Monday, January 29, 2007

Happy end com O Estilista

Marcelo Sommer, um dos personagens de mais identidade da moda brasileira, em apenas 10 anos de trabalho reuniu uma bela quantidade de ícones, fez desfiles históricos (como da vez em que fechou a rua Augusta), vendeu o nome para a C & A. A marca Sommer foi comprada pelo grupo Menegotti, de Santa Catarina. Para suprir a carência que sentia do clima de eventos, passarelas e platéias cheias, Marcelo inventou a grife O Estilista, que encerrou esta edição da São Paulo Fashion Week.
Foi um verdadeiro final feliz, às 22h30, pois reuniu os elementos conhecidos do passado dele. Era um apanhado da caixa preta, da mala carimbada de história de muito estilo e bom-humor: casacos de cobertor xadrez vermelho, conjuntos femininos de calças e casaquetos em tecidos bordados, tirados de toalhas de mesa e a estampa com símbolos da sorte – ferraduras, trevos de quatro folhas, flâmulas, números, dados. O melhor de toda esta redescoberta foi rever o talento do Estilista na montagem dos looks. Pela mão dele, todas as sobreposições são possíveis, porque nunca parece demais uma calça jeans estreita, uma bata de barra plissada, um casaquinho, cada um em uma estampa, tudo perfeitamente coordenado.
Diferente de muitos companheiros de métier, Marcelo tem propostas para várias faixas de idade e atitude. As camisas estampadas com lenços de seda no pescoço agradariam até avós de gosto clássico. Quem sabe, elas calçariam também os escarpins de verniz colorido, com fivela e sairiam muito modernas, com um cofre de porquinho transformado em bolsa dourada?

Rodapé / Tudo é brincadeira para Marcelo. Um dos patrocinadores era o Playcenter, que deu de brinde uma voltinha em uma montanha-russa / a ótima trilha contagiou o Supla, que cantava junto / uma cor bacana: verde Tiffany’s. E eu que jurava que era azul / Acabou bem a semana paulistana
V. Rom, em música própria

Algumas pessoas têm isto, música própria. Estão sempre com fios pendurados nas orelhas, vivem baixando ritmos da internet, sabem tocar desde maracas até órgão de igreja. Este tipo de garoto foi a fonte das bermudas cargo e camisas xadrezes em rosas e azuis, os coletes e paletós em tramados e logos geometrizados. Dj’s, maestros, instrumentistas, cantores, todos os profissionais da música foram retratados e homenageados na passarela com direção criativa da dupla original da marca, Vitor Santos e Rogério Hideki. A V. Rom pertence ao grupo Cavalera, tem nos jeans os pontos fortes da estação, que admite também a lã e o moleton, malha vedete desta semana de lançamentos.
Destaque para os casacos oversize, com martingale ajustável nas costas. Os bolsões da Rainha poderiam ter um fundo menos claro, menos contrastante com as alças e reforços em verniz marrom. Os tênis e sapatos em couro gasto merecem atenção.

Rodapé / pela segunda vez, Ricardo Mansur desfila pela V. Rom, abaixo de gritinhos / Igor de Barros entra para a equipe de estilo da marca. O menino é bom / afinal, onde está a identidade dos músicos inspiradores? / só falta agora o Marcelo Sommer, estreando sua grife O Estilista.
Jefferson, robô

Cocares tecnológicos, em fios de nylon rosa, verde, vermelho, amarelo e leggings com grafismos imitando estruturas de robôs resumiram a intenção de falar de um Futuro híbrido. O designer Jefferson Kulig é pioneiro na aliança de moda e ciência, foi o primeiro a distribuir textos herméticos sobre suas coleções. Também um dos lançadores das sabotas, as sandálias com modelagem de bota, que atualmente complementam as roupas dos criadores do mundo inteiro.
Este é o parananese Jefferson, o lado realmente tecnológico da São Paulo Fashion Week. Quem estiver mais interessado em detalhes práticos, fique sabendo que Jefferson aposta em saias retas e curtas, calças ajustadas nas barras, com fechos alongados por fios metálicos e reforça as estruturas simples com recortes de palas e bolsos. Por baixo de várias peças, confirma a admiração pela ideologia de construção do mundo do filme Guerra nas Estrelas, incluindo leggings e leotards (body de corpo inteiro) com aplicações que remetem a robôs estilo R2D2 e C3P0.
Para vestir: regatinhas com recorte picotado nas cavas e decote.

Rodapé: em matéria de complementos, vale desde a coleira com cara de gatinho da Isabela Capeto, até os longos braceletes robóticos do Jefferson Kulig / o clima local parece um mostruário metereológico. Cada vez que saimos de uma sala, as janelas da Bienal mostram ou nuvens carregadas, ou uma chuvarada torrencial, dali a uma hora, um céu azul. Um verdadeiro show-room do tempo / gracinha nos bastidores da Isabela: no início, há quatro anos, a marca se chamava Ibo. Agora, como estão saindo camisetas que podem ser masculinas, será lançada a grife Ibofe / diferenças de comprimentos: ciclista é a bermuda justa, acima dos joelhos; legging vai da cintura aos tornozelos ou um pouco acima; leotard é o nome original do macacão de dança, vai do pescoço aos tornozelos. Body vai do pescoço (ou do decote) aos quadris, como um maiô. Tudo em Lycra, compete com a segunda-pele, que em geral é feita em tule de lycra, para dar transparência / na livraria La Selva, a Enciclopédia da Moda, de Marco Sabino, é um dos best-sellers
Huis Clos, à vontade

O universo dos verdes, dos quépis, dos bolsos pregueados e das jaquetas de aviador foi mais uma vez integrado ao guarda-roupa brasieiro de inverno. Quando pareece que as calcas cargo e a estampa camuflada já estão na vala da roupa de rua, Clô Orozco, um dos grandes nomes da moda paulista, volta ao tema. Pela cor e pelos detalhes acima relembrados, nota-se a volta aos uniformes. A sarja é trocada pelos cashmeres, algodões e sedas com inox, reinventa-se a modelagem das calças, com o cós largo e amarrado e sofisticam-se a parka e os blusões de trincheira. É uma guerra de bainhas franzidas, que arredondam as silhuetas das jovens modelos e das mais senhoras, que acompanharam o passo rápido das meninas. Com uma diferença, que denuncia a distância de gerações: as lindas senhoras não resistiam à emoção de estar sobre a passarela de ferro, e sorriam, atitude quase proibida nos shows da moda atual.
Nos acessórios, chapêus híbridos de quépi e viseira e sandálias de plataforma, tipo anos 40, em couros de avestruz e camurça, com meias opacas.
O elenco de idades variadas exemplifica a abrangência das propostas de Clô Orozco. Pelas formas amplas, que tanto ficam soltas como são apertadas por faixas, pelos comprimentos clássicos, as fardas da Huis Clos vestem toda a tropa de adeptas do seu jeito especial de fazer moda.

Rodapé / a música não combinou com o desfile da Huis Clos. Talvez rock demais, voz chata, algo assim / a sala 1 virou o melhor espaço da Bienal, porque possibilita muitos formatos de platéia e passarela. Mas não é aconselhável para quem tem claustrofobia ou qualquer síndrome do pânico. Ver as portas de saída totalmente lotadas de convidados querendo sair ao mesmo tempo provoca apreensão. Um dos bombeiros da brigada de incêndio, indagado sobre outras saídas, em caso de emergência, apontou desanimado para uma lateral da sala. “Alí tem uma porta, que pode ser aberta. Deveria haver uma escada, que não tem. O que se pode fazer é pedir calma aos convidados...” / Cynthia Garcia relança a Enciclopédia da Moda, da Georgina O’Keefe, com muita atualização brasileira

Sunday, January 28, 2007

É Carnaval na Cavalera

O que dizer de uma homenagem aos sambistas da velha guarda, transformados em estampas de camisetas – Adoniran, Hermeto Paschoal, Cartola, Demônios da Garoa? Ou de uma abertura de desfile com um solo de surdo, ou de um final reunindo passistas de cabelos brancos, representantes da Embaixada do Samba Paulista? Ninguém resiste a uma batucada ou a passistas de terno de linho branco. Quanto à Cavalera, sabe-se que os jeans serão black, com rasgados, ou azuis com texturas, desbotados em alguns pontos. Os suéteres ajurados ou de losangos devem predominar, as jardineiras femininas são curtas, as masculinas, de calças compridas. Se os lurex e as aplicacões douradas vão valer como propostas de inverno, impossível afirmar agora. Foi um rio que passou na vida da platéia, este desfile da Cavalera

Rodapé / mesmo que os vestidinhos curtos, em laranja com lurex e detalhes brilhantes, fiquem de fora das vitrines da Cavalera, depois das liquidações de verão, vale disputar alguns, para dar pinta nos camarotes do Carnaval. São lindos /
Samuel na maior pilha

Pilha, literalmente, porque parte da apresentação de Samuel Cirnansck dependeu de empilhadeiras, carrinhos vermelhos com a marca Linde. Eles baixaram a modelo Bruna Tenório do alto de um pallet, vestida com longo de estampa rabiscada em preto e branco, sobre camadas de retalhos em degradê do branco ao cinza,com espaçosa armação de anquinhas estilizadas. Foi o final de um lote de vestidos trabalhados em rendas rebordadas, couro fino e inacabado nas pontas e penas. Difícil de guardar no closet, o estilo do Cirnansck conquistou um espaço justamente pela coragem de desviar do que todos fazem, desprezar as tendências e apostar no sexy-brechó-destroy. Só assim, para dar uma idéia desta coleção de inverno. Pode-se imaginar uma atriz de estilo, como uma Cláudia Raia, por exemplo, usando um modelo destes em um festival de cinema.
Às outras, meras mortais, cabe admirar ou estranhar tanta fantasia sedutora.

Rodapé / carros empilhadores, iogurtes, desodorantes, absorventes íntimos, papel higiênico, rações para animais, esmaltes, PVC, celulares, clínica de depilação, incrível a variedade de produtos que patrocina ou apóiam um desfile de moda. Cada um fornece um brinde ou participa de aguma forma do show, como foi o caso dos carros empilhadores. Ou um discreto cartão oferece uma sessão grátis de depilação. Qual será a fronteira entre a moda e o marketing?
Mario feroz

Para compor um inverno selvagem, Mario Queiroz apelou para macacos, leões e elefantes. Deste pequeno zoológico saíram calças de pele, estampas de pêlo, desenhos de animais em camisetas. Da moda, ficou a forma mais estreita, colando as calças nas pernas. Melhor ainda, em couro preto. Casacos estilo safari, em verde ou jaquetas de couro envelhecido aquecem a estação masculinal. Os homens estão interessados nestas novidades da moda, e vão gostar de usar as calças mais estreitas com paletós quase clássicos e em vez da camisa social, completar o conjunto com um blusão de capuz. Na orelha, brilha um brinco de prata, em forma de dente de leão.
Tavez as capas, mais representativas de um ímpeto selvagem, causem um certo pânico no consumidor comum. Ele pode testar as calças de veludo cotelê largo. O corte perfeito do Mario Queiroz garante o resultado.

intervalo / Mário reuniu quase 40 bonitões na passarela, mas o desfile foi discreto. E a platéia se comportou, sem gritinhos, quando entraram os selvagens de peito nú / os couros snao da Bannypel, fornecedor descoberto há alguns anos por Walter Rodrigues. Eles entendem de roupa justa, porque confeccionam peças para motoqueiros
O jeans do Caio

Para chegar a participar de um grande evento, é preciso ter algum valor profissional. Mesmo nomes sem a expressão dos estilistas famosos, como Caio Gobbi, deve ter feito algo para merecer um horário dentro da agenda oficial. À primeira vista, a simplicidade das estampas, o elenco desprovido de estrelas e a falta de cenários grandiosos dão a impressão de primo pobre.
O mérito de Caio Gobbi é o jeans. Atenção ao que ele faz, aos tratamentos que inventa nas jardineiras masculinas, nas minissaias com bolsos xadrezes. O aspecto suave, clareado nos lugares de desgaste natural, sem seguir as costuras ou rasgões agreesivos, é a pista do Gobbi. Nos acessórios, imperam as mochilas funcionais , incluindo o modelo para carregar o skate

Rodapé / uma delícia, o Louvre, doce de chocolate da Payard, que tem balcão na Bienal. Caro: custa R$ 9 / na nova Patachou, que conta com o casal Sandra Pires e Luiz Stangherling na liderança, apresentou a coleção criada por Ana Magalhães, fiha da Luiza, que fazia a maravilhosa moda masculina da Art-Man, em Belo Horizonte. Ana é parecidinha com a Andrea Marques, estilista da Maria Bonita Extra / no show-room, curau, pão de queijo e bolo de milho, quitutes mineiros do bufê Arroz de Festa / o velho tom bordô, o cor-de-vinho, agora tem jeito de rótulo. Chama-se Baalbeck
Ranieri estréia com louvor

Praticamente um tecido e um modelo-chave bastaram para Wilson Ranieri estrear na passarela da São Paulo Fashion Week. Mestre da moulage desde os tempos de iniciante no evento Amni Hot Spot, onde cresceu durante cinco anos, Ranieri discretamente deu um show de competência no primeiro desfile de domingo no MAM, no parque do Ibirapuera. Atendeu a uma “vontade de feminino”, como definiu o estilo, com o tecido devorê em preto ou em combinações de preto e bege ou preto e vermelho. A textura variada e as eventuais transparências da matéria-prima se destacaram nos vestidos de cintura marcada por torcidos ou repuxados. Decotes drapeados profundos, em tecido liso, também deixam entrever o devorê. Há também calças estreitas, em cotelês e alfaiataria em tropical e o veludo em estilização de xadrez escocês, sem sair da cartela que Ranieri chama de quarteto mágico: preto, vermelho,pérola e camelo. Tudo chique, exato, a partir do vestido seco, de saia reta.

Rodapé / o maquilador Celso Kamura usou dois tons de batom, um escuro no lábio superior e outro, mais claro, no inferior. Tudo, MAC / na platéia, Alexandre Herchcovitch de bermudas e havaianas; J. de camisetão bordado, bermuda e boots pretos / na trilha, sem parar, Babaloo / foi uma estréia no mesmo alto nível de Eliza Conde, no Fashion Rio / melhores desfiles até agora: Ellus, Lino Villaventura, Ronaldo Fraga, Maria Bonita, Neon / Melhores coleções: Simone Nunes, Reinaldo Lourenço, Forum, Tereza Santos, Alexandre Herchcovitch feminino / este ranking está sujeito a mudanças, porque o evento acaba amanhã / Bruna Tenório é destaque nas modelos

Saturday, January 27, 2007

André Lima se exercita

Em 20 looks, André deu um recado especial. Chega de longos estampados, de coloridos tropicais, do calor dos enviesados. É hora de uma mulher do tempo, um delírio, um filme. O que significa isso? Nada, talvez a moda seja apenas um exercício de imagem. Que se traduz em vestidos curtos, linha A, com o preto dando a base para maxi-pulls trançados sobre saiotes plissados, se combinando com branco, em modelos montados em listras diagonais, presas por pontos dourados ou no espinha-de-peixe estilizado, com prata, no casaco-capa ou no pied-de-poule em shorts com caban de amplas mangas. Nada simples, tudo muito requintado. Mas diferente do habitual André Lima, que mudou o visual das modelos para um estilo mais europeu. Lembra as campanhas da marca francesa Cacharel, nos anos 60/70, fotografadas por Sarah Moon, as vitrines da Biba, de Londres. Cabelos eriçados, com faixa na testa, olhos esfumaçados e bocas com batom escuro, bem desenhadas, deram uma esperança de padrão de beleza diferente do atual louro-liso-longo.

E mais / há alguns meses, André percorreu Paris com a prima Deolinda Vilhena, em busca da trilha deste desfile. Deolinda estava em plena reta final da defesa de tese sobre o Théâtre du Soleil, de Ariane Mnouchkine, parou tudo e acompanhou o primo. Que acabou usando uma trilha também em francês, escolhida por Julia Petit / pela terceira vez ele usou a passarela com módulos e portais em vermelho e preto. Deve dar sorte / amanhã, o dia começa com as elegantes moulages de Wilson Ranieri e acaba na animação da Cavalera.
Manifesto da Vide Bula

Bem, tinha tudo para ser a Vide Bula dos tempos do passeio dos casaizinhos hippies, da camiseta do presidente Bush com nariz de palhaço. A promessa era de um manifesto contra a anorexia, o mau humor, etc. A produção teve a idéia engraçada de jogar todas as roupas sobre o macacão preto, com desenho do esqueleto em branco, a música com swing de James Brown deveria animar o andamento. Acontece que promessas, música e fantasia estão longe de definir uma coleção. Apesar de haver um aviso prévio que seria um conjunto conceitual, ficou faltando moda com a graça dos mineiros da Vida Bula. Faltou jeans, mais aparente, ele se escondeu embaixo dos grafites e letras coloridas, faltaram mais camisetas e tricôs, em geral destaques da marca. Deve estar tudo no show-room. Bem que podiam estar na sala com 400m2 cobertos de pedaços de outdoors, os modernos manifestos das cidades.
Em todo caso, a amostra revelou que há muito vinil colorido, em parkas de vários tamanhos e estampa de oncinhas de todos os jeitos, nas calças pregueadas femininas, nas bermudas masculinas, nos bonés e nas mochilas. O cinza predomina em pantalonas.


Rodapé / Giovanni Frasson, de tênis New Balance preto; Paulo Martinez, de calça camuflada. Dois elegantes que ditam moda / Por sinal, Paulo recebia uma declaração de amor a cada dois minutos, era cercado de beijos por convidados / Alberto Ramlow abriu em Pomerode uma marca de pijamas de luxo masculinos, a Bem Bom. A ver na rede, em www.bembom.com.br
Surpresas de Lorenzo

Lorenzo Merlino tem uma legião de amigos na área paulistana, faz umas trilhas diferentes (nem sempre maravihosas, mas sempre diferentes), e não sabe fazer desfile feminino. Esta constatação antiga deu lugar a uma novidade: ele é bom na linha masculina! Aliás, muito melhor do que na feminina. Nesta ala, usando tecidos à base de PVC e fibras modais (feitas a partir da celulose) mistas com veludos e jérseis, com botões e ferragens exclusivas, Lorenzo passou vestidos com fios refletivos, preto sobre preto, saias com barras de cartelas de texturas em tons crus e brancos, blusas com acúmulo de pregas, ombros de fora, mal arranjadas com calças de alfaiataria, um ou outro bom vestido de um ombro, ou casaco com decote contornado por botões. Vamos esquecer da estampa de vaca malhada em marrom e branco. O problema nem sempre é a roupa, e sim a montagem e a ordem na passarela, os acessórios, enfim, o visual.
Depois, chegam os homens. E a coisa muda para calças de barra afivelada, camisas originais, com alças abaixo dos colarinhos, para quem quer prender a gravata de uma forma diferente. Suspensórios e cabelos com gel dão o correto ar vintage anunciado como anos 1900 nas suas previsões. Muito boa, a calça prata com camiseta branca, em malha de bambu, de cavas raglan. É isso aí, Lorenzo Merlino entende de moda masculina.

Rodapé / desabafo de um convidado, depois de cumprimentar uma amiga com o beijinho na face: “estes dias, estou só nos beijos e na massagem”, referindo-se aos corners de massagistas na Natura / a cidade de Treviso muito citada. Em uma tarde, soube que a pizzaria Piola, que é um dos restaurantes dentro da Bienal, nasceu lá, em 1986. E os tênis da Diadora também começaram em Treviso, no norte da Itália,em 1948 / no redário próximo à filial da Livraria La Selva, as redes vieram da Paraíba. A designer Lenita Maia desenvolve os modelos para a marca Terra do Sol, e a população da cidade de Gurinhém, quase toda constituída de idosos, trama e tece as redes em algodão colorido, palha de bananeira, fibra de coco.
Simone Nunes começa bem

Vestidos curtos, linha A ou evasês, enfeitados por flores recortadas e
bordados coloridos fizeram o desfile encantador de Simone Nunes em sua
estréia no evento oficial da moda de São Paulo. Simone já era
integrante do grupo que participava do Amni Hot Spot, de onde saíram
outros estilistas atualmente em carreira solo.
O amor ao passado, que resgata técnicas e materiais antigos e investe
no futuro, com as representações do natural e a imitação do passado -
até agora, foi a melhor colocação da semana, que define este contraste
de natureza e sintético.
A roupa vista na sala do MAM tem crina de cavalo como acabamento de
alfaiataria, um truque tão antigo quanto os pontos de arroz e
trançados dos lindos tricôs, alguns com interferiencias de fios de
roca. Tantos dados velhos, datados dos anos 60, incluem livros do
fotógrafo David Bailey (o homenageado no emblemático fime Blow-up)
entre as inspirações, não impedem que o estilo seja quase teen, de tão
jovem. Simone ousa reviver até as saias clássicas, pouco acima dos
joelhos, em cores severas como o café, companheiras de camisas com
estampa de gravataria e cabans em cinza ou marinho. E repito: o
resultado vai vestir as garotas recém-saídas da faculdade para os
primeiros postos de trabalho.
Uma excelente estréia, uma das melhores contribuições para os
guarda-roupas de inverno.

Rodapé / jóias seguem o caminho inverso. Sempre foram cobiçadas pelas
classes mais pobres, os modelos eram criados para as elites e a
nobreza. Hoje em dia, designers como Patrícia Saghi olham para a rua,
para os movimentos de hiphop, a periferia, para inventar jóias
modernas, cobiçadas pelas classes altas. Patrícia trabalha para
Claudia Cunha / encontro outra estreante, a Eliza Conde, na saída da
Maria Bonita. Depois dos elogios ao belo desfile no Fashion Rio, ela
responde, toda feliz. "Demorei para começar, mas agora não páro mais".


Maria Bonita, enganadora

Trompe l’ oeil é técnica de arte que reproduz e distorce a realidade. Ela engana o olhar, como fez a estilista Daniele Jensen na coleção da Maria Bonita. Tramas de pied-de-poule que na verdade são estampas, regatas de paetês sobre vestidos, que são aplicacões, falsos fechos nas costas de alguns casacos e até uma das peças-chave da temporada, o cardigan de tricô, é estampa fotográfica do clássico modelo de tranças, registrada pela artista gráfica Ana Laet.
O trabalho de Daniele Jensen combina com o da diretora e cenógrafa de teatro, Daniela Thomas. Há sempre algo mais, além da moda, no show. Nesta edição, a Thomas preencheu o centro da sala 1 com pilares de madeira recobertos de vinil preto. Vinil, em vez de madeira de reflorestamento, que seria mais de acordo com a proposta geral da semana?
“ Pois é, nada sustentável”, Daniela se apressou a comentar, antes do desfile, “mas temos que pensar que nada, nem petróleo, poliéster, etc, será riscado para sempre. Vamos mudar aos poucos, aproveitar as coisas legais do passado e inventar coisas maravilhosas para o futuro”. Além do fato de serem em vinil, as colunas provocaram o atraso de pouco mais de uma hora, porque atrapalhavam a visão dos filmes dos patrocinadores.

Rodapé / primeiro comentário da Malba Paiva, sócia na marca há 31 anos: “gostei das roupas, mas não gostei das modelos”. Era o choque das perucas de franja e corte reto, a maquilagem clara, e a atitude dura na marcação. Trata-se de uma nova beleza, assinada por Celso Kamura / um convidado lendo o cartaz do evento de showrooms, dentro da Bienal: “o que é isto? Who use? “(quem usa, em inglês macarrônico) . O nome escrito era SPFW House, e o desligado leu só uma parte do título

Friday, January 26, 2007

dice, no glamour

O preto como fundo para as cores, é o código da marca de Valdemar
Iódice nesta temporada. Na sala preenchida por painéis fumês, a
história começou com ponchos e casacos pretos, com barrado colorido,
em listrado irregular de aplicações em rosa, amarelo, azul. Mais
tailleurs-shorts beges, vestidos com flores, tudo sobre collant de
corpo inteiro, em Lycra preta e sandálias de saltos metáicos, em
verniz colorido. Em seguida vieram as onças, a estampa que também é
sintoma de sensualidade, em vestidos com barras de paetês marrons ou a
frente-única e os tops com costas cobertas por transparências negras.
O final ganhou mais colorido e mais brilho, em estampas metalizadas e
esvoaçantes, em capas e macacões.
A melhor parte, no entanto, continuou sendo a das capas trench-coat
longas (até os joelhos), uma delas em Carol Trentini, as calcas
pregueadas e os vestidos curtos, com transparências nas costas. A cor?
Preto.
O desfile só perdeu em edição. Quando parecia que tinha acabado o
estoque de jeans com vivos prateados, surgia mais uma modelo, meio
perdida, de jeans, em meio a uma série de onças.
Para qualquer frio, Herchcovitch

Enfim, há moda masculina para o inverno. Alexandre Herchcovitch encerrou seu show com um verdadeiro urso branco, que encerrou a produção dedicada a um clima de neve e muito frio. Casacos e calças de pele fake, capuzes contornados por peles e uma mistura de esportes de rua mais os congelantes esportes de esqui, tudo foi batido no liquidificador da criação com algumas marcas registradas do estilista mais conceituado da cidade: caveiras e a estampa pixelada. Muito do que passou na sala do MAM era efeito de passarela. Fora a ironia das peles, Alexandre desfilou quase-clássicos casacos matelassês, japonas pretas, um terno informal, com zíper nos bolsos e casacos canguru estampados. O padrão camuflado se mantém nas calças, os tênis All Star e tipo Van são decorados pelo desenho pixelado, que ganha aplicações como mosaicos em alguns blusões.
Em todo caso, vai que neva por aqui. Ficamos sabendo que há calças e casacos de pele branca à disposição dos friorentos.

intervalo / a maquilagem dos rapazes e os pingentes das correntes de chaveiro tinham flocos de neve como tema / na platéia, um ícone do AH: José Mojica, o Zé do Caixão / Liana Padilha e Camila Kfouri fazem os vocais dos desenhos animados das aberturas da SPFW. A idéia da animação saiu da visita do diretor Richard Luiz à exposição de ilustração de moda, há dois anos, no magazin Bon Marché, em Paris
Erika Ikezili

Fibra de bambu tingida com urucum, botas de cano alto feitas em tecido e a malha dupla, versão do neoprene para uso fora do mar foram algumas maneiras que Erika Ikezili encontrou para se integrar na onda naturalista que assola a semana de moda de São Paulo. Além destes materiais, que fornecem notícias para os repórteres convidados, a estilista deu um tempo nas suas técnicas de origami e nos coloridos fortes japoneses. Esta decisão repercutiu bem no resultado final, esta foi uma de suas melhores coleções. Ainda há franzidos e recortes em forma de triângulos e estrelas, alusões a um universo infantil, mas são modernizadas pelo tal tecido tipo neoprene cinza. Ele dá uma base alegórica para peças mais fáceis, como blusas em jérsei com estampa pixelada ou um ziguezague que lembra Missoni dos anos 60. As malhas listradas com lurex encontram modelagens com repuxados e franzidos, bem diferentes do clássico e batido estilo marinheiro.


intervalo / a maior parte dos materiais de Erika Ikezili é da Tecelagem Santa Constância, de onde saem os jérseis Fluity, a malha dupla e a malha de bambu / esta malha demorou 18 meses a ser desenvolvida. O começo foi a técnica dinamarquesa ensinada aos índios do Xingu, para que pudessem extrair e utilizar as plantas brasileiras como tingimento. A representação Bpar passou para a Santa Constância a técnica à base de urucum, e depois de quase dois anos de pesquisas a tecelagem é a primeira indústria brasileira a tingir industrialmente a fibra de bambu com anilina natural. Este projeto foi levado para Davos / nada como sentar ao lado da Costanza Pascolato, sócia da Santa Constância, para saber todos os dados técnicos

Tereza SantosO tricô sem ranço, é a definição do trabalho de moda da mineira TerezaSantos, que vende para o mundo inteiro, com direito a corner naGalerie Lafayette, em Paris. E do mundo ela traz seus materiais,porque emprega fios de alpaca do Peru, sedas e linhos da Índia, lãmerino da Escócia, casmere da Itália e angorá da Turquia. A muherviajante, que precisa estar sempre bem arrumada foi o alvo desteinverno. Nada melhor do que este tricô modernizado no estilo, que nãoamassa, para uma mala cheia de moda. Tereza mostrou saias em marfim epreto, cardigans em vermelho, saias em franjas de lã e sensuaissuéteres feitas em tramas de fios trançados com contas de vidro.Filmes do Cinema Novo e da Nouvelle Vague foram homenageados nascamisetas com o título Le Diable Blonde na estampa e no final, maisuma vez Isabelle Boemeke, a modelo gaúcha que está despontando comdestaque da semana, fechou o show com um casaco com a tradicionalexpressão The End, escrita nas costas.intervalo / na platéia de Tereza Santos, clientes fiéis como Luiza Brunete Claudia Raia / sapatos com saltos e calcanhares em metal foramconfeccionados especialmente para a marca, pelo grupo Assintecal, daindústria calçadista / duas convidadas conversam sobre energias egrupos de meditação na fila A. Depois de combinarem um encontro com umguru indiano, uma delas comenta que a energia no Rio é melhor do queem São Paulo porque "lá, o evento tem mais natureza, e a naturezachupa as energias ruins". Cada uma.../ Luiz Salém e Alexandra Richter interpretavam um estilista e uma repórter de maria-chiquinha, para o quadro Repórter por um dia, do Fantástico, antes do desfile
Gloria Coelho A roupa masculina dos reis ingleses, dos períodos eduardianos, dorock romântico ou de Franz Ferdinand, mais o desodorante RexonaCrystal estavam por trás das criações de Glória Coelho, que desfilouao meio-dia no salão do shopping Iguatemi. Na verdade, a maior fontede idéias foi o filho, Pedro Lourenço, que no ano passado deixou deassinar a própria grife para estudar em Paris. Nesta semana da SãoPaulo Fashion Week Pedro votou e assinou o styling do desfile do pai,Reinaldo Lourenço, e inspirou a mãe, Glória, na coleção que, segundoela, recupera o visual dos homens desde os tempos bizantinos até osdias de hoje. Depois de um mês de curso de modelagem em Paris, PedroLourenço voltou ao Brasil para acabar o segundo grau, e só então faráuma faculdade dentro da Saint Martin, de Londres. "Cheguei à conclusãoque em Londres está o pessoal da minha geração. Em Paris, cursandoArtes, ficaria perdido na turma". Ele pode mudar de idéia muitasvezes. Tem 16 anos, 1,82m, muito estilo e ainda pode ganhar algo como modelo. Pedro foi a origem das vestes de veludo, dos trench-coats que trocamde comprimentos, dos casacos ajustados sopbre camisas brancas, comgrandes laços na gola. Certamente o cara não inspirou pessoalmente osvestidinhos de seda com mangas de babados ou os vestidos linha A, comfrufrus brancos.intervalo / na platéia, comentava-se o desfile de Isabela Capeto, a serealizar na segunda-feira. Como será na loja, um espaço diminuto, ondedevem caber umas 80 pessoas, o show terá duas sessões, cada uma para80 convidados, sem lugar para fotógrafos. Apenas Marcio Madeira cumprirá o papel de registar as imagens. Rola uma certa indignaçãoentre os editores de vários estados, que foram comunicados que nãoreceberão convites. A maioria acha que seria melhor sair fora daagenda oficial / Glória Coelho manteve a franja da Michele Provensi nolugar / deu um overbooking na fia A da Glória / bonito o casaco daprópria Glória, com estampa foil em prata sobre preto / Jussara Romão encara a sério seu lado designer de jóias. Estava com pulseiras lindonas

Thursday, January 25, 2007

Triton, de bolinhas

A Triton aderiu aos tons sombrios, aos pretos e cinzas. Mas oh, quanta jovialidade. Poás de vários tamanhos alegraram os minivestidos soltinhos, as batas de decotes quadrados e as suéteres vinho com costas em seda também de bolinhas em rosa, cinza e pink. Bonitinho, leve, completado por shorts pretos de alfaiataria. Sem vulgaridades, até as pernas de fora ganham um ar ingênuo, arrematadas por botinhas e meias grossas rebaixadas. A história das bolinhas tem origem cult. Tufi Duek se encantou com o trabalho da japonesaYayoi Kusama, artista plástica que faz instalações com esferas e bolas. As bolinhas estiveram instaladas nas roupas, em forma de poás, no piso da sala, cercando o caminho das modelos, e no cachorrinho dálmata, muito assustado, que passou no colo de uma das modelos.

E atenção: new face no pedaço. A gaúcha Isabelle Boemeke, de Pelotas, está se destacando no elenco das beldades. A Triton fechou a coleção com a menina, de vestido de seda rosa, com pastilhas pretas junto ao decote, Isabelle desbancou Carol Trentini, que até agora fechava todos os desfiles. No backstage de Patricia Viera, a gaucha também chamou a atenção depois da maquilagem de Ricardo dos Anjos, com pálpebras cobertas por sombra glitter verde.
Patrícia Viera industrializada

Patricia é uma das profissionais de moda que despertam mais admiração quando apresenta seus trabalhos em couro. Do ateliê na Penha, no Rio, para a passarela de São Paulo, ela costuma trazer prodígios de artesanato nos chamois e napas. Nesta apresentação de inverno, a novidade vai além da moda andrógina, com direito a gravatinhas, desfilada ao som de Fred Mercury. As calças skinny, com fecho na barra, as camisas estruturadas com pences, as saias aparentemente feitas com tirinhas de couro preto e cinza e os padrões de xadrez tartan em textura fosca e couro ficam mais acessíveis, porque a produção será aumentada, o preço final, reduzído. Esta mudanca, fundamental numa das marcas mais cobiçadas e mais caras do mercado brasileiro (preço médio, R$ 2 mi), se deve ao fato de Patrícia ter descoberto a Mod’Amont, empresa com tecnologia capaz de fundir o couro em tule de lycra e de a seda no couro, formando o tartan. Algumas peças, como a saia de nozinhos terminados em franjas, ainda são feitas uma a uma, demoram de três a quatro dias para ficarem prontas. São exceções, em um estilo que prima por tirar do couro o visual casual e rústico.

Rodapé / na platéia da Patrícia, o inglês Robert Forrest e sua mãe, Beth. Robert foi o primeiro a descobrir a fábrica na Penha e levar compradores da Brown’s, de Londres, para onde a estilista exporta até hoje. Foi dele o conselho para tirar o segundo “i” do sobrenome Vieira, porque nenhum inglés ou americano saberia pronunciar / “adoro plotter”, brincou Patrícia no camarim, referindo-se aos métodos industriais de fundir tecidos sobre o couro / Ricardo dos Anjos dividiu a maquilagem em dois estilos, sempre focando os olhos: um contorno escuro, rímel só nos cílios superiores ou a sombra glitter, sem contorno algum, tipo anos 80
Ataque dos índios na Raia de Goeye

Por índios, entenda-se nações americanas, dos iroquois das florestas dos Estados Unidos. Paula Raya e Fernanda de Goeye são chiques demais para usarem referências tupiniquins. Por elas, o que vale é o campo de milho, o pôr-do-sol, a sociedade matriarcal desta tribo. Tudo isso, é explicado antes do desfile. Sem estas histórias, a coleção continuaria interessante, dentro do espírito sexy e cool da marca. A começar pelo local, uma casa no Jardim Europa, com a passagem das modelos nos jardins da mansão. Bonito, rico ambiente, com pequenos problemas como o sol queimando a platéia e a instabilidade das caixas de som montadas em tripés – uma delas caiu sobre a cabeça de Gloria Kalil.
Mas o show deve continuar. Depois do susto da caixa e do agito da entrada da modelo Daria Werbowy, musa da marca Lancôme, entraram as esguias beldades de calças elaboradas, sempre com algum babado, encaixes enviesados, pregueadinhos no vincos, interferências prateadas, detalhes que enfatizam a forma estreita no alto, aberta na barra. Muitas, em listrado combinando azul, preto e cinza. Da cintura para cima, há volumes de camisões, batas, casacos sobrepostos, também cheios de adereços decorativos como frisos de preguinhas, motivos de traços geométricos de pinturas de pele em aplicações nas costas. Isto, quando há algum tecido nas costas, porque uma das tradições da Raia de Goeye é o decote que desnuda o corpo, na lateral ou nas costas, até abaixo da cintura. Outra marca registrada das moças: os algodões e sedas puras, montados em camadas para dar coerência com a definição de formas orgânicas.
Sem penas, mocassins ou couros, esta foi a proposta de inverno da Raia de Goeye.

Rodapé / e os iroqueses, onde estavam, nas roupas? Não fizeram falta / Raica Oliveira está loura. Manuela de Paula é a morena mais exótica e bonita da semana. Daria Werbowy não tirou os óculos escuros. Estava de mini de chamois e blusinha preta. Bonita de verdade / uma peça ótima, a polo linha A, enviesada, em rosa-goiaba. Nas costas, traços metálicos aplicados, para lembrar dos índios / o styling das colunáveis paulistanas é do carioca Felipe Veloso; a beleza, do Cláudio Belizário, que na semana que vem embarca para os camarins do circuito americano

Wednesday, January 24, 2007

Osklen ecológica

A coerência do roteiro da marca de Oskar Metsavaht leva ao sucesso. Este desfile baseado em estampas geometrizadas indígenas, fotos de penas coloridas, tons naturais e um jeito meio explorador, meio urbano, completa um ciclo de temas ligados à preservação ambiental e à natureza. Daqui para frente, deve predominar mais do que nunca o conceito e-brigade, a brigada que defende a Amazônia, as águas, o planeta. Traduzindo para a moda, traz grandes suéteres em malhas de pet reciclada, tricôs orgânicos, palhas de buriti e madeiras recicladas nos acessórios. A silhueta segue os parâmetros da nova moda: estreita, tanto feminina como masculina, enriquecida por grandes capas de formas irregulares, acentuada por botinhas de salto alto ou tênis luxuosos, em dourado ou prata. As calças encerram as maiores novidades, já que ficam na área dos leggings de malha, nas skinnies tanto masculinas quanto femininas. Há shorts justos em malhas aderentes, e calças jeans de cós na cintura, em denim escuro.
O camuflado, muito claro, mantém sua força, tem tudo a ver com os temas ecológicos da Osklen, assim como as camisetas com a expressão Kyoto Protocol. Entre os prováveis hits de inverno, figuram os suéteres masculinos de decote em V, com corte atlético. Dito assim, parece banal. Mas o toque Osklen garante a diferença. Eles têm um ar usado, confortável e de muita classe

Rodapé / Há uma certa falta de celebridades, repito. Gloria Maria levou um susto ao entrar na sala. Foi cercada por uma multidão de fotógrafos e flashes / Stefan Hottinger-Behmer, convidado há sete anos dos eventos brasileiros, repórter de revistas como a Harper´s e o jornal New York Times, lança a Gatsby, revista de estilo de vida, para leitores acima dos 30. Feita em papel Flexipaper, fácil de dobrar ou enrolar e levar para a praia. O detalhe é o preço. Uma página de publicidade custa em torno dos R$ 10 mil reais, o que para uma publicação que circula nos USA e na Europa é uma pechincha. Em outubro, sai a Gastby com caderno brasileiro, com os desfiles de verão.
Tufi de Niemeyer

Certamente este trabalho de Tufi Duek estará de novo nas vitrines e corredores de tendências das grandes lojas internacionais, como o Bon Marché, de Paris. Lá, ele tem modelos colocados ao lado de vestidos de Stella McCartney e Marc Jacobs. Além da beleza dos longos de seda, com palas de couro, decotes desnudantes drapeados nas costas e recortes coloridos junto a cinza-mescla, há uma atração importante: a arquitetura de Oscar Niemeyer. As colunas do Alvorada viram aplicações em preto sobre tecido preto, formas geométricas enfeitam decotes profundos. Quatro vestidos secos, em seda, cada um de uma cor (vermelho, amarelo, preto e roxo) têm os desenhos do próprio Niemeyer na estampa localizada. Já é uma bela vitrine, em qualquer lugar do mundo.
Tufi abre carreira internacional, aumenta a linha, oficializando a Forum, a Forum Tufi Duek, mais seleta e a Tufi Duek, de edições limitadas, próximas da absoluta exclusividade. O jeans não é lembrado na passarela do inverno, mas o conjunto foi excepcional, porque como diz Tufi, "Muda-se tudo. Nunca a essência".

Rodapé / A Koleston bem que tenta impor os tons castanhos e avermelhados nos cabelos. Mas o elenco do desfile continua louro / Marcio Madeira, carioca residente em Paris, fotógrafo do site Style.com entre outros pontos de referência da moda, já se prepara para voltar ao circuito internacional. Dia 31 embarca para Nova York. A agenda oficial começa dia 2, "mas dia 1º já temos uns offs importantes", segredou Marcio / o inverno segundo o estilo paulistano está leve e luxuoso. Maioria de roupas festivas, poucos casacos, quase nenhum suéter. Ninguém mais acredita no frio / Isabela Capeto já provoca agito. O desfile na loja admite apenas 60 convidados
Reinaldo Lourenço

Reinaldo Lourenço ocupou o lugar deixado por Ricardo Almeida, e abriu ao meio-dia a temporada da São Paulo Fashion Week, em um auditório subterrâneo da FAAP. No desfile de visual impecável, pela qualidade de tecidos e de costura, o styling assinado por Pedro Lourenço (fiho de Reinaldo e Gloria Coelho, também estilista) apenas acrescentou chapeuzinhos enviesados aos looks inspirados por uma babel de fontes. Da aristocracia eduardiana saíram as golas e babados plissados e a própria predominância do preto; da alta-costura dos anos 60, os primorosos pregueados desencontrados, do princípio da era industrial os bordados de pedras nas golas e o arremate punk, tão prezado pelo autor, foi visto na profusão de zíperes prateados. E mais as estampas digitais imitando madeira, em camisas e vestidos balonês com barras bordadas. Em resumo, Mad Max e aristocracia, cascas de árvore e alta costura.

Rodapé / bonita, a cartela de marrons do esmalte Risqué, aprovada por Reinaldo / Walter Rodrigues manobra com mais elegância nos tortuosos caminhos dos patrocínios e apoios. Reinaldo Lourenço chega a declarar que os vestidos com franjas presas de correntes são alusivos ao desodorante Rexona Crystal / na platéia, Fernanda Torres, já de chapéu, como mandam as coleções, Debora Falabella de blusa floridinha de mangas bufantes / a disputa pela fila A foi tão intensa, e os lugares, tão poucos, na claustrofóbica salinha, que cada cadeira tinha dois ocupantes / muitos fechos estruturando as saias, vestidos e casacos. Fica a dúvida, qual será o que abre e fecha de verdade?

Tuesday, January 23, 2007









Vai começar a edição de inverno da São Paulo Fashion Week!

Mas antes, comento sobre o desfile masculino de Giorgio Armani, em Milão. Além do clássico estilo do italiano que resgatou a moda do seu país de um limbo onde dormia desde o sucesso de Emilio Pucci, o que se viu foi a silhueta perfeita em tecidos tecnológicos e a proposta do luxo, agora em versão masculina.
Na platéia, artistas como Clive Owen, intelectuais como a escritora Katie Saunders, mais a sobrinha do estilista, Roberta Armani – ela é altona! -, que desfilou ao lado de um toureiro, o Cayetano Rivera.

Comentário: touradas são shows que faço questão de perder. O mais estranho, é o fascínio que os toureiros exercem, e me incluo neste time de admiradoras. Muito esquisito, porque sem tourada não existiria toureiro.
Interessante notar como a Espanha continua também a exercer este fascínio. A dança flamenga, os toureiros e as infantas estão sempre citados entre as influências de estilistas do mundo inteiro. Uma razão, a identidade fortíssima da Espanha.
Giorgio Armani, inteligentíssimo homem de moda e marketing, marcou pontos contratando o Cayetano para a passarela. Olé!

Friday, January 19, 2007

Rio Moda Hype 2

Pelo jeito, na próxima edição do Fashion Rio teremos um povo do RMH sendo alçado ao desfile solo. Há as restrições de produção, de ter pontos de venda, de garantir um status de profissionalização que nem sempre os novos conseguem, em tão pouco tempo. Nestes dois dias, porém, pelo que se viu na passarela, nomes como Daniela Konnoly, Felipe Eiras, Adriana Pacheco e Carol Sofia merecem um upgrade, a subida para os Novos Designers.

Dia 2 do RMH
Koolture, de Daniela Konnoly: chega de rock, de camisetinhas com brilho e looks sexy/disco. Vestidos curtos, linha A, com aplicações espelhadas na barra e decote, em preto e branco total, dos óculos de poás aos tênis de cano alto, que tiram a impressão de roupinha de brechó. Um pouco Audrey Hepburn, um pouco Twiggy, só não deu para identificar o tema “Dançando na Chuva”. Mas foi fofo.

AdPac: Adriana Pacheco leu “Zumbi, uma história mal contada” e criou o Funk Quilombo, roupa masculina original, em pied-de-poule lilás, imaginem. E funcionou, inovou nas peças oversize – blusões canguru, suéteres -, compensados pelas calças skinny em jeans washed. Um acessório, o cordão com búzio grandão. O quilombo estava no carimbo nas costas de uma calça; o funk, nos casacos com capuz, eu suponho

Renata Veras: as meninas estão feras no couro. A nova geração, representada por Renata e por Carol Rossato, propõe formas muito mais livres em chamois, napas & cia. Renata, sobrinha de Amaury Veras, foi do vestido com estampa de árvores ao casaquinho Couture, passando pela saia em duplo balonê. O casaco com visual desgastado é clássico, para agradar a quem prefere investir em roupa, em vez de moda. Uma graça, as touquinhas de aviador. Mas tem que ter aquele rosto bonito, de Michele Provenzi, no mínimo

Felipe Eiras: ele sabe fazer tricô, crochê, bordar, o que for preciso para produzir uma roupa diferente. Uma amostra, no blusão de patch de pontos diversos, o que chamo de peça de coleção ou de museu, de tão bonito. Felipe aprendeu também que é preciso vender a roupa, e desfilou camisas masculinas com peitilhos de trás para frente, suéteres de listras desiguais, com tiras saindo pelos lados e impressionantes coletes feitos inteiramente de botões forrados ou a blusa feminina, toda de tirinhas abotoadas. Parece estranho, pela descrição, mas perto do que Felipe faz normalmente, estava super-comercial. Tinha até casaca, calça cinza e camisa branca, look ideal para um noivo trendy!

R. Groove: mais um nome para a moda masculina, o Henrique Gonçalves. Ele estreou no Rio Moda Hype com calças com cortes ousados, largas no alto, ajustadas do joelho até a barra, usou o black jeans e arriscou um dourado em colete matelassê e calça skinny

Despi: Despina Filos foi mais literal, na inspiração na Amazônia e no mercado Ver-o-peso, em Belém. Vestido em tiras imitando árvore, estampas lembrando desenhos indígenas e aplicações de tramas rústicas combinadas com pedras (o Pará é um dos grandes pólos de pedras brasileiras) nas barras de batas de renda mostraram porque a Despi vende horrores quando vai para os salões de Nova York e atraiu a atenção de belgas na edição de verão do Fashion Rio. Ainda atendeu ao gosto nacional, pouco chegado a estes toques nacionalistas, com um belo casaquinho preto, de costas bordadas e calça skinny. Teve um ar vitoriano, gótico, internacional.

Rodapé / no Fashion Business, sente-se falta de mais espaço para a novidade, o Salão do Acessório. Acho que ainda vai render muito. Afinal, bolsa bonita não falta no Brasil / Falando nisso, é uma fofice a bolsinha de vinil da Tutti. Parece de boneca, em rosa, laranja, mas tem funcionalidade de gente grande, com bolsinho para celular, chaves, etc. É o mimo do lounge do JB, no Mídia Center / botas ótimas, na Sandra Senamo, que veio feliz da vida de São Paulo para o evento carioca. Têm preços bons, devem sair de R$ 380 a R$ 480 no varejo / fotógrafos reclamam: as modelos estão olhando muito para o chão. O que é isso, meninas? Medo de cair?

Tuesday, January 16, 2007

Novos (e bons) talentos

Três nomes que começam a empolgar formam o grupo dos Novos Designers: Luciana Galeao, Kylza Ribas e a novíssima Caroline Rossato. Luciana trouxe outra versão, mais luxuosa, dos mosaicos que lhe deram fama. Agora, há mais dourados contornando decotes, recortes mais ousados nos tecidos, quase sempre em verdes e violetas, com base marfim. O melhor, apesar de ficar de fora destas experiências artesanais, foi o vestido curtinho, linha A, em trama de tear. Passarelas são espelhos dos desejos de consumo. Os longos da Luciana passam ao largo do momento atual. E poderia haver uma variação maior de propostas no desfile.
Kylza se firma como nome importante no panorama carioca, pela trajetória própria, cheia de personalidade. Por exemplo, em vez de música, contou com Arnaldo Antunes recitando sobre o Tempo, tema da coleção. Os bordados foram trocados por jogos de modelagem, quase sempre em cinza e nude, assimetrias e texturas de tecidos modernos, idênticos a sacos de lixo. Com eles, Kylza fez casaquinhos curtos, que certamente darão um upgrade contemporâneo ao guarda-roupa mais caído. Para quem quiser um visual menos, digamos, reciclado, Kylza traz de volta dos anos 80 os tafetás changeants ou o furtacor, do preto ao roxo, também em casacos curtos e quadrados.
A boa surpresa foi a estreante Caroline Rossato. Seu trabalho em couro pode ser comparado, em qualidade e estilo, ao de Patricia Vieira. Principalmente nas pecas coloridas, truque difícil de ficar bom em chamois – nos casacos com palas e punhos nervurados, deram super-certo. A atitude das modelos, que caminhavam impulsionadas pelas botas de salto plataforma recuado, sempre de calcas de couro colantes como meias (como resolveram o vestir e despir destas calcas no camarim?), é a imagem precisa do novo look da moda: passos curtos, duros, o corpo jogado para trás, como lindos robôs.

Iesa Rodrigues

Sommer siderada

Thais Losso está morando em Brusque (Santa Catarina). Do jardim de casa, vê um céu que nunca viu em São Paulo, e de onde tirou as idéias para esta coleção desfilada no Planetário da Gávea. Um toque de espaço sideral, muitas lembrancas dos anos 60 e 80, sem esquecer que é preciso agradar às menininhas clientes da Sommer, que curtem a inglesinha Lily Allen e são blogmaníacas. O resultado desta mistura foram as regatas gigantes, com estampas de planetas e monstrinhos alienígenas, vestidos em nylon preto com cinturões de verniz, jeans skinny para homens e mulheres, com aplicações de corpos celestes. O stylist Felipe Veloso acrescentou colares com armas espaciais de plástico dourado e brincos de acrílico, além de arcos com anteninhas para as cabeças . Dos anos 80, vieram os blusões na fronteira do agazalho esportivo e calças estilo training, próximos de roupas de astronautas.Vestidinhos curtos e de saias rodadas homenageiam o espírito dance dos uso de materiais como o lurex nas meias e o nylon nos casacos e vestidos.
Thais Losso contou que perdeu o medo de criar em preto, investiu em vestidinhos curtos, em nylon preto. Também acrescentou cores lisas, pela primeira vez, já que sempre foi cconhecida pelas estampas, desde os tempos de Cavalera e Zapping. Mas encarregou justamente os desenhos e estampas de darem o toque de fantasia, principalmente nas camisetas.

Intervalo / Um desfile sempre aguardado com ansiedade, desde os tempos que a marca pertencia ao estiista Marcelo Sommer, a Sommer, agora integrante do grupo Meneghotti, no que depender de Thaís Losso, sempre terá uma apresentação assim, espetacular. “Acho que não sei fazer de outro jeito” , comentou Thaís / a assessora Tania Otranto estava elegante, com vestido Pucci da Daslu / ótimos, os sapatos e botas da Sommer. Divertida, a idéia da arma de filme de ficção científica, como pingente de colar / a cantorinha inglesa Lili Allen tem 21 anos, é filha do ator Keith Allen e estourou nas oparadas londrinas com o single Smile, em 2006. Já é ícone de moda / Enquanto isso, na Couromoda, está em lançamento a linha de bolsas Pucca, inspirada em personagem japonesa, também teen / Chove no Rio. Vamos ver como a Marina da Glória reage.

Monday, January 15, 2007

Victor Dzenk

Uma feira de Guadalajara impressionou o mineiro Victor Dzenk, que trouxe o colorido e o brilho das roupas mexicanas para uma linha pop, contemporâneo, com um shape anos 80. O mix de vestidos com pássaros coloridos aplicados, a multiplicidade de empregos para as oncinhas em casacos, leggings, bolsas e vestidos e o sutil dourado das malhas ficou atraente. Pode ter havido algum excesso de looks, talvez a Frida Kahlo fosse dispensável, mas o conjunto tinha charme. Victor manobra bem no circuito High Tech, usou a malha de bambu e digitalizou os bordados. Destaque para os cangurus com capuz, em versão luxo e os cardigans de oncinha, muito válidos.

INtervalo / Costanza Pascolato contou do sucesso das malhas na moda internacional e brasileira. "Nunca vi nada tão popular quanto esta malha com viscose. Nós lançamos na Santa Constância há seis anos a Radiosa, que tem alta qualidade, não dá peeling, é mais cara. O jérsei Fluity é a novidade, um tecido superfino, muito macio, de poliamida / no meio do desfile, Costanza apontou para os longos do Dzenk, pra mostrar o estilo do Fluity. Bonito

Animale, a bordo

A idéia de Cláudia Jatahy era a mulher que vive nos aeroportos, cheia de compromissos de trabalho. Para ela, Cláudia imaginou um guarda-roupa no mínimo ousado. A maioria das peças tem comprimento de blusão, são minivestidos e minissaias com aplicações de verniz imitando casco de tartaruga. A fama da Animale é a animal print, sempre há alguma onça, zebra ou tigre nas vitrines. Como estes padrões ficaram banais, a marca investe na tartaruga – aliás, uma solução condizente com os atuais dias da aviação comercial brasileira.
As roupas em couro são maleáveis, o material ganha pregueados e franzidos e forma casacos e vestidos com pequenos volumes. O colorido-base continua o preto, mas corais e amarelos são admitidos na bagagem. Além dos cascos de quelóides, há estampas de fivelas de malas, quadriculados e xadrezes com fundo verde, usados tanto em casacos-ponchos como em bem-comportadas camisas.
Faltou a emoção de uma viagem, talvez um andamento mais estressado na passarela. As roupas têm qualidade, o couro tem trato especial. Mas o tricô trançado faz grandes casacos longos, cinzentos, do tipo que servem nas esperas das salas de embarque, mas não perdem o encanto sedutor das golas levantadas.
Seria incrível ter passageiras tão glamurosas. A dúvida reside nas bolsas: são grandes, espaçosas, lindas. Será que caberiam nas caixas de raios-X?

Intervalo / a Animale reuniu muitas celebridades. No meio do tumulto, vi Babi, Chistine Fernandes, Juliana Paes / Gílson Martins me contou que está feliz com a loja de Copacabana. Lá, pintam além de gringos chiques, gente que vem ao Rio para seminários e congressos, as ricas do próprio bairro. - Elas não querem sair do bairro, têm horror de procurar estacionamento em Ipanema. Copacabana está se recuperando, com a Modern Sound, o Copa Café, comentou. Lá na Figueiredo Magalhães ele vende malas de carrinho (estas, têm filas de espera)e malas que são peças únicas, numeradas e assinadas, que valem de R$ 1.500 a R$ 1.900. Desfile, Gílson nem quer mais fazer. "É muito estresse" / Em vez de Raquel Zimmermann, veio Talytha Pugliese, lindinha

Nossos comentários também estão em www.jb.com.br e em caso de demora de internet, em www.iesa-rodrigues.blogspot.com. No papel, em página inteira, no Jornal do Brasil

Mara Mac

Certos desfiles deixam a platéia nervosa. Quando combina moda e a orientação de um diretor de teatro, então, a coisa pode resvalar para o drama grotesco ou a comédia vaudeville. A entrada do desfile de Mara Mac, com oito carrões Mercedes pretos, empurrados por 30 modelos-figurantes, parecia a prévia de um show constrangedor. Será que a direção de Bia Lessa, craque dos palcos cariocas, comprometeria a coleção de uma das mais antenadas e prestigiosas marcas da cidade?
Felizmente, a história seguiu muito bem. As moças empurradoras, integrantes do conceito da dança da mulher no dia-a-dia urbano, encostaram nos carros e abriram passagem para as modelos circularem no suposto engarrafamento. Nesta hora, o constrangimento acabou, tudo ficou certo. Mara MacDowell apresentou uma coleção primorosa, em tons de cinza, preto, beges, combinando muita malha com volumes nada catastróficos. Muitas assimetrias – isso é, casacos que fecham de um lado, com ondulações, golas armadas, que emolduram rostos, sapatos altos e sapatilhas lembrando sapatilhas de ballet, casacos de tricô sobre saias curtas e leggings feitos de meias. Calças de training e cangurus ganharam aspecto luxuoso, com tricôs por cima. Há sempre um jeito jogado, largado, nos looks montados pelo styling de Rogério S.
Sãs as mulheres modernas, citadinas, que carregam grandes bolsas. Ou uma veste-mochila, linda.
Não acabou por aí. As lindonas se instalaram nos carrões, ao lado dos motoristas que liam jornal. As empurradoras voltaram, de bicicleta. No meio da passarela atravancada, entraram andarilhas, mulheres de roupas mais soltas, calças amassadas, cardigans grandes. Uma blusa com estampa de vasos sangüíneos nas costas, com bermuda fina e legging. Interferência de metalizados. Golas armadas, protetoras. E por fim, Michele Provenzi, Gisela Rhein e Eugenia Kusmina vieram como bailarinas, de saias quase tutus, em preto, se esgueirando descalças, sobre a passarela formada pelos carros.
Talvez nem precisasse tantos carros, tanto esforço. Mas valeu, e a moda foi o verdadeiro show.

Marcia Ganem

Assistir à Marcia Ganem virou um privilégio. Incrível acompanhar a evolução desta baiana descoberta por Eloysa Simão em um ateliê de sobrado em Salvador: no começo, as roupas eram aplaudidas pelo aspecto conceitual, apesar de um tanto exóticas demais para serem vestidas. Ao longo dos Fashions Rios, Márcia foi colhendo aplausos, patenteou em 1998 a fibra de poliamidas, foi chamada para apresentações na Europa. E agora mostrou uma coleção digna de qualquer passarela.
Para o inverno 2007, Márcia supera o lado exótico, sem deixar de ser conceitual, porque cada modelo tem uma história. Começa pela inspiração nas redes de pesca, a trama filé, que é retrabalhada com pedras e cristais, sem parecer um falso luxo. Depois, evolui para os bilros, a renascença, os trabalhos de nozinhos e nhanduti (crochê paraguaio). Ok, aí está o artesanato, o folclore de sempre. Só que veio a surpresa de ver estes fios formando minissaias franjadas, vestidos bordados sobre segundas-peles, miniboleros, blusas com basques emaranhadas em tom mel, calças de alfaiataria com corpetes de mangas quadradas, em tramas desfiadas.
Foi uma versão futurista e contemporânea das técnicas seculares do nordeste. Uma apresentação moderna, com as meninas de cabelos longos e lisos, puxados para trás, dentro dos padrões atuais da moda. A cartela, dentro das restrições também impostas pelas tendências – preto, branco, cinza e mel. Enfim, um look de moda, com a originalidade de Márcia Ganem, ao som irresistível de zabumba, triângulo e sanfona.
A estilista que há pouco tempo só era entendida pelos estrangeiros, está se integrando nos padrões de moda, que pode ser entendida e vestida pelas brasileiras.
É o ícone do evento, um resumo da mistura de design, artesanato e tecnologia.

Iesa Rodrigues

cara novo



Amanhã desfila este gato de pêlo lambido, o Rômulo Arantes Neto, filho do atleta nadador e modelo Rômulo Arantes, um sucesso nos anos 80. O menino é ator, faz o André na Malhação e desfila na coleção Sommer, na terça de manhã, no Planetário da Gávea.

As russas estão aí
Na ala feminina das modelos, parece que vamos falar de velhas histórias do século 19, quando chegaram as polonesas para a boemia brasileira.
Mas nada disso: agora são as lindas russas, meninas do Leste europeu, que enriquecem os elencos de modelos do Fashion Rio. Pior é escrever os nomes. Yevgeniya Kedrova, Elena Rosenkova, Eugenia Kusmina. Haja Y e K.
Por enquanto, o destaque é para a Barbara Fialho, no cast do Walter Rodrigues
Começou o Fashion Rio!



Como sempre, os trabalhos foram abertos pela coletiva de imprensa, desta vez intermediada pela Betty Lago. Magra, de mecha branca no cabelo (como aparece na novela Pé na Jaca), saia cáqui e blusa com cinto, sandália rubi, tudo Andrea Saletto, Betty aproveitou para declarar que hoje ela pode ser atriz, apresentadora, participante de Saia Justa, mas tudo o que tem e é atualmente, deve à moda.


Eloysa Simão, com decotado vestido da Clube Chocolate, comparou que no primeiro evento que produziu, contava com US$ 15 mil, era o tempo da Semana de Estilo Leslie. “É inegável o crescimento do evento. Agora temos que achar o preço justo er a fórmula certa dos nossos produtos. Vamos parar com a visão cega de quem acredita que Índia e China só fazem bobagens. O caminho é o design, a riqueza do nosso artesanato”.


Muita gente! Daí o convite ao designer Muti Randolph, que fez ilustrações e esculturas baseadas nas tramas de palha, renda e tear manual. Na edição de verão do Fashion Rio Eloysa pretende discutir estes caminhos de artesanato + design com participantes dos países vizinhos, da América Latina.

Mas ela contou que sete entre cada 10 entrevistas que deu antes do Fashion Rio versavam sobre...anorexia. “É um problema, uma epidemia moderna, como o pânico. O mercado da moda é um reflexo da sociedade. Enquanto a sociedade exige que as pessoas sejam magras, as modelos continuarão magras”. Durante a programação desta semana, teremos uma psicóloga discorrendo sobre “o insustentável peso da feiúra”. Confesso que achei engraçado o título.

Números impressionantes
A cada Fashion Rio Eduardo Eugênio Gouvea Vieira, presidente da Firjan, está mais informal. Abandonou o terno-e-gravata, estava de camisa florida, calça branca e sandálias, tudo Richards. Chamou para o lançamento do projeto A Moda pulsa, no lounge da Firjan, e citou alguns bons números. Os pólos do estado do Rio compreendem quatro mil pequenas empresas e empregam 92 mil pessoas. E que o Fashion Business, que está na 9ª edição, e já é o maior evento de negócios da moda do continente, provocou um aumento de 58% na exportação do setor .
Outro número estarrecedor: oito milhões e quinhentas mil pessoas trabalham com artesanato no país.

Fernando Pimentel, da Abit, também contribuiu com dados numéricos:
O Brasil é o sétimo parque produtivo de têxtil do mundo
O setor é o segundo maior empregador
Em 2006 a Índia faturou entre US$ 15 e 18 bilhões, e 20% da produção ainda é feita em teares manuais
“Mas quando saímos da porta da fábrica, começam as dificuldades. E ficamos em 42º lugar entre os países que exportam”, completou Fernando.

Julio Bueno, secretário de desenvolvimento do Estado, definiu bem o Brasil. “Temos três agendas. A do século 19, que assegura direitos civis, acaba com o analfabetismo, o trabalho escravo. A do século 20, do petróleo, do gás e da siderurgia. E a do século 21, a agenda da inovação, da economia, da cultura e tecnologia. O Fashion Rio cumpre a agenda do 21. “

Intervalo / Eloysa riu muito, porque perguntei se o recheio do decote era todo dela. Era / Marcelo Iabrude, da Tear Gas, bonito como sempre, de calça jeans, camiseta preta e sapato de bico fino. Ele vai abrir o Rio Moda Hype com forte manifesto contra o uso de peles na moda / outro sapato de bico fino, lindão, do Alexandre Schnabl / Eloysa tem pulseiras de estimação do Carlos Rodeiro e de palha do Jalapão

A Moda Pulsa
Altamente louvável a campanha inspirada por uma similar americana. A nossa, liderada pelo Dr. Hans tem como musa a Layana Thomaz, que aos dois anos operou de estenose pulmonar, depois, novamente aos 18, para um enxerto de válvula. E aos 26, mais uma cirurgia, para novo transplante de válvula, porque a anterior tinha prazo de validade . A cicatriz no colo comprova esta saga.
Para a Firjan, este movimento foi motivado porque souberam de um grupo de mulheres hipertensas que faziam tricô para aliviar a tensão. O Dr. Hans (o sobrenome está no cartão, depois revelo) contou que o coracão mata 10 vezes mais do Aids e câncer, entre mulheres. Ui!

Intervalo / Ana Clara Herrmann, que organizou o Salão do Acessório, estava com vestido-túnica preta, com aplicações de pedras, da Caroline Kranz, que lançou a marca Les Sables d’Ipanema / Marta Magri, do Senac São Paulo, anunciou o curso de técnico em visagismo, juntando beleza e moda. Serão 800 horas/aula, durante um ano. Um verdadeiro upgrade para os profissionais de salão. Em breve as info estarão no site www.sp.senac.br / a caminho do camarim da Lilica encontramos Walter e suas modelos, já penteadas e maquiladas. Ele, de bermuda! E camiseta preta, com alfinetes dourados na barra. Comentário “estou louco que isso acabe”. Ninguém agüenta o stress antes dos desfiles / no lounge da Firjan, o chef Écio faz comidinhas saudáveis, boas para o coração

19h: Lilica Ripilica
Vestidos estilo quimono, bordados de porcelana e pregueados de origami justificam a inspiração japonesa que a equipe liderada por Deborah Barros criou para o inverno daqui e do mundo, já que a marca de Santa Catarina tem lojas e vende para varios países. Em destaque, os casaquinhos curtos de malha, os mais longos, de corte ajustado e a linha de acolchoados em tons de rosa. A combinação de verde e arroxeado, com toques de marrom, compete com os rosados e lilazes típicos da marca. Os tricôs têm lurex na trama, as meias são estampadas, vermelhas, as menininhas lindas levaram muito bem a coleção sobre a passarela de esteirinha.
É isso aí, roupa de criança, sem perder a atualidade. No final, a neve de isopor completou a fantasia da moda que é a Lilica Ripilica

Acessórios: botas de cano longo, solado injetado, bolsas e sacolas nos mesmos tecidos das roupas. Luvinhas, toucas e echarpes fininhas de tricô

19h10



Intervalo / segundo Giuliano Donini, um dos sócios do grupo Marisol, a loja da Lilica em Milão está indo bem. “Diria até que ela surpreende, porque superou as expectativas”, arrematou. / as minimodelos eram da agência Désir, de Niterói / Rafaela Rômolo passou dois looks / Isabel Fillardis não perde um desfile da Lilica, sempre traz a filha / Zelia Lewandovski deixou por uns dias o salão Mirage, de Porto Alegre, e veio maquiar e pentear as lindinhas. “Elas ficam com sono, quando estou maquilando”, comentou / em seguida, rumo ao Gabinete de Leitura, perto da Praça Tiradentes, para ver o Walter. Por sorte, há um serviço de vans levando.





20h15: Walter Rodrigues
Bonito é pouco. Tudo deu certo. O cenário dos três andares de biblioteca, do Real Gabinete Português de Leitura, o tamanho da sala, a trilha do Felipe Venâncio. E a moda, naturalmente, resultado de viagens pela China e pela Guatemala. Se eliminarmos os cabelos enrolados das modelos, concluímos que foi um dos desfiles mais fáceis de usar do Walter. A contribuição das flores recortadas de tricô, feitas pela Apoena, os acabamentos brihantes da Hak, de Nova Friburgo, as roupas em couro dourado da confecção de roupas de motociclista, tudo parece orquestrado e funciona em harmonia. Muito jeans em vestes, primorosas calças de alfaiataria justas ou soltas e vestidos de bailarina, em tule preto, foram destaques.
20h28

Sunday, January 14, 2007




O Fashion Rio começa hoje

Pois é, domingo e vamos nós, a turma da moda, ver o que se pode vestir no nosso inverno. Antes de retrucar que não temos esta estação no país, lembrem dos 10 graus que marcavam os termômetros de rua no Rio de Janeiro, em agosto de 2006. E dos seis graus à noite, em Sampa. O que querem? Neve?
A partir das 15h, horário da entrevista coletiva, em que Eloysa Simão apresenta os patrocinadores, a Firjan e o Senai Moda anunciam suas atrações, estará dada a partida da edição de inverno do Fashion Rio.
O formato da Marina da Glória está diferente. As tendas de imprensa chegaram mais perto do mar – esperamos que não haja ressaca. O Fashion Business avançou e se instalou em tenda transversa. São três salas de desfiles, Ipanema, Copacabana e Corcovado. Os horários dos desfiles, em geral marcados para a tarde, devem possibilitar a visita ao Fashion Business e ao Salão do Acessório, organizado por Ana Clara Herrmann.

Agenda de hoje
18h30: Lilica Ripilica – a marca mais avançada do grupo Marisol, de Jaraguá do Sul (Santa Catarina), mais uma vez abre o evento. Agora a roupa que veste as menininhas adeptas do rosa e fãs da coala branca que é ícone da marca, tem uma história internacional para contar, já que foi inaugurada uma Lilica Ripilica em Milão, na esquina diagonal à loja de Giorgio Armani

19h30: Walter Rodrigues – o paulista que trocou as passarelas paulistanas pelas cariocas está cada vez mais feliz com este feito. As coleções ficaram mais leves e ganharam em originalidade, graças à habilidade de Walter de unir seu requinte ao trabalho de diversos pólos e cooperativas. Ele usa estruturas e modelagem de lingerie, vinda de Nova Friburgo, rendas e bordados da Arp, também de Nova Friburgo, bordados e aplicações da Apoena, de Brasília e rendas das comunidades litorâneas do Piaui´, sem falar nas parcerias com marcas como a Couthé, que faz belas bolsas, ou os couros de roupas de motociclistas, do Rio Grande do Sul.
Além de se apresentar no Fashion Rio – e desta vez, num local especial, que é o Real Gabinete Português de Leitura, na Praça Tiradentes -, Walter Rodrigues costuma mostrar suas coleções durante as semanas de moda de Paris. No Rio de Janeiro, está à venda no Espaço Lundgren, no Fashion Mall e na loja da Vieira Souto. Ele assina os vestidos de grandes ocasiões (leia-se “posses”) da primeira-dama, Marisa Letícia. Na posse do segundo mandato, Walter escolheu o vestido simples, em georgette amarelo, com casaco de camélias de renda, feitas pelas rendeiras de bilro do Piauí. “O desenho das camélias foi criado por estudantes de moda holandesas, que estiveram com as rendeiras para aprender a trabalhar com os bilros, depois de saberem da existência da cooperativa pela internet. Em troca das aulas, deixaram o desenho desta flor, que foi usada no casaco.

Thursday, January 11, 2007

Faltam 4 dias para o Fashion Rio



Uma das melhores apresentações do Fashion Rio de verão, em junho de 2006, a Theodora volta nesta edição pensando em muita bagunça. Sem tema, sem cartela definida, um caos ordenado. Rita Wainer usa estampas a traço, sem computador, mistura silk e caneta Bic, borda, aplica pedras e conchas, empeteca com pérolas as formas amplas e curtas.
Os jeans da Levi’s são mais uma vez customizados pela Rita. As sapatilhas de lona estampada (estampa da coleção) e os escarpins de verniz são da New Order

Nem vamos sentir a espera dos desfiles, porque teremos revistinhas da Ediouro com as palavras cruzadas e sudoku (jogo de números, viciante) da Coquetel, distribuídas na sexta edição do Rio Moda Hype, o evento dos desfiles de novos talentos do Fashion Rio. Os convites e o jornalzinho que circularão nos dias 18 e 19 também são recheados de passatempos. Um detalhe: as palavras cruzadas são temáticas, abordam a Moda Arte e a Moda Ética, temas conceituais que regem os desfiles do Rio Moda Hype
Doze novos talentos irão apresentar suas coleções: Athria
Gomes, Ad Pac, Charllotte, Despi, Felipe Eiras, Marciana, Koolture,
Renata Versa, Paulo Luz, R.Groove, Soul Seventy e Teargas.

Se as conexões, wifi, cabos e blogs estiverem numa boa, teremos a cobertura de sempre aqui no www.estiloiesa.com.br. Se neste endereço postagem estiver muito lenta, deve ser repetida em iesarodrigues.blogspot.com (sem o www). E tem mais: vejam a cobertura no site do Jornal do Brasil, em www.jb.com.br/fashionrio.


Para os fanáticos
O quê? Achou ruim ficar sem ver moda no intervalo entre o Fashion Rio e a São Paulo Fashion Week? Pois temos uma programação: a segunda edição do Moda no Museu, showroom que se realizará de 20 a 30 de janeiro no MuBE – Museu Brasileiro de Escultura, em São Paulo. Serão 21 empresas nacionais, com destaque para o grupo de Novos Talentos.
O evento é idealizado por Adriana Coutinho e Flávia Rotondo e organizado pela Efeito Promoções e Eventos.
MuBE: rua Alemanha, 221 / Jardim Europa
Horário: das 10 às 19h, diariamente
Quem expõe: A Fábrica, Ateliê Rita Neves, Bloom, Dellea, Domitila, Ëlas, Elioza Conde, Essenciale, Florbella, As Marias, Inuitto, Laura Lima, Luciana Vicente, S & B Acessórios, Tatiana Gorentz, Thelu e Verosenso. Novos talentos: Julia Borges, Kostuum, Kylza Ribas, Layana Thomaz e Nina Becker

Para menores
Enquanto rolam os grandes lançamentos na Marina da Glória, no shopping Iguatemi do Rio de Janeiro, a garotada de 4 a 12 anos vai se esbaldar com os eventos Barbie Fashion Fever e Hot Wheels Radical. As meninas farão fotos, depois de produzidas com roupas e maquilagem. Os meninos participam das corridas em pistas cheias de curvas e loopings.
O camarim da Barbie Fashion Fever exige a apresentação de nota fiscal de compras no shopping de no mínimo R$ 50. O resto dos eventos tem entrada franca.

De 15 a 30 de janeiro, no shopping Iguatemi (praca de eventos): rua Teodoro da Silva esquina com rua Barão de São Francisco, das 14 às 20h; aos sábados, das 10 às 20h

Outra para as crianças. Ou melhor, para quem faz moda de crianças

A 28ª FIT 0/16 acontece no Expo Center Norte, em São Paulo, de 23 a 26 de janeiro, com 140m grifes. Além de marcas conhecidas como a Petistil, Tyrol, serão vistas as coleções de um grupo que conheci durante o Moda Trip, viagem organizada pelo Senac Rio em setembro. Elas fazem parte das marcas do pólo de Cerquilho, cidade que concentra fabricantes de roupas infantis, a cerca de hora e meia de São Paulo.

Tem mais: a partir de sábado, 13 de janeiro, o show room Grupo Galeria reúne Elisa Atheniense, Patrícia Vieira, Daniela Martins, Sarah Chofakian, Francesca Giobbi e Serpui Marie. O evento organizado por Adriana Coutinho e Flávia Rotondo terá duas estapas, a primeira de 13 a 19 de janeiro, e a segunda, de 22 de janeiro a 02 de fevereiro.
Onde: rua Groenlândia, 448 / Jardim Paulista, das 10 às 20h, em São Paulo