Saturday, March 31, 2007




Alto-verão
Já que continuamos no maior calorão, vale conferir os biquínis da Água Doce, que são inspirados justamente...no verãozão! Estampas misturadas, combinar roxo com marrom, azul com preto, etc. Sem falar nos brilhos, infalíveis neste ano.
Das praias, saem o azul o mar, as areias brancas, o vermelho dos corais. Para agradar aos diversos estilos de praieiras, a coleção tem minibiquínis para as exibidas e esbeltas e sungões, favoritos das surfistas. Há bordados, aplicações de madrepérolas e broches.

Batas, camisões e vestidos, pareôs e bermudas completam a linha

Bazar
Descontos de até 50% no showroom Virgemaria, em São Paulo. Calças jeans de R$ 59 a R$ 69, bijuterias desde R$ 10, blusinhas de meia-malha por R$ 29, vestidos de malha, por R$ 79. E tem mais: as compras podem ser divididas em até três vezes nos cartões! Uma boa para o presente do dia das Mães.
Onde: rua Tumiarú, 48 – Vila Mariana / SP
Vejam também em www.vmaria.com.br
Quando: de 15 de abril até 12 de maio, das 10 às 19h; sábados até 16h

Acessórios

Dias 3 e 4 de abril, terça e quarta-feira, as décadas de 60, 70 e 80 serão revistas pelos expositores da 16ª Bijóias Rio de Janeiro. Bijuterias, relógios e semijóias (Rio Othon Palace Hotel / Av. Atlântica, 3.264, 1º andar – Copacabana)
Horário: das 10 às 19h

Cabelos vips

Daniele Suzuki, Luiza Valdetaro e Lucy Ramos são as beldades escolhidas pela equipe do Espaço Matrix para mostrar as inovações da marca na Hair Brasil.
Daniele usou So. Red, coloração com reflexos vibrantes; Lucy fez relaxamento com Relaxima Guanidina e Luiza ficou com cabelos mais brihantes graças à linha Biolage

Quando: domingo, dia 15 de abril, das 14h50 às 15h50 (parece horário de analista. De qualquer forma, trata-se de fazer a cabeça. Só que do lado de fora)

Páscoa



Quem não se diverte com os túneis de ovos dentro dos supermercados e grandes lojas tipo Americanas pode atender seu estilo exigente indo por exemplo, às elegantes lojas novas da Kopenhagen, aqui no Rio de Janeiro. Ou à Endívia, no Leblon, que criou uma linha feita com chocolate belga. O ovinho de 50g custa R$ 10 e este cone de latão com 85g de ovinhos de gianduia ou ao leite, R$ 42
Onde: Endívia
Rua Dias Ferreira, 106 loja A, no Leblon
Tel. 2512-1313

Agora, posso confessar que considero o Bis clássico, quando está fresquinho, o melhor chocolate do mundo. E em matéria de ovo de Páscoa, hummm...hesito entre o Sonhão de Valsa e o Diamante Negro. Pior que demoro tanto a decidir quando e onde vou comprar, que quando chego ao mercado, o tal túnel só tem ovos da Barbie e do Taz.

Mesa salgada
Nada como um almoço familiar no domingo de Páscoa. Aquela fila de espera, aquela neurastenia, crianças chorando no restaurante. Bom, melhor do que uma tonelada de pratos para lavar e farelinhos de chocolate pela casa inteira.
Uma sugestão que chegou por e-mail foi o cardápio off-bacalhau do Nakombi. O sushiman Ohata e a chef Lucien Taira propõem: entrada de kaky fry (ostra empanada), prato quente, o salmão grelhado com pimenta e cogumelos, ou no sushi bar, com sashimi de atum e salmão, dupla de ikurá, peixe-prego, entre outros e como sobremesa, brownie com sorvete.
Preço do menu completo: R$ 120; entrada, prato quente ou sushi bar e sobremesa: R$ 90; entrada ou sobremesa, mais prato quente ou sushi bar: R$ 75
Onde:
Nakombi
Rua Maria Angélica, 183 – Jardim Botânico
2246-1518

Wednesday, March 28, 2007



Chica Chic
Um nome engraçado, este, da marca de acessórios da Cristiane Vadez. Ela começou a criar bolsas, cintos e pulseiras de pedras brasileiras (nas fotinhas ao lado) há cinco anos, quando mudou para os Estados Unidos. Já vende direitinho por lá – Oprah Winfrey e Paris Hiton são clientes – e também na Inglaterra, México e Porto Rico.
O feito mais recente da Chica Chic: foi a única marca brasileira a integrar o grupo de 20 participantes do Suíte Design, na Mercedez-Benz Fashion Week de Los Angeles, que se realizou de 18 a 22 de março. Detalhe: havia mais de dois mil pretendentes a expor na Suíte Design. Boa, Chica Cristiane!



No Rio, a semana lança o inverno, mesmo com o sol aberto, a toda. Carlos Tufvesson abriu o ateliê para mostrar o que não desfilou em São Paulo, Daniela Maia exibe a coleção Baby Dior no Fashion Mall, a Marchon traz os óculos internacionais antes de serem vistos na feira Mido e a Atelier Três recebe para chocolatinhos e modelitos na Dias Ferreira.

Wednesday, March 21, 2007

No Rio, a Levi´s mostrou alguns ítens da coleção de inverno, em produções assinadas por quatro stylists cariocas: Mariana Salim, Felipe Veloso, Alice Garcia e Rogério S. Para Mariana (na foto), a jardineira se destaca, “porque deve continuar até o verão, é uma peça forte”. Ela deu um ar romântico-básico. Felipe encantou pelo look dos bonecos iluminados por lâmpadas em forma de caveirinhas, ícones que fazem parte das estampas de camisetas, além dos vidros de veneno e moscas. Quem fez um estilo mais invernal foi Rogério S, que usou maxipull e parka nas montagens.
O lançamento no One Pederneiras incluiu almoço natureba, com arroz integral e frango. Uma novidade é o figo com ricota, evolução do engordativo brie com damasco. Na coleção, importante notar que mesmo uma marca básica como a Levi´s adere às tendências rápidas da moda, sem deixar de liderar no setor jeans. Neste ponto, ganha força o jeans mais escuro e o preto, tão lavado que quase fica branco. As formas estão mais justas (caramba, quem tem uma perninha que cabe nas novas calças skinnérrimas) e o melhor: a cintura sobe!


A China imprime seu estilo de novo. Aliás, China e Japão estão sempre rondando nossos guarda-roupas e casas. No inverno da Renner, se os dragões não enfeitam estampas, o catálogo traz roupas ultra-básicas, boas para todas as idades e tipos, com um fundo de lâmpadas de papel de arroz, coloridas. É assim, esta sutil influência do Oriente na vida ocidental.
Querem saber preços? A bata custa R$ 59,90, o jeans com Lycra, R$ 79,90, colar, R$ 25,90

Esportes
Começa o ano do Pan na moda. A Olympikus mostrou os uniformes assinados pelos designers do Oestudio.
O Plaza Shopping de Niterói faz o Plaza Festival Sport, a partir do dia 23. Vejam a programação:
Dia 23 /19h”: desfile “A Moda no Esporte”
De 23 a 1/04: nos corredores do shopping, exposições fotográficas
Dias 25/03 e 01/04: recreação infantil a partir das 17h na Praça de Alimentação
Dias 27, 28 e 30/03: shows de João Bosco, Gabriel O Pensador e Dora Vergueiro, na Praça Central
Dias 26 e 29/03: Mirilena Ciribelli recebe convidados para papo sobre esporte
De 26 a 30/03: equipe do programa Rock Bola faz entrevistas na Praça Central, a partir das 20h


No shopping Leblon, a homenagem é à Maria Antonieta, no evento Antonieta Mania. Além da exposição desde o dia 20, a agenda inclui:
27/03: gastronomia e arte comestível
03/04: aconteceu na História e virou moda
10/04: Maria Antonieta, Oscar de melhor figurino
Vejam os nomes dos palestrantes no site www.shoppingleblon.com.br

Falando em site de shopping, vale ver o do Shopping Tijuca, onde a colega Selma Guedes dá boas dicas de estilo e atualidade. Cliquem em www.shoppingtijuca.com

Instrumentos preciosos

Dias 22 e 23 de março: a Cartier e a Mont Blanc fazem venda especial de jóias, relógios, canetas (ou instrumentos de escrita, como a Mont Blanc prefere definir) em benefício do Instituto Pró-Criança Cardíaca, no Salão Azul do hotel Copacabana Palace (Av. Atlântica, 1702 / Rio de Janeiro). Entrada: R$ 15
Tem manobristas no local.
Info pelos tels (21) 2274-0104 e (21) 3813-6464

Lingerie
Dia 23 a Pselda desfila nova coleção, com o tema Be a Diva. Às 10h, no hotel Ouro Verde (av. Atlântica, 1.456 / Rio de Janeiro)

Só se fala: na nova e enorme loja Le Lis Blanc Deux, no shopping Leblon. Deux, porque inclui a parte de Casa, com lindas almofadas, copinhos para velas, guarda-sóis coloridos, mil coisas.

Falando em shopping Leblon, pretendo provar as delícias do café do cinema. Chocolate Ice, Capuccino Frost, em copos grandões, umas belezas. Depois dispenso as escadas rolantes, subo e desço as escadas comuns, para compensar as calorias.
Uma coisa puxa a outra. Falando em café, Raquel e Cristina Baroni abriram mais um Café Baroni, no prédio do IBMEC (Av. Presidente Wilson, 118 / térreo – Centro do Rio)

O Espaço Saint Germain des Prés (Visconde de Pirajá, 282) lança o outono-inverno dia 22 a partir das 16h. Quem está lá: Tutti, Patza, Movimento Urbano, Week, Manoela Carreira, By Maira, Maison Lavigne, Alberto Gentleman

A querida Mary Zaide também mostra suas propostas de inverno, começando pelo Fashion Mall.

Ele merece! Antonio Bernardo ganhou biografia by Evelise Grunow, pela editora Viana & Mosley. O enfoque principal é o design do amigo joalheiro e estilista.

Sunday, March 11, 2007




Floripa Fashion
Recebo notícias da semana de desfiles da capital catarinense. O casal Grazi e Allan fez sucesso na coleção Renner. Merecido, porque Graziele Massafera é um amor, bonita e humilde, e o namorado Allan Passos enfrenta muito bem a passarela, sabe andar. Além das celebridades, a modelo Marina Lima deu o toque de classe. Como as coisas mudam, há alguns anos ela era o toque transgressor, graças às tatuagens.

Quanto às coleções, Tadeu Stangherlin parece ser o nome de linha conceitual que chama a atenção. Seus vestidos de tule vermelho e preto e os de tie dye com bordados homenagearam o pintor catarinense Victor Meirelles.
De Criciúma, veio a Katoomba, marca moderninha e jovem, no rastro da também catarinense Colcci. A fórmula skinny + vestido curto veio com aplicações de pele, polainas e luvinhas.
Marina Dias vestiu Rovian, com modelos despojados ou amplos, com detalhes dourados.
Outras marcas desfilaram em Florianópolis: French B, Conceito, Via Uno, TKTS, Oxto, Chilli Beans, Riachuelo, Scanner, Lilica Ripilica e Tigor. A Zoomp fechou o evento que anunciou o inverno no varejo de Santa Catarina.


Curiosidade
Sempre comento sobre viagens porque elas fazem parte da rotina do povo da moda. Enquanto voava na minha potrona 37J, bateu uma curisiodade. Recebo muitos comunicados sobre a excelente ocupação dos vôos das companhias internacionais para o Brasil. United, American Airlines, principalmente Air France, a que mais uso. Quer dizer, mesmo com tarifas promocionais (sempre mais caras do que as praticadas nas rotas do hemisfério norte, por exemplo), pagamos alto e lotamos os aviões.
Minha pergunta: por que os aviões que vêm para cá são de antepenúltima geração? Na Air France, já tivemos o Airbus, que era confortável, com telinhas individuais até na classe econômica. De repente, talvez para aumentar o número de passageiros, começou a vir o Boeing 747, um modelo mais antigo.

Bom, ok, é um Jumbo, um belo avião. Mas por que será que, mesmo chegando na hora certa, ou até antes, temos que taxiar num ponto remoto, sem tubo? Quando finalmente chega o ônibus para levar ao terminal, é um carro comum, que não tem elevador para apanhar os passageiros diretamente nas portas. Já repararam na altura do Jumbo? A escada tem trocentos degraus, um estorvo para quem chega espremido depois de 11 horas de vôo. Depois, claro, roda-se em pé no tal busum quase meia hora (pelo menos é o que parece) até o terminal.

Na volta, a mesma coisa. O mesmo terminal E de Paris. À noite, só há partidas para o Rio, Buenos Aires e Libreville. O que significa poucas opções de comida, uma banquinha de revistas, a loja dutyfree e olhe lá.

O que vocês acham que pode ser este tratamento que não combina com os resultados obtidos pelas empresas nos vôos para o Brasil?

Para elogiar, escolho as duas tripulações das noites de 19 de fevereiro (digna de uma Primeira Classe) e 7 de março (bem-humorada sem deixar de ser atenta. Uma das comissárias detectou e advertiu severamente um passageiro que fumava no banheiro) . A equipe do controle de segurança do terminal, que apesar de rígida, era solidária com a decepção de quem deixava garrafas de vinho, perfumes e pinças de estimação.
E não podia faltar a comilança. Uma delícia, o picolé da Hägen Daaz que ficou à disposição durante a noite inteira, na galley durante a volta ao Rio.

Para terminar, talvez seja uma questão de auto-estima, nos importamos pouco com estas coisas. Lembrei mais ainda desta minha curiosidade quando acompanhei as notícias da visita do presidente Busch. Será que ele veio nos convencer que o etanol de milho é melhor do que o de cana-de-açúcar? Nada contra milho, muito menos contra os Estados Unidos, mas nós começamos primeiro com esta história, temos gerações de carros rodando com álcool no tanque, e se a cana resolveu até agora, ótimo. Quem quiser fazer etanol de banana, que faça. Mas não diminua o mérito do produto brasileiro.

Sunday, March 04, 2007

A cor do inverno é preto

...mas há espaço para fúcsia, rosa, azul e muito cinza...

Iesa Rodrigues

Antes de falarmos de cores e dos desfiles de hoje, lembramos do homem do vermelho, Valentino. A assessoria apressou-se a desmentir que o italiano que está na moda há 46 anos pretenda se aposentar agora. Ok, Signore Valentino, ficamos felizes.
Quanto aos outros coloridos, temos dois exemplos que confirmam a liderança do preto: Marc Jacobs para Louis Vuitton e o libanês Elie Saab.
Elie, que no desfile de outubro usou apenas o dourado em microvestidos, agora priorizou o preto com lurex prata ou paetês pretos bordados. O estilo está bem menos sexy, mais elegante, mesmo tendo minissaias de couro acompanhando os casacos justinhos marcados por cintos obi em vinil preto. Os tafetás dos vestidos de cintura fina e saias rodadas têm acabamento lustroso, e o black jeans fica quase irreconhecível, tratado como tecido nobre. É verdade que passaram também musselines listradas em verdes e rosas ou o jérsei de seda em azul-petróleo (que os franceses gostam de denominar azul-pato, porque é a cor do pescoço dos bichinhos), em longos e minis baby-dolls em ameixa. Mas as barras e decotes ganham sempre bordados de paetês pretos, contrastantes. O desfile do Elie Saab tem um elenco de primeira linha, as louras de cabelos longos e lisos seguiram ao ritmo de Madonna, dando o recado do conceito geral, que era “instinto de poder”.
Fraco: um caban em lã ameixa, fora do contexto. E a platéia vazia
Forte: o glamour da coleção, fácil de imaginar sendo usada. Os cintos obi, de vinil

Marc Jacobs – cada vez mais bonito, sem óculos, de cabelos curtos, camisa azul e calça jeans – pensou no quadro Moça com brinco de pérola, do holandês Jan Vermeer , associou ao filme com o mesmo título e tema, e convidou a loura Scarlett Johanssen para a fila A na tenda montada na Cour Carré do Museu do Louvre. Todas as modelos usaram boinas flamengas, algumas portavam colares tipo fio metálico com penas, outras se aqueciam com echarpes feitas com grandes elos tricotados, presas por alfinetes de cabeça em forma de cubo. Falo primeiro dos acessórios, porque eles têm todo o valor do mundo, para a marca Louis Vuitton. Tanto que o título geral, parodiando Vermeer, era “a garota com bolsa monograma”. Quer dizer, os modelos de bolsas, carteiras e maletas voltam a evidenciar o logotipo LV, entremeado de tiras de pele, tacheados, tressês e efeitos degradês. Além dos acessórios Jacobs consegue atrair a atenção para as saias retas, em lã lamê fosco, os suéteres-camisetas de cashmere laranja ou azul-claro. Ou para as camisas de algodão cirê, com saias de lamê e botas de aspecto molhado. Há um visual de chuva em várias peças, incluindo até galochas de crocodilo! O ameixa aparece na camisa com cinto preto fininho, e o final encantou pelos degradês do azul ao rosa, em saia e do azul ao laranja em blusa que fez Scarlett virar a cabeça para acompanhar os detalhes. E o preto, onde ficou? Nas calças de veludo, no casaco de cashmere, com franzidos, no modelo de alças largas, nas saias com laterais em pregas arredondadas, nas calças de motociclista.
Fraco: o calor dentro da tenda, digno dos tempos em que o desfile era na estufa do parque André Citroen
Forte: os suéteres de cashmere, de mangas 3/4

A semana parisiense acabou bem, com o show da Vuitton. Aparentemente, não há grandes surpresas na moda. Sente-se uma busca por definições de perfil, identidade ou pelo difícil objetivo de se destacar entre tantas opções vistas nos centros lançadores – Nova York, Milão e Paris. Quem vende o quê, para quem? Os homens, até agora vistos como grandes esperanças de novos consumidores para a moda, limitam-se a escolher entre cremes após-barba ou desodorantes assinados, na ala masculina aberta próxima à porta de entrada da Sephora, a loja de cosméticos e perfumes pertencente ao grupo Vuitton. As novidades dos desfiles são devidamente domesticadas para serem admitidas nas vitrines, e o que se vê nas ruas é a calça cargo e o jeans, com camisetas e suéteres de tricô, com blazers quase clássicos ou parkas.
O lado artístico da moda atrai os convidados para Paris. Aqueles 10 minutos de performance muitas vezes valem o vôo de 12 horas (no nosso caso, dos brasileiros) ou de sete horas (para a turma de Nova York) ou sei lá de quantas horas ou dias, para o pessoal do Oriente. Só que arte não vende, dá prestígio. Christian Lacroix, por exemplo, reduziu bastante o alegre conceito artístico, em prol de uma comercialização mais fácil, com tailleurs pretos em profusão. Já a Tara Jarmon, rede de butiques sem muito luxo, conseguiu o meio-termo de usar estampas tiradas de obras de um artista plástico, Peter Zimmermann, em vestidos com barras de babados, que vão para a vitrine custando 600 euros (cerca de R$ 1.620). E vende bem, consegue competir com a rede espanhola Zara e a sueca H & M, que adaptam rapidamente as idéias dos grandes desfiles, com preços baixos.
Quem compra o quê, por quê? Precisamos de mais uma calça jeans? Teremos frio para mais um casaco preto? E a bota de cano longo, tão linda na vitrine, será uma tortura nos nossos pés?
O mistério da moda existe. Aquele momento em que Scarlett Johanssen girou a cabeça para ver melhor o vestido degradê. O instante que notei o pesponto dourado da calça jeans da Zadig & Voltaire. São segundos que desencadeiam obsessões de consumo. É disto que vive a moda.

Saturday, March 03, 2007


Marras dança o tango espanhol

Iesa Rodrigues

Antonio Marras cria a coleção Kenzo com sucesso há três anos, sempre usando as mesmas fontes do estilista original, Kenzo Takada. Isto é, muitas influências japonesas, como quimonos e estampas de seda, unidas a detalhes de outros países ou regiões. Para o inverno 2007/2008 Marras lembrou do tango. Mais para a trilha musical e algumas palavras de Anibal Troilo no programa, do que exatamente para as roupas. Nelas, é mais evidente a Espanha do que a Argentina. Podia ser até a própria França, já que foi aqui em Paris que o ritmo nasceu. Mas há mais toureiros do que dançarinos, mais saias flamengas do que o modelo com fenda, que agüenta os passos rápidos.
Ok, moda é assim mesmo, um fio de história segura um desfile. A coleção mostrou tailleurs xadrezes, vestido-trench cinturado, ponchos de malha. Este lote, em vermelho e preto, com babados em profusão. O tailleur, assim como os camisões brancos, tem cauda pregueada ou com babados. O que deu um ar conceitual aos looks, porque dificilmente alguém sairia arrastando tanto tecido – a não ser, mais uma vez eu penso, que sejam roupas para o tapete vermelho. Os volumes aumentam as mangas, tanto as bufantes longas como as tipo bolinha no alto, justas do cotovelo para baixo.
Uma lembrança dos pampas pode ser o couro malhado que faz boleros e uma saia rodada. O conjunto de bolero e calça justa, abotoada na barra, todo preto, em compensação, é puro toureiro. Tricô trançado faz maxipulls trançados, com opções em cinza-mescla, azul, verde ou preto. Como bijuteria, notou-se o brinco de argola preta. Nas estampas, destaque para as rosas gigantescas, os tartans de vários clans e algumas listras.
Importante é o colorido, já que Antonio Marras libera o vermelho e fúcsias, segundo ele, “para desdramatizar o preto e branco”. Começou pela larga fita vermelha desenrolada no centro da sala.
Faltava um finale, porque o desfile estava discreto, para os padrões Kenzo. Uma dúzia de bailarinos invadiu a sala, para dançar tango com bonecas de pano. A cortina do fundo abriu (aliás, era um espelho) e revelou as modelos espremidinhas, formando um belo conjunto.
Fraco: babados demais, pouco tango
Forte: uma peça em especial tem cara de best-seller: a suéter listradinha, de gola alta e capuz. Em vermelho e preto ou azul e preto

Intervalo / em todo lugar existem pontos fadados ao fracasso, ou seja, as famosas caveiras de burro. Na avenida dos Champs Elysées, o número 26 é a galeria Elysée, bem no princípio da rua. Perto da Gap, da Zara, vários cinemas. Enfim, tem tudo para dar certo. Só que galerias em geral não funcionam em Paris, e esta, que já contou com restaurante popular turístico, como o Bistro Romain, várias lojas de acessórios e roupas de marcas conhecidas, está tão sem movimento, que o condomínio colocou um cartaz na calçada, do lado de fora. Sabem qual é a atração anunciada? Banheiros! / Uma casquinha do sorvete Bertillon, considerado um dos melhores do mundo, custa a partir de 3 euros (pouco mais de R$ 8)

Tapete vermelho: assim ficaram conhecidas as festas de premiação, que em geral têm tapetes vermelhos estendidos na entrada. Quem começou foi o Oscar, que tem na frente do local de apresentação uma verdadeira passarela, onde desfilam as atrizes com roupas assinadíssimas
Anibal Troilo: cantor e compositor argentino, dedicado ao tango (1914-1975)

Jean-Charles de Castelbajac também dança
O ritmo dele é mais anos 80, com globos espelhados pendurados na sala, Djs da banda Hypnolove animando (ver em www.myspace.com/hypnolove) e cores fluo misturados a alguns pontos fortes do estilista. Por exemplo, ele foi o primeiro a usar xadrez de cobertor em casacos; a botar calças de uniformes militares, em camuflagem com paetês, a brincar com peles fakes, coloridas e estilizar clássicos como o príncipe-de-gales e a espinha-de-peixe. Até a toile de Jouy ganhou uma versão nova, com silhuetas dançando em fundo verde ou amarelo, em terninhos e casacos. Os camisetões são cobertos de paetês dourados e formam rostos na frente; a estampa de quebra-cabeças aparece nas jaquetas e no vestidinho-bola. Crianças de calças douradas, bonés de oncinha ou xadrez e medalhões também desfilaram no clima pop. Pop: é isto, Castelbajac é muito pop.
Fraco: o autor deve se ressentir por não ser reconhecido como homem de tendências. Havia lugares vazios nas primeiras filas, rapidamente preenchidos pelos assessores
Forte: justamente esta lembrança do pioneirismo dele. Mais a integração com os esportes radicais, assinando um skate com as letras JCDC (as iniciais dele) ou um esqui da Rossignol, a maior fabricante de artigos de neve da Europa.

Intervalo / as coleções oscilam entre temas de dança ou reforço de identidade. Melhor, as duas coisas juntas. Ungaro também passou os drapeados das Disco Queens / info turística: Montparnasse é bem interessante, como região. Em volta da estação, há cinemas ótimos, três supermercados, uma Darty (para resolver desesperos de computador), uma Tati, todas as lojas na Torre. O que não estiver por aqui, está na rue de Rennes, em frente. Mochileiros podem ficar por 35 euros no hotel Aviatic, a duas quadras deste centro. Não tem elevador, é pequeno. Mas é barato...

Friday, March 02, 2007



Chanel faz nevar em Paris

Nuvens de tule penduradas no teto, sala com piso imitando chão nevado, um clima de inverno bem diferente dos 15 a 18 graus que temos agora. Assim quer Karl Lagerfeld, com a coleção Chanel. No primeiro desfile, realizado às 10 da manhã, vimos tradição e novidades. Tradição na repetição dos célebres tailleurzinhos, em tweed desfiado, usados com echarpes e gorros de tricô listrado, o que já dá um ar jovem para os looks de vovó. Novidade, porque os homens finalmente são aceitos como clientes, ganharam direito a imagens no presskit e a várias opções na passarela.
As calças jeans acompanham os casacos 7/8 em tweed, outro look atual, do tipo que as brasileiras amam. Alguns vestidos têm cintos embutidos, com fivelas quadradas. Muitas túnicas, em roxo, com fendas. Japonas e casacos lisos ganham dezenas de broches e logos – outro toque meio hip hop, rejuvenescedor.
Chanel tem clientes que esquiam ou pretendem dar pinta nas estações de neve. Para elas são as calças e anoraks em preto e branco, as botinhas de patinar em couro dourado.
O clássico final dos vestidos curtos em crepe preto veio acrescido de calças estreitas, que pelo jeito vão substituir os leggings, as meias rendadas e as meias-calças pretas foscas. E seguiram-se modelos em amarelo, vermelho-tijolo, com bordados nos mesmos tons. Carol Trentini fechou, com longo preto, valorizando com as mãos para trás o decote nas costas.
Os sapatos têm aplicações brilhantes, como fivelas ou apliques. As famosas bolsinhas matelassês têm cores como turquesa. Outro detalhe interessante é a ênfase nas pulseiras tipo escrava, braceletes de placas coloridas.

Para os rapazes, vale o suéter com manga raglan, hypado pelo lenço de seda amarrado na cintura. Detalhe opcional, claro, para os mais ousados. Casaco de couro caramelo, calças com coating siliconado. Os executivos ficam com o sobretudo em risca-de-giz sobre colete tricô em preto e branco, calça preta. Ou a calça preta, com suéter rulê cinza e um blusão no mesmo tweed dos tailleurs femininos.

Beleza: sobrancelhas retas e pretas. Cabelos chapeadíssimos, lisões, com franjas retas

Fraco: um xadrez de fundo branco, meio toalha de mesa
Forte: tudo (menos o xadrez de mesa). Chanel é sempre uma aula de arte, atualidade e business. O significado da moda atual, enfim.


No final, caiu a neve falsa do teto. Pode parecer antigo, mas sempre funciona.

Intervalo / na saída, aparece André Lima, estilista paraense baseado em São Paulo. Veio para a Europa em busca de detalhes preciosos nos brechós de Londres e Paris. Cortou o cabelo, tirou os cachos. “Estou convencido que nosso caminho para exportação não é através das feiras. Vou descobrir o melhor jeito, talvez um show-room em Londres”, comentou, porque pretende levar a sério as vendas internacionais. Mas está de olho no mercado árabe, mais rico e estável do que a Europa / fomos para o show-room da Daslu, no hotel Plaza Athenée. Lá, predomina o cinza, tanto em minivestidos bordados com paetês prata como em anoraks estufadinhos. Robert Forrest, o inglês que organiza este sucesso, está com Patricia Viera e Glorinha Paranaguá, além da irmã de Mario Testino em outro show-room parisiense