetas de abertura com os patrocinadores continuam boas, sem enjoar pela repetição. Dos três temas (água, índio e casa), gosto da casa, que tem em cada cômodo um quadro de artista plástico. Volpi, Adriana Varejão, Keith Hering, Beatriz Milhazes, favoritos do autor, Richard Luiz / A Haco, líder em etiquetas, promove em julho uma Style House no Rio. Trata-se de uma reunião, um brainstorm dos clientes e os criadores da empresa de Blumenau /

Sunday, June 17, 2007


Ronaldo Fraga, final feliz

Nos anos 90, a moda parisiense andava meio mal das pernas. Era uma semana de lançamentos sem novidades nem glamour, nada. Até que chegava o dia e a hora de assistir a Dior, assinado por John Galliano, e a viagem estava justificada, as 12 horas de vôo, a chatice dos outros desfiles.
O mineiro Ronaldo Fraga consegue este mesmo efeito. Emociona, faz a platéia chorar, leva todos para as viagens e histórias que conta em 10 minutos de show. Nara Leão foi a musa da coleção. Barquinhos de papel encheram a sala, a passarela estava coberta de papel imitando as pedrinhas portuguesas das calçadas de Copacabana. A cantora Fernanda Takai, da banda Pato Fu, de vestido de brocado prata e sapatos em forma de fusca, cantou “Taí”, “Insensatez”, Sempre só”, “Lindonéia”, músicas dos tempos de bossa nova, da arte de Rubens Gershmann, Antonio Dias e da fase de governos militares. Com a magia da moda, Ronaldo transformou sua admiração por Nara em vestidos soltos, levemente arredondados, em brocado prata,decotados nas costas; aplicou barquinhos nas saias, ou com estampa de jornal, lembrando o quadro Lindonéia. Listras pespontadas em várias direções valorizaram modelos simples, porque na época da musa o que predominava era o vestido-saco.
Para os rapazes, as bermudas repetiam as estampas de calçadas; o paletó lilás era de fustão e um deles portava uma mochila com painel de parque, tipo de piso dos anos 50/60.
Vale a pena vir para a SPFW e ver Ronaldo Fraga, aplaudir de pé e chorar de emoção pela moda, suas musas e sua criatividade
Onde está a Vide Bula?

Certos desfiles provocam expectativas, que aumentam à medida que a carreira evolui e mais shows encantam. A grife mineira Vide Bula já contou histórias de casaizinhos em rua do interior, de meninas afrancesadas, de veludo, foi uma das pioneiras na roupa grafitada. Da passarela dela saiu a famosa camiseta com a foto do presidente americano, com nariz de palhaço.
Faltou este espírito tirado do noticiário, este reflexo da vida fora da Bienal, onde se realiza o evento. Queremos mais do que jardineiras em jeans sobre jérsei com mangas de paetês azuis, estampas aquáticas, vestidos curtos drapeados e sahariennes masculinas sobre cinco-bolsos brancas. Nem o uso do prata, visto em cintos, calças masculinas, shorts femininos e listras de regatas preenche a expectativa de ver um show da Vide Bula. Será que errei de sala? A Vide Bula não estava lá.

Rodapé / o problema não é a falta de identidade da marca, neste tipo de decepção. O fato de ocupar um horário no fim do dia, já no meio da semana de lançamentos também acarreta a responsabilidade de seduzir uma platéia que já viu de tudo em 34 desfiles, até agora / Para satisfazer a turma, é preciso vir com tudo: cenário impressionante, fila A recheada de vips e algo mais na passarela.
Simone Nunes, arriscando

Ombros grandes, pontudos e calças decididamente de cintura alta são riscos que Simone decidiu correr. São dois detalhes que ainda têm destino ignorado: será que vão para as vitrines e ruas no próximo verão? Em todo caso, a coleção é limpa, baseada em areias com toques de vinho, rosa, amarelo e verde. Pequenos toques, como recortes no macacão ou golas e punhos de mangas arregaçadas, franzidas nos ombros.
A forma de propor a calça de cós alto é seca, sem franzidos. Apenas o cós alto, marcado por pespontos e um cinto fino, sem criar volumes. O formato jardineira também tem cós alto, em vez do peitilho clássico, em versões bermuda ou calça.
Nem as franjas de canutilhos que arrematam os decotes e as palas das costas no final tiram a atmosfera bem passada.

Rodapé / já se formam filas para assistir ao Ronaldo Fraga, que vem com Nara Leão como tema / a ignorância é triste. Na fila A, alguém pergunta se a própria homenageada virá ao desfile. Ela faleceu em 1989 / mais Swarovski: depois da experiência com clientes expostos em córner no magazin Printemps, em Paris, no Natal passado, está previsto um Crystallized Day na rua Oscar Freire, em São Paulo.
Mario Queiroz, navegante

Calças de couro, no verão? Bermudas de pijama, na rua? Estas são sugestões de Mario Queiroz, um dos estilistas brasileiros que foca o universo da roupa masculina. Estas peças, inusitadas à primeira vista, se devem ao tema “Grandes Navegações” desenvolvido com camisões brancos nervurados sobre calças skinny em black jeans, bermudas de grumetes, de cós amarrado, camisas com estampa de riscos, como nos mapas antigos, pelo designer Orlando Facioli. Há shorts de alfaiataria, camisetas com gravura de caravela na lateral. Os sapatos são os clássicos, amarrados, mas com o toque pirata do couro envelhecido, fosco.
Destaque para o look de calça skinny branca, túnica de algodão e blazer estreito azul. Tão refrescante quanto as arejadas camisetas e camisas pretas, vazadas com fendas a laser.
Mario gosta de combinar roupas de show, como o último look, de calça preta em couro tratado em lavanderia e rede cobrindo o rosto e o torno do modelo, com peças mais rotineiras, como as calças retas, em sarja ou jeans.

Rodapé / sapatos foscos representam economia de graxa, esforço e tempo de deixar o sapato brilhando. Tudo a ver com a campanha pela preservação do planeta do evento/ na Bienal, esqueceram de botar latas de lixo seletivas, para maior coerência
Movimento, pouco

A alfaiataria chega à moda praia. Maiôs e biquínis com detalhes como lapelas em vez de alças e botões, em vez de lacinhos abriram o show assinado pela pernambucana Tininha da Fonte. A idéia era refletir a invasão da moda urbana e esportiva nas areias, daí o terno-biquíni em preto e branco, vestido por Raica Oliveira. Depois da primeiras entradas a inspiração urbana foi trocada pela esportiva, sutil nos maiôs brancos com lapelas e debruns rosas, no shorts em seda verde e nos biquínis de bojos em tons contrastantes de verde. Debruns brancos acentuaram as estruturas, como nas roupas de neoprene dos surfistas. A contribuição do esporte também aparece nas sandálias altas com design estilizado das tradicionais papetes e nas tiras feitas com cordões, tiras de malha e mosquetões. Bom para ir a praias inacessíveis, que exigem percorrer trilhas e subir montanhas.
Esperava-se mais da Movimento. O conjunto ficou banal, apesar dos ternos estilizados do começo.

Rodapé / os chapéus da Gloria Coelho eram do Diaulas Novaes, que dá continuidade ao trabalho da mãe, dona do ateliê / morreu Gianfranco Ferré, de derrame, na Itália. Arquiteto de formação, era um mestre na modelagem. Abriu uma escola de moda baseada justamente nestes princípios de estrutura da costura. De 1989 a 1992 foi estilista de Christian Dior. Seguia fielmente as tradições da marca, reinterpretava o pied-de-poule, os tailleurs de cintura fina e a classe da marca mais francesa. Quando foi trocado por John Galliano, voltou à Maison própria, em Milão, onde lançava roupas de couro impecáveis, blusas brancas e a alfaiataria adaptada ao uso feminino, urbana e romântica /
Miguel Vieira, em branco e brilhos

Um exemplo a seguir: Miguel vem desfilar no Brasil sob os auspícios do ICEP, instituição filiada ao Ministério da Economia e da Inovação, de Portugal. O estilista luso trouxe vestidos linha A, mas leves e plissados, com barras, cinturas ou golas cobertas de cristais. A cintura se define por cinturões-corpetes de verniz preto. Para os homens, sua ala mais famosa na Europa, ele repete a fórmula do preto e branco, que já havia mostrado há um ano. Calças estreitas, em preto liso, adamascado ou em tecido com brilho; camisas brancas ou pretas e jaquetas com uma cabeça de astronauta impressa nas costas. O detalhe onipresente é o brilho, tanto o metalizado como o perolado, mais fosco. Nem as bermudas masculinas escapam da metalização, são ajustadas e brancas, peroladas. É um caminho radical, que indica uma moda menos austera para o homem, mesmo o que usa terno, porque o que Miguel sugere é a calça e o paletó ajustados (sem exagero), em tecido com brilho de estanho, e um tênis prata como complemento. Destaque para uma peça que foge do brilho geral, a camiseta em padrão Argyl (de losangos), em tons de cinza.
No final, o estilista agradeceu, de paletó preto, com lapelas de smoking e calça jeans rasgada. Conclusão: para os brasileiros, o jeans rasgado está indo embora, enquanto em Portugal continua valendo.

Rodapé / O Miguel Vieira deve ser um dos Crystallized de Portugal. Como usa bem o cristal! Nas camisas masculinas e nos paletós era apenas uma tirinha acentuando o bolso de cima / esqueci de citar o Henning Dauch, que apresentou a nova fase da Swarovski. Ele é pioneiro, como representante da empresa austríaca no Brasil, um homem sempre elegante / a linha de camisetas, bonés e bolsas em preto e branco, da Fiat, estará à venda a partir de setembro / inventaram o setor PIT para os convidados dos desfiles. Fica na frente dos fotógrafos, é o melhor lugar. Aliás, o segundo melhor, porque o primeiro é lá encima, na cabine de produção
Cavalera, de volta ás origens

Em 1995 um pequeno estande em uma feira de moda praia e surfwear chamava a atenção pelo bom-humor, já que, em pleno apogeu da indústria do luxo, exibia camisetas e bolsas parodiando logotipos de marcas famosas como Chanel e Dior. Nascia a Cavalera, dos sócios Igor Cavalera e Alberto Hiar, conhecido como Turco Loco.
Pois no verão 2007 este espírito debochado foi recuperado pela brilhante equipe de criação: os logos da Chanel, Dior, Armani, Prada e Yves Saint-Laurent se espalham nas estampas das camisetas, jaquetas, shorts, vestidinhos de babados na barra. O “C” duplo que virou símbolo da Chanel ganha o realce de cristais multicoloridos, nas costas de uma jaqueta masculina.
Se pode dar problema de direitos autorais, uso indevido de símbolo de grandes marcas? Claro que pode, principalmente agora, que há processos rolando contra cópias na Europa. Mas que é engraçado, ver esta interpretação na Cavalera, lá isso é. E quem visitou o museu do Kremlin, em Moscou, sabe que o “C” duplo enfeitava o uniforme de um exército antigo da Suécia, muito antes de virar logo da Chanel.
A coleção vibra com vestidos com estampas de frutas em tons de rosa e coral, calças e bermudas masculinas com a águia (esta é logo da própria Cavalera) cristais no bolso traseiro, vestidos de tule com laços aplicados e um movimento de cauda com babados nos minivestidos, que também vira irreverência dentro do contexto da marca.
Assim como nos primórdios, quando o que mais vendia era a camiseta com figuras de roqueiros e a bolsa matelassê preta, há um acessório que deve provocar listas de espera: o tênis tipo Van, masculino ou feminino, cintilando com cristais. Fácil, fácil, um dos sapatos mais bonitos da semana.

Rodapé / os cristais não saem de moda tão cedo. Tanto que a Swarovski, a famosa empresa de Wattens (Áustria), notando que corria o risco de vulgarizar a marca, decidiu criar uma espécie de selo de homologação, sob o nome Crystallized Swarovski Elements. Ou só Crystallized, vá lá. Grandes estilistas e eventos patrocinados por este nome quase tão complicado quanto o Swarovski, sinalizam que seus produtos são de primeira linha / Ângela Hirata, a fera que deu status de luxo às nossas Havaianas, promete carregar sua estratégia de prestígio para a Amazon Life. Tereza Santos e o cacique Raoni contribuem com modelos e idéias de grafismos para a coleção que será exposta no museu Taro Yamamoto, em Tóquio, a partir de 14 de julho até 15 de setembro

Saturday, June 16, 2007

Deu branco no Lino Villaventura

O trabalho do fotógrafo japonês Hiroshi Sugimoto, que entre outras séries, documentou telas de cinema em branco, antes do filme começar, deu o caminho da coleção do Lino. Todas as roupas, sapatos, arranjos de cabeça, meias e até os olhos foram brancos. As lentes de contato do primeiro desfile, nos anos 90, voltaram nesta semana, acentuando o ar de boneca ou de espectros românticos. É difícil descrever a complicada montagem dos looks, e o fato de serem todos brancos facilita compreender que cada centímetro de tecido ganha uma interferência especial. Os tecidos já são bastante elaborados, como o jacquard em lurex, a seda amassada ou o lezard lurex, mas na passarela destacaram-se as rendas, sedas e algodões com bordados de flores, espaços nervurados ou pregueados e o brilho dos cristais Swarovski.
Tanto trabalho se prende a silhuetas de pouco volume. Apenas nas saias há ondulações, algumas mangas são encrespadas. No geral, a linha feminina é embelezada pelas formas marcadas, pelas transparências e vazados. O chamalote requinta as bermudas. Bianca Klamt vestiu um longo inteiramente vazado com arabescos recortados, pespontados. Onde sobrou uma tirinha de tecido, entravam fileiras de cristais. Na roupa masculina também há nesgas nervuradas e camisas com palas transparentes, mas o resultado fica mais fantasioso.

Rodapé / dos convites recebidos, um dos mais nostálgicos tem forma de flâmula. A Haco, empresa blumenauense de etiquetas, desenvolveu o jacquard adequado. O que é flâmula? Uma espécie de bandeira, que até os anos 60 era um dos ítens de coleção dos torcedores de futebol e de alunos de escolas / ainda não tinha comentado sobre o hotel onde a imprensa nacional está hospedada. Temos pouquíssimo tempo para curtir, sei que vou embora sem saber o andar da piscina. Mas o Pestana, na rua Tutóia, é confortável, a equipe é atenciosa e aos domingos, durante o mês de junho, o café da manhã é tipo colonial
V. Rom, quase feminino

De vez em quando acontece. Uma roupa criada para uso masculino desperta a cobiça das mulheres, efeito que se viu nas calças skinny e paletós justos que Hedi Slmiane assinava para Dior Masculino. E acabavam fazendo sucesso com as parisienses. Pode-se dizer o mesmo do verão da V.Rom, sem comprometer a masculinidade da coleção. Para eles, há calças cargo de bolsos franzidos, algumas com cós clochard (apertado por faixa), bermudas de moleton estampado, camisas ajustadas por pences e muito madras em tons cáquis e marrons,em calças, vestes e bermudas. É interessante o mix de trench-coat, paletó e capuz de abrigo de malha. A partir deste ponto, aparecem bermudas de poás em preto e branco, parkas em bleu-de-chine, macacões em estampas de flores azuis e bermudas de flores mínimas,em fundo vermelho, que ficariam lindas também em looks femininos.
Nada contra, pode ser uma vantagem, o embrião de uma linha para consumidoras adeptas deste casual. Ou representa a esperança de abrir espaço no jeito de vestir do brasileiro para roupas menos básicas e mais inovadoras.

Rodapé / circula a razão do atraso de André Lima. A maioria aposta na gravação ao vivo de um programa deTV / Já vi muitos motivos de atrasos em desfiles. A saber: depois de cinco horas trançando os cabelos das modelos,o estilista resolve mudar para madeixas lisas; sumiram todos os sapatos do camarim; outra versão, esqueceram de trazer os sapatos; a roupa não chegou. Foi roubada no meio do caminho; havia gravação de novela na sala de desfiles; esperavam um vip que perdeu um vôo na Ponte Aérea. Todas razões que já aconteceram, aqui ou nos eventos internacionais / Bem, polianamente falando, ainda bem que a platéia estava acomodada em cadeiras, e não nos banquinhos de papel-cartão

André Lima, glamour tardio

Uma hora e tanto de atraso, algumas desistências na platéia, e muitos gritos de protesto dos fotógrafos depois, André Lima enfim abriu a passarela com vestidos arredondados, em jérsei Acetatto. De Juliana Imai, em preto, aos vestidos chamalotados em cinza-grafite, o magenta com barra apertada por laço e visual tie dye em túnicas com as mangas continuando até as costas, foi um rápido correr de vestidos curtos e glamurosos. Mais rápido ainda, talvez para compensar o atraso, passaram os longos hollywoodianos, ao som de Como uma Deusa, hit da cantora Rosana. Cinturas marcadas, bustos drapeados, algumas mangas 3/4 e saias rodadas completaram a coleção. Carol Ribeiro foi a deusa final.

Rodapé / Rodrigo Trussardi, ex-Mixed, contou da SuperSuite Seventy Seven, marca que criou depois de ter mudado para Milão e Nova York. "A produção é toda no Brasil, já vendo para multimarcas na Europa e acabo de receber pedido da Nordstrom, da Califórnia". A Super Suíte chega ao Brasil pela A-Teen, na A-Space, no shopping Iguatemi
Hospital do Lorenzo Merlino

Ele começa bem, perguntando “num país cercado de violência por todos os lados, como pensar em moda? Qual a relevância de tudo isso?” Sem respostas mais concretas, Lorenzo parte para inspirações em hospitais, ferimentos, bandagens, curativos, na roupa feminina e uniformes de polícia, para os homens. Sinceramente, nem precisava tudo isso, e quem não sabia destas origens saiu sem entender tantas informações drásticas.
O fato: Lorenzo fez calças de alfaiataria com barras pregueadas, uma veste que passaria por um jaleco de médico, um bonito vestido drapeado cinza, com saia em panos, outro, em jérsei laranja (mercúrio-cromo?), com fios segurando o decote nas costas e biquínis em cinza-gelo, com drapeados e tiras finas. Para os pseudo-policiais, vieram calças ajustadas, com zíper nos bolsos, camisas com bolsos de lapelas em preto, camisetas de listras desencontradas em azul, vermelho, violeta e branco e tênis da Diadora, com fecho de velcro. Lorenzo pode ter sido pouco explícito na prometida ligação com hospitais e policiais, mas foi bem mais coerente do que nos desfiles anteriores.

Rodapé / este tipo de desfile, do qual se sabe as fontes de inspiração, provoca uma certa confusão mental. Chego a pensar que entrei na sala errada, fico procurando os curativos, as bandagens e ferimentos. Lembrei de um show do estilista paranaense Icarius, que também usou estas referências e fez uma apresentação impressionante, em Paris. As bandagens e esparadrapos eram estilizados em faixas e pregueados, um primor de modelagem / e a relevância de tudo isso?
Jefferson Kulig, no blend

Lembrando do blend, a mistura de grãos de café, o paranaense adepto da tecnologia aposta na mistura atual de materiais naturais e tecidos tecnológicos; nas estampas de garrafinhas de temperos e nos fios de poliamida que dão volume às peças. Jérsei, tule e tafetá convivem com as borrachas e metalizados, em branco, areia, prata, ouro, ônix e cimento, sempre com o preto por perto. As roupas simples, sóbrias, arquiteturais, em formas quase retas, representam uma vertente de alfaiataria que se pode denominar futurista. Aliás, se há um criador brasileiro que pode ser assim denominado é o Kulig. O estilo agrada aos compradores internacionais. Belgas e gregos já são clientes conquistados; na platéia deste desfile estavam representantes de lojas de Paris e Madri.

Rodapé / a programação do segundo semestre vai fechando. Em 22 de agosto começa mais um Brasília Fashion Festival, liderado pela Paula Santana. De 1º a 4 de setembro, realiza-se a Beauty Fair, no Expo Center Norte, em São Paulo / Candidata a desfilar na próxima temporada de verão, a grife Fazendo Onda. Ainda indecisa entre Rio e São Paulo, é o tipo de moda praia feita para quem pretende molhar o biquíni nas ondas / outra moda praia ótima, no FWHouse, o salão de show-rooms da Bienal é a carioca Miquelina da Patrícia d´Angelo. Biquínis double-face e um modelo intitulado Universal, que segundo Patrícia “segura a barriga e faz bumbum bonitinho”. A Miquelina ganha loja no Quartier Ipanema em breve
O carnaval de Gloria Coelho

Seja qual for a estação, pouco importa o tema, a roupa da baiana Gloria Coelho é bonita, bem feita e cool. Sendo assim, nem se deve comentar que a história destas lindas roupas vistas no salão do shopping Iguatemi era o Carnaval. Por que daí, seria preciso explicar que estilista tem uma cabeça diferente, que o fato de uma festa colorida, desnuda e bagunçada, que acontece em pleno verão não significa que a roupa resultante tenha qualquer ligação com estas características. Ok, máscaras enfeitavam as cabeças, como arcos sobre os cabelos, davam forma às sandálias e eram dispostas como pétalas sobre os vestidos do módulo final. Acabou nisto a folia.
Vamos ao estilo off-carnaval: uma série de trench-coats e paletós com entalhes transparentes, em preto ou cinza-gelo, uma ala em preto de saruels e paletós de laterais mostrando a pele. A seguir, incríveis vestidos e casacos montados em tiras ou fitas, com regulagens entre mangas ou a partir das costas. Nos intervalos, passam rapazes louros, com calças skinny pretas e camisas brancas, adornadas por rufos, em estilo eduardiano. O que poderia ser a linha melindrosa vai encerrando, em preto ou branco.
Quem mora em lugar com verão quente pode aderir aos estampadinhos de confetes, que fazem doces vestidos e chemises de barra franzida e capuz. Claro que os confetinhos têm fundo preto. Quem exige modelos da Gloria quando vai a uma festa, ficará feliz com os longos de cintura marcada, montados em barras, algumas transparentes, outras foscas, sempre em preto ou branco.
O colorido ficou como foi visto no show de Jil Sander, em outubro. A maior parte da coleção veio em preto; no final, os últimos looks formavam a cartela de azuis, verde, amarelo e coral. Uma boa solução, que Gloria também usou, com muita propriedade: os vestidos cobertos de máscaras mostravam que o verão terá rosa, turquesa, roxo e amarelo.

Rodapé / a abertura da apresentação de Gloria Coelho exibiu alguns uniformes criados para o laboratório SEM. Deu vontade de trabalhar lá, só para vestir o modelo-envelope, o blusão de zíper, o longo regatão, tudo em azul-marinho, muito bonito / quem saiu da SPFW: Máxime Perelmuter, Raia de Goeye, Alphorria, Rosa Chá, Carlos Tufvesson, Ricardo Almeida. Cada um tem seus motivos, e todos fazem falta / sabem a bolsa-ícone atual da Prada, toda em couro franzido? Tem igual, na C & A do shopping Iguatemi, em couro fake, por R$ 59,90.
Iódice, de lenços

Um dos melhores desfiles da semana: a Iódice. Praticamente dedicada aos vestidos curtos, com decotes arquitetônicos, formas definidas, adereços preciosos, a marca liderada por Valdemar Iódice atingiu um estágio independente do bom jeans que produz, das boas filas A que convida e da vontade do dono de ser tão famoso quanto Tufi Duek ou Renato Kherlakian. Esta foi a melhor demonstração que existe uma identidade e uma sabedoria que leva a coleções femininas, convincentes, sem se perder no conceitual ou no comercial fácil.
O ponto de partida foram os lenços de seda pintados por Sonia Delaunay, artista plástica dos anos 30. Dali resultou a cartela de corais, cinzas, azuis e verdes. E da época e dos padrões dos lenços, vieram as estampas e os desenhos das aplicações que acompanham os decotes em Y, ou são reproduzidos em paetês sobre vestidos-regata. Já que a década era do Art-Deco, sobrou inspiração para a bela série de vestidos montados em pregas, alguns com uma alça na diagonal outros com elaborado trabalho em degrades de cinza.
No acessório, destaque para os sapatos em verniz com saltos vazados de acetato.

Rodapé / Bonita a beleza de Daniel Hernandez para Iódice. Daiane Conterato, Carol Pantoliano (vista nas campanhas da Prada) e Laiz Navarro ( vista nas fotos de Donna Karan), um trio da agência Blue Models nem retiraram os cílios postiços quando o desfile acabou / estranho, o tema do evento é economia de água. Na sala de imprensa, os garçons retiram das mesas garrafas quase cheias, que ainda estão sendo bebidas pelos convidados. Nem adianta protestar, lá se vai a água / é bom saber que tem gente boa de moda no Rio Grande do Sul. Prestem atenção nas bolsas da Letícia Kramer e nos sapatos da Petula Silveira, que já desenvolve modelos para Doc Dog, Carmim e Drosófila

Friday, June 15, 2007

Giselle Nasser, em camadas

Jogo de transparências em preto sobre forros coloridos é recurso banal. Giselle exercita o talento de modelagem montando a coleção inteira em camadas de tecidos recortados em retângulos, debruados, sobre cores preciosas. A passarela e o fundo brancos realçaram os efeitos dos tules cortados em pétalas arredondadas sobre minissaias. Uma regata preta acompanha uma saia azul-cromaqui (como define Katia Wille, da Zigfreda) com uma cobertura de tule preto. Algo sideral compõe os looks de minissaia preta, top drapeado azul-pavão e casaco quadrado em tafetá changeant azul. Estas roupas delicadas contrastam com os sapatos pesados em verniz azul, violeta ou laranja. Cristais parecem estrelas nos tecidos escuros, e no traje final, vestido por Bruna Tenório, eles são muticoloridos no tule sobre base laranja.
Giselle tem talento para a roupa feminina, cheia de truques, como as aberturas junto aos decotes, ou a superposição de transparentes e foscos. A única ressalva tem a ver com o ponto crucial dos lançamentos de verão: o comprimento curto demais.

Rodapé / terceiro dia de SPFW, definem-se os hits do verão. Cores neutras, do bege ao cinza; amarelinho como cor de tendência e tons fortes, derivados de um espírito holywoodiano dos anos 80. Vestidos soltos, os easydresses, calças menos freqüentes, mais retas. Sapatos e sandálias em verniz colorido. Estampas floridas disfarçadas / na trilha da Iódice, Jackson Araújo selecionou cantoras da nova geração francesa. Charlotte Gainsbourg, Carla Bruni...
Zigfreda dita a cartela

Kátia Wille sempre deu aula de estampas e coloridos, em seus desfiles. Foi pioneira nos comprimentos curtos e nas cores fortes. Se há um vermelho Valentino, deve haver um verde Zigfreda, tão bem a estilista carioca usa esta cor. A partir de formas indefinidas, entre florais e círculos, os vestidinhos arredondados, chamados de ovos, e os microtailleurs circularam com sapatos abertos no calcanhar e na frente e mochilas nas mesmas estampas, confeccionadas pela New Order. As blusas em cetins de seda e gazar devem ser os best-sellers da marca. Os minivestidos-ovos assustam quem não pretende sair se sentindo um balão de pernas de fora pelas ruas. Neste caso, pelo menos a forma do corpo se garante com cinturões contrastantes. Da cintura para baixo, valem bermudas justas, de tafetá.
A grande qualidade da Kátia, saber lidar com cores e desenhos, permitiu que desse nomes modernos para as nuances do momento. O azul dos anos 80, que já foi cobalto nas antigas aquarelas; royal nas caixas de lápis de cor, Bic, a partir dos anos 80, virou azul-cromaqui, em alusão ao fundo neutro dos filmes com efeitos especiais. Já o rosa, que era shocking nos anos 60; pink nos 80, segundo Kátia volta ao nome usado nas gráficas, é o magenta. Resta o amarelo, que em vez de néon ou fluo, se chama ácido.

Rodapé / a sede de brindes aumenta à medida que o fim-de-semana se aproxima. A bolsinha com esmaltes da Néon sumiu rapidamente das primeiras filas / os óculos Alain Mikli têm uma pessoa real, ainda a mil, inventando formas inusitadas para as armações. Alain foi o estilista pioneiro em transformar o objeto funcional, indispensável para míopes, em acessório de moda, com direito a todas as extravagâncias. Deu sorte de ser contemporâneo com outros criadores audaciosos e personalistas, como Claude Montana e Thierry Mugler. Vai vender no Brasil.
Cori, militar

Daqui a pouco começa o comentário de que Camila Pitanga está
aparecendo demais. Pela segunda vez a bela entrou na passarela do
evento, como modelo da grife Cori, assinada por Alexandre
Herchcovitch. Mais uma vez, abriu os trabalhos, com vestido de couro
que decididamente não favoreceu muito sua silhueta calipígea. Era o
resumo do tema, um mix de militar com alfaiataria, revelado pelos
bolsos com cartucheiras e pelo uso da estampa espinha-de-peixe. O
colorido corre pelos beges e corais, porque a Cori é uma empresa com
rede de lojas, que não pode perder tempo com conceitos inacessíveis
para as consumidoras da marca de mais de 40 anos.
O couro chamois dá um calor a coleção, literalmente, apesar de as
peças de modelagem perfeita em couro natural terem valor de estilo.
Podem acompanhar as sandálias-botas de cano alto, se o verão for
ameno. Há um perfume de cangaceiros nos looks.
No final, lá veio Camila de novo, rebolando de vestidinho dourado, com
bolsos laterais.

Rodapé / há uma síndrome do dourado nesta temporada. Gisele fechou a
Colcci de metalizado ouro e a Camila brilhou na Cori / na platéia de
Isabela Capeto, uma convidada exibia pernas cobertas com leggings
dourados. Autênticos Balenciaga, da coleção de outubro passado
Água de Coco, praia de estrelas

Isabeli Fontana, Raica Oliveira, Gianne Albertoni, Bianca Klamt, Aline Weber, Marcele Bittar e Carol Ribeiro estrelaram a grife liderada por Liana Thomas. Estas sereias passaram uma das melhores coleções de moda praia da temporada, inspirada no Pantanal. Nem jacarés, nem garças deram o ar da graça. Na Água de Coco, as estampas se baseam em vitórias-régias, bromélias, tuiuius, folhas de angico e abacaxis. Se nem tudo habita o Pantanal, pouco importa. Interessam mais os drapeados, os modelos em tiras, as calcinhas com amarrados laterais e as aplicações de pedras no cós e contornos dos biquínis. Valem as túnicas e vestidos soltos, seguindo as estampas. Até os pés chamam a atenção, calçados com Havaianas cravejadas de cristais, de enlouquecer as colecionadoras das sandálias de borracha. Sem falar nas bolsas, grandes, com abacaxis na estampa ou patchwork de listrados finos com reforços de couro.
Isto é moda praia de estilo e apresentação comparáveis aos shows de Lenny, Salinas e Blue Man.

Rodapé / voltou o azul-marinho, cor que estava relegada ao passado dos concursos de Miss. Se as Misses andam freqüentando a moda, por que o maiô marinho ficaria de fora? / Samuel Cirnansck desfila na segunda-feira, inspirado em três filmes: a beleza virá do look de Louise Brooks em “Caixa de Pandora”; a cartela de pretos e brancos de “ Desespero de Veronika Voss”, de Fassbinder e a ambientação, de “Crepúsculo dos Deuses”, com Gloria Swanson / hit de verão: brinco com pingente de abacaxi. No Fashion Rio, foi visto na Santa Ephigenia, em SP, na Água de Coco
Néon, para vestir

Estampa, cor forte, formas simples, esta é a fórmula certeira da Néon, marca que começa a ganhar projeção nacional graças a adeptas como a cantora Ivete Sangalo. A própria fechou o desfile, de longo estampado com baianinhas girando, a mão direita abrindo a fenda da saia, para exibir as pernas famosas. Há mais do que a celebridade na apresentação, a maturidade e o patrocínio da tintura Préférence ampliam o alcance da marca. Mesmo assim, o que a coleção ganhou em simplicidade e versatilidade de modelos, perdeu em cenário, um toque tradicional na Néon.
Como ninguém veste cenário, nem gosta da Ivete, vamos ao que se pode usar no verão. Estampas de flechas e motivos indígenas preenchem vestidos chemisier curtos, com cintos, camisões e maiôs. As peças lisas também são boas, principalmente o maiô e a jardineira longa, ambos pretos, com alças brancas. Macacões largos, tomara-que-caia, devem agradar pela facilidade de uso, por todos os manequins. Valorizam o que toda mulher tem de bonito, que é o colo; escondem ou disfarçam o resto.
Outro ganho foi o conjunto de looks, bem complementados com chapéus estilo gondoleiro (ou estilo Dorival Caymmi, para ficar no ritmo baiano) e sandálias espartanas de salto alto. Ao som de No surprises, do Radio Head, não foi o show habitual, mas cumpriu o papel de propor o que a clientela quer comprar.

Rodapé / a ABEST promove um show-room no hotel Sofitel. Walter Rodrigues está lá / aguardem mais uma trip que promete ter muita moda. O tema é Beatles, o destino, Liverpool. Com uma passadinha por Londres, claro. Na segunda quinzena de agosto / anuncia-se um hit de verão: o easydress, ou vestido fácil. São modelos soltos, com decotes sensatos ou bem cavados
Isabela faz a feira

Cerca de 400 quilos de frutas e legumes deram o ar natural à passarela de Isabela Capeto, um espaço embaixo da marquise da Bienal, no parque do Ibirapuera. A Natureza deu origem a roupas em sedas, linhos e algodões, decoradas com miçangas de madeira e complementadas com brincos e os colares e brincos com pingentes feitos em chifre. Tudo natural, simples, como seria de esperar da estilista carioca que revolucionou a moda brasileira com o uso do artesanato em alto nível. Para o verão, a intenção era reencontrar a própria essência. Esta é a intenção, o que não invalida a atenção aos materiais atuais. “Não há como fechar os olhos aos avanços da ciência”, comentou na apresentação. E dê-lhe celulose e poliamida, misturadas às fibras naturais, fazendo insetos de resina, inserindo tiras de borracha entre os fios de couro nos sapatos.
Esta introdução serve para marcar a campanha ecológica em que a moda está empenhada. Quanto às novidades da Isabela, independentes de conceitos ambientais, mostram coerência com o espírito revolucionário e independente. Pode-se dividir em duas seções o que foi visto nesta manhã: os vestidos, montados no patchwork em barras de diferentes estampas floridas, entremeadas com continhas acobreadas, ou tipo envelope, floral, com barra e decote em tule laranja enrolado e o modelo em verde-jade, com mangas trabalhadas em casa-de-abelha, com mais continhas aplicadas. Parece complicado, muito detalhado? Então, vamos ao segundo módulo: o patrocínio da Levi´s rendeu uma excelente série de calças e jaquetas rosadas, decoradas com cobre, com flores e insetos bordados nas pernas, a ponto de tornar irreconhecíveis as peças básicas da marca de jeans mais famosa do mundo. Ao mesmo tempo, Isabela avisa que bordados, aplicações e temas ingênuos como flores e abelhinhas, tudo, tudo continua firme na nossa moda.
Nos acessórios, outro lado emblemático da marca, destaca-se a mudança dos corações flechados, que passam do metal prata para o chifre. Nos sapatos tressês, melhor ficar com as sapatilhas do que com os escarpins, que não calçavam bem, saíam dos pés das modelos.
Em matéria de bolsa, nada menos orgânicol do que a sacola listrada de vermelho e branco, feita de puro fio poliamida, que resiste às compras na feira. Feira mesmo, aquela com barraquinhas de frutas, legumes, o peixeiro, os biscoitinhos, a banquinha de temperos. Foi o brinde da platéia. Saíram todos carregando sua sacola, símbolo da moda de Isabela Capeto, que sabe misturar o natural e o sintético em prol de um lindo visual.

Rodapé / enquanto rolam os desfiles paulistanos, Heloisa Caraballo avisa pelo celular que o desfile de Alta-costura da Dior será dia dois de julho, às 20h, no pavilhão L´Orangerie, no Palácio de Versalhes, seguido de uma festa black-tie. Luxo é isso / o circuito da moda parece com o da Fórmula-1, a agenda está cada vez mais lotada. Na semana que vem começam os desfiles masculinos em Milão e Paris, em agosto é Madri, com mais uma edição do SIMM (Salão Internacional da Moda de Madri). Só julho ainda abre para férias. Isto é, fecha para a moda, porque ninguém agüenta o calorão no hemisfério norte / mais uma vez se comenta o boato do afastamento de Paulo Borges do dia-a-dia da São Paulo Fashion Week. Uma das hipóteses seria o cansaço de lutar contra a falta de grandes patrocínios, depois da saída da TIM, outra envolve o ideal de trabalhar em torno de um setor anterior ao das confecções e marcas, que é o da tecelagem. Paulo tentaria fazer pelo setor têxtil o que conseguiu com os manufaturados: união, coerência e prazos adiantados, para atender aos que fazem o produto final. Uma etapa perigosa, porque o evento é muito ligado ao empenho e carisma do Paulo. Ele tem circulado menos, até por problemas familiares, porque sua mãe faleceu no primeiro dia da semana de lançamentos.
Ellus, entre Beatles e Chloé

Nelson Alvarenga faz escolhas sábias. Kate Moss já desfilou na passarela da Ellus, Xuxa estrelou uma campanha, e muitas estrelas vestiram profissionalmente seus jeans perfeitos. A marca tem mais de 30 anos, e continua moderna graças a estas escolhas do chefe. No show de verão, a estrela internacional era a loura americana Chloé Sevigny, figura cult de moda no circuito do hemisfério norte, absolutamente desconhecida no Brasil. Ao lado, o namorado, o roqueiro Matthew McCauley, mais desconhecido ainda. Sucesso fez o convidado Cassio Reis, modelo, casado com a atriz Daniele Winitz – ficou quase meia hora cercado por fotógrafas e repórteres, todas do sexo feminino, que não se continham e passavam mãos nos cabelos cacheados do cara, pediam beijos, faziam caras de puro enlevo.
Desconhecidos ou não, o casal internacional virou famoso em cinco minutos. Foi uma jogada de mestre do Nelson. Mais uma: a trilha com base de Beatles, a começar pela melódica Because e acabar na Good Day Sunshine. Seria um sinal de década de 60 no estilo? Nada disso. Muita sarja cinza em jardineiras, parkas e calças com alças e tiras pretas; vestidos curtos, com presilhas e cintas lembrando paraquedas, outros, mais coloridos, com a memória das primeiras importações de Bali, quando chegavam peças que se transformavam em mochilas. Vejam lá, não são reproduções, são memórias dos anos 70.
Esta foi a área feminina. A masculina superou longe, graças aos ternos-bermudas em cáquis com estampas de folhas ou aos paletós e calças com os logotipos dos Beatles impressos em preto. Se ficou parecendo publicidade? De jeito nenhum. Há um ar pop combinado com a sempre eficiente estrutura das roupas, que levam a pensar que devem virar ítens de coleção.
No final, a loura Chloé saiu do seu lugar, na fila A, vestidinha com minissaia preta de pregas e jaquetinha, mais a sandália de tiras, tudo Ellus, naturalmente. Foi até a frente dos fotógrafos, de braços dados com Nelson, e acabou o desfile.

Rodapé / Monique Evans está animadíssima. Chamou Adriana, mulher de Nelson Alvarenga, de “Adriana, gostosa!” e ganhou beijo-selinho do Matthew, namorado da Chloé, que olhou de cara feia, enciumada / Chloé é uma sinalizadora de tendências em Nova York e Paris. Foi musa da grife Imitation of Christ, a primeira a criar com roupas antigas; tentou ser atriz de cinema, mas ficou no limite do soft-porno, no filme Brown Bunny. Está em cartaz atualmente em Zodíaco. Mas é nas campanhas de moda que fatura, já estrelou fotos para a rede sueca H & M, para a MAC e para a MiuMiu, segunda marca da Prada. Nas semanas de moda parisienses, suas roupas indicam direções de tendências. A última definição que deu apontou a volta das minissaias.

Thursday, June 14, 2007

Zoomp renova os 80

Certas marcas têm direito a reviver hits passados. A Zoomp, nascida em meados dos anos 70, com Renato Kherlakian à frente, é uma delas. Portanto, vale acompanhar a viagem pelos anos 80, inteiramente renovada em cortes e matérias-primas. Desde as grandes golas de Claude Montana, os tailleurs com zíperes de Azzedine Alaïa e os tecidos amarrotados dos japoneses, estava tudo na passarela branca, aliado aos jeans super-justos femininos. A modelo Alessandra Ambrósio liderou a fila de beldades, como a vip convidada exclusiva da Zoomp. Atualmente, a dona do nariz arrebitado mais perfeito da moda, é um Anjo da Victoria´s Secrets, e participa dos espetaculares desfiles da marca de lingerie americana, que se realizam em novembro. Uma beleza atlética, que vestiu bem o vestido em jeans, com recortes laterais, e muito bem a camisa branca com a calça jeans com acabamento que lembra luzes.
A coleção passou rápida, realçando os volumes de casacos leves, os blusões e calças de construções complicadas. Grandes bolsos, palas, tules duplicando os tecidos, nada é simples no verão da Zoomp. Para os homens, as calças são justas, há um efeito suspensório em vários conjuntos, paletós brancos ajustados. Bem avançada, a linha masculina. Para os senhores mais conservadores, recomenda-se o mocassim de bico fino, com fivela lateral: a fôrma alongada moderniza qualquer terno clássico. E para os executivos calorentos, que tal a calça jeans com um colarinho branco e o abotoamento apenas, restos de uma camisa social em dias sem ar condicionado?
Bonita, a Zoomp. Bonita, a Alessandra. Mas o desfile foi frio, rápido demais no ritmo.

Rodapé / a equipe de segurança está pegando meio pesado. Segundo um dos integrantes, ainda da ala mais experiente, esta turma é nova, precisa de treinamento. Tem razão. Será que dá tempo de treinar até a quarta-feira? / a Zoomp elaborou, pesquisou e confirmou a cartela de cinzas e amarelinhos / amiga Moema, de Belo Horizonte, em breve estará a bordo do Savassi, jornal novo de Minas Gerais / o verão deve ser cheio de ruivas. A lÓréal lançou três novos tons de Préférence, agora com uma bisnaguinha mágica, que realça a cor. Tem o Vermelho Proibido Incandescente (número 466); o Vermelho Ardente Incandescente (número 760) e o Vermelho Absoluto Incandescente (664). Ficam bem em cabelos escuros e castanhos. Mas louras como a Xuxa devem evitar, porque o efeito final dá um tom rosa. Isto, se for aplicado em casa. Nos salões, os tinturistas sabem driblar estes detalhes
Triton, sooo...delicious

Meninas baladeiras, roqueiras, namoradeiras, atenção. A Triton aponta o caminho do estilo sedutor: muito rosa com vermelho, arrematando maiôs, vestidos de decotes com aberturas ousadas (no meio do peito), comprimentos curtissimos, acentuados pelos balonês de franzidos nos shorts e saiotes. A filigrana da calça jeans (filigrana é o pesponto característico de cada marca, nos bolsos traseiros) virou um bordado de boquinhas douradas. As sandálias são grandonas, de solados dourados, escandalosas, com tiras grossas de verniz e correntes douradas; já as bolsas são pequenas, quase carteiras, em couros matelassês, comm pingentes em forma de batom e corações.
Esta moda é a receita exata do estilo das garotas que gostam de dançar, não querem se preocupar com as bolsas, e sabem saracotear nos saltos.
Na ala das listras, uma coerência com a grife-irmã, a Forum, que também investiu em listrados. Lá, era navy, na Triton, é rock. Tudo, é Tufi Duek.

Rodapé / pela primeira vez Tufi divide a corridinha do agradecimento final com mais alguém. É a Karen Fuke, responsável pelo estilo da Triton. Uma nota simpática: ela é gordinha. Tomara que aumente um pouco a grade de tamanhos da Triton / brinde da fila A: pirulitos

Afro Reggae em São Paulo

O governador José Serra prestigiou o desfile da grife Afro Reggae. Cerca de 30 músicos do Afro Lata tocaram no final da apresentação, batucando instrumentos feitos de latões, latas de azeite e galões, no palco decorado com figuras de grafites das paredes cariocas. O projeto de moda, lancado há dois anos no Fashion Rio, veio desfilar em São Paulo, com roupas assinadas por Marcelo Sommer, em lugar de Beto Neves, a princípio cogitado para ser o estilista.
A vibração da batucada encerrou a coleção que mostrou bermudões com brilho de seda, agasalhos de malha com capuz, calças masculinas largas, seguindo o modelo street tradicional, ou cargos em jeans escuro. Para as meninas, a linha é sensual, em geral com leggings e macacões colantes, vestidos em tirinhas multicoloridas, que fazem efeito para dançar funk. O estilo pessoal de Marcelo se manteve firme, nos xadrezes e nas combinações de verdes e laranjas. O encanto do projeto atraiu a marca americana de bonés, a New Era, como patrocinadora.
Mais do que uma roupa a mais na passareal (e como roupa nem se viu muita inovação), o Afro Reggae mostrou que a comunidade de Vigário Geral, de onde saiu a maior parte do elenco de modelos, tem o maior talento para a passarela. Sem sorrisos gratuitos nem falsa humildade, sabem caminhar como ninguém e têm um ritmo mais vivo do que a marcha acelerada que impera nos desfiles da semana.
Poko Pano, sem silicone

O colorido e o ritmo do Candeal, comunidade famosa pela ação do Carlinhos Brown, em Salvador, deram idéias de biquínis e maiôs para Paola Robba. É difícil inventar novidades em país que tem marcas como Lenny, Salinas, Rosa Chá, Blue Man, reconheçamos. Paola sacou alguma originalidade a partir do macramê como adereço artesanal nos sutiãs e em tiras centrais nos modelos feitos em Lycra fina. Há também amarrados laterais nos biquínis, bordados paetados brilham e a obrigatória orientação ecológica está presente nos modelos feitos com fios elaborados a partir de garrafas pet.
Mariana Weickert abriu a parada da Poko Pano, com vestido baby-doll de poás coloridos. Só que, para não variar, a base da marca é o cinza. Explícito, em modelos de tangas com faixas ou quase invisível, combinado com outros tecidos, o cinza-gelo parece ser um dos pontos fortes do verão. Outro ponto forte, segundo o desfile da Poko Pano: o busto pequeno. É o fim da era do silicone? Se a moda influencia, sim.

Rodapé / a bolsa laranja da Doc Dog virou brinde cobiçado também em São Paulo. A marca distribui os mimos no espaço que tem no Fwhouse, espécie de salão dentro da Bienal / por que será que os desfiles de moda praia viraram uma marcha acelerada?

Paola Robba para Poko Pano






foto Ines Rozario
Herchcovitch: roqueiro não sente calor

Universos diferentes preenchem cada desfile, nesta edição de verão da SPFW. Verão? Bem, consideremos que o pessoal do rock pesado aposta muito mais em conceito de vida do que exatamente em elegância ou condições climáticas. O desfile masculino de Alexandre Herchcovitch demonstrou que deve ser possível vestir casacões longos, blusões de capuz, em pleno verão. O elenco de rostos maquilados por Kamura como integrantes cadavéricos da banda Kiss, ou de qualquer heavy rock ou metal, cabelões compridos, compôs o conjunto de impacto graças ao styling de Maurício Ianês. Abstraindo a maquilagem , a marcha rápida e os acessórios de correntes, resta a roupa, entremeada de ícones como a caveira na camiseta, os colares com penas pretas ou as calças em vermelho e preto, com acabamento resinado. E nesta parte mais vestível por um público menos roqueiro destacam-se o paletó preto, estreito e curto; a camisa branca com botões quadrados no colarinho, o paletó com ziper no punho e a japona abotoadinha. Japona? Paletó preto? Para quem esperava algo mais fresco para enfrentar dias de 35 graus, há as camisas pretas transparentes, a serem usadas sobre regatões brancos. Tem que ser muito roqueiro, para encarar.

Rodapé / sobram patrocinadores e fornecedores para o Herchcovitch. E ele consegue montar um conjunto coerente com o prestígio de cada um, sem perder o perfil próprio / a MAC, que forneceu os produtos de maquilagem deve ter esgotado os estoques de sombras pretas, que escureceram os rostos dos modelos


Ranieri anuncia as pences

Se Wilson Ranieri faz, vai virar moda. O estilista egresso dos novos talentos do Amni Hot Spot lida como ninguém com a técnica da moulage. Com ela, ele já fez maravilhas em drapeados, reinventou os recortes a laser e agora investe nas pences. Não da forma tradicional, como era costume montar vestidos ajustados por esta espécie de prega pelo avesso, nos anos 60, e sim, com novas idéias. O mesmo aconteceu com outro detalhe comum nos anos 80, o cós apertado por faixa, na época conhecido como clochard. Wilson pegou os dois ingredientes – pences e clochard – e montou uma coleção que dá vontade de vestir no ato, sem esperar até a primavera. A malha Bamboo, da Marles, patrocinou e ajudou na queda certa dos vestidos com tranças nas costas, repuxados à solta em algum canto dos modelos e os diversos exemplares com costas nuas. As pences aparecem ao contrário, como se víssemos a roupa ao avesso, e formam bicos nos decotes. O clochard ajusta cinturas de vestidos, saias e shorts.
O colorido começa nos brancos e percorre rosês, verdes e roxos. Acaba no infalível preto, que serve de fundo para círculos em turquesa e rosa. Na primeira entrada, apenas um círculo acentua a cintura. A importância do motivo aumenta, até que vira uma estampa de círculos pequenos, aquarelados.
Ranieri faz uma moda requintada, cheia de técnicas de costura e modelagem, acessível a muitos tamanhos de consumidoras, no comprimento ideal, pouco acima dos joelhos. É um dos grandes criadores brasieiros.

Rodapé / à medida que envelhecem, deixam de ser jovens talentos, recém-formados, os estilistas trocam o visual pessoal fantasioso e extravagante por roupas e aspectos mais sóbrios. Wilson Ranieri está quase sem mechas louras no cabelo, e veio agradecer os aplausos com paletozinho de listras em preto e prata, calça preta. Nada de roupas doidas / clocharde é o cós amarrado, que ganhou este apelido porque lembra roupa de mendigo (clochard, em francês): são roupas que servem em qualquer cintura, basta apertar ou afrouxar o amarrado / Pence era a maneira de modelar os famosos vestidos tubinho nos anos 60. Elas modelavam o busto, saindo da cava ou vinham em diagonal, a partir da cintura. Não envolvem corte, são montagens quase arquitetônicas da costura tradicional. Ou seriam origamis?

Maria Bonita








Maria Bonita, na chuva

Um trabalho respeitável, assinado no programa pela primeira vez pela equipe liderada por Danielle Jensen; feras de criatividade como Cristiana Pessanha, Mareu Nitschke, Andrea Santos, Luiza Bonadiman e Aryzalva Praça. Na passarela de água, as beldades desfilaram quase irreconhecíveis, com cabelos enrolados em touca e óculos escuros, mais um gloss nas bochechas, fingindo rosto molhado, efeito do trabalho de maquilagem de Celso Kamura. Tudo foi coerente, com referência em uma estação de chuvas, como as capas, os tecidos com aspecto molhado, as cores neutras. Alexandre Aquino, sócio da marca, comentou que antes de pesquisar as coleções, é feita uma consulta ao Climatempo, para saber as previsões da estação. “Atualmente, parece que no Brasil só existe a estação com chuva e a outra, com mais chuva. As chuvaradas estão anunciadas para o próximo verão, a partir de outubro”, antecipou Alexandre. Além dos aguaceiros, a Maria Bonita resulta do eterno tema geral da diretora de criação, Danielle Jensen, que sempre recorre ao grafismo do concretismo, o lado urbano, mais a linha de alfaiataria, típica da Maria Bonita (ou a Bonitona, como é conhecida), une-se à mistura de materiais tecnológico com o bordado à mão. Vestidos inteiros em algodão ganham cobertura de paetês azuis.
As roupas continuam ousadas, têm aberturas laterais desnudantes nos paletós, grandes bolsos que se penbduram nas laterais das calças e costas à mostra. Há maiôs-ternos, surpreendentes, capas com avesso em paetês verdes, boleros-mochilas, calças de malha em alfaiataria, de bainha inglesa e vestidos em cores fortes, formas gráficas irregulares. Por cor forte, na Maria Bonita, entenda-se a gama sutil do azul-bic, combinada com vinho e amarelo, ou preto e branco.
Em vermelho, há o maiô com panejamentos nas costas. Repito, é uma coleção de roupa avançada, para gente que sabe usar moda diferente do genérico. Só que está cada vez mais próxima dos guarda-roupas de gen te que gostaria apenas de um estilo sofisticado, com algum conceito, sem deixar de embelezar o look. Porque o grande problema da roupa conceitual é o fato de em geral tirar da usuária qualquer possibilidade de se sentir bonita.

Rodapé / uma notícia triste: faleceu a mãe de Paulo Borges, diretor da São Paulo Fashion Week / na platéia, há quem faça o sinal da cruz, antes de o desfile começar / a água da passarela da Maria Bonita será aproveitada para regar o jardim da Bienal. Beleza, esta onda de preservação e reciclagem. Mas aqueles banquinhos de cartolina estão um tanto reciclados demais. Dá até insegurança sentar, porque parecem bambos. Ou a platéia engordou? / Mara MacDowell veio prestigiar a Maria Bonita. Mara deu um sumiço depois do Fashion Rio, foi para um spa em Itapema, para se renovar. Antes, já havia perdido nove quilos, e está feliz, de jeans skinny / segundo descoberta do Bruno Astuto, a dupla da Raia de Goeye diz que saiu bem do evento. Paula Raia e Fernanda de Goeye cancelaram a apresentação na semana paulistana, farão desfile paralelo em alguma super-mansão, como sempre. Segundo Bruno, ao telefone, elas reforçaram que saíram bem, porque “os advogados resolveram tudo” / por incrível que pareça, até agora, segundo dia de SPFW, a Maria Bonita foi a marca que apresentou propostas realistas para o verão. Nos outros desfiles, fica a impressão que falta alguma coisa. Digamos, algo para vestir da cintura para baixo. Os microvestidos são inviáveis, no século 21.

foto Ines Rozario

Wednesday, June 13, 2007

Osklen

Como representante do espírito do reino de Ipanema desde que se outorgou este título, a marca que melhor se vende no circuito internacional apresentou um show redondo. Em cores arenosas e urbanas, do cru ao bege, caramelo e cinza-concreto, com roupas montadas em retângulos de tecidos – linhos, tecidos metalizados -, a moda liderada por Oskar Metsavaht acertou no look total. Quer dizer: para as mulheres, vestidos de cintura marcada, saia armada, com destaque para o curtinho, em malha cinza, pregueadinha da cintura para cima, ou longos, com os repuxados que dão movimento, lance típico da Osklen.
Para os homens, mais uma vitória. A silhueta esguia utiliza tanto a calça dhoti, em matérias macias (chamois, malha), como a calça estreita, capaz de agradar aos mais conservadores.
Nos acessórios, a filosofia da e-brigade e do e-fabric continua. Sapatos e bolsas feitos em couro de dourado e sandálias com placas de madeira de reflorestamento envelhecida ao sol garantem prestígio ao ecologicamente correto.
Oskar sempre se emociona no final do desfile. Nesta semana, ficou mais evidente o olhar entre encantado e aliviado por ter cumprido mais uma apresentação. O cansaço tinha uma boa razão: ele acaba de voltar de Nova York, onde vai inaugurar mais uma loja Osklen, nas esquinas de Houston e Spring, no Soho, em frente à Chanel.

Forum

Tufi Duek cultiva uma paixão pelo Rio, e costuma fazer da moda um cartão-postal de bom gosto. O verão motivou a escolha de combinações como a clássica vermelho/azul/branco, as pantalonas de cintura alta e as camisetas curtas, listradinhas. Inspiração: um passeio de barco pelas praias, por Angra e Paraty. A peça mais marcante? A calçona, que serve até de substituta para saias e calças de tailleurs, complementados por grandes bolsas. Mais radical que a micro ou a minissaia, a calçona lembra a parte de baixo dos antigos duas-peças, com direito a cinto fininho.
Nos vestidos mais soltos e arredondados, predomina a imagem de deusas gregas, nos drapeados em seda que tanto destaque dão para as coleções de Tufi na Europa. Em branco, vermelho, preto, as opções jogam com decotes bem desenhados.
Mais uma coleção sem jeans, sem o casual, típico do verão. Bom, barco para a Forum deve ser um iate, local certo para curtir de tailleur-calção e salto 20 cm.

Rodapé / estamos apenas no início da semana paulistana, mas até agora nota-se uma tendência para o sóbrio e o clássico / na fila A, a bela Ildi Silva, que gostou dos vestidos brancos, drapeados. E da bolsa-brinde, com a toalha da Altenburg e o perfume Forum 23º dentro / as escadas-rolantes enguiçam
A edição do verão 2007/2008 da São Paulo Fashion Week começou com espírito brincalhão. A partir do patrocínio da Mattel, fabricante da boneca Barbie, Fausen Haten trocou o jeans pelos georgettes e engrenou no tema da infância, felicidade e singularidade para mostrar modelos femininos com golas de pierrô, macacões de bolas em preto e branco, como palhacinhos antigos e combinações em tom de pele sobre saias enviesadas, lembrando fadas. Na ala masculina, o palhaço foi o tema mais explorado. Os rapazes portavam narizes postiços pretos, camisetas com estampas e bordados de clown. Mas a brincadeira acaba aí, porque esta fantasia acompanhava calças pretas em impecável corte de alfaiataria.
Quatro vestidos expressaram o lado Barbie de Fause. A silhueta da boneca, bordada sobre vestidos curtos ou longos em preto ou bege-pele foram desfilados pelas atrizes Paola Oliveira, Taís Araújo, Camila Rodrigues e Erika Mader (foi a que vestiu melhor,um mini desestruturado em georgete preto com a silhueta como um camafeu, também em preto.

Rodapé / Fause Haten reduziu bastante a importância do jeans na coleção. Passou apenas uma calça em denim raw, quase preto, masculina / Aliás, nem o próprio usou jeans. Nos agradecimentos, estava de branco / Hoje, dia de Santo Antônio, motivou a entrega de santinhos, deixados nas elegantes cadeiras iguais às usadas nos desfiles parisienses. Junto, uma rosa branca / as coleções de Barbie já foram assinados pela Doc Dog e Cavalera. Este ano, é a vez do Fause, e ele vai vender 20 peças inspiradas pela boneca, que “nasceu” em 58 / Segundo Val Balsa, assessora da marca Barbie, os estilistas gostam de criar este tipo de coleção. “ quando acaba um desfile e uma temporada, já temos uma fila de interessados no patrocínio e na invenção das peças”, comentou Val / “meu trabalho é oferecer a cada estação um pedaço de minha vida, expressa na minha roupa”, de auto-definiu Fause Haten


Alexandre Herchcovitch (feminino)

Os holandeses Victor & Rolf já usaram o tema tango e as casacas como referências; Kenzo contratou bailarinos de tango para animar o desfile de março e Clara Vasconcelos, da Tessuti, do Rio, também lembrou das casacas de maestro no estilo deste inverno. O desfile de Herchcovitch demonstrou que é sempre possível usar a mesma fonte, e produzir um belo trabalho. A base da alfaiataria vai desde casacas quase tradicionais até uma sutil lapela colorida sobre um vestido. Muitas bermudas-ciclistas (justas e curtas), sempre em preto, modelos em frente-única com alças retorcidas, ou em tecido amassado, empapelado.
O módulo final deixou de lado a alfaiataria e concentrou esforços em blusas e vestidos com decotes cortados em pétalas. Marina Dias, a modelo tatuada que faz cinema na Europa (um filme, “Model” com Diane Kruger), mostrou a versão em vermelho desta linha floral, de pétalas

Rodapé / Fause sem jeans, Alexandre sem patchwork, temos mudanças por aí /da parte de Herchcovitch, pode ser questão de adaptação a um mercado internacional. O último desfile, em Nova York, fez sucesso, foi bem comentado e vendeu direito / o cacique Raoni veio comentar sobre o projeto envolvendo a Amazônia e a moda / Herchcovitch está de barba e bigode

Friday, June 08, 2007

Alessa, estilista

Encerrar o Fashion Rio significou uma virada definitiva para Alessandra Migani, profissional de marketing, publicitária, inventora de lingerie irreverente, famosa como a Alessa, que fazia desfiles engraçados, performáticos. Coleção que era bom, muito pouquinho. Eleita nesta edição como o show final do evento – preocupação eterna dos realizadores de semanas de moda -, Alessa resolveu levar a sério a moda. Ao som de Roberto Carlos remixado, na tenda Corcovado lotada, a coleção surpreendeu pela beleza e pelas possibilidades realistas. Isto é, podem ser usadas no dia-a-dia, como os chemises torcidos ou amarrados na barra, com estampas de zebras ou borboletas; ou o saruel de cassa branca, com regata com nó nas costas. Sem perder o pique das roupas mais conceituais, feitas em crochê, com escamas na frente, em rosa e cinza, ou formando uma ave do paraíso, em ocre e preto, linda. Para vontades mais etéreas, nada como os drapeadinhos em tiras de cores claras, entre rosas e cinzas. Os sapatos de solado anabela coberto de cortiça seguiram a filosofia patchwork, tão prezada por Alessa: era um tal de sapato de calcanhar de couro zebrado e frente coberta de penas, ou todo de cortiça.
No final, a própria Alessandra se embalou no balanço do cenário, e veio agradecer os aplausos, com a expressão The End estampada no camisetão longo.

Rodapé / ufa, deu certo! Para quem acreditava que Alessa era só performance, ela deu este troco, de roupas interessantes e um desfile limpo, sem desvios visuais. Benvinda ao mundo da moda, Alessa.
Melk Z-Da
O pernambucano de nome estranho faz moda menos estranha. Tules amarrados, estampas digitais de rendas renascença, formas mais soltas e a cartela de cinzas, azuis, laranjas e verdes é unânime nas propostas de verão. Melk lembrou das mulheres da família, segundo ele “matutas que gostavam de sair carregadas de grandes bijuterias e lenços”. Até que a matutice das tias faz sentido como estilo para as urbanas cool das cidades brasileiras. A coleção inclui bons vestidos em barras com recortes, modelos mais gênero mangá, com os croquis do próprio Melk Z-Da no forro, cobertos por regatão de tule cor de pele. Destaque para o vestido verde, com decote de amarrações. Na complementação, grandes bolsas em couro com recortes ou douradas com aplicações metálicas. Nos pés, chinelos de borracha e muito barro, subindo pelas pernas. Só para ninguém esquecer que eram mulheres do agreste, as inspiradoras.

Rodapé / toda carreira tem que ter uma evolução. Muitas vezes, um criador começa com idéias inusitadas, que são uma espécie de desafogo mental, de sonhos acumulados, loucos para serem exibidos. Em dois ou três anos, o estilista entende que é preciso compartilhar o sonho, o que significa convencer as consumidoras a usarem suas idéias. Melk atinge este estágio, ficou mais fácil imaginar seus modelos nas festas de verão / boa notícia: Marciana dos Santos ganhou o prêmio de estudos no Senai Cetiqt, oferecido aos participantes do Rio Moda Hype. Parabéns, Marciana, sua coleção estava um encanto

Thursday, June 07, 2007

Sandpiper, bem revista

É a melhor apresentação da grife liderada por Napoleão Fonyat. O aniversário de 25 anos mereceu uma revista nos arquivos e a reciclagem das grandes peças. O DNA da marca, como define Napoleão. Até o belo Zulu voltou, foi recebido com alegria pela platéia. Para os homens, a Sandpiper propõe o uso do terno-bermuda, em tecidos lisos, no listrado coutil ou na estampa de flores brancas sobre fundo cinza. Ou o blazer sobre camiseta e jardineira curta, look um tanto rústico, mas defendido com garbo pelos modelos. Vale informar aos adeptos que a bermuda cargo continua firme, e também admite o paletó, para variar das jaquetas e blusões de sempre. Favor, ninguém pergunte sobre a razão de tantos paletós no verão: é moda, e ponto final. Afinal, ar condicionado existe para que?
A parte feminina merece destaque especial. Já neste inverno que está nas vitrines nota-se o acerto do estilo. Para o verão, predominam os vestidos brancos, alguns de cintura marcada, outros com cavas bem abertas e laços no pescoço. Ou com estampas praianas na barra, dando um toque de cor no conjunto.
Repetindo: sem motos, aviões, superproduções incríveis, foi um excelente desfile, com celebridades atuando direito e roupa muito boa.

Rodapé / a atitude do momento é mão no bolso / Dado Dolabella ganhou seus aplausos, ficou feliz, mas não perdeu a pose de modelo / no cenário, uma foto de César Barreto / cores otimistas: vermelho, amarelo; contemporâneo: cáqui. E o azul do mar do Arpoador / nesta revisão da marca, o tal do DNA, faltou o passarinho bordado que enfeitava as camisas, a garcinha sandpiper / bons mocassins vulcanizados
Luiza Bonadiman, zíper e laços

Luiza influenciou a moda praia quando lançou biquínis e maiôs com bolsos e laços. Provavelmente vamos ver muita gente de zíper e neoprene no próximo verão, pois foram estes os detalhes fortes da nova coleção. Tecidos mais fortes, cores muitos mais sóbrias até nas estampas de Ana Laet. Um motivo: além das tendências aprovarem as cores desmaiadas e neutras, Luiza escolheu o tema chuva como fio condutor. Nuvens cinzentas, tracinhos imitando chuvaradas se alternam com grandes laços, característica que a menina criativa ainda mantém. É um tal de laço arrematando laterais de biquinís, nas costas de maiôs, nos ombros de tops. Lacinhos chatos cobrem todo o biquíni preto do final. Muito zíper (ninguém mais chama de fecho-éclair) atravessado na diagonal nos maiôs/ Conclusão: quem quiser parecer de vanguarda na praia, que amarre panos com laçarotes, deixe de lado os amarelos, laranjas e corais e contraste o bronzeado com os cinzas e gelos da Bonadiman.

Rodapé / quem diria que ainda teríamos biquínis com volumes e maiôs assimétricos, cobrindo todas as costas / os sapatos eram adaptações veranis dos modelos de golfe, em verniz e vinil transparente / as salas com ar condicionado forte reforçam o apelido de Fashion Frio para o evento / Carol Pantoliano e Daiane Conterato são as estrelas em ascensão das passarelas. Narizes aduncos, olhos fundos, é um novo tipo de beleza que se anuncia / calças de cintura mais alta, minivestidos e casacos curtos estão em alta. Bermudas, calça skinny e saias abaixo dos joelhos estão em baixa / esta é inédita: me pediram autógrafo no release da Luiza
Reserva, listrada

Blusões com barras listradas nos ombros, camisetas listradinhas, macacões riscadinhos, em linho. Listras deram o tom da coleção pensada a partir de lembranças dos anos 70, década do Pety, o surfista que ficou conhecido como Menino do Rio. São peças soltas, sem muita preocupação com coerências e repetições de idéias. Neste mundo avulso, destacaram-se o cardigan de tricô em tom de barbante, o casaco canguru com capuz em verde e preto e uma versão masculina do cache-coeur, o casaco usado pelas bailarinas nos ensaios. Masculino era o sentido do amarrado, da direita para a esquerda.

Rodapé / Havaianas douradas e espadrilles de solinha de corda completaram. E ótimos chapeuzinhos / nos bastidores, alguns modelos teriam cabelos clareados pelo tinturista Rogério Santana / falando em Havaianas, a vinheta mais engraçada é delas, como o cara paquerando a garotada com Havaianas no cinema / Monique Evans estava nervosa antes do show do Rio Moda Hype, porque a filha Bárbara, 16 anos, estreava na passarela. “Pena que ela não me viu andar, nos desfiles”, comentou. A menina, de 1m74, foi um sucesso, passou na ADPAC. Comentário da mãe Monique: “viu? Ela estava de nariz vermelho, de tanto chorar de medo”.
Rio Moda Hype, nova fase

A dúzia de estilistas foi reselecionada, alguns nomes foram trocados, e o resultado revelou bons candidatos a novos talentos, que é a próxima etapa dos iniciantes. A própria empresa está mudando, abrindo um instituto de conceito mais cultural, inaugurando loja em setembro. Vamos aos primeiros desfilantes:
ADPAC: Adriana Pacheco começou com bolsas feitas de câmaras de pneu recicladas, continua com o jeito rústico, mas com mais tecnologia. Luz del Fuego, a atriz nudista foi a musa dos leggings cortados como cobras, das estampas de Ilha do Sol, e dos ótimos regatões de aqualoucos, listrados. Outro toque masculino de efeito: o capuz de estampa de cobra.

Stefania Rosa: Muito bem feita, a roupa geométrica, com recortes ou estampas tiradas da obra do suíço Escher. O vestido de desenho de peixes que viram pássaros foi destaque, mesmo que a gravura original já tivesse sido vista em outras coleções. O que não tira o valor da estréia da Stefania

Random: outra boa estréia da Hype. Misto do estilista curitibano Jefferson Kulig com o grupo OEstudio, esta marca promete trilhar roteiros surpreendentes. Pelo menos, nesta primeira edição apresentou bem as roupas simples, em materiais sintéticos, com equipamentos de captação de energia solar. Botas Sete Léguas completaram

Athria Gomes: o sucesso tem suas desvantagens. Athria já tem um séqüito de admiradores e adeptos, que podem ter se decepcionado com a frieza deste desfile. A roupa das freqüentadoras da Av. Atlântica não foi valorizada na passarela, apesar das belas estampas de flores tropicais (strelitzias).

No Hay Banda: as meninas paulistanas vieram com Macunaíma. Mas podiam ter limpado mais as roupas, aproveitado os detalhes com mais parcimônia. Bem, fazer demais é indício que é possível reduzir.

Despi: esta é craque. Desde a escolha do colorido, das flores selecionadas como ícones das estampas e aplicações de pedras. Os vestidos cavados combinam este trabalho artesanal com uma bela modelagem, realista. Flor do dia: brinco-de-princesa



Walter Rodrigues, na catequese

Walter veio de São Paulo para descobrir o Rio, sempre faz o show em lugares pouco conhecidos até dos cariocas. O pátio do Arquivo Nacional, próximo ao Campo de Santana, foi o local da coleção de verão 2007/2008, contando com a sorte da Dupla, empresa organizadora do Fashion Rio, em relação ao bom tempo.
A África do Norte, suas roupas de deserto, dos berberes e as túnicas longas dominaram o estilo, aparentemente tão glamuroso, cheio de minissaias, jérseis metalizados e estampas digitais quanto os criados pelos companheiros da agenda da semana. A diferença de Walter Rodrigues é o quebra-cabeças que consegue montar com seus bons fornecedores, cooperativas e pólos de moda: as primeiras calças e blusas eram feitas com couro bege pela Banny Pel, que confecciona roupa de motociclistas, com borlas de seda lembrando os berberes, da Hak, de Friburgo; as sandálias de verniz laranja foram desenvolvidas por associados da Assintecal, as sedas das túnicas esvoaçantes tinham estampas abstratas da Têxtil Picasso e os jeans em estilo alfaiataria – as melhores peças da coleção -, são da Cedro, de Belo Horizonte.
Este roteiro de viagens compõe a inspiração do estilista, que ainda arranja espaço mental para criar um ambiente de sonho na passarela. “Tudo me interessa: a rua, a moda, o mundo, a tecnologia” definiu, falando de seu imaginário. “Atualmente, me sinto um pouco Padre Anchieta, catequisando e trabalhando com tanta gente em tantos lugares. Só o projeto da Assintecal envolve 19 pólos de produção. Na verdade, tenho cinco pilares de inspiração: a dualidade de masculino e feminino, a antropologia, o japonismo, os anos 30 e os 70”.
Bom que o desembarque de tantas viagens é no Fashion Rio.

Rodapé / Walter só anda de jeans e camiseta, detesta fazer compras de roupa. Mas surta por sapatos e bolsas / quanto à atuação internacional, ele agora prefere participar das feiras Tranoï e Who’s next, em Paris e na Bread and Butter, de Barcelona. Desfile, por enquanto, só no Rio. “Estou repensando os custos. Só o aluguel de uma sala no subsolo do Louvre custa 30 mil euros; uma modelo tcheca básica, recém-chegada a Paris, tem cachê de 600 euros. Ah, é tempo de cair na real. Faço os salões e vendo muito bem para a clientela do Kuwait, Grécia, Arábia Saudita”.
Fotos Ines Rozario

Wednesday, June 06, 2007

Lenny, arquitetural

Já imaginaram ir para a praia de cinturão de verniz? Ou com um sutiã de decote armado, quadrado? Quem sabe, um duas-peças de cintura alta? Ou de camisa branca, calça preto e cinto? Tudo fica lindo, se na etiqueta constar o nome Lenny Niemeyer. Arquiteta e paisagista por formação, para o próximo verão a loura elegeu mestres como Niemeyer, Gaudí e a artista plástica Adriana Varejão como fontes de inspiração para maiôs e biquínis. A partir das obras famosas, foram aplicados triângulos transparentes sobre modelos estampados ou com recortes, dignos de Barcelona; a estampa de azulejos brancos convence nos biquínis de alças largas, com destaque para o maiô com um recorte atravessado no corpo, como se fosse uma rachadura na parede.
Falando em corpo, o elenco ficou à altura da criatividade da Lenny. O time reuniu Ana Beatriz Barros, Jeiza Cheminazzo, Letícia Birkheuer, Carol Ribeiro, Michelle Alves, Carol Ribeiro, Carol Franceschini. Só feras, de alta classe, nas sandálias cor de carne, saltos altos e braceletes prateados nos braços.
Mais um show impecável, que poderia participar de qualquer semana de moda do mundo. Daqueles que dá vontade de perder uns 30 quilos e sair de cinto de verniz para o Coqueirão.

Rodapé / imperdível, a série de armações da Porsche (pronúncia? Porxê, falando o “e”final), desde o modelo aviador que troca de lentes até o retinho, de lentes polarizadas. Na semana que vem, na ótica Arnaldo Gonçalves, em Ipanema / até dia 10 rola um blazer para comprinhas para o dia dos namorados, no Lunático Café (3114-0098), no Jardim Botânico.
Eliza Conde, cinturada


Esta é a grande proposta da Eliza: há sempre um cinto de couro, um detalhe, um corte, marcando a cintura. Os vestidos mais festivos são montados em camadas de babadinhos, há debruns multicoloridos nas laterais de saias e calças, e estampas em cinza sobre tons quase-brancos de tecidos leves. Quer dizer: aquela cartela desmaiada dos primeiros desfiles. Quando chega no shape, Eliza se destaca da maioria. Quase todos os looks são marcados na cintura, e o máximo vai na calça reta, quase pantalona, de cós alto, abotoado! É uma ousadia, em tempos de indecisão na hora de escolher um modelo de calça – em geral, as brasileiras ainda preferem o cós baixo.
Mas Eliza atende a um público avançado, que deve curtir a mudança de conceito das calças, bermudas e saias, sem falar nos ótimos chemises. Viva a volta da cintura!

Chiaro, sambando

Impossível ser deselegante com um sambista como Delegado na passarela. A coleção não tinha ternos de linho nem de panamá 120, mas encantou pelos jogos de listras e xadrezes, em bermudas, coletes e calças com grandes bolsos laterais, bojudos. O patchwork misturou, combinou e contrastou as texturas e padrões. Sem perder o ar masculino e inovador.